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1.1.3. Stratejik Yönetim Süreci

1.1.3.2. Stratejik Analiz

As três críticas expostas tocam na questão do uso de amostras de modalidades linguísticas distintas considerando um mesmo método de análise. Se considerarmos que essas discrepâncias metodológicas obscurecem a análise de dados linguísticos, devemos concluirque os trabalhos em que a fala e a escrita foram usadas indiscriminadamente não apresentam resultados confiáveis.

Posicionamento contrário a esse foi assumido por Duarte, Kato, Cyrino e Berlinck (2006) ao mostrarem que os resultados trabalhados por Tarallo (1993) são os mesmos dos encontrados por elas ao avaliarem os mesmos fenômenos somente em corpora escritos. Ao adotarem corpora composto apenas por textos escritos (peças teatrais e cartas pessoais) e obterem o mesmo perfil de mudança delineado por Tarallo (1993), as autoras conseguem comprovar que as críticas feitas aos recursos metodológicos aplicados por Tarallo podem ser pertinentes no que tange ao aprimoramento das pesquisas desenvolvidas ao longo do tempo, mas não permitem desconsiderar tais estudos, pois o uso de dados de fala e de escrita sem distinção de tratamento e o déficit filológico apresentados por Castro, não propiciaram leitura equivocada sobre a língua portuguesa no Brasil nos século XVIII e XIX.

1.3 Dados de fala e escrita: o outro lado da questão

As três críticas expostas acima tocam na questão do uso de amostras de modalidades linguísticas distintas considerando um mesmo método de análise. Se considerarmos que essas discrepâncias metodológicas emperram a análise de dados linguísticos, devemos acreditar que os trabalhos em que a fala e a escrita foram usadas indiscriminadamente não apresentam resultados confiáveis.

Posicionamento contrário ao manifestado pelas críticas acima foi assumido por Duarte, Kato, Cyrino e Berlinck (2006) ao mostrarem que os resultados trabalhados por Tarallo (1993) são os mesmos dos encontrados por elas ao avaliarem os mesmos fenômenos somente em corpora escritos. Ao adotarem corpora composto apenas por textos escritos (peças teatrais e cartas pessoais) e obterem o mesmo perfil de mudança delineado por Tarallo (1993), as autoras conseguem comprovar que as críticas feitas aos recursos metodológicos aplicados por Tarallo podem ser pertinentes no que tange ao aprimoramento das pesquisas desenvolvidas ao longo do tempo, mas não permitem desconsiderar tais estudos, pois o uso de dados de fala e de escrita sem distinção de tratamento e o déficit filológico aos quais se

dedicou Castro, não propiciaram leitura equivocada sobre a língua portuguesa no Brasil nos século XVIII e XIX.

Outros trabalhos, embora não tratem diretamente das questões suscitadas pelos trabalhos de Tarallo, também se dedicaram à especialização dos recursos metodológicos e obtiveram como resultado perfil muito próximo ao já apresentado por Tarallo. Mesmo que por objetivos outros que não os explicitados por Castro, estes estudos se aproximam da proposta de Duarte, Kato, Cyrino e Berlinck (2006).

Uma dessas propostas está em Mollica (2008). A autora defende a criação de uma Teoria da Mudança na Escrita na qual devem ser investigados os fenômenos que migram da fala para a escrita. A autora tem por hipótese que tais fenômenos são estruturas que:

a) refletem a fala e/ou constituem simplificação e regularização paradigmática;

b) O princípio da marcação atua na fala e na escrita, sendo que as estruturas marcadas exercem pressão na direção da retração da mudança e as estruturas não marcadas apresentam efeito não liberador da mudança;

c) O grau de vulnerabilidade das inovações na modalidade escrita depende dos

gêneros e sobretudo dos tipos de textos projetados no continuum fala/ escrita;

d) Os filtros podem impedir marcas da fala na escrita, no entanto, apresentam

grau razoável de falibilidade;

e) A variação estável dificilmente se instala na escrita e pode ocorrer, temporariamente, em produções textuais de aprendizes iniciantes, durante o processo de apropriação da leitura e da escrita;

f) A mudança em curso, em contrapartida, tem boas chances de ingresso na escrita, em praticamente todos os textos, à exceção dos muito formais e dos produzidos por falantes que dominam o cânone gramatical. (p. 243)

Com base nessas seis hipóteses, a autora mostra a incorporação de inovações da fala na escrita por meio da observação de fenômenos linguísticos que existem nas duas modalidades. Dedicou-se a dois fenômenos, o queísmo e a pseudocortadora que permitiram perceber qual o fenômeno que mais migra para a escrita em um estudo sincrônico.

Por defender a importância do gênero e do tipo de texto para a incorporação de inovações da fala na escrita, usou como variáveis o tipo de jornal e o gênero textual para verificar o efeito da migração sobre alguns parâmetros. Foram selecionados jornais mais populares e menos populares de acordo com os tipos de públicos para os quais são escritos. Os jornais populares mostraram-se mais permeáveis ao queísmo. Porém, a expectativa de que os gêneros mais próximos à fala também oferecessem maior quantidade de queísmos não se confirmou uma vez que o gênero mais oralizado apresentou menor número de ocorrências do que textos menos oralizados. Para a autora, este fato aponta para uma semelhança nas proporções de uso em textos mais oralizados e menos oralizados. Este é um fato atestado em outros trabalhos que utilizaram como corpora textos retirados de jornais e consideraram esses

textos de acordo com o seu grau de formalidade, entendendo os mais formais como menos permeáveis às inovações e os menos formais mais permeáveis. Resultados semelhantes são encontrados em A. Barbosa (1999), Monthé (2007), Duarte (2007), dentre vários outros trabalhos6.

A autora conclui que mais do que os diferentes gêneros, o tipo de jornal influencia no processo de incorporação das inovações na escrita, pois as inovações preferem textos mais vulneráveis ao se observar o continuum fala/ escrita. Comprova, assim, que a oralidade penetra na escrita em contextos específicos. A autora observa, na verdade, que é produtiva a estratégia amplamente difundida entre pesquisadores (que utilizam corpora escritos para a investigação de uma mudança linguística) de buscar textos em que o vernáculo se manifesta mais fortemente. Para além disso, ao avaliar os textos jornalísticos, Mollica consegue estabelecer essa mesma hierarquização para os diferentes tipos de jornais. Ao afirmar que as inovações são mais frequentes em jornais mais vulneráveis cujo público alvo é mais massificado, está estabelecendo relações de estilo próximas às convencionadas para os gêneros textuais. Temos, então, duas questões metodológicas importantes que direcionam para um ponto fulcral dos estudos de variação e mudança: de um lado temos a avaliação da formalidade entre os gêneros discursivos e de outro temos a avaliação da formalidade entre os diferentes vislumbres de publico alvo.

Os resultados de Mollica (2008) nos fazem pensar que os textos que apresentam formalidade menor serão sempre mais propícios à observação de usos linguísticos e de mudanças linguísticas, da mesma forma que quanto maior for a formalidade textual maior será a ação da norma culta sobre o texto. No entanto, se estamos falando em mudança linguística, e se consideramos que essa se dá no sistema linguístico, que encontra lugar para manifestar-se na língua falada, e se manifeste também na língua escrita, independentemente do grau de formalidade e do apuro normativo. A manifestação de uma mudança linguística só não se dá imediatamente na língua escrita por razões de cunho social ligadas a essa variedade e não por razões concernentes ao sistema linguístico. Outros fenômenos permanecem na língua falada, sem chegar à língua escrita, mas neste caso são recursos típicos daquela modalidade específica, como observado por M. A. Oliveira.

O ritmo de entrada de uma mudança na língua escrita, entretanto, não é o mesmo em todos os gêneros textuais. Há gêneros que funcionam como porta de entrada das inovações. Duarte (2007) observa que os textos de opinião escritos em jornais portugueses favorecem o

uso de sujeito de 3ª pessoa preenchido (.62), comparados às notícias que não parecem favorecer o uso dessa variante (.28). Para o PB, os textos de opinião apresentam índice muito próximo das notícias (.49 e .54, respectivamente).

Além das diferenças relativas a gêneros textuais, há ainda diferenças de estilo. Observando relações entre fala e escrita, em contextos de formalidade distinta para ambas as modalidades, Duarte (2007) mostrou que o preenchimento dos sujeitos referenciais de 3ª pessoa no padrão do PB escrito atual apresenta resultados muito próximos aos apresentados para o PB falado culto. Fato que se difere do caso do PE atual em que a escrita apresenta índice ainda menor de preenchimento de sujeito que os encontrados para o PE falado culto. Esta informação, além de evidenciar a existência de duas gramáticas distintas se manifestando hoje, sublinha que a formalidade textual deve ser sempre observada, pois os textos menos formais funcionam como porta de entrada para inovações sendo que a velocidade com que essas inovações vão sendo incorporadas dependerá de fatores externos como o papel da escola, e o treinamento que os alunos receberão para ingressar na Universidade. A percepção da importância do nível de formalidade aproxima os resultados de Duarte aos de Mollica; porém, a primeira apresenta a questão da educação como uma justificativa para a entrada das inovações em contextos de formalidade maior.

Embora apenas o primeiro trabalho faça menção direta aos trabalhos desenvolvidos por Tarallo, é perceptível todos se posicionam em favor da observação estanque de dados de modalidades distintas, não utilizando como estratégia de análise o uso de dados de fala e escrita conjuntamente. Em Duarte, Kato, Cyrino e Berlinck (2006), temos uma resposta quase direta às críticas feitas por Castro (1996) aos trabalhos de Tarallo. O fato de as autoras estudarem os mesmos fenômenos que Tarallo e mostrarem que os resultados se equiparam mesmo quando não há mistura de dados de fala e escrita e nem déficit filológico, faz com que os problemas apontados por Castro tenham sua amplitude reduzida. Mollica, por considerar que a fala e a escrita são um continuum, se preocupa em descrever a penetração de usos típicos da fala na escrita para determinar como inovações linguísticas entram na escrita, para tanto, propõe uma Teoria da Mudança na Escrita. Esta proposta parece ser contundente para a análise de dados de estudos sincrônicos que investigam o PB contemporâneo, mas não para dados advindos de estudos em diacronia, pois, por mais que possamos também neste caso interpretar a fala e a escrita como um continuum, não é possível partirmos de usos característicos da fala, por não existirem dados da fala coletados para períodos pretéritos da língua. Em Duarte temos análise comparativa da fala brasileira com a fala portuguesa e da escrita brasileira com a escrita portuguesa. Notamos que a autora assume a necessidade de

análise separada para as duas modalidades. A observação de dados da fala serve como meio de identificação de estruturas inovadoras, para que tais estruturas possam ser observadas na escrita padrão.

Estes três estudos acabam por confrontarem-se aos estudos de M. A. Oliveira (2005) e Castro (1996). A seguir, apresentaremos algumas respostas às polêmicas a fim de contribuirmos para a discussão.