Ao iniciar uma pesquisa, percebe-se a tendência em adotar certos esquemas de interpretação. Dessa forma, a tarefa do pesquisador consiste em tomar cada vez mais consciência sobre os esquemas de interpretação das pessoas observadas e acerca dos próprios marcos de interpretação culturalmente aprendidos.
Após o trabalho de coleta de informações, a tarefa da pesquisadora foi de organizá- las e estruturá-las, situação entendida como o diagnóstico da realidade. A partir da leitura das informações obtidas sobre a prática pedagógica desenvolvida nas turmas do quinto e sexto ano do ensino fundamental, em momento de discussão da pesquisa com a orientadora, foi definida a necessidade de levantamento dos motivos que levavam as docentes P1 e P10 a utilizar com mais frequência o laptop e por que outros professores usavam o laptop com menos frequência. Foi elaborada uma questão para ser respondida por dois professores que faziam uso do laptop com mais frequência e outra questão para dois professores que faziam uso do laptop com menos frequência.
A esse procedimento seguiu-se a análise qualitativa e interpretativa com base nos fundamentos teóricos oriundos da pesquisa e ampliações que se mostraram necessárias. Efetivou-se a convergência entre os dados obtidos da análise de documentos, diário de campo, observação participante, análise do produto do aluno, questionários, entrevistas e grupo foca.
O vínculo-chave é um constructo analítico que une como se fosse um barbante os diferentes tipos de dados. Em uma hierarquia de vínculos gerais e adicionais alguns dos barbantes se amarram com outros. A tarefa de análise dos padrões existentes é descobrir e verificar aqueles vínculos
que determinam o maior número possível de conexões entre os dados do arquivo (ERICKSON, 1989, p.268, tradução nossa).
A interpretação exigiu um olhar minucioso, cauteloso e rigoroso da pesquisadora tentando decifrar o enigma e a complexidade das ações educativas no contexto da sala de aula.
O procedimento sobre os dados percorreu os seguintes passos:
• estudo e avaliação dos conteúdos dos questionários, das entrevistas, do produto dos alunos, dos documentos, das anotações do diário de campo;
• análise das informações obtidas, levantamento das categorias iniciais; • análise dos extratos textuais;
• triangulação de dados;
• convergência das ideias centrais em categorias; • elaboração de quadro com as categorias;
• levantamento de referencial bibliográfico para análise das informações; • exposição dos dados com as análises pertinentes.
A partir da organização dos dados, foi realizada a interpretação, na tentativa de encontrar respostas ao problema pesquisado. Em análises de dados de pesquisas qualitativas, o papel do pesquisador consiste em agir como um detetive para extrair o significado e sentido de um objeto, dado ou situação e requer comparações que se materializam considerando a sensibilidade, intencionalidade e competência de quem os investiga.
Foi considerada esta orientação de Erickson (1984, p.62): “adotar a instância crítica de um filósofo, questionando continuamente os fundamentos do convencional, examinando o óbvio, aquilo que é tido como certo pelos participantes internos da cultura, que se tornou visível para eles”.
Para o questionário dos docentes adotou-se a letra P (professor), seguida de um número atribuído a cada respondente. Para os questionários dos estudantes, a letra A
(aluno), seguida de um número atribuído a cada aluno. Para o questionário dos gestores adotou-se a letra G (gestor) seguida de um número atribuído a cada respondente.
No grupo focal adotou-se GF com acompanhamento de um número atribuído a cada respondente. Para a entrevista do diretor, adotou-se DE. No caso da entrevista com a formadora UCA na escola, usou-se FE. Em relação aos extratos da coordenadora UCA, houve a identificação CE (entrevista coordenadora UCA). Nas observações em sala de aula: SA5 (diário de sala do quinto ano) e SA6 (diário de sala do sexto ano).
4 O DESVELAR DA REALIDADE: ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS
Neste capítulo apresentamos a análise das informações coletadas no Colégio Estadual Dom Alano Marie Du Noday que se fundamenta em dados teóricos e empíricos, os quais, contemplados em diálogo com a realidade, resultam numa visão do problema que procura ser a mais coerente possível com o cotidiano encontrado. Abordamos as categorias, possibilidades e limites da implantação do Projeto UCA na escola e a formação. Situamos o experimento ocorrido no Dom Alano Marie Du Noday.
Como professor crítico, sou um aventureiro responsável, predisposto à mudança, à aceitação do diferente. Nada do que experimentei em minha atividade docente deve necessariamente repetir-se. Repito, porém como inevitável, a franquia de mim mesmo, radical, diante dos outros e do mundo. Minha franquia ante os outros e o mundo mesmo é a maneira radical como me experimento enquanto ser cultural, histórico, inacabado e consciente do inacabamento (FREIRE, 2002, p.55).
Diante da imersão em todo o material coletado, procuramos identificar as questões que nos pareceram mais significativas pela insistência e persistência como apareceram nos instrumentos de coleta de dados. Foram extraídas as ideias centrais de cada resposta. Posteriormente, organizamos um quadro com a convergência das ideias centrais por categorias.
Em seguida, procedeu-se à análise interpretativa considerando os consensos, dissensos e o significado atribuído pelos sujeitos acerca do uso do laptop educacional na prática pedagógica. A fundamentação teórica para análise das informações contidas nas categorias apoia-se em teses, dissertações, documentos sobre o Projeto UCA, livros, vídeo, artigos nacionais, internacionais e pesquisadores que investigam essa temática.
Nessa etapa, o trabalho do pesquisador consiste em procurar sistemática e rigorosamente informações com o intuito de localizar lógica e coerência num “[...] conjunto, aparentemente, disperso e desconexo de dados para encontrar uma resposta fundamentada a um problema bem delimitado, contribuindo para o desenvolvimento do conhecimento em uma área ou em problemática específica” (CHIZZOTTI, 2006, p.19).
Acreditamos que o material empírico obtido permite uma variedade de interpretações. Neste estudo, consideramos as que melhor respondem à questão delimitadora da pesquisa (que práticas pedagógicas acontecem com o uso do laptop educacional em sala de aula?) e ao objetivo geral, qual seja: identificar as práticas pedagógicas que acontecem com o uso do laptop educacional em duas turmas do ensino
fundamental. Foram estabelecidas quatro categorias, das quais duas com características gerais. São elas: possibilidades e limites da implantação do Projeto UCA na escola e formação. As duas categorias centrais são a prática pedagógica e os indícios de mudança.
Figura 10 - Práticas pedagógicas construídas
Fonte: elaborada por Sonia Maria de Sousa Fabricio Neiva.
Porém, mesmo tendo assumido esse entendimento, reconhecemos que as categorias, possibilidades e limites da implantação do Projeto UCA na escola, além da formação, interferem na prática pedagógica. Razão pela qual faremos primeiramente uma análise dessas categorias e trataremos da prática pedagógica e dos indícios de mudança em outro capítulo.
Nessa linha de raciocínio, a pesquisa é sempre uma construção em que o papel do pesquisador é recolher, analisar, interpretar, gerar resultados, fragmentando o todo e reorganizando-o a partir de novos pressupostos. Essa ação é impregnada pelas características pessoais do pesquisador.
O laptop educacional em sala de aula
Possibilidades e limites da implantação do Projeto UCA na escola Formação de
professores Prática pedagógica
Indícios de mudança na prática
Uma pesquisa é sempre, de alguma forma, um relato de longa viagem empreendida por um sujeito cujo olhar vasculha lugares muitas vezes já visitados. Nada de absolutamente original, portanto, mas um modo diferente de olhar e pensar determinada realidade a partir de uma experiência e de uma apropriação do conhecimento que são, aí sim, bastante pessoais (DUARTE, 2002, p.140).
Dando sequência ao trabalho, apresentamos as análises das categorias possibilidades e limites da implantação do UCA e a formação no Colégio Dom Alano Marie Du Noday.
4.1 POSSIBILIDADES E LIMITES DA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO UCA