1.1.3. Stratejik Yönetim Süreci
1.1.3.3. Strateji Belirleme
Nas subseções precedentes arrolamos três grandes polêmicas em relação à metodologia dos trabalhos cujos resultados levaram à hipótese do surgimento do PB no século XIX. Nesta seção, vamos apresentar respostas suscitadas pelas polêmicas e verificar se ainda há questões em aberto.
A primeira polêmica diz respeito à extração de conclusões sobre textos falados a partir da análise de textos escritos. Três autores se manifestaram em relação a isso, conforme vimos. Por mais que M. A. Oliveira (2005) apresente possíveis soluções para a interpretação de dados de fala retirados de textos escritos, está mais preocupado em explicitar aspectos metodológicos para a análise dos dados do que aspectos voltados para o entendimento dos pressupostos que regem uma teoria que toma por base o desempenho e não a competência linguística. Talvez essa seja a razão para não identificarmos em tal trabalho respostas para problemas do tipo como documentar mudanças em textos mais formais e formulaicos.
Esta é uma questão de extrema importância, pois, como já aventamos anteriormente, as mudanças se dão no sistema linguístico, sendo assim não podem ser bloqueadas em nenhuma modalidade linguística utilizada podendo, apenas, ser ofuscadas por questões como estilo individual, atuação da norma, interferência de tradições discursivas, entre outras questões. Dito de outra forma, as preocupações registradas nos trabalhos de M. A. Oliveira, Mollica e Duarte se mostram pertinentes, pois, são eficazes na identificação de contextos específicos que propiciam a entrada de inovações, mas não dão conta do seu espraiamento. Uma forma de verificarmos o perfil de uma mudança em textos que não são considerados como os contextos acima referidos é observarmos comparativamente o perfil da mudança nos textos mais e menos formais. Assim, poderemos comprovar que a mudança, por ser inerente ao sistema linguístico, pode ser descrita não apenas levando em consideração a sua entrada
em uma modalidade linguística, mas também em seu espraiamento por contextos menos propícios a inovações7.
Ao adotarmos esta concepção de análise, estamos delimitando a escrita como única modalidade observada. Garantimos, assim, a interpretação de resultados sem que haja interferência da análise de dados de fala e, também, sem cometermos comparações indiscriminadas de dados.
A segunda polêmica localiza o uso indistinto de dados de fala e de escrita como recurso para determinação de perfil de mudança como um equívoco. Este equívoco é abordado tanto por M.A. Oliveira (2005) quanto por Castro (1996). Pautados em argumentos distintos os dois autores apontam para a necessidade de rigor metodológico para a composição de amostra linguística e para os cuidados necessários na interpretação de resultados advindos dessas amostras.
A terceira polêmica relaciona-se à ausência de amostras simétricas e que não apresentem déficit filológico, isto é, de amostras niveladas quanto ao modo de seleção, ao registro e à natureza da fonte das duas variedades do português, a brasileira e a portuguesa e que tenham minimizadas as interferências filológicas que podem comprometer a interpretação principalmente de fenômenos sintáticos. Com isso, o leitor ficaria esclarecido sobre o ponto de partida do estudo e das diferenças diatópicas.
Conforme assinala Castro (1996), Tarallo (1990) reuniu e analisou, qualitativa e quantitativamente, essas diferenças em vários de seus trabalhos, porém, faltou ao autor, a apresentação da contrapartida, ou seja, se o autor é capaz de considerar a existência de uma gramática do PB com base em usos característicos dessa variedade, ele deveria fazê-lo obrigatoriamente com base em comparações com o PE do mesmo período. Os trabalhos de Tarallo partem das diferenças entre o PE e o PB, que são apresentadas pelo autor por meio de estudos desenvolvidos sobre o PE cujos resultados são considerados como argumentos para a interpretação dos usos do PB e a comparação entre as duas variedades. De fato, Tarallo não traz de maneira explícita os dados do PE, ao menos não em Tarallo (1993), não estabelecendo, assim, uma comparação efetiva entre as sincronias em que tais usos são considerados, e quando estabelece alguma comparação, não há a explicitação dos dados.
Essa crítica foi acatada por vários trabalhos desenvolvidos pelo Projeto Para História
do Português Brasileiro. Como exemplo, podemos citar o trabalho de Ilza Ribeiro (1998) que
busca responder à seguinte questão: o PB muda em relação a que gramática? Para responder a
essa pergunta a autora precisa saber como era o português do período investigado, no caso século XVIII e XIX, e como as gramáticas atuavam naquele período.
Tal tipo de análise mostra que conhecer o português dos séculos XVIII e XIX é fundamental, uma vez que ao se fazer essa pergunta Ribeiro deparou-se com a existência de duas gramáticas do PE atuantes no português que chegou aqui no Brasil: a dos séculos XVI- XVIII e a dos séculos XIX-XX. Como evidência externa para esses dois períodos, toma a Reforma Pombalina (1759) e a vinda da Corte Portuguesa (1808). Como evidência interna, apresenta alguns estudos, a saber, a) nos séculos XVI-XVII, o português exibia uso quase sistemático de próclise em sentenças-raízes; nos séculos XIX-XX o uso da ênclise ou da próclise depende do estatuto funcional do elemento que ocupa a primeira posição na sentença: se o elemento é um tópico, tem-se a ênclise; se o elemento é um foco, tem-se a próclise; b) o alçamento do clítico para posição pré-auxiliar [cl Vaux+V-fin] é quase categórico no século XVII e torna-se opcional no século XVIII e; c) interpolação de diferentes tipos de constituintes. A partir do séc. XVII, somente a negação e o sujeito pronominal podem ocorrer entre o clítico e o verbo.
Uma das conclusões da autora vai ao encontro da observação feita por Castro (1996) ao afirmar que as evidências internas mostram que não se pode tomar o PE contemporâneo como parâmetro para o estudo da Mudança gramatical do PB. É neste sentido que Castro também questiona o tratamento dedicado aos dados do Português Clássico em relação aos do Português Contemporâneo. Fica evidente que o PE contemporâneo pode ser utilizado como ponto de partida para a distinção de gramáticas se considerado em sincronias equiparadas. Considerando a máxima laboviana, que preconiza que as mesmas forças que motivam a mudança do presente, motivaram mudanças no passado, nos é possível investigar sincronias em estudos diacrônicos. No estudo comparativo de duas variedades de uma língua temos, contudo, que considerar sincronias equiparadas. Dessa forma, a comparação deve ser da Gramática do PB com a gramática do PE no mesmo período de tempo. Neste sentido, o PB mudou em relação à gramática que era utilizada no período investigado. Para Ribeiro, os estudos diacrônicos devem ter por objetivo responder à questão: o PB mudou em relação a que sistema linguístico? Tendo em vista a pergunta feita pela autora e os estudos desenvolvidos por Pagotto (1992,1993) alguns trabalhos vêm sendo pensados em função de traços que caracterizam as duas gramáticas existentes no Brasil nos séculos XVIII e XIX: a clássica e a moderna (cf. CARNEIRO, 2005).
Diante desse quadro, nesta tese tivemos o cuidado de formar amostras simétricas do PE e PB e analisar em ambas um mesmo fenômeno linguístico, de modo a obter resultados confiáveis, conforme veremos nos capítulos dois e três.