1.7. Sosyal Destek
1.7.1. Sosyal Destek ile Parasosyal Etkileşim Arasındaki İlişki
Parecem atividades básicas, quando se fala em acessar a Internet e ler as principais notícias do dia; abrir o e-mail e ler as mensagens recebidas, respondê-las e escrever novos e-mails; ler um jornal impresso que recebemos em casa; fazer anotações durante uma aula, seminário; ou simplesmente escrever uma receita, um endereço, um telefone... São inúmeras as atividades que tornam possível nossa comunicação e acesso à informação, e em sua maioria estão bem ao nosso alcance. Remetemo-nos, então, à pessoa com deficiência visual. Para desenvolver as atividades descritas acima, são plenamente capazes de fazer cada uma delas, desde que tenha meios acessíveis para isso. É, portanto, mais um dos direitos que deve ser garantido à PcDV.
Para Góis (2006), o direito à informação é mais do que simplesmente recebê- la, faz parte desse direito informar, informar-se e ser informado. E, portanto, dessa forma, exercer sua cidadania, participando de forma consciente do que acontece à sua volta e interagindo com o meio.
A CDPCD assim define, em seu artigo 2o, comunicação:
abrange as línguas, a visualização de textos, o Braille, a comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos de multimídia acessível, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizada e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, inclusive a tecnologia da informação e comunicação acessíveis. (p. 25).
A presente Convenção, no artigo 21, garante ―Liberdade de expressão e de opinião e acesso à informação‖ e coloca a responsabilidade do Estado em garantir que a pessoa com deficiência possa escolher o meio que prefere utilizar para tal
acesso. Deve, portanto, fornecer, de forma acessível, todas as informações necessárias à PcD.
A Lei Federal da Acessibilidade traz, em seu artigo 8o, o que considera como ―barreiras nas comunicações e informações‖.
qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos dispositivos, meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa, bem como aqueles que dificultem ou impossibilitem o acesso à informação.
Para Silva (2008), é necessário conhecer os direitos para utilizá-lo no resgate da cidadania e para sentir-se respeitado, tendo o acesso à informação como referência básica para a cidadania. Ter informações e conhecimento dos serviços disponíveis é fundamental para fazer valer os direitos da melhor maneira que se desejar.
Para ter acesso à informação, a pessoa com deficiência visual, da mesma forma em que falamos em acessibilidade ao meio físico, também necessita de atenção especial para tal acesso, tanto para leitura, escrita, programação televisiva, eventos culturais, e demais atividades que fazem parte da vida cotidiana da pessoa com deficiência.
Provavelmente, para muitos de nós, ir ao cinema, assistir a uma peça teatral, ir a uma exposição e participar de outras atividades culturais é fato comum e acessível. As paisagens nos atraem, as cores no fazem prestar mais atenção e relacioná-las com o conteúdo do que estamos assistindo. Uma comédia teatral se faz engraçada quando vemos gestos, roupas, abraços, sorrisos e muitas outras demonstrações em que não é preciso ser dito nada para entendermos a mensagem.
Quando assistimos a um filme de suspense, ficamos apreensivos, pois está quase para aparecer algo que nos fará tremer, ou uma sombra passará rapidamente na tela do cinema fazendo-nos ficar apreensivos e ficar pensando quando voltará ou para onde foi.
Já vimos, no início desta dissertação, que é indiscutível que pessoas com deficiência visual são tão capazes de ter as mesmas sensações como qualquer um de nós, e, neste caso, desde que saiba o que está acontecendo. Portanto, quando falarmos em acessibilidade nos meios de informação e comunicação, a
audiodescrição82 é um recurso fundamental para proporcionar essa oportunidade para a PcDV.
De acordo com Franco e Silva (2010)83, não se sabe quando as atividades de audiodescrição foram iniciadas, no entanto, enquanto atividade técnica, em 1975, foram lançadas ideias na dissertação de mestrado de Gregory Frazier, nos Estados Unidos. Somente em 1981, a audiodescrição foi formalmente iniciada, quando a peça Major Barbara, exibida no Arena Stage Theater, em Washington, foi audiodescrita84.
Segundo os autores, no Brasil, a audiodescrição foi utilizada pela primeira vez em público em 2003, durante o festival Assim Vivemos: Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência, que teve a participação de Marco Antônio de Queiroz85, um jurado cego. Em 2005, foram lançados dois filmes em DVD, em circuito comercial, com audiodescrição, o Irmãos de Fé e Ensaio Sobre a Cegueira.
A audiodescrição possibilita que as informações que não fazem parte do diálogo possam ser descritas, de forma clara e objetiva para a PcDV. Deve ser feita ao mesmo tempo em que a informação aparece, para não comprometer o entendimento, e dá a oportunidade de compreensão, da mesma forma que uma pessoa que enxerga. As descrições não podem sobrepor o diálogo, a fim de que se harmonizem com o filme ou qualquer outro tipo de apresentação.
Não é apenas necessidade, mais do que isso, é um direito instituído e contemplado na Lei da Acessibilidade, como mostram os artigos 52 e 53, § 2o, e
colocam a responsabilidade no Estado em incentivar a oferta do serviço, dentre outros assuntos, da garantia da audiodescrição.
Art. 52. Caberá ao Poder Público incentivar a oferta de aparelhos de televisão equipados com recursos tecnológicos que permitam sua utilização de modo a garantir o direito de acesso à informação às pessoas portadoras de deficiência auditiva ou visual.
Parágrafo único. Incluem-se entre os recursos referidos no caput: I - circuito de decodificação de legenda oculta;
II - recurso para Programa Secundário de Áudio (SAP); e ___________________
82 O minuto do profissional de audiodescrição pode variar de R$ 35,00 a R$ 45,00.
83 O artigo Audiodescrição: Breve Passeio Histórico, compõe o livro: Audiodescrição, Transformando Imagens em Palavras, citado nas referências.
84 Feita por Margaret Rockwell e Cody Pfanstiehl, responsáveis também pelas primeiras audiodescrições em fita cassete usadas em visitas a museus, parques e monumentos, nos EUA, além de contribuir de maneira significativa para levar a técnica à televisão.
85 É consultor em Acessibilidade Web, criador dos sites Bengala Legal e Acessibilidade Legal e autor do livro Sopro no Corpo: Vive-se de Sonhos, Rima Editora, 2005.
III - entradas para fones de ouvido com ou sem fio. Art. 53 (...)
§ 2o - A regulamentação de que trata o caput deverá prever a utilização, entre outros, dos seguintes sistemas de reprodução das mensagens veiculadas para as pessoas portadoras de deficiências auditiva e visual: I - a subtitulação por meio de legenda oculta;
II - a janela com intérprete de Libras; e
III - a descrição e narração em voz de cenas e imagens.
A princípio, desde 2002, os instrumentais legais que tratam direta ou indiretamente da audiodescrição ampliaram a visão de acessibilidade e foi uma grande contribuição para pessoas com deficiência visual – e demais deficiências – como um passo para terem seus direitos garantidos, um início de grandes movimentos que são feitos até os dias atuais.
Segundo Paulo Romeu Filho86, houve um retrocesso em 2010, quando o Ministério das Comunicações publicou a Portaria 188, formalizando modificações na Norma complementar 1/2006, que, dentre outras mudanças, alterou a obrigatoriedade da quantidade de programação audiodescrita que as emissoras teriam de garantir, passando de duas horas por dia para duas horas por semana.
Para Flávio, ainda é necessário aprimorar o que existe de lei para a audiodescrição. Em São Paulo, tramita o Projeto de Lei 01-0371/2010 que institui a obrigatoriedade de sessões de cinema adaptadas às pessoas com deficiência visual e deficiência auditiva, viabilizando a legendagem e audiodescrição, tendo como periodicidade uma sessão mensal.
Saiu uma lei, tem lei. Deveria estar muito mais evoluída, tem sido cada vez postergado o cumprimento, tudo mais, é muito lenta essa implantação da descrição, mas ela existe e está vigorando. Então... mas é uma conquista, a gente percebe sempre que, em governo, precisa ter elementos de pressão, também, muitas vezes, para poder fazer a coisa acontecer, porque, se não, se ninguém reclama, está tudo bem. É a mesma coisa que alguém assaltado não vai fazer o boletim de ocorrência, parece que ela acha aquilo normal, então, se ela não vai... a pessoa tem que ir atrás disso aí. (Flávio A. W. Scavasin, coordenador de Desenvolvimento de Programas. Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência).
Acessar direitos ainda se mostra um desafio posto para pessoas com deficiência. São muitas as atenções que se deve ter para a acessibilidade e para
___________________
86É analista de sistemas, graduado em Administração de Empresas com especialização em Gestão de Sistemas de Informação, militante pelas causas das pessoas com deficiência e criador do Blog da Audiodescrição.O artigo escrito pelo autor faz parte do livro Audiodescrição, transformando imagens em palavras (páginas 43-66)
muitos pode ser considerada cara; ou argumentam que não há pessoas para acessá-las, que os recursos não serão utilizados, ou até mesmo que não vale a pena tê-los. Mas de uma coisa estamos certos, as muitas discriminações sofridas pelas PcD as tem afastado de muitos lugares.
Vimos, no capítulo 1, a importância que o método braile87 trouxe para a inclusão da pessoa com deficiência visual, no entanto, o acesso ao sistema ainda é um desafio. A Lei federal no 9.610, de 1998, estabelece que obras literárias, artísticas ou científicas podem ser reproduzidas no sistema braile sem ser considerada ofensa aos direitos autorais, desde que não tenham fins comerciais.
Na Lei Federal de Acessibilidade, o braile é citado especificamente como garantia de acesso à pessoa com deficiência visual e deve estar presente próximo das botoeiras externas do elevador; estabelece que a indústria farmacêutica disponibilize a bula de medicamentos em braile ou letra ampliada; de igual forma, que a indústria de equipamento eletroeletrônico doméstico disponibilize, no mesmo formato, o manual de instruções dos aparelhos.
A seção XII, da lei editada no Estado de São Paulo, se dedica à Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e ao braile, e na subseção II trata exclusivamente das publicações pedagógicas em braile. Mesmo dando atenção para esse tema, se apresenta pouco objetiva, com foco apenas na educação e de forma parcial. Autoriza a Secretaria de Estado da Educação a garantir a impressão em braile dos livros, apostilas e demais documentos pedagógicos, para pessoas com deficiência visual, matriculadas nas escolas particulares e públicas do Estado de São Paulo.
Entretanto, um detalhe muito importante é esquecido: as pessoas com deficiência visual também escrevem e usam equipamentos específicos para isto. Para escrever em braile e torná-lo legível ao tato, a PcDV precisa, como qualquer outra pessoa, primeiramente, de papel. No entanto, a gramatura deve ser maior (a mínima recomendada é 120) do que a de uma folha de papel sulfite para que, quando for furada, não seja perfurada e não apague o relevo quando colocada dentro de um livro ou em outro local que possa vir a pressionar as marcações do braile.
___________________
Cristiane Júlio, em sua experiência profissional e contato diário com pessoas com deficiência visual, ressalta a importância do braile, como uma acessibilidade que deve ser garantida.
Eu vejo o acesso a Bíblia em Braile com algo além da inclusão. Por mais que seja acessível ouvirem a Bíblia em áudio, o braile traz um sentimento de pertencimento. Se todas as pessoas podem ler a bíblia como querem e na hora que desejar, a pessoa com deficiência também deve ter esse acesso garantido.
O braile é muito importante na vida de pessoas com deficiência visual e deve ser incentivado. Por exemplo, quando entro na plataforma do metrô, eu sei onde estão todos os espaços que eu preciso ir até a plataforma. Mas a PcDV, se não tiver tal acesso garantido em braile no metrô, ele ficará excluído e não se sentirá parte daquele espaço. O acesso ao braile introduz o ser humano na sociedade. (Cristiane Júlio – SBB)
Para escrever em braile, é preciso ter uma punção88 que é um instrumento furador, pontiagudo, com base de apoio e uma ponteira metálica, que serve para escrever, como se fosse a caneta de uma pessoa que enxerga, mas cada letra é furada ponto a ponto. A PcDV precisa também de uma reglete89, régua mais larga do que uma convencional; corresponde a uma régua dupla, com retângulos vazados, que abre e fecha, com apoio de dobradiças no canto esquerdo; a abertura é destinada ao encaixe do papel. A reglete é fundamental para que a escrita fique linear, não se esquecendo de que a escrita é feita da direita para esquerda, e, para sentir o relevo, é necessário retirar e virar a folha.
Existem vários tipos de regletes e punções, de maiores a menores e até reglete de bolso. Para utilizar a grande, por exemplo, do tamanho de uma folha A4, é indicado que se tenha uma prancheta90, que recebe o encaixe da reglete, e
possibilita que a pessoa com deficiência tenha melhor apoio na escrita.
O processo acima, a princípio, parece complexo e quase impossível, mas para a PcDV é tão comum como para as pessoas que enxergam, que rapidamente tomam caneta e papel para escrever o que desejam.
___________________
88 Custa em média R$ 6,00.
89 O preço varia entre 7% e 10% do valor do S.M. 90 Custa entre 8% a 12% do valor do S.M
Sobre o braile, sua importância pode variar de pessoa para pessoa. A seguir, o relato das considerações de Carlos Ferrari, no que se refere ao uso do braile.
(...) quanto ao braile, eu acho que são duas dimensões, uma é a dimensão do conhecer a escrita, não é essa, nada do que se inventou até hoje substituiu o braile. Quando eu estou fazendo uma leitura via formato digital, seja no meu computador, seja no meu iPhone, no meu gravador, ou sei lá, e escuto a palavra “casa”, ela pode estar escrita com k e com z, com c e com s, com c e com z, eu não vou saber, eu vou saber que o texto está ali me informando que está ali a palavra casa, e beleza, eu vou ler o texto normalmente. Nesse sentido, o braile é fundamental, ou seja, fazer com que o indivíduo conheça a escrita. Outro aspecto do braile, para além de conhecer a escrita, é o aspecto do prazer, qualquer cidadão tem direito a ler no papel ou ler em formato digital (...) (Carlos Ferrari, presidente do CNAS).
Flávio ressalta a importância do braile, no entanto, considera que há um número pequeno de pessoas que sabem lê-lo, e defende que utilizar a audição é mais viável, tendo em vista o custo e volume do material impresso em braile.
Olha, o braile é algo que tem um número até pequeno de cegos que lê. É muito importante, o braile, principalmente se você pensar na pessoa que é surda e cega, ela não tem outra alternativa a não ser o braile. Por exemplo, se você colocar na porta, para identificar cartão de crédito, para uma série de coisas, não tem substituto para isso. Então, o braile é muito importante. Só que, numa impressão comum, que a gente possa fazer, o braile tem um problema de ocupar um volume muito grande. Cada folha de papel dá umas cinco folhas em braile, é em relevo, então, ocupa um espaço muito grande, um compêndio que seja de qualquer coisa fica impraticável de você muitas vezes fazer em braile (...) a maioria dos cegos que você pega e mesmo que se formam em alguma atividade eles usam a audição para ter contato com a leitura. Então, é esse geralmente o caminho. A gente tem divulgado informações, preferencialmente, dessa forma, claro que um evento ou outro a gente imprime umas coisas em braile, mas, às vezes, nem chega a ser usado, porque as pessoas já estão acostumadas, já ambientadas com essas tecnologias, vamos dizer assim. (Flávio A. W. Scavasin, coordenador de Desenvolvimento de Programas. Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência).
Vera Pereira, quando perguntada sobre a importância do braile, ressalta que a pessoa com deficiência visual não pode aprender apenas escutando, e que todos têm o direito de escrever e com certeza a PcDV não é diferente. Mesmo que digite no computador, ela precisa imprimir em braile.
Se ele escreveu alguma coisa, ele pode escutar, mas ele só escuta, ele nunca tem nada dele, alguma coisa, ele vai ter que produzir por ele. O braile é importante, tem que saber. (Vera Pereira – Laramara).
Outro recurso para a escrita do braile é a máquina de escrever braile91. No mercado, existem diversos tipos, inclusive portáteis, que podem facilmente ser transportados de um lugar para outro e com abafamento de som para que a pessoa próxima não seja incomodada com o barulho. A tecnologia é da Perkins, uma organização norte-americana sem fins lucrativos.
E quando a pessoa com deficiência visual resolve fazer uma conta, entra em cena mais alguns recursos para PcDV. Pode ser feito por meio de calculadora
sonora92 que anuncia os números, as funções e os resultados das operações
efetuadas ou sorabã93 (ou soroban)94 também chamado de ábaco japonês, um recurso para efetuar cálculos de forma rápida e fácil. O equipamento foi utilizado a primeira vez no Brasil pelo professor Joaquim Lima de Moraes. Após ter ficado cego, em 1945, matriculou-se para aprender braile e se dedicou a pensar sobre uma forma de calcular para os deficientes visuais.
Na época, ainda na década de 1940, a PcDV realizava cálculos por meio de cubos (cubarítimo) e tinha a mesma lógica de quem enxergava. O método com os cubos dava muito trabalho, pois era comum a pessoa perder a conta se batesse nos cubos ou os deixasse cair. O professor, ao ter contato com o sorabã, que já era utilizado por pessoas que enxergavam, no Japão, percebeu que se tratava de aparelho leve e de fácil manuseio, que poderia ser adaptado para pessoas com deficiência visual.
E, assim, pequenas adaptações possibilitaram que a pessoa com deficiência visual tivesse um recurso para calcular. Teve o apoio da Fundação Dorina Nowill, que imprimiu a primeira tiragem, de 120 exemplares, do manual de utilização do sorabã para pessoas cegas. A partir da década de 1950, Moraes começou a se dedicar a disseminá-lo pelo País, dando aulas e palestras em diversas organizações de apoio ao cego. Atualmente, segundo informações do Ministério da Educação e Cultura (MEC), no Brasil, existe a Comissão Brasileira de Estudo e Pesquisa do Soroban.
___________________
91 Valores encontrados de R$ 2.695,00 a R$ 5.500,00
– Para adquirir o equipamento é necessário ter entre 433% e 884% do S.M.
92 Custa entre 9% e 15% do S.M. 93 R$ 45,00 (7% do S.M)
94 Portaria no 1.010, do Ministério da Educação, institui, em 11 de maio de 2006, o soroban, contador mecânico adaptado para pessoas com deficiência visual, nos sistemas de ensino do País em todos os níveis.
Chegamos, então, finalmente, à era da informatização que vem, a cada dia, criando novas tecnologias. Ao mesmo tempo, encurta distância, faz com que outras distâncias aconteçam, ou seja, cada vez mais o contato do ser humano tem se tornado digital, fazendo com que não seja mais necessário uma aproximação para se comunicar, basta enviar um e-mail ou participar de redes sociais, deixando uma mensagem. Em contrapartida, para muitas pessoas com deficiência visual, por haver outras impossibilidades ou dificuldades de acesso, encontra na tecnologia um recurso imprescindível para se comunicar, tendo a oportunidade de participar de forma ―presente‖ em discussões, debates e ficando ―próximo‖ de quem ama.
A informática para pessoas com deficiência visual tem sido cada dia mais explorada e novos recursos são criados para ampliar o conhecimento da PcDV. Nem todas essas pessoas, entretanto, têm acesso a um computador, seja ela com ou sem deficiência, e nem um plano de internet em sua residência.
Para Torres et. al. (2002), o espaço digital deve ser entendido como outro espaço, pois possui características distintas do meio em que vivemos. Para que a internet seja considerada acessível, é necessário considerar vários itens importantes. O primeiro refere-se à condição financeira, se uma pessoa tem ou não como manter um plano. O segundo refere-se ao formato em que as informações serão disponibilizadas. A autora defende que deve haver uma flexibilização, baseada tanto na escolha e preferência da pessoa, quanto na necessidade, que pode ser fruto das características técnicas do produto ou características corporais.
De acordo com Grandi e Noronha (2010), a relação de pessoas com deficiência visual e os computadores é possível e tem apresentado, ao longo dos anos, muita eficácia. Para explicar essa relação, os autores apresentam a divisão do computador em duas partes, hardware e software. A primeira refere-se à parte física do computador e para pessoas com deficiência visual, envolve a impressora
braile95, escâner96, linha braile97 e ampliador de tela. A segunda pode ser considerada a parte lógica, que é o processamento das informações pelo