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5. DÜNYA’NIN KIBRIS SORUNUNA BAKIŞI

5.7. İSLAM ÜLKELERİ, DİĞER ÜLKELER VE KIBRIS

Esta pesquisa buscou responder em que medida o projeto Café do Trabalhador promove de forma eficaz a seus usuários da unidade Natal-RN SAN.

Através do levantamento de dados e das análises efetuadas, o estudo de caso da unidade Natal-RN do projeto Café do Trabalhador por meio da avaliação da eficácia dos seus objetivos à luz dos pressupostos do conceito de SAN revela que apesar de ser concebido como um projeto de SAN possui entraves que comprometem sua implementação, apresentando limitações para se instituir como promotor de SAN. Entre as principais verificadas: atende a população de forma assistencialista ao invés de pregar uma cultura de direitos, possui equívocos na escolha das localidades, apresenta limitações de focalização dos usuários e possui aspectos a serem melhorados quanto à qualidade dos alimentos ofertados.

Analisando a funcionalidade do arranjo organizacional (SETHAS e empresa terceirizada) na implementação do projeto, constatou-se que não houve critérios técnicos para escolha dos municípios onde o projeto foi implementado, havendo privilegio dos municípios de Angicos, João Câmara e Assú em detrimento de outros municípios que apresentavam indicadores mais significativos de pobreza tanto de em termos de contingente populacional quanto em incidência percentual de indivíduos que vivem com menos de R$ 70,00 per capita mensal.

Um dos grandes entraves das ações emergenciais de SAN resulta no fato de que ações cheguem até os que de fato precisem, a superação de critérios políticos ou facilitadores para implementação destas ações em determinadas localidades as comprometem, pois superam os critérios técnicos. A focalização das ações de SAN permite que mesmo diante de limitações orçamentárias de empregar iniciativas em todas as localidades, estas ações de acesso à alimentos possam chegar a parcela da população que tenham maior níveis de insegurança alimentar.

O processo licitatório através de pregão que elegeu a empresa fornecedora de refeições privilegiou apenas o custo da refeição, os critérios técnicos exigidos (apresentação de alvará sanitário e presença de profissional na área de nutrição) foram considerados como condição prévia para a que a empresa pudesse se submeter à seleção. Em relação ao cumprimento das competências das entidades envolvidas no projeto, a SETHAS apesar de cumprir as atribuições financeiras (transferência de recurso financeiro, examinação e encaminhamento de prestações de conta de recurso transferido ao Tribunal de Contas do Estado) não cumpre as atribuições técnicas de realizar monitoramento e avaliação do serviço

prestado pela empresa terceirizada comprometendo a eficácia do projeto. O MEIOS até 2010 cumpria esta atribuição, porém com sua extinção não houveram ajustes com sua saída.

A opção do preço como critério prioritário na escolha da empresa que forneceria as refeições coloca em questão se os aspectos qualitativos também não poderiam ser considerados além da presença do alvará sanitário que é uma condição básica de funcionamento de uma empresa fornecedora de refeições. Verifica-se que esta debilidade quanto a valorização dos aspectos qualitativos do projeto é mantida, pois considerando as atribuições de competências das partes, o monitoramento e avaliação da empresa terceirizada não é executado pela SETHAS. A saída de MEIOS não resultou em melhorias para o projeto, pelo contrário o monitoramento que era realizado passou a não existir.

Sobre as questões relacionadas ao acesso da unidade Natal-RN do projeto, o acesso físico apresentou boa localização, se situa próximo a aparelhos sociais (terminal rodoviário, Central de Abastecimento, escolas e unidade de saúde), porém a estrutura do refeitório é incompatível com a demanda ocasionando formação de filas de forma frequente. O acesso econômico apresenta como critério de elegibilidade dos usuários apenas a ordem de chegada dos beneficiários, não havendo um cadastro. A ação que pretende ser focalizada em trabalhadores com renda per capita mensal de até 1 salário mínimo não consegue ter eficácia neste aspecto.

Quanto ao perfil do usuário encontrado verificou-se que a clientela do projeto tratam se predominante de homens, com mais de 51 anos, baixa escolaridade, que reside sozinho e com renda de 1 a 3 salários obtido através de emprego informal sem registro em carteira. Quanto às questões relacionadas ao projeto, a maioria da clientela tem o comportamento de se locomover até a unidade Natal-RN por meio de transporte coletivo ou moto, frequentam o projeto durante todos os dias do seu funcionamento motivados principalmente pelo preço e que faziam a refeição em casa antes do Café do Trabalhador.

A verificação destes aspectos relacionados ao acesso do Projeto Café ressaltam o quanto é importante que as ações de acesso à alimentos sejam planejadas para de fato tenham uma localização favorável e possam ser acessíveis também aos usuários do ponto de vista econômico. O perfil do usuário permite identificar que os indivíduos que frequentam a localidade estão em percurso de outra atividade (trabalho, escola, consulta médica entre outros) e também fazem a refeição no projeto por motivações de praticidade e comodidade. O fato da maior parte dos usuários possuir renda superior a 1 salário colocam em evidencia a necessidade de um cadastro para ação ser mais focalizada nos indivíduos objetivados: trabalhadores de renda de até 1 salário mínimo.

Na análise da percepção do usuário, o projeto foi associado pela maioria ao preço da refeição. Parte dos entrevistados fizeram associações entre preço-qualidade- satisfação, onde foi percebido que a clientela considera a qualidade do desjejum suficiente, pois imagina que o preço pago é o custo total da refeição. Esta percepção representa forte limitação do controle social da ação. Outra categoria de impacto é o assistencialismo, onde os entrevistados associam o projeto a palavras como ajuda, programa de ajuda, ajuda o pessoal,

ajuda o pobre, melhora a miséria, programa social e benção . Não houve nenhuma

associação com direito entre as categorias.

Historicamente as políticas de SAN no Brasil possuem um viés assistencialista, com recorrentes condutas clientelistas e fraca correlação com direito, mesmo diante do aparato normativo recentemente consolidado. A percepção dos usuários é preocupante, pois este tipo de ação é frequentemente utilizado como bandeira partidária. Prega-se erroneamente que sua excussão que é factual e optativa, favorecendo condutas clientelistas. Sobre a associação errônea do preço da refeição, o não esclarecimento da população sobre o real valor do desjejum leva ao enfraquecimento do próprio controle social pelos usuários, pois estes sempre vão comparar o valor pago com o preço de mercado e considerarem que a refeição por ter preço baixo poderá ter qualidade inferior

Ao averiguar se aos alimentos ofertados pelo projeto atendem às necessidades nutricionais dos usuários foi verificado que apesar do valor nutricional das refeições ofertadas representar em média 95% de adequação ao valor de referencia em energia, existe a necessidade de substituição dos alimentos a base de carne que são utilizados por serem ricos em sódio e nitratos para ofertar fontes alimentares mais saudáveis. Sobre este aspecto foi constada ausência de atividades de educação alimentar e nutricional como forma de prevenção e manutenção da saúde.

Sobre a qualidade higiênico-sanitária o projeto encontrou limitações principalmente no manejo de resíduos, nos controles da exposição do alimento preparado (e inadequações das edificações, instalações, móveis e utensílios. Estes pontos são agravados pela não fiscalização dos procedimentos de preparo de refeições.

Em um cenário de transição nutricional, a preocupação com o acesso ao alimento também deve ser dotado de critérios de qualidade destes. Conceito de SAN abrange não só quantidade, mas qualidade também. Este ponto ainda é frágil nas ações emergenciais de SAN, tanto sob a perspectiva da qualidade nutricional, como da qualidade higiênico sanitária.

A eficácia das políticas públicas de SAN deve ser avaliada não apenas no aspecto quantitativo, sendo também necessárias avaliações quanto à qualidade das refeições. O estudo sobre o projeto Café do Trabalhador constatou que até mesmo o número de beneficiários pode transmitir uma falsa impressão que a política esteja sendo bem implementada. Verificou-se, todavia, aspectos de fragilidade nos critérios de participação dos usuários do projeto e insuficiência do atendimento à real demanda. Quanto à qualidade das refeições ofertadas percebeu-se a necessidade de melhoras quanto à composição do cardápio para a correta adequação às recomendações de alimentação saudável e ajustes estruturais e de procedimentos para adequação às normas higiênico-sanitárias vigentes. É conclusivo que as avaliações quanto esse tipo de ação pública voltada à promoção do DHAA deve considerar suas particularidades e conceber como multidisciplinar as formas de verificar a eficácia de suas ações.

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