İKİNCİ BÖLÜM İŞYERİ DEVRİ
D. TİCARET ORTAKLIKLARININ BİRLEŞMESİ, BÖLÜNMESİ VE TÜR DEĞİŞTİRMESİ
3. Tür (Nevi) Değiştirme
Inicio esta sub-seção com uma citação de Van Leeuwen (2008, p.105) que traduz minha posição em relação à legitimação de ações sociais “ „Todo sistema de autoridade tenta estabelecer e cultivar a crença em sua legitimidade‟, escreveu Max Weber, há quase cem anos (...). A língua é sem dúvida o mais importante veículo para tais tentativas.”10
10 “ ‘Every system of authority attempts to establish and to cultivate the belief in its
legitimacy‟, Max Weber wrote, almost 100 years ago (…). Language is without doubt the most important vehicle for these attempts.”
Busquei duas definições de legitimidade para explicitar esse conceito. A primeira diz que a legitimidade ou legitimação tem o caráter de reconhecer uma prática como autêntica. Outra definição, mais especificamente no âmbito político, apresenta “a legitimidade como um acordo tácito e subentendido entre o Poder e os
seus súbditos, sobre certos princípios e certas regras que fixam a atribuição e os limites do poder.”11
Partindo dessas definições, percebemos que a construção da legitimidade no discurso está relacionada à forma como representamos as ações sociais, a quem reconhecemos com atores de tais práticas e, portanto, está diretamente ligada à metafunção ideacional (HALLIDAY, 1994 e HALLIDAY & MATTHIESSEN, 2004) que trata da oração como representação de nossas experiências.
Portanto, em sociedade, a linguagem falada ou escrita é o meio pelo qual se estabelece e se cultiva a crença na legitimidade de todo sistema de autoridade. O autor nos apresenta quatro formas (VAN LEEUWEN, 2008 p.105-119) que nos ajudam a analisar a construção da legitimação no discurso e a refletir sobre este problema nos dias de hoje, as quais são: Autorização ou Autoridade, Avaliação Moral, Racionalização e Contar Histórias (Mythopoesis). A pergunta que subjaz a questão da legitimação para explicar o porquê da existência de certas práticas sociais é: „Por que as ações tomam a forma que têm?‟ Tais formas de legitimação podem ocorrer separadamente ou em combinação.
A Autorização está ligada à legitimação que diz respeito à autoridade obtida por tradição, pelo costume, pela lei, e/ou pessoas com autoridade institucional de algum tipo. A pergunta que se faz é: quem exerce essa autoridade e como?
(a) Autoridade Pessoal é legitimada e atribuída a pessoas por causa de seu status/sua posição ou papel em uma determinada instituição e não precisa invocar qualquer justificativa para o que eles querem que outros façam: “É porque estou mandando.” Este tipo de legitimação ocorre na forma de processos verbais.
11
Definição do historiador Guglielmo Ferrero
(b) No caso da Autoridade de um Especialista, a legitimação ocorre por meio de conhecimento especializado (expertise), por meio do qual um especialista diz, mencionando-se a fonte. A realização desta legitimação realiza-se por meio de processos verbais e mentais.
(c) A Autoridade de um Modelo a ser seguido (Role Model) é legitimada pela referência a modelos a serem seguidos que podem ser membros de um mesmo grupo, celebridades, líderes. O simples fato de esses modelos adotarem certo tipo de comportamento, ou acreditarem em determinadas coisas, é suficiente para legitimar a ação de seus seguidores.
(d) Autoridade Impessoal é legitimada pela lei, regras e procedimentos. Autoridades impessoais podem ser os dizentes de processos verbais, mas o elemento indispensável nesse tipo de legitimação é a presença de substantivos tais como política, procedimentos, regras, lei, etc., ou adjetivos e advérbios cujo significado é de obrigatoriedade imposta por uma autoridade impessoal: obrigatório, obrigatoriamente.
(e) Embora a Autoridade obtida por Tradição encontre-se em declínio em diversos âmbitos, ela ainda pode ser invocada por meio de certos itens lexicais tais como: tradição, prática, costume, hábito. E por que esse tipo de autoridade é legitimada? “Porque sempre fizemos assim.”
(f) A legitimação da Autoridade por Conformidade pode ser interpretada da seguinte forma: “Todo mundo está fazendo isso, então eu devo fazer também”. A legitimação por conformidade pode ser realizada por meio de comparação com a ação de outra(s) pessoa(s) e mais frequentemente por meio de modalidade alta.
A legitimação por meio de Avaliação Moral é baseada em valores, em vez de imposição de algum tipo de autoridade sem justificativa, e está ligada a discursos de valor moral que nem sempre são explícitos e, portanto, discutíveis. A Avaliação Moral é inferida por meio de adjetivos (bom, ruim, etc.) que podemos apenas identificar como tal com base no nosso conhecimento cultural compartilhado. Este tipo de legitimação pode ser realizado por meio de:
(a) Avaliação: uso de adjetivos avaliativos que dizem respeito a qualidades concretas de ações e coisas;
(b) Abstração: referência a práticas de forma abstrata que os “moraliza” e revelam qualidades legitimadas e desejadas;
(c) Analogias: comparações cuja função é legitimar ou deslegitimar uma ação. O autor (VAN LEEUWEN, 2008, p.113) nos diz que nos discursos contemporâneos, a Moralização e a Racionalização estão distantes uma da outra. A Avaliação Moral coloca a racionalidade em segundo plano e no caso da Racionalização, a moralidade é indireta e submersa.
(a) Racionalização Instrumental: legitima uma prática fazendo referência a seus objetivos, usos e efeitos/resultados.
(b) Racionalização Teórica: legitima uma prática fazendo referência à ordem natural das coisas, se ela está fundamentada em algum tipo de verdade e, portanto, relacionada à categoria de naturalização. Porém, enquanto a naturalização simplesmente afirma que uma prática ou ação é natural, a legitimação teórica fornece representações explícitas a respeito da „forma como as coisas são‟. Este tipo de legitimação ocorre tipicamente de três formas: definição, explicação e previsão, que podem ser de ordem científica ou experiencial.
Na Mithopoesis, a legitimação é alcançada por meio do contar histórias. Nos
Contos de Moral, os protagonistas são recompensados por engajarem-se em
práticas sociais legitimadas ou por restaurarem a ordem legitimada. Os Relatos ou
Contos de Advertência, por outro lado, transmitem a mensagem sobre o que irá
acontecer se você não agir em conformidade com as normas das práticas sociais. Em síntese, temos o Quadro 1.8:
Autorização Avaliação Moral Racionalização Histórias Costume (conformidade ou tradição) Avaliação Instrumental: Orientação de meta, meio e efeito
Histórias com Moral
Autoridade (pessoal ou impessoal) Abstração Teórica: Experimental x Científica Definição, explicação, previsão Relatos de Advertência Recomendação
(expert ou modelo) Analogia / Comparação
(positiva ou negativa)
Nas análises e interpretações conduzidas nesta pesquisa, identifiquei legitimação e deslegitimação por meio dos quatro tipos acima descritos, conforme apresentamos nos Capítulos 3 e 4.
Na seção seguinte apresento um conjunto de teorias para fundamentar as interpretações e discussões que versam sobre as questões pedagógicas presentes nos resultados decorrentes das análises linguísticas. Tais teorias compartilham bases epistemológicas com a proposta hallidiana que têm como premissa o aspecto social da linguagem falada ou escrita e contribuem para a discussão acerca (i) da representação das práticas pedagógicas (BERNSTEIN, 1971, 1990, 2000; KUMARAVADIVELU, 2008), (ii) do papel do professor nessa representação e (iii) dos instrumentos mediadores do desenvolvimento sociointeracional da criança e de qualquer outro indivíduo contido nos princípios vigotskianos (VYGOSTSKY, 1978; KUMARAVADIVELU, 2008).
1.3. Bernstein, Vygotsky, Kumaravadivelu e as Questões/Implicações