II. Tarih İçerisinde Ortadoğu
II.IV. Osmanlı Hâkimiyetinde Ortadoğu
2.3. Suriye İtilafnamesi
2.3.2. Suriye İtilafnamesi’ne Giden Süreçte Fransız-İngiliz Çekişmesi
Sob certas condições restritivas31, os mercados de um sistema econômico atingem uma posição de equilíbrio quando os consumidores maximizam utilidades e as empresas os lucros, não ocorrendo excesso de demanda em nenhum mercado. Considerando um equilíbrio competitivo, ou seja, todas as firmas estão em regime de concorrência perfeita, a situação é denominada como de eficiência alocativa de Pareto.
Sendo o mais famoso critério de eficiência econômica, esta será máxima no regime de concorrência perfeita, posto que, em equilíbrio, nenhum agente consegue aumentar sua satisfação sem que pelo menos algum outro a perca. Disso se extrai o Primeiro Teorema da Economia do Bem-Estar: o equilíbrio em um conjunto de mercados competitivos é eficiente de Pareto.
O Segundo Teorema da Economia do Bem-Estar postula que, garantida a convexidade das curvas de preferências, qualquer equilíbrio competitivo será alcançado para algum conjunto de sistema de preços. As imediatas implicações desses dois teoremas, tradicionalmente tratados nos livros-texto de microeconomia, são as de que, se o mercado operar de maneira a gerar preços competitivos, tem-se a garantia de um resultado eficiente. Nesse estágio, o sistema de preços proporciona ao mercado duas contribuições referentes à alocação e à distribuição. Na parte alocativa – supondo uma elevação de preços –, indica a escassez relativa de recursos, e na distributiva, quanto dos bens dispostos no mercado os consumidores podem adquirir.
O conceito de Ótimo de Pareto está, portanto, diretamente relacionado com as questões de eficiência. As eficiências, também denominadas condições marginais, devem estar presentes na posição de máximo bem-estar. Ressaltando a hipótese de ausência de falhas de mercado, demonstra-se analiticamente que o equilíbrio competitivo contempla as eficiências estáticas: a produtiva (ou técnica), a distributiva (ou nas trocas) e a eficiência mix de produção (condição de
31 Como as hipóteses acerca de racionalidade, escala de preferências dos consumidores, condições da tecnologia,
alto nível). A eficiência produtiva (a mesma razão entre produtividades marginais de cada par de bens), entendida como o nível de produção com menor custo de produção possível32, admite uma vertente estática e outra dinâmica33. A estática compreende a escolha da firma pelo processo produtivo de menor uso de recursos, considerando uma dada tecnologia. Por sua vez, a eficiência produtiva dinâmica ocorre quando o menor custo de produção é alcançado através de uma nova tecnologia e está por conta de inovações de processo.
A eficiência distributiva ou nas trocas (a razão entre as utilidades marginais é igual à razão entre seus respectivos preços) atesta o ponto em que a repartição do total de bens produzidos entre os membros de uma sociedade seja tal que proporcione a maior satisfação possível à sociedade. Por último, a eficiência mix de produção consiste na simultânea situação na qual a produção tecnicamente eficiente alcançada seja aquela que para cada um dos indivíduos permita a satisfação máxima. Com efeito, admite a presença de eficiência produtiva e distributiva.
Nesses termos, no equilíbrio competitivo ocorrem as três eficiências estáticas: a produtiva, a distributiva e a mix de produção. A consideração de outros tipos de eficiência não garante mais o teorema de que mercados de concorrência proporcionem o nível máximo de beneficio social. Por exemplo, na presença de economia crescente de escala (conjunto de possibilidades de produção de formato não-convexo) não há o equilíbrio competitivo, pois, por serem os custos marginais e médios decrescentes, não há a determinação e a unicidade do equilíbrio.
Considerando o equilíbrio geral, tem-se a eficiência máxima alocativa quando os preços são iguais aos seus respectivos custos marginais. Assim, estar-se-á elevando o bem-estar da sociedade pelo estudo dos mercados quando se procura atingir ou aproximar preços de custos marginais. Se ocorrer o monopólio, os preços diferirão dos custos marginais. Isso implica a quebra da eficiência no mix de produção. Haverá espaço para que, realocando os recursos produtivos, um consumidor aumente sua satisfação sem que qualquer outro indivíduo perca utilidade. Qualquer estrutura de mercado em que os preços não são tomados pelas firmas teria a
32 Isto é, estando uma firma (ou indústria) no ponto de eficiência produtiva, a tentativa de aumentar a produção de
um determinado bem só será possível se houver diminuição da produção de algum outro bem (ao longo da fronteira de produção).
33 A característica dinâmica não está relacionada às condições de Ótimo de Pareto, posto que esta última é de
quebra das eficiências verificadas na condição de Pareto. Com efeito, a concorrência perfeita configura-se como a única configuração de mercado em que se observam preços iguais aos custos marginais; seria, portanto, o regime a ser preservado ou perseguido. As características estruturais geradoras da concorrência levam a tal igualdade de valores. Entre estas, as livres condições de entrada e saída de recursos à produção, a fragmentação da oferta, a ausência de imposição de preços, a não diferenciação por marca seriam, assim, elementos essenciais a serem preservados no objetivo de garantir o máximo bem-estar possível em um sistema de mercados.
4.4.1.1 A condição de Pareto e o equilíbrio parcial
No contexto das leis antitrustes, as análises são sobre o equilíbrio parcial da condição de Pareto. Ou seja, a atenção sobre a verificação das eficiências estáticas é dada a um único mercado, sendo este o mercado relevante. Uma primeira limitação desse critério alocativo paretiano é que ele se revela inadequado para uma avaliação mais completa dos efeitos de uma ação sobre o bem-estar.
Partindo-se para o equilíbrio parcial, como base para a política de defesa da concorrência, o equilíbrio competitivo se dará na condição de Ótimo de Pareto no mercado de um determinado bem, não se observando os efeitos sobre os demais mercados. Isso retira toda a possibilidade de aferição do bem-estar geral da sociedade, o que representa o objetivo crucial da análise antitruste.
Em caso de eficiências estáticas, as condições de Pareto não exaurem o conjunto de eficiências possíveis que possam levar ao desenvolvimento dos mercados. O modelo de equilíbrio concorrencial neoclássico considera como exógenos e constantes a tecnologia e as preferências dos consumidores. No entanto, as empresas atuam de forma estratégica no sentido de alterar as preferências dos consumidores (marketing, investimento em marca etc.) e aprimorar a tecnologia de processo e de produto de forma a gerar as eficiências dinâmicas. Assim, as condições marginais de eficiência de Pareto mostram-se incompletas diante dos comportamentos estratégicos nos mercados.
Uma importante crítica do critério normativo da eficiência de Pareto é dada considerando a teoria do second best34. Como praticamente torna-se impossível que todas as hipóteses (ausência de estruturas de mercado imperfeita, ausência de falhas de mercado etc.) necessárias à existência das condições de Pareto coexistam, a não-verificação de uma ou mais eficiências de Pareto não garante que situações com maior número de eficiências sejam superiores em bem- estar do que outras com menor número. Assim, a rigor, a aplicação das condições de Pareto como instrumental único ou mesmo válido para instrumento de análise antitruste perde o sentido ao se considerar a teoria do second best.
Por conseguinte, tanto para o equilíbrio geral como para o parcial, a redução ou eliminação da concorrência (atos de concentração que caminhem do sentido da concorrência para o oligopólio ou monopólio) não atesta a geração de mais ineficiência de Pareto. Ocorrendo falhas de mercado, o que é o caso mais real, estruturas de mercados diferentes da concorrência pura podem ser preferíveis. Ou seja, a existência das três eficiências econômicas dadas pelo critério de Pareto como exclusivos ícones do bem-estar perde força de validade à medida que os pressupostos do modelo de concorrência não vão sendo verificados no mundo real. Vários autores, como Fagundes (2003, cap. 2), abordam esse ponto.
Todavia, essas eficiências têm servido como base normativa às agências antitrustes nas intervenções em favor da defesa da concorrência. Segundo Schuartz (2002, p. 112), a grande vantagem em utilizá-las é que elas são as que melhor identificam os impactos de operações empresariais sobre o bem-estar social. Ainda segundo o referido autor, até o momento nenhuma alternativa conceitual foi oferecida com maior coerência e funcionalidade jurídica.
Rigor e limitações teóricas à parte, como dito anteriormente, a aplicação das condições de Pareto ainda é efetuada como critério normativo em diversas políticas econômicas (além da antitruste). De uma forma ou de outra, a precisão científica oriunda das análises advindas do emprego de tal critério normativo fica comprometida com o grau de existência dos pressupostos associados à concepção dos modelos de concorrência que sustentam as condições de Pareto. À medida que se relaxa tal critério, para também considerar outras formas de eficiências, recupera- se, pelo menos em parte, o sentido da análise antitruste como política que visa à regulação dos mercados em prol de uma maior eficiência destes.
34 Teoria do Second Best demonstra que se a existência de uma restrição no equilíbrio geral impede a obtenção de
uma das condições de Pareto; as outras condições de Pareto, ainda que perfeitamente possíveis, não implicam melhores posições do que qualquer outra.
Uma descrição dos outros tipos de eficiências e a discussão de incorporação destas como instrumental antitruste são feitas a seguir.