Dim e nsã o do te rre no : 11,80 me tro s d e fre nte e 40 me tro s d e c o mp rime nto .
Estrutura : c o nc re to a rma d o
Alve na ria : tijo lo s c o muns, no sub so lo : tijo lo e me io imp e rme a b iliza d o
C o b e rtura : so b re e strutura d e p e ro b a , te lha s d e c im e nto a m ia nto e o s te rra ç o s im p e rm e a b iliza d o s.
Piso : ha ll d e e ntra d a , e sc a d a , lo ja s e c o rre d o re s - g ra nilite c o m junta s d e me ta l d e 4mm. Na s sa la s e c o rre d o re s inte rno s – ta c o s d e p e ro b a e na s insta la ç õ e s sa nitá ria s e te rra ç o s – la d rilho s c e râ mic o s.
Re ve stim e nto : fa c ha d a – p a stilha s c e râ mic a s: a zul e sc ura no re q ua d ro la te ra l; no re q ua d ro c o nstituíd o p e lo p ro lo ng a me nto d a s la je s e la je ta s: a zul c la ro , a fre nte e d o s la d o s: p a stilha s b ra nc a s (e m c ima e e mb a ixo d a s linha s ho rizo nta is). O re ve stime nto d a s p a re d e s la te ra is, d o a linha me nto d a rua a o a linha me nto d a e ntra d a d o p ré d io : c o r a ma re lo q ue ima d o . Ha ll p rinc ip a l: la mb ris a té o fo rro . Inte rno : á re a s mo lha d a s: c e râ mic a b ra nc a , p a re d e s: te mp e ra b a tid a . C o rre d o re s d e c irc ula ç ã o , e sc a d a s e lo ja s: ó le o b a tid o . Esq ua d ria s d e fe rro : p inta d a s a ó le o , p o rta s e nc e ra d a s o u e sma lta d a s.
Plínio C ro c e e Ro b e rto Afla lo : Pro je to c o mp le to d a g a le ria inc luind o o p ré d io d a Pre vid ê nc ia d o Esta d o d e Sã o Pa ulo , p ro c e sso 106520/ 1950-51
O desenho da galeria propunha uma ligação simples entre as ruas 7 de Abril e Bráulio Gomes, bem próximo ao processo que originou a Galeria Guatapará. Mas nesse caso, os proprietários dos edifícios eram distintos, as características arquitetônicas e os usos desses espaços também eram completamente diferentes: o prédio do Instituto da Previdência servia a atividades de caráter público e o edifício da 7 de Abril atendia aos anseios privados. Porém, ambos compartilhavam o anseio de transformar os térreos de seus edifícios, acompanhando os novos investimentos nas galerias - desejo expresso em documentos enviados à Prefeitura: “ Tra ta -se d a sub stituiç ã o d e p la nta s a fim d e se r sub d ivid id o o p a vime nto té rre o e m d ive rsa s p a rte s, c o nstituind o -se um a g a le ria à se m e lha nç a d a “ G a le ria G ua ta p a rá ” , “ G a le ria Rio Bra nc o ” e d ive rsa s o utra s e xiste nte s no c e ntro d a c id a d e ” (Tre c ho d o p e d id o d e sub stituiç ã o d e p la nta p a ra a c o nstruç ã o d a g a le ria , e m 1950, p ro c e sso nº54051/ 51).
Os arquitetos optaram por manter o projeto original dos andares de escritórios, com a mesma estrutura de circulação horizontal e vertical, a mesma distribuição das salas e as aberturas para iluminação e ventilação. Propuseram apenas, alterações no térreo, com a eliminação do jardim ao fundo que se tornou parte da galeria comercial e, portanto, recebeu uma laje de cobertura.
O prédio da Previdência, por sua vez, uma construção com traços rígidos e até certo ponto austeros, sofreria alterações apenas no piso térreo, para possibilitar a conexão entre a Praça da Biblioteca Mário de Andrade e o miolo do centro novo. A reforma no Instituto não estava sob a responsabilidade, até então, dos arquitetos envolvidos na produção do edifício à 7 de Abril, tanto que não aparecia como parte constituinte das pranchas e documentos produzidos pelo escritório. Havia apenas a menção ao ponto de ligação entre os dois edifícios indicado em planta pela presença de uma porta pantográfica. Essa relação, marcada pela existência de uma porta controladora foi interpretada pelos pareceristas como um elemento de restrição ao princípio de livre circular na galeria e por isso, uma das exigências para a aprovação da tipologia foi a sua retirada.
Reestruturado, o projeto foi novamente submetido à aprovação da Administração Municipal recebendo do diretor do Departamento de Arquitetura, Alfredo Giglio, parecer favorável: “ a lé m d a le g isla ç ã o e m vig o r nã o p ro ib ir ta l d isp o siç ã o , a s d ive rsa s lo ja s sã o d e c a rá te r luxuo so , c o mp a tíve l c o m o c o mé rc io d o lo c a l, o va lo r d o te rre no e , p rinc ip a lme nte c o nsid e ra nd o a e xistê nc ia , na c id a d e ,
d o s d ive rso s c a so s a ná lo g o s, o q ue ve m c o m p ro va r a sua c o nve niê nc ia e ne c e ssid a d e ” (Pa re c e r d e 18/ 04/ 1951, p ro c e sso nº54051/ 51).
Heitor A. Eiras Garcia, chefe de divisão, ratificou o parecer anterior, acrescentando que “ No no vo C ó d ig o d e O b ra s se rá p re vista g a le ria , a tra vé s d e e d ifíc io s, c o m a la rg ura mínima d e 4,00 me tro s. A p ro je ta d a , d e q ue tra ta o p re se nte p ro c e sso , te m a la rg ura d e 3,15 me tro s e uma e xte nsã o a p ro xima d a d e 43,00 me tro s. (...) Ao q ue p a re c e , no a nte -p ro je to d o C ó d ig o d e O b ra s, a la rg ura d a g a le ria d e ve rá o b se rva r um vig é simo d o se u c o mp rime nto . No c a so , te ría mo s 43 / 20=2,15m” (Pa re c e r e mitid o e m 26/ 04/ 1951, p ro c e sso nº54051/ 51).
Mas, antes da autorização definitiva para a construção do edifício, o diretor responsável pela Secretaria de Obras, atendendo ao pedido do diretor da “Urbi”, solicitou que o plano de ligação de toda a galeria, de rua a rua fosse apresentado. Nele deveria constar o projeto dos térreos dos dois edifícios, com todas as alterações necessárias e o acordo de conservação da servidão para que a galeria fosse aprovada, “ o u p e lo me no s, me d id a s q ue g a ra nta m a funç ã o p rinc ip a l d a me sma , q ue no c a so se ria a lig a ç ã o d a s rua s 7 d e Ab ril e Brá ulio G o me s, me d ia nte um te rmo d e e sc ritura p úb lic a e m q ue fiq ue e sta b e le c id o q ue no c a so d a re sc isã o p re vista (...) se rã o c a nc e la d a s a s lic e nç a s p a ra a s lo ja s e e xig id a a mo d ific a ç ã o d e a c o rd o c o m o s d isp o sitivo s d a le g isla ç ã o vig e nte (...)” (Pa re c e r d e 2/ 5/ 1951, p ro c e sso nº54051/ 51)
É interessante notar a atuação da Administração Pública em casos como este, de relevância para o comércio local, mas não previstos em lei. O Departamento de Urbanismo, que contava com figuras atuantes nas discussões sobre o desenvolvimento da cidade, preocupado em manter público o uso dessas artérias entre as quadras, propõe que primeiro se faça um acordo entre as partes envolvidas garantindo a realização do projeto e a sua real abertura para a cidade, antes que este fosse aprovado. Esta foi a forma encontrada pela municipalidade para preservar a idéia inicial das galerias comerciais como espaços de uso e circulação contínua de pessoas.
Em resposta a essa exigência, Plínio Croce e Aflalo desenvolvem um estudo completo para a galeria, prevendo a reforma do Instituto da Previdência e a nova sugestão para o edifício em processo de aprovação. Poucas mudanças foram feitas no projeto já desenvolvido, apenas o café foi retirado da área do edifício novo e recolocado no térreo do Instituto, além da construção de mais sete salas. Os acessos às torres de escritórios continuaram independentes, bem como as áreas de sanitários e apoios. A galeria, livre de obstáculos e contínua entre as duas quadras,
tornou-se mais uma artéria de distribuição do comércio e do fluxo dos pedestres pelo Centro Novo. No final do mesmo ano o habite-se foi expedido e a galeria pôde ser inaugurada.