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II. Tarih İçerisinde Ortadoğu

II.IV. Osmanlı Hâkimiyetinde Ortadoğu

2.3. Suriye İtilafnamesi

2.3.3. Suriye İtilafnamesi’nin İmzalanması

Até os dias de hoje, a base das políticas de defesa da concorrência se sustentam através de duas linhas de propostas e objetivos advindos das escolas de Harvard e Chicago. A distinção básica entre estas escolas está nos itens seguintes.

4.5.1 A política antitruste pela escola de Harvard

Influenciando fortemente a política americana desde a década de 1950 ao início da década de 1980, a escola de Harvard baseou-se principalmente no modelo de estrutura-conduta- desempenho (E-C-D) para advogar que, independentemente de outras considerações, a tarefa central antitruste seria a de impedir concentrações de empresas que pudessem levar ou apontar para criação ou aumento de poder de mercado.

O modelo E-C-D preconiza a relação na qual atributos presentes na estrutura de mercado (estrutura de custos da produção, números de empresas e consumidores, tipos de barreiras à

entrada e outros) implicam determinados tipos de conduta empresarial (ações e estratégias sobre preços, vendas, diferenciação de produtos e outros), os quais determinam o desempenho no mercado (margens de lucro, grau de distribuição de renda, oferta do produto). Ou seja, a configuração da estrutura de um mercado gera determinados tipos de condutas, e estes propiciam o desempenho das empresas pertencentes àquele mercado.

Fundamentando-se no modelo de equilíbrio competitivo, a eficiência alocativa seria, portanto, obtida no ponto de igualdade entre preço e custo marginal, e a eficiência técnica, quando preço igual ao custo médio, ambas as situações em longo prazo.

As condições que geram o modelo competitivo com tais eficiências são as de ausência de influência sobre preços (grande número de agentes, o suficiente para que não sejam formadores de preços) e livre fluxo de empresas ao mercado.

Isso posto, a não-observação dessas duas pressuposições poderia levar à criação de poder de mercado com efeitos de imposição de preços acima de custos médios e marginais no longo prazo. Estaria, então, montada a principal base normativa advinda da escola de Harvard: a tarefa da política antitruste seria a de controle preventivo das estruturas de mercado no sentido de impedir a criação e o exercício do poder de mercado oriundo, notadamente, do aumento do grau de concentração das empresas no mercado.

Falhas de mercado como barreiras à entrada (estrutura) poderiam sustentar ou estimular o uso de poder de mercado. Assim, a política de defesa da concorrência deveria atuar preferencialmente nas condições estruturais de mercado. Com efeito, esse foi o enfoque de Harvard: a predominância do controle preventivo via contenção nas concentrações horizontais, em vez de se ater tanto às condutas anticompetitivas de empresas. Segundo Lima (1998, p. 17), a política antitruste de Harvard parecia considerar a desconcentração de mercados como uma finalidade em si mesma.

A base teórica dada pela formulação da E-C-D, na qual a concentração era a variável- chave a ser controlada, foi abrindo espaço para outras considerações, como as condutas empresariais que teriam efeitos sobre o incremento de barreiras à entrada. Denominada Nova Escola de Harvard, nas décadas de 1960 e 1970, a ênfase passou a abrigar também questões como os gastos com propaganda, o nível de capacidade ociosa, acordos de exclusividade e fixação de preços de revenda como práticas anticompetitivas entre mercados geradores de poder de mercado.

Em suma, quase uma posição dogmática, a recomendação de Harvard centrou-se na criação de poder de mercado (seja por atos e condutas empresariais) como elemento nocivo e determinante para gerar efeitos perversos à eficiência técnica e alocativa, bem como a distribuição de renda. Daí a ser combatida independentemente de outras considerações que poderiam contrabalançar.

4.5.2 A política antitruste pela escola de Chicago

Em contraposição aos estudos da própria escola, compreendidos entre 1920 e 1950, surge a Nova Escola de Chicago ou a Efficiency School. Essas novas denominações serviram para diferenciar a nova ênfase à política antitruste da Escola, bem como para destacar a importância no tratamento das eficiências econômicas na análise antitruste, o que era em grande parte negligenciado por Harvard.

O enfoque de Chicago teve maior força nos anos 80 junto ao governo americano, na presidência de Reagan. A vertente de Chicago, que é uma contestação ao receituário dominante de Harvard, apontava que a visão estruturalista não contava com respaldo suficientemente teórico ou empírico para estabelecer que concentrações de mercado reduziam bem-estar econômico por meio de geração de poder de mercado. Mais ainda, elevada concentração, além de não necessariamente gerar poder de mercado e perda de satisfação social, pode, em muitos casos, ser a conseqüência de desenvolvimento da indústria. Afinal, em um processo competitivo, as firmas mais eficientes acumulam recursos, dada a sua maior lucratividade, e absorvem mercados, enquanto as menos eficientes caminham de forma inversa.

Na efficiency school, em geral, a concentração de mercado é fruto de economias de escala, escopo e, ou, de algumas das várias formas de eficiência. Assim, simplesmente coibi-la poderia justamente gerar perda de bem-estar econômico e o castigo a quem se torna eficiente, pois o grau de monopolização mostra justamente os que foram eficientes e conseguiram, através de seu desempenho, adquirir parcela de mercado. Essa manutenção de market share (desconsiderando a hipótese de colusão) evidencia a eficiência daquelas empresas em nível superior ao das demais;

caso contrário, estas perderiam mercado com a competitividade das rivais42. Também criticavam o aspecto de que uma ação governamental no sentido da desconcentração do mercado poderia causar mais distorções do que benefícios à economia.

Segundo Fagundes (2003, p. 203), “... o mérito da escola de Chicago está no fato de que o trabalho de seus defensores evidenciou a importância de se incorporar às políticas antitruste os vários tipos de eficiências econômicas, ainda que às custas de uma maior complexidade analítica, em função dos inúmeros trade-offs existentes entre tais tipos”.

Pode-se entender que as duas escolas prestaram uma evolução à normatização da política antitruste. Enquanto Harvard, através da E-C-D, chama a atenção para questões estruturalistas que atentam para o perigo do poder de mercado gerado por atos de concentração ou condutas anticompetitivas, a efficiency school preconiza a necessidade de uma filtragem na análise, considerando os diversos tipos de eficiência econômica que podem justificar tais atos. Para corroborar esse ponto, observe o exposto a seguir.

Uma pergunta que se coloca é a razão de a escola de Chicago, quando assumiu o controle da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos EUA, não ter proposto uma alteração radical na política antitruste norte-americana no que se refere ao controle das estruturas de mercado, limitando-se a introduzir a questão dos ganhos compensatórios de eficiência, que, na execução prática da política, não foi capaz de superar a análise do grau de concentração (LIMA, 1998, p. 60).

O Quadro 3 apresenta os principais pontos em que as duas escolas se aproximam e diferenciam-se na política antitruste.

42 Para chegar a essas conclusões, a Efficiency School considerava certas condições de difícil verificação no mundo

real. Entre essas: previsão perfeita, ausência de preferência ou fidelidade à marca no consumo, baixas barreiras à entrada, ou seja, modelos competitivos neoclássicos.

Itens Escola de Harvard Escola de Chicago (Efficiency School ou Nova Escola de Chicago) Principais autores43 Mason (1939), Clark (1940), Bain (1956), Kaysen e Turner (1959) e

Scherer (1976).

Stigler (1964), Bork (1978), Posner (1979), Shepherd (1988) e Demsetz (1973).

Base de pressuposição teórica

Modelo Estrutura, Conduta e Desempenho: elementos estruturais (principalmente concentração e barreiras à entrada) determinam a conduta e o desempenho das firmas. Combate a preços acima dos custos marginais.

Modelos neoclássicos.

Objetivo econômico da política antitruste

Combate à criação de poder de mercado; busca de eficiência alocativa (produção agregada) e a desconcentração do poder econômico.

Maximizar a eficiência econômica ou o excedente agregado de Marshall.

Paradigma Concentração econômica causa perda de bem-estar econômico per se. Concentração de mercado: resultado e gerador de eficiências de mercado.

Vertente da escola

Nova Escola de Harvard: condutas empresariais (propaganda, capacidade ociosa, acordos de exclusividade) geram poder de mercado.

Incorporou os vários tipos de eficiência econômica na questão antitruste. Três hipóteses sobre o mercado (SHEPHERD, 1988,p. 397):

- monopólio pode ser resultado de maior eficiência;

- colusão é a única forma de poder de mercado não geradora de eficiência; - lucros do monopólio são dissipados

durante o processo de sua formação. Obtenção de eficiências justifica a concentração.

Não há relação determinística entre elevada concentração econômica, geração de poder de mercado e perda de bem-estar.

Conceitos de barreiras à entrada

Qualquer custo que deve ser incorrido por qualquer firma entrante para ingressar no mercado. No longo prazo, os lucros extraordinários na indústria que não atraem novas entrantes são dados pela existência de Barreiras (BAIN, 1956).

Custo com que se deve defrontar uma firma entrante, mas que não ocorre para as firmas que já estão no mercado. São assimetrias de custos entre instaladas e entrantes (STIGLER, 1968). Economia de escala não será barreira à entrada se a entrante tem a mesma função de custos que as demais.

Pontos críticos

Rigor excessivo no tratamento de atos de concentração e condutas anticompetiti- vas. Controla mais parcela de mercado do que poder de mercado.

Ignora os critérios de bem-estar social.

Quadro 3 – Comparativo das escolas Harvard e Chicago sobre política antitruste

Fonte: Elaboração a partir de Lima (1998) e Fagundes (2003)