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SOSYAL GÜVENL‹K MEVZUATI KOM‹TES‹

A  CQNUAC  é  um  tratado  internacional  que  regulamenta  a  cooperação  no  combate  às  alterações  climáticas  globais  de  natureza  antrópica.  A  cooperação  supranacional deve incidir nas vertentes da investigação científica e tecnológica, nas  ações de Mitigação sobre as causas que originam as mudanças climáticas e ainda na  Adaptação aos efeitos resultantes das mesmas. Entenda‐se por Mitigação os atos que  incidam sobre a redução das emissões antropogénicas de GEE e por Adaptação, os atos  de resiliência perante os impactos trazidos pelas mudanças climáticas (IM, 1994).  Figura 2: Emissões globais de GEE, por categoria de origem            Fonte: Walker e King, 2008. pp: 138‐140   

Em  1988,  a  ONU  decidiu  constituir  o  Painel  Intergovernamental  para  as  Mudanças30  Climáticas31,  organismo  de  investigação  científica,  resultante  de  uma  parceria da ONU com a OMM. Em Dezembro de 1989, a Assembleia‐geral das Nações  Unidas  convocou  uma  conferência  para  discutir  as  problemáticas  mundiais  do  desenvolvimento e do ambiente, incluindo neste a dimensão das alterações climáticas  antropogénicas,  através  da  Resolução  nº  44/228,  de  22  de  Dezembro.  Em  1990  é  formada  uma  comissão  de  negociação  para  elaborar  uma  convenção  das  Nações  Unidas sobre as alterações climáticas, cujas cinco sessões decorreram entre Fevereiro  de 1991 a Maio de 1992, donde sai o texto da Convenção. Esta mesma convenção é  discutida na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, vulgo  “Cimeira do Rio de Janeiro”, em Junho de 1992. No período compreendido entre 1988  a  1992,  a  Assembleia‐geral  da  ONU  decretou  ainda  as  seguintes  resoluções  relacionadas com as mudanças climáticas: R. nº 43/53, de 6 de Dezembro de 1988; R.   44/206  e  44/207,  ambas  de  22  de  Dezembro  de  1989;  R.  nº  45/212,  de  21  de  Dezembro de 1990 e R.nº 46/169, de 19 de Dezembro de 1991. A Resolução nº 44/206  diz respeito aos possíveis efeitos negativos subsequentes à subida do nível médio dos  oceanos  nos  arquipélagos  e  nas  áreas  costeiras  continentais,  sobretudo  as  de  baixa  altitude. O âmbito das restantes resoluções relaciona‐se com proteção do clima global  para as gerações atuais e futuras da humanidade (I.M., 1994).  A Convenção foi ratificada pela União Europeia a 15 de Dezembro de 1993,  por meio da Decisão 94/69/CE e entrou em vigor a 21 de Março de 1994. Em suma, a  Convenção reconhece as emissões de GEE com origem antrópica, como sendo a causa  principal da subída da temperatura da atmosfera e subsequentemente, da pertinência  em  institucionalizar  a  cooperação  internacional  entre  todos  os  Estados  e  blocos  geoeconómicos que lhe são Partes Constituintes.32No seu âmbito foram definidas as  medidas de Mitigação, destinadas à diminuição do volume de libertação de GEE para a  atmosfera,  de  modo  a  contribuir  para  a  estabilização  do  aquecimento  global  e  as  medidas de Adaptação aos efeitos esperados resultantes do aquecimento do planeta, 

      

30A tradução literal de “climate change” é mudanças climáticas. Contudo, o termo comum utilizado em 

Portugal é “alterações climáticas”.

31

A sigla em inglês do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas, é IPPC:  Intergovernamental Panel for Climate Change. 

32Os Estados que assinaram e ratificaram a CQNUAC designam‐se por Partes constituintes da convenção, 

que  em  parte  já  se  tem  feito  sentir  (Santos,  2004:11‐32).  Ainda  que  refira  sobre  a  necessidade  da  definição  de  políticas  e  de  medidas  com  os  respectivos  objetivos,  o  texto  da  Convenção  é  omisso  em  termos  da  sua  quantificação,  o  que  implica  a  necessidade  de  criar  um  novo  tratado  internacional,  especificamente  dedicado  às  políticas  de  Mitigação  das  emissões  antropogénicas  de  GEE,  que  aprofunde  a  Convenção e responda a esta lacuna.  

O  objetivo  da  Convenção  é  o  de  orientar  a  cooperação  da  comunidade  internacional nos seus esforços em realizar a diminuição das emissões antropogénicas  de gases de efeito de estufa (I.M., 1994). Primeiro, há que agir no sentido de moderar  o  crescimento  das  emissões  destes  gases  para  a  atmosfera,  para  que  numa  fase  seguinte se consiga diminui‐las, de forma substancial. A redução das emissões deverá  contribuir para estabilizar a sua concentração na atmosfera e por conseguinte limitar o  aumento das temperaturas do Planeta. A estabilização deveria suceder até um limiar a  partir do qual se esteja fora do risco potencial do sistema climático desencadear um  “feedback”  cujos  efeitos  se  traduzam  numa  mudança  brusca  e  irreversível,  que  inviabilize  a  resiliência da  biosfera,  pondo  em  causa  a  sobrevivência  da  humanidade  (CE, 2005a). Segundo, há que agir no sentido da Adaptação das sociedades humanas e  dos  ecossistemas  ao  aquecimento  global,  por  ser  muito  provável  que  o  mesmo  prossiga até ao final do presente século XXI, dados os elevados níveis de emissões de  GEE e da sua consequente concentração na atmosfera, em contraste com a diminuída  capacidade de absorção por parte do sistema climático (Henson, 2009). O Quadro  2  indica todas as Conferências das Partes constituintes da CQNUAC, que até agora foram  realizadas até à mais recente, decorrida em Durban, Africa do Sul, em Dezembro de  2011.  I.7. O Protocolo de Quioto da CQNUAC 

Na  primeira  conferência  das  Partes  da  Convenção  (COP1,  Berlim,  1995),  os  países desenvolvidos reconheceram‐se a si mesmos como responsáveis exclusivos pelo  aquecimento  global  (Quadro  2).  Essa  responsabilidade  advém  do  facto  de  que  a  proveniência da quase totalidade das emissões de GEE terem origem neste grupo de  países,  bem  como  do  seu  papel  histórico,  uma  vez  que  foram  os  primeiros  a  desencadearem  os  processos  de  industrialização.  Foi  na  mesma  Conferência  que  se 

inicíaram  os  trabalhos  e  os  processos  de  negociações,  conducentes  à  elaboração  de  um  tratado  internacional  complementar  à  Convenção.  Este  novo  tratado  era  considerado indispensável, quer pela definição e subsequente atribuição de metas e  objetivos  quantificados,  quer  na  criação  de  regras  para  o  processamento  da  informação respeitante à monitorização e avaliação das emissões de GEE (incluindo a  inventariação das emissões). Na COP2 (Genebra, 1996), prosseguiram os trabalhos de  elaboração  do  futuro  tratado  internacional  e  já  então  era  clara  a  prioridade  para  a  Mitigação,  em  detrimento  da  Adaptação.  Ao  longo  dos  anos  90  do  século  XX  e  primeiros  anos  da  década  seguinte,  a  preocupação  mundial  estava  profundamente  focada em como reduzir as emissões de GEE, sobretudo nos países industrializados.  

Não podemos afirmar que se tenha desvalorizado politicamente a Adaptação.  No  entanto,  o  pensamento  dominante  na  época  era  o  da  prioridade  à  Mitigação,  porque  a  partir  desta  seria  maior  a  probabilidade  de  se  verificar,  a  longo  prazo,  os  cenários  de  subida  moderada  da  temperatura  média  global.  Se  a  temperatura  subir  menos, mais eficazes seriam os processos de Adaptação: Se a temperaura subir pouco  será  devido  a  um  crescimento  moderado  das  emissões  de  GEE.  Então,  há  que  dar  prioridade  à  Mitigação.  Está  também  implícita  a  visão  do  mundo  assente  no 

“Hemisfério  Norte  rico”  e  no  Hemisfério  Sul  pobre”,  muito  em  voga  nas  últimas  décadas  do  século  XX.Como  iremos  verificar,  já  de  seguida,  as  políticas  das  Nações  Unidas  para  a  Adaptação,  estão  centradas  no  apoio  a  este  grupo  de  países,  entendendo que os mesmos são potencialmente mais vulneráveis. 

O Protocolo de Quioto foi concebido, na generalidade, durante a realização da  terceira Conferência das Partes da Convenção, que decorreu em Dezembro de 1997 na  cidade  japonesa  de  Quioto  (COP  3).  Tráta‐se  de  um  instrumento  jurídico  do  direito  internacional, que aprofunda a CQNUAC na vertente da mitigação. Com efeito, o seu  propósito  foi  o  de  regulamentar,  ao  nível  global,  a  concertação  e  a  cooperação  internacional entre as Partes33 na diminuição das emissões de GEE. Legislou sobre os  mecanismos flexíveis de mercado. Definiu um sistema uniforme de inventariação das  emissões,  para  todas  as  Partes,  as  quais  deverão  informar  os  órgãos  técnicos 

      

33Os  Estados  que  assinaram  e  ratificaram  o  protocolo  e  que  obrigatoriamente  tiveram  de  ratificar  a 

daConferência  das  Partes,  através  das  comunicações  nacionais  com  os  respetivos  relatórios,  que  incluem  os  inventários  das  emissões  antropogénicas  de  gases  com  efeito de estufa (GEE) e da sua remoção. Os inventários classificam as fontes de origem  das emissões através das categorias produção e consumo de energia (por setores de  atividade),  os  processos  industriais,  a  agricultura,  o  uso  de  solventes  e  outros  produtos, uso do solo e alteração do uso do solo e finalmente, o setor do tratamento e  eliminação de resíduos 

A  metodologia  de  organização  dos  inventários  foi  igualmente  definida  pelo  Protocolo.  Os  Estados  Signatários  e  Ratificantes  segmentam‐se  em  dois  grupos.  O  conjunto  dos  países  do  Anexo  I  e  o  do  Anexo  II.De  um  modo  geral,  os  países  desenvolvidos  “tradicionais”34  constituem  o  Anexo  I,  ao  passo  que  os  países  em  desenvolvimento35  fazem  parte  do  Anexo  II.  Foram  ainda  definidas,  exclusivamente  para os países Anexo I, metas e objetivos quantitativos que deverão ser alcançados no  horizonte temporal de 2008 a 2012, período de cumprimento do Protocolo. O ano base  para o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), é o de 1990,  tendo  sido  fixado  o  ano  de  1995  para  os  gases  hidrofluorcarbonetos  (HFC’C),  os  perfluorcarbonetos (PFC’s) e o hexafluoreto de enxofre (SF6).  

A obrigatoriedade de realizar relatórios anuais de inventários das emissões de  GEE,  tal  como  a  atribuição  de  objetivos  e  metas  quantificadas  foi  exclusivamente  atribuída aos países do Anexo I. Essa distinção presente no Protocolo,  justificada não  pela sua maior responsabilidade no aquecimento global, mas também pela maior  capacidade para agir no âmbito das políticas e medidas de Mitigação. Nos termos do  artigo 5 do Protocolo, todos os países do Anexo I, no seu conjunto, devem reduzir 5%  das suas emissões no ano base, até ao período de cumprimento, estando também as  respetivas  metas  e  objetivos  nacionais  vinculados  a  este  horizonte  temporal.  A  grandeza  de  medida  adoptada  é  o  CO2  equivalente  (CO2eq.),  o  que  significa  a  quantidade necessária de emissão atmosférica de um GEE, para impulsionar um efeito  de estufa equivalente ao dióxido de carbono (artigo 3, parágrafo 7 do Protocolo).  

      

34Subentenda‐se  por  países  desenvolvidos  “tradicionais”  aos  países  de  industrialização  antiga,  que 

tenham um elevado nível de rendimento per capita e de desenvolvimento humano.

35Convencionou‐se  designar  por  países  em  desenvolvimento  os  países  com  reduzido  rendimento  per 

O Protocolo considera que a economia de mercado é um instrumento eficaz e  indispensável  para  mitigar  as  emissões  globais  e  por  este  facto,  estabelece  três  mecanismos  de  flexibilidade  e  de  mercado.  Os  Mecanismos  de  Desenvolvimento  Limpo (MDL), ao qual é dedicado o artigo 12, consistem em projetos com origem num  país  do  Anexo  I  e  destinados  a  um  país  do  Anexo  II,  cujo  propósito  seja  o  de  implementar  uma  acção  que  resulte  na  diminuição  das  emissões  de  GEE.  O  país  investidor  pode  inserir  nos  seus  inventários,  sob  forma  de  créditos  de  emissão36,  a  quantidade  de  GEE  cuja  libertação  foi  evitada  pelo  projeto  implementado  no  país  recetor. É através dos MDL que se processa a transferência de tecnologia, dos países  do  Anexo  I  para  os  do  Anexo  II.  Os  Mecanismos  de  Implementação  Conjuntasão  exclusivos entre países do Anexo I.Consistem em projetos originários de um país, com  o propósito de reduzir ou evitar emissões de GEE. O país investidor obtém o créditos  de redução das emissões, não obstante a redução ter ocorrido no país destinatário.  

Por  último,  o  Regime  de  Comércio  Internacional  de  Emissões,  que  é  um  mecanismo  de  mercado  regulamentadorda  transacção  de  emissões  de  GEE  entre  os  países  do  Anexo  I.  No  período  de  cumprimento,  sempre  que  um  país  ultrapassar  a  quantidade atribuída a que tem direito de emitir, é obrigado a adquirir no mercado as  licenças para emitir GEE, as quais tanto podem ser compradas a outro país do Anexo I  (cujas  emissões  estão  a  diminuir,  o  que  constitui  créditos  acumulados),  como  aos  países do Anexo II. Esses créditos podem ser vendidos, mas a sua alienação implica a  diminuição da quantidade atribuída disponível para o país que vende. A utilização dos  mecanismos  de  Implementação  Conjunta  e  de  Desenvolvimento  Limpo  também  contribuem como créditos a favor do país investidor, sendo que o país Anexo II que  está  a  receber  um  projecto  de  Implementação  Conjunta  não  pode  obter  créditos  resultantes das subsequentes reduções das emissões; 

O  regime  internacional  de  comércio  de  emissões  entrou  em  vigor  a  01  de  Janeiro de 2008 e estará em vigor até ao ano em que forem enviadas as comunicações  dos  Relatórios  de  inventários  Nacionais  das  Partes,  respeitantes  ao  ano  de  2012,  o  último  ano  do  período  de  cumprimento  do  Protocolo.  O  valor  de  referência  para  a 

      

36Designa‐se por créditos de emissões de GEE o volume que se evitou libertar para a atmosfera, através 

tonelada de CO2 equivalente, tem andado à volta dos €30. Todavia, o preço é variável, 

tal  como  acontece  em  qualquer  mercado,  tendo  chegado,  em  determinadas  conjunturas, a um mínimo de €8. Quanto maior o número de licenças a transacionar 

no  mercado,  menor  o  seu  valor  (CE,  2007).  Os  EUA  foram  os  proponentes  deste  mecanismo de mercado, não sendo alheia a sua experiência, desde os anos 1990, da  aplicação da lei federal do “ar limpo”. Estabelece um regime de comércio de emissões  de  dióxido  de  enxofre e  de  outros  poluentes.  De  acordo  com  Krupp  e  Horn,  (2008),  este  instrumento  de  mercado  incentivou  as  empresas  a  investirem  na  adoção  de  tecnologias  e  métodos  conducentes  à  redução  das  emissões  de  poluentes,  designadamente  o  dióxido  de  enxofre.  Quando  os  valores  quantificados  de  poluição  realizados por uma dada empresa se encontram abaixo dos que estão estipulados por  lei, esta pode vender os direitos de poluir às empresas mais poluidoras e daí adquirir  ativos financeiros. Na busca de aumentar os seus lucros as empresas são estimuladas a  investir na diminuição da poluição. 

A  conceção  do  sistema  de  contabilidade  das  emissões  foi  elaborada  em  função de categorias de atividades e de funcionalidades quotidianas, generalizadas nas  sociedades contemporâneas e que são suscétiveis de provocar a libertação de gases de  efeito  de  estufa.  A  estas  categorias  deveremos  designar  por  fontes  de  origem  das  emissões, associando‐as aos sectores de atividade económica onde as mesmas estão  presentes.  Consequentemente,  as  partes  do  Anexo  I  deverão  submeter  e  enviar,  anualmente,  uma  comunicação  nacional  a  qual  inclui  um  relatório  de  inventário  de  emissões  de  GEE,  para  o  Órgão  Subsidiário  de  Implementação  da  Convenção37,  nos  termos dos artigos 3, 5 e 7, tal como consta no Anexo A do Protocolo. A monitorização  da  prossecução  das  metas  e  dos  objetivos  faz‐se  através  da  análise  dos  relatórios  nacionais  de  inventários  das  estimativas  dos  valores  das  emissões  de  GEE,  o  que  justifica  a  sua  uniformidade  para  todas  as  Partes.  É  também  sobre  os  mesmos  que  assentam os meios de penalização em caso de incumprimento. O primeiro relatório de  inventário nacional deve ser reportado ao ano de 1990, por ser o ano base. Os últimos  relatórios deverão ser submetidos, pelo menos até 2012, o último ano do período de        

37O Órgão Subsidiário de Implementação da Convenção é um dos seus organismos técnicos e tem como 

função  auxiliar  na  análise  das  comunicações  submetidas  pelas  Partes,  assim  como  os  associados  os  relatórios de inventários.

concretização  (2008  a  2012).  Esta  categoria  inclui  os  espaços  florestais  que  são  sumidouros  de  CO2.  Os  valores  positivos  correspondem  ao  acréscimo  de  emissões, 

sendo um dos exemplos dessa situação os volumes elevados de libertação de dióxido  de carbono para a atmosfera nos incêndios florestais (Vieira, 2004; Lourenço, 2004).  

No espaço temporal compreendido entre 1998 a 2001 foram desenvolvidos os  trabalhos técnicos suportados por intensas e prolongadas negociações pelas Partes do  Anexo I. Decorreram entre as COP 4, 5 e 6 (figura 2). Tratou‐se de incrementar acordos  sobre  regulamentação  jurídica  do  Protocolo,  em  pormenor,  nomeadamente  a  propósito  da  criação  de  metas  e  objetivos  quantificados  para  cada  uma  das  Partes  constituintes do Anexo I, além da regulamentação dos mecanismos de flexibilização, a 

qual já atrás nos referimos. A orientação estratégica virada para a mitigação traduz‐se  no  incentivo  ao  progresso  da  investigação  científica  e  tecnológica  nos  domínios  das  energias  renováveis  e  da  eficiência  energética.  Essa  motivação  política  para  a  investigação e desenvolvimento também abarca os âmbitos das fontes de origem não  relacionadas com o consumo de energia, nomeadamente nas atividades económicas  da agricultura, indústria transformadora, comércio e serviços, tal como nas indústrias e  serviços  do  sector  do  tratamento  e  da  eliminação  de  resíduos.  Nestes  últimos  casos  trata‐se  de  conceber  e  disseminar  tecnologias  e  métodos  de  organização  dos  processos produtivos, que resultem numa diminuição do escape de GEE. 

Nos  acordos  de  Marraquexe,  concluídos  na  COP7,  ficou  definitivamente  regulamentado  o  Protocolo,  porque  foram  encerradas  as  negociações  sobre  a  regulamentação dos mecanismos de mercado e sobre as consequências para as Partes,  em caso de incumprimento. Na precedente COP 6 (Haia, 2000 e Bonna, 2001), tinham  ficado  regulamentadas  as  metas  quantificadas  para  cada  uma  das  Partes  Anexo  I.  A  partir  desse  momento  estavam  reunidas  todas  as  condições  para  a  ratificação  do  Protocolo, o qual entrou em vigor a 16 de Fevereiro de 2005, após o quinquagésimo  Estado  Signatário  o  ter  ratificado,  que  neste  caso  foi  a  Rússia.  Assim,  o  Protocolo  passou a adquirir “força de lei”, no direito internacional, para as Partes Ratificantes. 

   

Quadro 2: As Conferências das Partes da CQNUAC (COP) 

Ano  COP  Cidade  Assuntos e decisões

1995  COP 1  Berlim  Inicio  das  negociações  sobre  o  estabelecimento  de  metas  e  prazos 

específicos para a redução de emissões de gases de efeito estufa para os  países desenvolvidos. Proposta de constituição de um Protocolo. 

1996  COP 2  Genebra  Declaração  de  Genebra:  Acordo  sobre  a  criação  de  obrigações  legais  de 

metas de redução. 

1997  COP 3  Quioto  Conceção do Protocolo de Quioto.  1998  COP 4  Buenos 

Aires 

Plano  de  Ação  de  Buenos  Aires:  Definição  de  um  programa  para  implementar e ratificar o Protocolo de Quioto. 

1999  COP 5  Bona  Continuação dos trabalhos iniciados na COP 4.  2000  2001  COP 6  COP 6,  sessão2  Haia    Bona 

Adiamento  das  negociações.  Ausência  de  acordo  entre  a  UE  e  os  EUA  sobre partilha de responsabilidades entre as Partes. 

Conclusão  de  negociações  sobre  atribuição  de  metas  quantitativas  às  Partes. Abandono dos EUA. 

2001