II. Tarih İçerisinde Ortadoğu
II.IV. Osmanlı Hâkimiyetinde Ortadoğu
3.2. Kahire Konferansı
O termo libelo e petição aparecem nas Ordenações e possuem características semânticas semelhantes. Observemos, primeiramente, o significado de libelo de acordo com um dos primeiros dicionários da língua portuguesa. Bluteau, ao definir libelo nos dá toda a ordem do processo judicial:
LIBELLO. Deriva-se do Latim Libellus, quer dizer Livrinho, & assim Libello, he hum papel, ou breve escrito, em que a pessoa pede à outra o que lhe deve, em materia civil, ou em materia crime, pondo em qualquer dellas a sua razão & justiça, por artigos, & provas. Este que faz isto, se chama Author, & contra quem , se chama Reo. Vay vista do Libello ao Reo contrariar, & faz huma contrariedade também por artigos, & provas, mostrando que não deve; & no crime, que não tem culpa, ou que não o fez. Da contrariedade vai vista ao Author para replicar, o que faz também por artigos, & provarás. Da réplica vay vista ao Reo para triplicar, o que faz também na forma sobredita de artigos accumulativos, &c. Aqui se põe o feito em dilação, & se perguntão testemunhas do Author, & Reo. Depois vay vista ao Author para arrezoar a final, & depois de feito vay o Reo para fazer o mesmo, & então vay concluso ao Juiz para sentenciar, à sentença se seguem aggravos & appellações (...)
Interessante notar que Bluteau descreve, ao definir o termo libello, a ordem do juízo estabelecida nas Ordenações, Livro III, que trata de processo, ou seja, da ordem do juízo. Ao apresentar as abonações para vir com libello a extrai das Ordenações do Reyno, e receber libello, das Ord. (3, 84.4) Filipinas. Libelo é, portanto, um breve escrito contendo o pedido do autor sobre aquilo que lhe é de direito em matéria civil ou criminal, fundamentado na razão e na justiça. Esse termo é utilizado nas Ordenações concomitantemente ao termo petição.
A sinonímia ocorre entre libelo e petição escrita (libello e petição per scripto) nas Ordenações Filipinas (3.20) e nas Manuelinas (petiçam per escripto). Nas Afonsinas, embora já tenha sido utilizada petição como sinônimo de libelo, não estão esses termos lado a lado no texto, aparecem distantes, mas querem tratar do mesmo assunto, ou seja, da consubstanciação do desejo do demandante de forma escrita para o juízo.
se desde início, que para boa ordem do juízo, além de ser necessário a presença dos atores do processo (Juiz, Autor e Réu), é necessário o libelo, a petiçam per escripto ou per palavra, a contestaçam, o juramento de calunia, artigos contrários, artigos de repricaçam ou trepricaçam e depoimentos.
Nota-se aqui que o termo artigos de direito foi substituído por artigos de repricaçam ou trepricaçam no texto das Manuelinas e das Filipinas.
Os termos libelo e petição escrita estão lado a lado posicionados, como sinônimos e, foram acrescidos nas Ordenações Manuelinas e Filipinas. Além disso, aparece (Man., 3.15.3) o termo audiência, que não constava do mesmo instituto nas Ordenações Afonsinas, ou seja, ao explicar a ordem do juízo não tratava de audiência naquele título. Nas Filipinas (3.15.5) aparece mais constantemente o termo audiência, que não aparece no mesmo título da ordem do juízo nas Afonsinas.
Ao tratar da Ordem do Juízo percebe-se que alguns termos foram colocados em paralelo no texto, como termos sinônimos. A exemplo disso temos libelo ou petição escripta ou petição per palavra e contestação ou contrariedade.
Os termos acima aparecem como sinônimos e, ao delinear o caminho processual, as Ordenações Filipinas (3.15.5) apontam que o primeiro passo é o libelo do autor, o segundo é a contrariedade ou contestação do réu, o terceiro a réplica do autor, e, o quarto, a tréplica do réu.
Primeiramente, analisemos libelo, acompanhando a Ordem do Juízo. Nas Afonsinas, libelo só era escrito se ultrapassasse, a demanda declarada no instrumento jurídico, o valor de 300 reis branquos (ou 1 mil e 500 libras).
Esse valor nas Manuelinas é de mil reaes brancos e se mantém nas Filipinas, ou seja, mil réis.
Termos Ordenação Afonsina Livro III
libelo
3.24 e 3.20 – libello
Porque polla Ordenação do Regno he estabeleado, que ate conta de trezentos reis branquos, que dão dez mil e quinhentas libras, nam aja appelação, por tanto Ordenamos, e Mandamos que ate a dita contia, ou de tres onças de prata ou seu valor não seja o Author constrangido a formar sua petição per escripto, e poderá bem dizella per palavra: e o Tabaliam, ou Escrivaõ, que escrever perante o Julguador, que da demanda conhecer, deve escrever essa petição assi posta per palavra, e dar trellado della ao demandado pera lhe aver de responder, e esse Julguador deve encontrar taees processos, em quanto poder, procedendo em elles sumariamente, sem outro estrepito, nem figura de Juizo, somente sabida a verdade: e se a cousa, ou quantidade demanda passar da contia dos ditos trezentos reis branquos, em tal caso deve o Julguador mandar a esse Author, que venha com seu Libello per escripto em forma divida (…)
3.20.7 tralado do libello (cópia do libelo) 3.24 “venha com o Libello per escripto” petição 3.20.2 “cousas declaradas na petição do Autor”
3.20.2 “convem ao Juiz saber a cousa ou quantidade sobre que he movida a demanda e a razão porque se move: declaradas na petição do Autor.”
Significado: pedido do autor ao Juiz sobre cousa, quantidade ou razão da demanda; na declaração do autor ao juiz.
petição per escrito
3.24
“trelado da petição per escripto”
Significado: pedido feito pelo Autor ao Juiz para tratar de coisa, quantidade e razão contra o Réu, que seja maior que 300 reis branquos, exceto nos casos de força nova, guarda, roubo, condesilho e soldadas.
petição per palavra
3.24.1
E dizemos, que se essa demanda for movida sobre força, roubo, guarda, ou condesilho, ou soldadas, em taes casos, e cada hum deles poderá o Autor formar sua petição per palavra sem outro escripto... 3.23
até 300 reis branquos, que dão 1 mil e 500 libras, nam aja appelação, por tanto Ordenamos, e Mandamos que até a dita contia, (…) não seja o autor constrangido a formar sua petição por escripto
Quadro 6. Ordenações Afonsinas: abonações de libelo e petição.
Dos termos utilizados, percebemos que são recorrentes nas três Ordenações:
Termo Ordenação Manuelina Livro III
libelo
3.19
“quando será o Autor obrigado a formar seu libelo por escripto”
petição
3.19.1
E se a cousa, ou contia demandada nom passar dos ditos mil reaes, em tal caso nom será o Autor constrangido a formar sua petiçam por escripto, mas pode-la-ha dizer em Juizo per palavra, e o Tabaliam ou Escrivam escreverá no processo, e de tal petiçam nom mandará o
Julguador dar a vista aas partes (...)
petição per
scripto
3.19 “Em todo caso em que o Autor demandar em Juizo contia que passe de mil reaes brancos, ou cousa que os valha, seja obriguado de dar sua petição per escripto em forma devida, mostrando loguo escriptura pubrica daquello que demandar, se for tal caso em que por Direito, ou Ordenaçam se requeira prova per escriptura...
petição per
palavra
(…) nom será o Autor constrangido a formar sua petiçam por escripto, mas pode-la-ha dizer em Juizo per palavra, e o Tabaliam ou Escrivam escreverá no processo, e de tal petiçam nom mandará o Julguador dar a vista aas partes (...)
Quadro 7. Ordenações Manuelinas: abonações de libelo e petição.
Assim também se percebe das Ordenações Filipinas:
Termo Ordenação Filipina Livro III
libelo 3. 21.1
E postoque o réo peça vista do libello em Juizo perante o Juiz, não se entenderá que por isso se consente nelle, para o não poder ao diante recusar, se contra elle tiver legitima recusação, e não tiver feito a parte algum outro acto, per que pareça ter consentido nelle.
petição
3.30.1
e de tal petição não mandará o Julgador dar vista às partes, mas ouvil-as-ha, ou a seus Procuradores summariamente per palavra.
petição per
scripto
3.30
Em todo o caso, em que o autor demandar em Juizo quantia, que passe de mil réis, ou coisa que os valba, seja obrigado dar sua petição per scripto em fórma devida, mostrando logo scriptura pública daquillo que demandar, se for caso, em que por Direito ou Ordenação se requeira prova per escriptura.
petição per
palavra
3.20
Juiz pertence mandar fazer os actos necessarios pera boa ordem do Juizo, assi como libello, ou petição per scripto, ou per palavra, contestação, juramento de calumnia, artigos contrarios de replica ou treplica, e depoimento a elles (...)
Quadro 8. Ordenações Filipinas: abonações de libelo e petição.
O Código de Processo Criminal de 1832 apresenta os termos petição e aggravo de petição. O termo petição aparece nos arts. 167, 191, 341, 342, 344, 345 do Código de Processo Criminal de 1832, no sentido de pedido ou queixa contra alguém, de pedido do mandado de busca, bem como do pedido de ordem de Habeas Corpus.
O Título Único que trata da Disposição provisória acerca da administração da Justiça Civil somente menciona petição no art. 14, a saber:
Art. 14. Ficam revogadas as Leis, que permittiam ás partes replicas, e treplicas e embargos antes da sentença final, excepto aquelles, que nas
causas summarias servem de contestação da acção. Os aggravos de petição, e instrumentos ficam reduzidos a aggravos do auto do processo: delles conhece o Juiz de Direito, sendo interpostos do Juiz Municipal, e a Relação, sendo do Juiz de Direito.
Os outros artigos que mencionam o termo petição tratam do Processo Criminal, tais como o art. 191, que trata do mandado de busca e o art. 341, que trata do pedido de Habeas Corpus:
Art. 191. As testemunhas devem expôr o facto, em que se funda a petição, ou declaração da pessoa, que requer o mandado; e dar a razão da sciencia, ou presumpção, que tem de que a pessoa ou cousa está no lugar designado, ou que se acham os documentos irrecusaveis de um crime commettido, ou projectado, ou da existencia de uma assembléa illegal.
Art. 341. A petição para uma tal ordem deve designar:
§ 1º O nome da pessoa, que soffre a violencia, e o de quem é della causa, ou autor.
§ 2º O conteúdo da ordem por que foi mettido na prisão, ou declaração explicita de que, sendo requerida, lhe foi denegada.
§ 3º As razões, em que funda a persuasão da illegalidade da prisão. § 4º Assignatura, e juramento sobre a verdade de tudo quanto allega.
O Decreto 737 não faz referência a libelo, mas tão somente a petição. Ao tratar petição apresenta os requisitos para que esta seja aceita pelo juiz:
Art. 27. A petição para a conciliação deve conter: os nomes, pronomes, morada dos que citão e são citados; a exposição succinta do objecto da conciliação, e a declaração da audiencia para que se requer a citação; podendo esta ser feita para comparecer no mesmo dia só em caso de urgencia, e por despacho expresso do Juiz.
Vale destacar ainda que o termo petição escrita ainda se mantém até hoje, por vezes com indicação (significado) apenas de requerimento. A partir do Decreto 737 houve a adoção do termo petição inicial, para indicar aquela que dava início ao processo judicial.
No Decreto 737, além do art. 27 acima citado aparecem informações sobre petição nos seguintes artigos: 27, 33, 43, 44,46, 65, 66, 67, 237, 238, 241, 270, 275, 284, 292, 301, 308 entre outros.
No artigo 33 faz-se referência ao procedimento posterior à apresentação da petição inicial, a saber:
Art. 33. Comparecendo as partes por si ou seus procuradores (Art. 26), lida a petição, poderão discutir verbalmente a questão, dar explicações e provas, e fazer reciprocamente as propostas que lhes convier. Ouvida a exposição, procurará o Juiz chamar as partes a hum accordo, esclarecendo-as sobre seus interesses, e inconvenientes de demandas injustas.
A petição inicial aparece no art. 67 do Decreto 737 de 1850 e o conteúdo da petição está disposto no art. 66:
Art. 66. A acção ordinaria será iniciada por huma simples petição que deve conter:
§ 1º O nome do autor e do réo;
§ 2º O contracto, transacção, ou facto dos quaes resultar, segundo o Codigo, o direito do autor, e a obrigação do réo;
§ 3º O pedido com todas as especificações e estimativa do valor quando não for determinado;
§ 4º A indicação das provas em que se funda a demanda.
Art. 67. A petição inicial póde reduzir-se a requerer simplesmente a citação do réo para ver propor-se a acção, cujo objecto e valor serão sempre declarados.
Nada consta na Lei 2033 de 1871 a respeito do termo petição.
No CPC de 1939 os termos referentes à petição são petição, petição inicial e petição escrita e encontram-se nos artigos; 14, 49, 50, 72, 73, 95, 111, 132, 157, 158, 159, 160, 179, 180 dentre vários outros. Os arts. 158 e 159 mencionam os requisitos da petição inicial e o artigo 180 menciona o termo petição escrita:
TÍTULO II Da petição inicial
Art. 158. A ação terá início por petição escrita, na qual, delimitados os termos do seu objeto, serão indicados:
I – o juiz a quem é dirigida;
Il – o nome e o prenome, a residência ou domicílio, a profissão, a naturalidade e o estado civil do autor e do réu;
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido, expostos com clareza e precisão, de maneira que o réu possa preparar a defesa;
IV – o pedido, com as suas especificações;
V – os meios de prova com que o autor pretende demonstrar verdade do alegado;
VI – o requerimento para a citação do réu; VII – o valor da causa.
Art. 159. A petição inicial será instruida com os documentos em que o autor fundar o pedido.
Parágrafo único. Dispensar-se-á a produção inicial dos documentos:
a) quando existentes em notas, registos, repartições ou estabelecimentos públicos e houver impedimento ou demora em extrair certidão ou pública- forma;
b) quando estiverem em poder do réu.
Petição significa peça jurídica apresentada no processo para apreciação do juiz contendo o pedido. A contestação é uma petição escrita, conforme o art. 180, que apresenta alguns requisitos da petição inicial, os do art. 158, III e V, bem como os requisitos do art. 159. Na ação executiva há a petição para a cobrança das dívidas, conforme art. 299, nas ações de preempção ou preferência também há petição (art. 311), ou seja, a petição é um pedido por escrito formulado no processo.
A petição tem como requisito estar devidamente instruída com os documentos, ou seja, com os documentos que comprovem o direito alegado devidamente anexados, conforme se depreende da leitura do artigo 159.
Há no CPC de 1939 tratamento específico para o pedido que deve estar contido na petição, de que tratam os artigos 153, 154 e 155, definindo a acepção de pedido alternativo e pedido genérico, bem como a de pedidos cumulativos, a saber:
TÍTULO I Do pedido
Art. 153. O pedido deverá ser certo ou determinado, podendo, entretanto, ser alternativo ou genérico.
§ 1º Será alternativo, quando de mais de uma forma puder efetuar-se o reconhecimento da relação de direito litigiosa; génerico, quando puder determinar-se por meio de liquidação.
§ 2º Quando o pedido compreender frutos, fóros, rendas ou outras prestações periódicas, nele se incluirão, além das prestações vencidas, as que se vencerem enquanto subsistir a obrigação.
Art. 154. Os pedidos serão interpretados restritivamente, compreendendo-se, entretanto, no principal os juros legais.
Art. 155. Será permitida a cumulação de pedidos quando forem entre si conexos e consequentes, competirem ao mesmo juiz, e fôr idêntica a forma dos respectivos processos.
Parágrafo único. Sendo diversa a forma do processo, permitir-se-á a cumulação si o autor preferir para todos os pedidos o rito ordinário.
Além disso, não há que se emendar a petição no caso de pedido omitido na petição inicial, conforme esclarece o disposto no art. 157.
No CPC de 1973, ao apresentar os requisitos do pedido, não há definição como outrora existia no CPC de 1939, mas tão somente a contraposição entre pedido certo ou determinado, e, pedido genérico, bem como as ações em que cabe pedido genérico:
Art. 286. O pedido deve ser certo ou determinado. É lícito, porém, formular pedido genérico:
I – nas ações em que a pretensão recai, sobre uma universalidade, se não puder o autor individuar na petição os bens demandados;
II – quando não for possível determinar, de modo definitivo, as consequências do ato ou do fato ilícito;
III – quando a determinação do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu.
A petição escrita e a petição inicial não sofreram alterações quanto ao seu conteúdo nos códigos recentes (atual e de 1973). A petição inicial é a petição escrita instruída com documentos e dirigida ao juiz com o objeto da causa, dando início ao processo. No aspecto formal deve conter as especificações dos arts. 282 e 283, a saber: juiz ou tribunal, a que é dirigida; nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e do réu; o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; o pedido, com as suas especificações; o valor da causa; as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; o requerimento para a citação do réu.
Não há indicação do termo libelo nos códigos de processo aqui mencionados ( 2.033/1871, 1608/1939, 5879/1973 e CPC).
Libello é um termo que se mantém no vocabulário jurídico, embora tenha sido substituído na norma jurídica, ou seja, nos códigos processuais posteriores às Ordenações, por petição.
Há de se apontar que o termo era libello, libello per scripto usado concomitantemente nas Ordenações como petição, petição per scripto. Atualmente, utiliza-se o termo petição inicial para diferenciar a petição que dá início ao processo de qualquer outro pedido (petição) que se faz ao juiz no processo. Pode-se afirmar que o cerne da significação, seus semas característicos ainda estão presentes, pois é uma breve exposição da “coisa” e da “razão” do pedido ao juiz de uma demanda contra o réu.
O quadro abaixo apresenta os termos acima descritos de acordo com as ordenações em que são encontrados, verificando-se a manutenção de termos simples e a modificação de alguns termos compostos:
4.1. 2 Citação
As Ordenações Afonsinas, Livro III iniciam-se pela citação: título I, Das Citaçoens, como devem ser feitas. Apresenta a citação como primeiro procedimento a ser tomado para que se possa dar continuidade ao processo já na primeira página das Afonsinas, do Livro III, antes do título I:
ORDENAÇOENS DO SENHOR REY DOM AFONSO V. LIVRO III
ATÉ QUI NO SEGUNDO LIVRO havemos tratado d'alguuas Ordenações do Regno feitas per os Reys, que ante Nós foram, e per Nós. E porque a principal virtude das Leys está na execução dellas, aqual sem pratica de hordenado Juízo, não pode ser trazida à boa perfeição, porem entendemos ao diante em este terceiro Livro tratar dos Autos Judiciaes, e ordem, que acreca delles se deve ter. E porque o primeiro Auto do juizo se funda, e começa em citar huua parte a outra, entendemos falar primeiramente das Citaçoens.
O título I, apresenta os quatro modos de citação utilizados na época em que estava em vigor as Ordenações Afonsinas, a saber: per palha, per porteiro, per tabaliaõ e per editos.
Os agentes que estão diretamente ligados à citação per palha são os funcionários que têm autoridade suficiente para este tipo de citação, a saber: os Regedores da Casa da Justiça na Corte e na Casa do Cível, o Chanceler Mor e os Corregedores da Corte, conforme disposto nas Afonsinas (3.1 e 3.1.1 e 2) e deve ser feita perante duas, ou pelo menos uma, testemunha, para que o autor tenha como comprovar a citação em caso de revelia (3.1.18).
Fato é que essas figuras tinham “preeminências e denidades”, ou seja, tinham prerrogativas de hierarquia e, portanto, poderiam fazer esse tipo de citação. O termo chanceler é definido pelas Ordenações Afonsinas no Livro I:
“O Chanceller he segundo Officio de Nossa Casa daquelles, que teem Officio de Puridade, cabem assi, como o Capellam medianeiro antre DEOS, e Nós em feito de Nossa alma, bem assi o he o Chanceller antre Nós, e os homees, quanto he em as cousas temporaes, e esto he, porque todalas cousas, que Nós livramos per cartas em qualquer maneira, que ajam de ser feitas, confirando elle as deve a veer ante que as séelle, por guardar que nom sejam dadas contra direito de maneira, que elle receba dagno, nem vergonha; e se achar, que hi há alguma, que nom fosse feita, como devia, deve a deriscar com pena, que dizem em latim cancellare, e desta palavra tomou nome Chanceller, e esto assi deve se fazer (…) ca pois que ha de seer medianeiro antre Nós, e Nossa gente ...”
O chanceler era um intermediador entre o rei “Nós” e os súditos “Nossa gente” que possuía um cargo de importância na Corte, pois deveria ler e escrever com maestria, além de verificar se as cartas do rei estavam de acordo com o direito, não contrariando decisões tomadas anteriormente.
De acordo com Paula (2002, p. 141), no reinado de Afonso III, houve uma