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GEÇERSİZ FESİH NEDENİYLE İŞÇİNİN DAVA HAKKI

İŞYERİ DEVRİNİN HÜKÜM VE SONUÇLARI I. İŞYERİ DEVRİNİN İŞ İLİŞKİLERİNE ETKİSİ

F. GEÇERSİZ FESİH NEDENİYLE İŞÇİNİN DAVA HAKKI

Fui em busca das conversas com os professores de modo a estabelecer um diálogo para ouvi-los a fim de me aproximar de suas realidades para melhor compreendê-la e, assim, poder reconstruir o meu conhecimento como formadora de professores de língua inglesa a respeito da prática pedagógica que permeia as experiências de ensinar-aprender inglês na escola pública. Para encerrar esse capítulo, apresento a Figura 3.1 que permite visualizar o campo do discurso dos professores, isto é, a prática pedagógica e os demais tópicos que compõem a representação da experiência de ensinar inglês na escola pública, viabilizado por meio da análise dos processos materiais:

Figura 3.1 – Os Tópicos e a Representação da Experiência de Ensinar Inglês

A teoria de Bernstein, contendo estreita interface com a pedagogia freireana (FREIRE, [1968] 2005), vê a escola como agência reguladora do acesso ao conhecimento. Neste sentido, muitos dos procedimentos descritos para o EF1, no contexto municipal, acenam para a legitimação de uma pedagogia tradicional, visível e que sugere o não empoderamento do aluno para adquirir competências na língua estrangeira e poder de fato agir no mundo com essa língua. Esse agir no mundo pode estar muito próximo (i) na passagem para o EF2 e depois EM, no contexto escolar estadual, que contam com uma proposta curricular; (ii) no ENEM, ou mesmo (iii) em uma oportunidade de trabalho futura na qual hoje o inglês é imprescindível,

Ensinar Inglês na Escola Pública

Prática Pedagógica

Procedimentos Conteúdos Avaliação

Recursos Formação do Professor - Inicial - Aprendizagem em Serviço - Continuada por Meio de Curso de Formação Alunos de Inclusão - Limitações - Potencial - Resultados

como prevê os PCN. Não se pode negar a boa intenção de se permitir que as crianças da rede municipal tenham acesso a uma língua estrangeira que possa permitir sua inserção no mundo de forma libertadora, mesmo não havendo PCN-LE para esse ciclo escolar. Questiona-se, porém, até que ponto a prática pedagógica aqui representada pelos participantes da pesquisa pode, de fato, ser libertadora.

Como ressaltou Freire ([1968] 2005), há muitos professores de boa vontade desenvolvendo seus trabalhos sem a consciência de que sua prática pedagógica pode servir ao interesse de uma dada agência reguladora. Porém, há aspectos que levam a essa prática que estão fora da sala de aula e fora do controle do professor como a qualidade de sua formação inicial e continuada e as condições oferecidas para o trabalho do professor.

Com base no quadro teórico de Bernstein (1990, p. 96-103) que estabelece as regras que constituem uma prática pedagógica, pude relacionar excertos que remetem às regras sequenciais, ou seja, de como e o que é ensinado e às regras criteriais relacionadas às formas de se avaliar o processo de aprendizagem. Quanto às regras hierárquicas ligadas às regras que estabelecem a ordem social e as relações de poder, essas permeiam o discurso dos professores de modo que ao analisar os tópicos foram tecidas considerações a respeito delas. Segundo Bernstein (2000 p.79), o modo como essas regras combinam interações, discursos e contextos revelam o código, os interesses a que o código serve, aqueles cujos interesses não são servidos, a forma que o desafio dessa prática toma e quem enfrenta esse desafio. Bernstein acrescenta (2000, p.185) que as regras se tornam recursos para apropriação na construção de práticas pedagógicas e em contextos específicos e, também, fontes de desafio e defesa por meio das relações de controle e poder a elas subjacentes. Cabe ressaltar que Bernstein não descreve de forma explícita os Procedimentos, ou modos de agir, no conjunto das Regras Sequenciais. Tais regras dizem respeito aos conteúdos e o como esses conteúdos são abordados está relacionado ao encompassamento do tempo. Porém, uma vez que o autor considera que essas regras agregam interações, discursos e contextos, permito-me acrescentar os Procedimentos às Regras Sequenciais. Essas regras foram divididas para fins didáticos, pois na verdade elas se sobrepõem e se complementam quando, por exemplo, um procedimento está intrinsecamente ligado a um recurso ou um determinado conteúdo a um procedimento.

A representação dos procedimentos e conteúdos nos revelam uma possível tendência a uma prática pedagógica entendida como sendo tradicional e conservadora (BERNSTEIN, 1990 p.106) no contexto municipal por não trazer representações de aquisição de competências que sejam socialmente funcionais no processo de ensino-aprendizagem e por tender a privilegiar o foco na transmissão quando o professor dá, passa, e no desempenho quando na maioria das vezes o aluno copia, repete, pronuncia vocabulário. Porém, o fato de não haver uma proposta pedagógica para o ensino de língua estrangeira descrita e documentada para o EF1 das escolas sob a responsabilidade da prefeitura desse município da Grande São Paulo não significa necessariamente que o trabalho dos professores seja tradicional e cuja prática não permita levar as crianças a algum patamar de desenvolvimento. Por outro lado, tendo em vista que a existência de uma Proposta Curricular para o contexto estadual sugere uma pedagogia progressista, visando desenvolver competências por meio das diversas atividades propostas pelo Caderno

do Professor e do Aluno, não significa necessariamente que a prática do professor

da rede estadual esteja refletindo e alcançando os objetivos desejados e preconizados nos documentos oficiais ou que se esteja obtendo o sucesso desejado na sua totalidade. Há estudos que ratificam as considerações aqui levantadas e mostram as dificuldades de se lidar, por exemplo, com o novo enfoque gramatical no Caderno do Aluno (SOUZA, 2010) e ganhos com conhecimento lexical, de mundo e textual proporcionados pelo material didático em questão (LOPES, 2010).

Comparando o professor de inglês da rede pública, independentemente do contexto que atua, ao sertanejo de Euclides da Cunha que, em sua obra Os Sertões, o apresenta como sendo “antes de tudo, um forte” (CUNHA, 2011, p. 118), de tudo o que ouvi nas entrevistas e analisei linguística e criticamente, concluo que, diante da configuração do seu contexto específico de atuação, suas adversidades e da representação de sua prática pedagógica e de sua formação, o professor da rede pública, o professor de inglês em particular, cuja prática é o foco deste estudo, é antes de tudo, um forte! É um forte por mostrar resiliência frente aos desafios e, mesmo assim, seguir em frente. Para que essa força seja de fato propulsora de desenvolvimento dos professores e dos alunos, faz-se necessária a formação continuada informada de modo a promover o empoderamento do professor diante das adversidades. A formação continuada, recomendada em tantos outros estudos, permanece sendo uma medida paliativa enquanto o sistema educacional público

como um todo não é desmantelado de modo a atender às necessidades socioeducacionais das quais nossa sociedade carece: desenvolvimento e inserção do aluno da escola pública, bem como do professor, no mundo em condições de igualdade a outros contextos escolares de maior prestígio, geralmente disponíveis a outras camadas da sociedade.

A inserção dos Alunos Deficientes e com NEE nas salas regulares é uma realidade que necessita ser investigada com muito zelo, visando oferecer condições reais de atuação do professor de inglês junto a esses aprendizes de modo que oportunidades reais de desenvolvimento possam ser proporcionadas.

É bastante preocupante a inexistência da representação de regras hierárquicas na sala de aula no discurso dos professores. Bernstein (1990, p. 96-97) apresenta tais regras como sendo condição fundamental (grifo nosso) para uma conduta apropriada na relação pedagógica. Bernstein é bastante claro ao afirmar que o aprender a ser professor e aprender a ser aprendiz implicam em aprender regras de ordem social, de caráter e modos de agir. A minha presente prática pedagógica em um contexto escolar público tem mostrado a dificuldade de se lidar com tais regras uma vez que nem sempre elas são suficientemente claras e devidamente regulamentadas por via legal no contexto escolar. As regras hierárquicas são bastantes claras na relação professor – instituição, mas nem sempre na relação professor – aluno.

Gostaria de destacar que, a partir de um olhar sobre os participantes sob a perspectiva do pensamento complexo proposto por Morin (1995) e sobre o que eles nos informam sobre suas experiências vividas na rede pública, entendo que esses professores são indivíduos que trazem suas experiências representadas nos discurso e expressam suas percepções e individualidades. Contudo, ao mesmo tempo eles são também sujeitos sócio-históricos que são partes de um todo e, portanto, o todo também encontra-se encampado em suas representações. Assim, retomo a epígrafe do capítulo teórico que diz “It is clear that language does – as we put it – construe human experience” (HALLIDAY & MATHIESSEN, 2004, p.29), em outras palavras, “fica claro que a língua permite que compreendamos o significado da experiência humana” (tradução e interpretação livre nossa).

No Capítulo 4, a seguir, apresento a análise e interpretação do discurso dos alunos e a discussão dos resultados.