• Sonuç bulunamadı

3. BÖLÜM: STRATEJİK UYUMUN ANTALYA YÖRESİNDEKİ KONAKLAMA

3.5. Araştırmanın Bulguları

3.5.3. Araştırma Hipotezlerinin Sorgulanması; Regresyon Analizi Sonuçları

Neste tópico, nos dedicaremos às cronologias propostas para o português brasileiro e, a partir da comparação das fases e dos critérios adotados por Silva Neto (1950), Paul Teyssier (1990), Pessoa (1997), Lobo (2001) e Ramos e Venâncio (2006), mostraremos a importância de considerar a imprensa também como elemento da periodização linguística.

A periodização do Português Brasileiro também apresenta divergências nos critérios utilizados para justificar a divisão de fases. Em sua maioria, seus autores usam critérios geológicos, políticos, históricos e sociais. O quadro abaixo apresenta, de maneira sucinta, a periodização proposta pelos autores supracitados:

Quadro 4.1: Resumo da periodização do Português Brasileiro. Época Silva Neto

(1950) Paul Teyssier (1990) Pessoa (1997) Lobo (2001) Ramos e Venâncio (2006) Primeira fase 1532-1654 1534-1750 1534-1750 Século XVI até metade do século XIX 1500- 1825 Segunda fase 1654-1808 1750-1822 1750-1922 A partir da 2ª metade do XIX 1825- 1930

Terceira fase A partir de 1808 A partir de 1822 A partir de 1922 ______ A partir de 1930

Baseados nas periodizações propostas por Silva Neto (1950), Teyssier (1980), Pessoa (1997) e por Lobo (2001), Ramos e Venâncio (2006) delimitam um problema comum a praticamente todas elas: o não tratamento dos regionalismos.

Estes autores ainda apontam para a dificuldade de se trabalhar com uma cronologia “subordinada aos índices de urbanização e escolarização” (p. 4), como proposta por Silva Neto; a excessiva importância dada a fatos institucionais de curto prazo e a adoção do português usado no Rio de Janeiro como representante do PB sem apresentação de justificativas, como visto em Teyssier; e a dificuldade de operacionalizar critérios como urbanização e escolarização, como em Lobo.

a sua proposta para a discussão sobre as fontes utilizadas para o seu delineamento. Assim, Ramos e Venâncio (2006) propõem uma cronologia que terá os textos escritos como base de seus critérios, mais especificamente os textos impressos. Essa proposta é forjada a partir da concepção de Competição de Gramáticas e Mudança Paramétrica. Porém, diferentemente da proposta de Galves (2010), os autores assumem a indissociabilidade entre história interna e história externa da língua e assumem que a língua escrita é o ponto de partida para se identificar as fases dessa periodização. A escrita é mais que o ponto de partida dessa proposta, funciona como a própria definição das fases que a compõe. Embora em Galves (2010) a principal preocupação do texto fosse definir a periodização para o PE, a autora delimita o momento do surgimento do PB na medida em que marca cronologicamente a diferenciação das duas gramáticas no século XVIII. No entanto, não é identificado em seu diagrama o momento do início e do fim da competição de gramáticas para o PB. Tendo em vista a argumentação apresentada pela autora sobre a periodização do PE, podemos inferir que do século XVIII até o último quartel do século XIX seja o momento dessa competição de gramáticas, pois o final do século XIX já foi identificado como o momento de implementações de mudanças que caracterizam a gramática do PB. Poderíamos supor que este intervalo de tempo também estaria hachurado, como no diagrama do PE.

Em Ramos e Venâncio, embora os autores afirmem adotar como pressupostos a mudança paramétrica e a competição de gramáticas, a periodização proposta pelos autores não apresenta franjas coincidentes com o período identificado por Galves como o do surgimento do PB, por estarem estes autores preocupados em fornecer uma proposta de datação mais voltada para as questões extralinguísticas.

Não pretendemos fazer aqui uma comparação direta entre as duas propostas pois, na verdade, não há formalmente uma proposta feita em Galves (2010) para a periodização do PB.

Estamos apenas buscando argumentos para construir uma possibilidade de interpretação para a nossa interpretação sobre a entrada de novos agentes da escrita. Não estamos também nos dedicando a um estudo sobre periodização linguística, mas sim buscando, nestes estudos, argumento para justificar nossa hipótese. Apenas consideramos ser possível associarmos estes dois trabalhos que se aproximam por considerar a competição de gramáticas e se afastam por se dedicarem um mais à história interna e o outro mais à história externa como critério para o estabelecimento das franjas. A associação desses dois trabalhos se torna possível e necessária para os nossos objetivos por considerarmos que em Maia (1995:10) encontram-se as características necessárias a uma proposta de periodização: “atender a uma necessidade teórica, possuir utilidade prática, e deve indicar qual o verdadeiro significado dos limites entre as diferentes fases históricas da língua e quais os fatores sócio-culturais que incidem sobre a mudança da língua e nela se repercutem” (apud Ramos e Venâncio, 2006, 2-3). E até mesmo por essa razão, assumem que as fases da periodização devem ser pensadas como franjas de separação, não havendo uma delimitação precisa de datas.

Esses períodos se mostram distintos inclusive das outras propostas de periodização. Para Teyssier (1990) e Pessoa (1997) a primeira fase do português no Brasil se encerra em 1750. Para Lobo (2001), termina na primeira metade do século XIX. E para Silva Neto (1950), termina em 1654. As motivações para essas datações também são distintas. Silva Neto se baseia em marcos históricos que identificam períodos urbanos e do interior. Teyssier compõe as fases da sua periodização considerando os períodos de imigração. Pessoa associa fatos históricos com as fases de constituição do português no Brasil contemplando, inclusive, o surgimento das variedades regionais e a elaboração da língua literária. A proposta de Lobo se dedica a interpretar as fases da periodização do português do Brasil com base em quatro índices: multilinguismo, urbanização, escolarização, estandartização linguística. A proposta de Ramos e Venâncio utiliza índices referentes à língua escrita para determinar as fases da periodização. Eles identificam três fases que discernem três momentos da escrita brasileira: o primeiro em que o português encontra-se subordinado às transformações do PE, o segundo em que se dá início à manifestação escrita do PB e o terceiro em que se tem a manifestação das diferenças regionais.

Encontram nos textos escritos mais que um meio para a percepção dos fenômenos linguísticos que delimitaram de cada uma dessas fases. Os textos escritos serão definidores de cada uma delas na medida em que a delimitação do modo de produção e de quem os produzem apontam para períodos de competição, de fixação e de difusão das gramáticas. Sendo assim, os textos escritos não são mais apenas instrumento de manifestação de

mudanças que anteriormente estiveram na fala, passam a representar a manifestação de novas gramáticas tendo como marco o advento da imprensa que altera o modo de produção textual, principalmente a partir da imprensa periódica, permitindo o surgimento de um novo produto e de um novo produtor.

Com base neste fato, e no de ser o texto escrito a única forma de acesso à língua de períodos pretéritos, os autores apresentam a proposta de periodização a partir de dois passos que culminarão na identificação de três fases. O primeiro passo seria considerar o modo de produção dos textos, divididos por eles em textos manuscritos e textos impressos, e quem produziu esses textos, considerando, neste caso, a formação educacional (aos moldes dos jesuítas aqui no Brasil ou aos moldes dos colonizadores). Assim sendo, toda a produção escrita antes de 1825 estaria enquadrada em um desses moldes. O segundo passo estaria no estabelecimento das características do modo de produção dos textos escritos depois de 1825. Tendo-se em vista que somente com a vinda da Família Real em 1808 é que se iniciou a produção imprensa no Brasil, bem como o seu desenvolvimento educacional, com a criação dos primeiros cursos superiores e ampliação do número de escolas, os textos escritos anteriormente estavam subordinados ao controle português, ao cânone da Universidade de Coimbra e à impressão de textos, mesmo que de brasileiros, feita na metrópole.

Concordamos com esses dois passos apresentados em Ramos e Venâncio (2006) que tomam por base, para seus critérios, o texto escrito impresso, pois tal proposta abarca a descrição feita por nós da imprensa periódica brasileira. Isso nos permite contribuir, principalmente, para a delimitação da segunda fase proposta pelos autores: “1825-1930: início da expressão escrita em português brasileiro” (p. 9).

Nesta medida, podemos observar com base em todos os argumentos apresentados que há efetivamente uma convergência entre a ampliação do número de escreventes e dos efeitos sociais e linguísticos decorrentes da imprensa periódica com os períodos linguísticos determinados nas cronologias propostas pelos autores supracitados, principalmente, por Ramos e Venâncio (2006). Tornaremos essas evidências mais claras por meio da apresentação do diagrama a seguir.

Diagrama 4.1: Periodização PB X Imprensa Periódica.

Introduzimos no diagrama acima a projeção feita por Galves (2010), a proposta feita por Ramos e Venâncio (2006) e os momentos do surgimento da imprensa periódica no Brasil e a 1ª ampliação dos agentes. À projeção de Galves (2010) inserimos uma área hachurada equivalente ao período de competição de gramática para tornar o diagrama mais legível, mas o período de competição de gramáticas não foi marcado por Galves na sua projeção. A área destacada corresponde à interpretação que fizemos dos critérios adotados pela autora para a composição da periodização do PE. O nosso intuito é mostrar que ambas as concepções de periodização englobam tanto a fase de competição de gramáticas quanto o período de cunhagem da escrita brasileira.

A área hachurada foi inferida por ser o século XVIII identificado pelas periodizações de Teyssier (1990), Pessoa (1996) e Lobo (2001) e por Galves (2010) como o momento em que emerge o PB. E o último quartel do século XIX como o momento em que essa gramática emerge na língua escrita formal (cf. TARALLO, 1993). Mesmo que esses autores utilizem de bases distintas para a identificação deste período, a observação de fenômenos linguísticos no século XVIII pode comprovar a existência das inovações que caracterizam a gramática do PB. Segundo Nunes (1993), a mudança ocorrida na cliticização fonológica no século XVII, fez com que no século XVIII houvesse restrição ao uso do clítico de 3ª pessoa. Este estudo é uma boa evidência de que a competição das gramáticas do PB e do PE atuantes no Brasil se inicia neste período. Teríamos aqui, novamente, o fim da competição de gramáticas coincidindo com o momento da ampliação dos agentes.

No caso da periodização de Ramos e Venâncio (2006), a proposta dos autores não é a de fornecer datas que marquem períodos linguísticos, mas sim que estes pertençam às franjas

delimitadas por momentos sociais específicos. Dessa forma, a descentralização da produção do periódico impresso ocorrida na década de 1820 é realmente um marco para a manifestação de inovação linguística em textos impressos, pois marca o início deste processo. Esta franja também engloba o momento em que essas inovações linguísticas se fixam. Por essa razão, não há correspondência entre o momento da fixação das mudanças e a datação das fases proposta pelos autores.

Ainda que pese a diferença de concepções sobre a periodização do português no Brasil, os resultados observados para essa variedade são equivalentes aos encontrados para o PE. Este fato funciona como evidência de que o aumento do número de agentes da escrita é o fator externo que atua na emergência da gramática do PB e que o fato de termos momentos diferentes de emergência de mudanças, na escrita, nas duas localidades, decorre do fato de ter ocorrido a inserção de novos agentes na escrita em momentos distintos que foram condicionados por ações sociais e políticas.