3. KKTC’NİN POLİTİK VE EKONOMİK YAPISI
3.1. KKTC’NİN SİYASAL YAPISI
A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (BRASIL, 1999) estabelece como a sua primeira diretriz o estimulo a ações intersetoriais com vista ao acesso universal de alimentos. Nesta perspectiva, com a iniciativa de combater situações de IA pode-se citar o fornecimento de refeições de qualidade e de baixo custo. Estas iniciativas não são recentes no Brasil, datando, segundo Leite e Arraes (2006) desde a criação do Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS) em 1940. Os autores afirmam que o SAPS congregou diversos programas voltados para alimentação como restaurantes populares. Os programas de fornecimento de refeições de custo simbólico ressurgem entre as políticas locais do EFZ.
No Rio Grande do Norte, um exemplo de fornecimento de refeições de baixo custo é o projeto Café do Trabalhador. O projeto possui seis unidades no Rio Grande do Norte, está inserido no Programa de Apoio ao Trabalhador através da Secretaria do Trabalho e Assistência Social do Estado, sendo esta refeição oferecida nas Centrais dos Trabalhadores. (MEIOS, 2009). Projetos como o Café do Trabalhador, são consideradas políticas locais da EFZ, ações práticas para solucionar o problema da fome, cabendo aos governos estaduais e municipais a execução e avaliação destas ações.
O projeto idealizado em 2004 e implementado em 2008 tem como justificativa de criação a necessidade de atender grande parcela dos trabalhadores que, em atividade, não tem possibilidade de tomar o café da manhã em seus lares, o fazem de maneira precária, optando por alimentos de baixo valor nutricional e baixo custo para não comprometer o salário, segundo pesquisa realizada pelo serviço social da SETHAS. Atuando na implementação do projeto, a SETHAS possui uma Coordenadoria Operacional de Desenvolvimento Social (CODES), uma vez que ainda não existe uma coordenação de SAN no Estado. Este grupo de trabalho é também responsável pelas ações de SAN como o Programa Restaurantes Populares (Barriga cheia), Programa de Distribuição de Leite (Programa do Leite), Programa de Distribuição de Cestas de Alimentos (Projeto Mesa da Solidariedade) e o projeto objeto deste estudo, o Café do Trabalhador.
Inicialmente, o projeto seria implantado em dois locais da cidade do Natal (Bairros da Ribeira e da Cidade da Esperança), por serem áreas de grande fluxo de pessoas que utilizam os trens e ônibus no seu deslocamento. (SETHAS, 2004) Posteriormente, o projeto passou a ser implementado em seis municípios (Angicos, Assú, Ceará-Mirim, João Câmara, Mossoró e Natal), sob o argumento de que os municípios já possuíam o espaço físico a ser adaptado da Central do Trabalhador, um local que oferece cursos de qualificação
profissional em diversas áreas, como vendas, contabilidade, informática, idiomas, estética, artesanato, além de assistências: social, psicológica, jurídica e encaminhamento ao emprego (RIO GRANDE DO NORTE, 2010). A tabela 02 representa a distribuição das 900 refeições por cada município do projeto.
Tabela 02. Distribuição do número de desjejum oferecido pelo projeto Café do Trabalhador no Rio Grande do
Norte. Município Quantidade Angicos 100 Assú 200 Ceará-Mirim 100 João Câmara 100 Mossoró 100 Natal 300 Total 900
Fonte: Elaboração do autor a partir de SETHAS (2004)
Como público beneficiário do projeto estão “trabalhadores comerciários, industriários, autônomos, ambulantes, subempregados, prestadores de serviço, estudantes, população de rua e imigrantes, que tenham rendimentos até dois salários mínimos.” SETHAS (2004). Quanto ao funcionamento das unidades, essas deverão ter o sistema de cafeteria, para todas as preparações oferecidas, sendo controladas por funcionários da empresa contratada. Esta é responsável pela instalação de mesas, cadeiras, máquinas e equipamentos necessários. O funcionamento deve possibilitar um fluxo de acesso de entrada e saída de forma a não permitir aglomerações e transtornos. O fornecimento de refeições ocorre todos os dias úteis do ano, de segunda a sexta-feira, das 6h00m ás 11h00m, podendo eventualmente funcionar em finais de semana e feriados, quando solicitado e autorizado pela SETHAS.
A empresa contratada deverá submeter os cardápios mensais à aprovação da coordenação técnica do projeto (nutricionistas da SETHAS) até o dia 20 do mês anterior para execução no mês seguinte. Após a aprovação do cardápio, este deverá seguir rigorosamente a programação, só sendo permitida a alteração na falta do produto essencial e com aviso de 48 horas de antecedência. O cardápio diário deve ser composto por um prato principal, constituído de uma preparação à base de carne ou ovos, um acompanhamento de alimentos à base de cereais, uma bebida com leite e frutas ou suco, sendo neste último item os dois nunca distribuídos simultaneamente.
O projeto Café do Trabalhador apenas se tornou viável com a terceirização da produção das refeições. A dificuldade de terceirizar as ações de políticas de SAN é assegurar
que os objetivos propostos pelo programa sejam executados e respeitados em todos seus aspectos. No projeto ocorre a contratação de uma empresa privada através de processo licitatório para exercer todas as atividades relacionadas ao serviço de alimentação. Sendo assim, a empresa contratada passa a ser responsável pelas diversas etapas de produção de refeições, desde a seleção dos fornecedores, aquisição dos alimentos, logística e preparação dos mesmos, pelos equipamentos e utensílios utilizados, pelos recursos humanos envolvidos na confecção das refeições, entre outras atividades. A SETHAS (2007) justifica para contratação de uma empresa privada a importância da política e a viabilização desta por já existir um espaço físico que possa acomodar a atividade do fornecimento de refeições:
O processo de implementação dos Cafés do Trabalhador no Estado do RN se deve a necessidade de se promover políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, que garanta o acesso da população a um alimento de qualidade e em quantidade suficiente a um baixo custo sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. Para efetivar esta proposta a SETHAS, contará com espaço físico (destinado para tal finalidade) existente nas Centrais do Trabalhador em Assú, Angicos, Ceará-Mirim, João Câmara, Mossoró e Natal. (SETHAS, 2007, p.3)
A empresa foi contratada por 12 meses sendo realizadas renovações anuais em 05/2009 e 05/2010 e 06/2011. O monitoramento e avaliação deste projeto da sua criação até fim de 2010 foi atribuição do Movimento de Integração e Orientação Social (MEIOS), que se definia como uma Organização Não-Governamental (ONG) criada em 1979, sem fins econômicos e reconhecida como de utilidade pública nas esferas municipal, estadual e federal. A ONG tinha como meta executar ações de assistência social, através de programas de proteção, promoção e inclusão social das populações que vivem à margem das oportunidades de educação e emprego (MEIOS 2009). O MEIOS foi extinto em 2011, passado, portanto a SETHAS ser o órgão responsável pela verificação da qualidade do serviço prestado pela empresa contratada, a fim de assegurar o padrão de qualidade definido e exigido no respectivo contrato, assim como o nível de satisfação dos beneficiários.
Este estudo contribuirá para melhor compreensão da forma como política vem sendo executada, não apenas em aspectos de abrangência quantitativa de usuários, mas também, com relação à funcionalidade do arranjo institucional e a SAN (quantidade, qualidade e regularidade) promovida por este projeto.