ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.5 SOSYAL BİLGİLER DERSİNDE ELEŞTİREL DÜŞÜNME
Além do MBTI, optamos por fazer entrevistas como instrumento de pesquisa, pois, conforme ressalta Ehrman (1996), embora os questionários sejam muito úteis, muito se pode conseguir por meio de entrevistas e técnicas de observação. Além disso, Lüdke e André (1986, p. 34) defendem que a entrevista “permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos” e ainda permite correções, esclarecimentos e adaptações.
Após os aprendizes responderem ao primeiro inventário no início do semestre, consideramos pertinente fazer uma entrevista com os mesmos, elaborando questões relacionadas àquelas propostas no inventário (ver questões abaixo). Tal procedimento foi muito útil, pois, assim, foi possível traçar um perfil complementar ao demonstrado pelos inventários. A entrevista feita pode ser classificada como semiestruturada, condizente com a seguinte descrição de Seliger e Shohamy (1989, p. 167): “a entrevista semiestruturada consiste de questões específicas e definidas de antemão, mas, que, ao mesmo tempo, permite que o entrevistador faça as adaptações necessárias.”
Seguimos um conjunto de questões previamente definidas, mas desenvolvidas sob condições muito semelhantes ao de uma conversa informal. Com esse tipo de entrevista, devemos ficar atentos para dirigir, no momento que acharmos oportuno, a discussão para o assunto que nos interessa, fazendo perguntas adicionais para elucidar questões que não ficaram claras ou ajudar a recompor o contexto da entrevista, caso o respondente tenha dificuldade com o tema ou tenha fugido dele.
As entrevistas foram realizadas durante os meses de abril e maio, quando todos os aprendizes já haviam respondido ao MBTI. A partir das respostas dadas pelos aprendizes, pudemos verificar se havia contradições entre o que foi dito por eles e o que foi revelado nos inventários.
A entrevista, destinada a todos os aprendizes, era composta de seis questões fixas. Entretanto, as respostas dadas, algumas vezes, exigiam complementação ou esclarecimentos e, portanto, eu fazia outras perguntas direcionadas que variavam de aprendiz para aprendiz.
Conforme cada aprendiz dava suas respostas, elas eram registradas por mim por meio de anotações (Anexo B).
Questões:
1) Você prefere fazer trabalhos em grupo ou individualmente?
2) Quando você tem que entregar um trabalho, por exemplo, você o faz com antecedência; faz na véspera, mas consegue entregar em dia ou se esquece de fazer e pede para o professor prorrogar o prazo de entrega?
3) Quando o professor está explicando a matéria, você presta atenção e anota tudo o que ele fala; se concentra, mas não faz nenhuma anotação ou encontra um meio de conversar com o colega?
4) Ao ler um texto em inglês, você se preocupa com a tradução das palavras isoladamente ou você tenta compreender o todo, o contexto?
5) Durante as aulas de Língua Inglesa, qual dessas atividades você se sente menos confortável em realizar: leituras em voz alta, role plays, exercícios escritos ou seminários?
6) Quando você tem alguma dúvida, você procura solucioná-la sozinho, pergunta para a professora ou a ignora?
Cada entrevista demorava em média 10 minutos. Por questão de tempo, os alunos foram entrevistados em dias diferentes, três ou quatro a cada dia de aula, durante dois meses. Cada aluno era convidado para a entrevista segundo seu número na caderneta de chamadas.
Por meio da entrevista, de modo mais informal, pude conversar com os aprendizes, elaborando outras questões para melhor esclarecimento (ver Anexo B) e descobrir se a resposta dada refletia apenas o modo como eles gostariam de ser (ou parecer) ou se era realmente um retrato fiel de suas atitudes e reações. Por terem que se expressar oralmente, sem terem muito tempo para pensar, as respostas eram bem espontâneas.
Antes da entrevista, assim como ocorreu antes da aplicação dos inventários, foi deixado bem claro aos respondentes que não haveria resposta certa ou errada, e, portanto, não haveria a necessidade de ficarem receosos ou tensos. Durante as primeiras questões da entrevista, alguns alunos ainda ficaram intimidados; porém, no decorrer da conversa, iam se tornando mais desinibidos.
5 ANÁLISE DOS DADOS
Antes de detalhar os resultados, faz-se necessário esclarecer que os dados analisados referem-se ao primeiro inventário e às entrevistas. Os dados do segundo inventário apenas foram coletados para se cumprir o critério de confiabilidade, já que foi possível constatar que não houve variação muito grande dos resultados obtidos entre um inventário e outro. Para cada Tipo, composto de quatro letras, constatamos, ao menos, a permanência de três delas25.
Tabela 1 – Número de respondentes de cada Tipo
5.1 Descrição dos resultados
Conforme tabela a seguir, foi possível verificar que 19 participantes eram extrovertidos (E) e apenas 7 eram introvertidos (I); 22 pertenciam ao Tipo Sensação (S) e 4 ao Intuição (N); 12 correspondiam ao Tipo Pensamento (T) e 14 eram correspondentes ao Tipo Sentimento (F). Finalmente, os Tipos Julgamento (J) e Percepção (P) tiveram o mesmo número, 13 cada.
25 Para conferir a variação do Tipo de cada um dos aprendizes, ver Apêndice A. TIPOS FEVEREIRO/0 8 N° Respondentes ESFJ 4 ESFP 2 ESTJ 5 ESTP 4 ENTP 1 ENFP 2 ENFJ 1 ISTP 1 ISFP 3 ISFJ 2 ISTJ 1 INTP 0 INTJ 0 TOTAL 26
Tabela 2 – Número correspondente a cada dimensão psicológica
EXTROVERSÃO INTROVERSÃO SENSAÇÃO INTUIÇÃO
ESFJ = 4 ESFP = 2 ESTJ = 5 ESTP = 4 ENTP = 1 ENFP = 2 ENFJ = 1 Total = 19 ISTP = 1 ISFP = 3 ISFJ = 2 ISTJ = 1 Total = 7 ESFJ = 4 ESFP = 2 ESTJ = 5 ESTP = 4 ISTP = 1 ISFP = 3 ISFJ = 2 ISTJ = 1 Total = 22 ENTP = 1 ENFP = 2 ENFJ = 1 Total = 4
PENSAMENTO SENTIMENTO PERCEPÇÃO JULGAMENTO
ESTJ = 5 ESTP = 4 ENTP = 1 ISTP = 1 ISTJ = 1 Total = 12 ESFJ = 4 ESFP = 2 ENFP = 2 ENFJ = 1 ISFP = 3 ISFJ = 2 Total = 14 ESFP = 2 ESTP = 4 ENTP = 1 ENFP = 2 ISTP = 1 ISFP = 3 Total = 13 ESFJ = 4 ESTJ = 5 ENFJ = 1 ISFJ = 2 ISTJ = 1 Total = 13
Como já mencionado anteriormente, no critério de análise, consideramos irrelevante destacar quesitos como sexo e idade dos participantes. Embora, segundo a teoria pesquisada (KEIRSEY; BATES, 1984; MYERS; MYERS, 1995; QUENK, 2000; KROEGER; THUESEN; RUTLEDGE, 2002), algumas dimensões sejam mais características do sexo masculino (como o Tipo Pensamento) e outras estejam mais ligadas ao sexo feminino (como o Tipo Sentimento), isso não impede que mulheres sejam identificadas como Pensamento e homens como Sentimento. Em relação à idade, não foi encontrada nenhuma referência ou ressalva importante na bibliografia estudada, a não ser o que se refere à idade mínima – quatorze anos (provavelmente por estar relacionada à equilibração – PIAGET, 1970) – para se aplicar o inventário. Para crianças e adolescentes com idades até 14 anos, existe uma versão própria do MBTI – Murphy-Meisgeier Type Indicator for Children (MURPHY; MEISGEIER, 1987).
5.2 Confluências entre Tipos Psicológicos, estilos e estratégias
Por meio das respostas dadas pelos alunos, tanto nos inventários como nas entrevistas e pelas observações no decorrer do semestre, foi possível correlacionar os Tipos Psicológicos com os estilos e as estratégias de aprendizagem. Considerando as divisões taxonômicas das estratégias de aprendizagem relatadas na seção 2.4, julgamos que as
classificações de O’Malley e Chamot (1990) e Oxford (1990) são as mais completas e, por essa razão, foram escolhidas para sustentar nossa análise.
Convém fazermos alguns esclarecimentos quanto a dois casos excepcionais. As respostas de A4 e de A24 (A = Aprendizes) relativas ao primeiro inventário e às questões feitas durante a entrevista demonstraram algumas ambiguidades, que foram finalmente corroboradas no segundo inventário, o qual apresentou uma variação muito grande do Tipo Psicológico em relação ao que foi revelado no primeiro inventário (ver Apêndice A). Por essa razão, os dados de tais aprendizes, considerados não confiáveis, não foram mencionados na análise feita logo a seguir, na qual cada dimensão Psicológica foi descrita, a partir das respostas obtidas no inventário e na entrevista.
No primeiro inventário, as respostas de A4 revelaram que ele era ESTJ e no segundo, INTJ; as respostas de A24 demonstraram que ele era, primeiramente, ISTP e, posteriormente, ESTJ. Comparando as respostas dos dois aprendizes no primeiro e no segundo inventários, apenas 17 questões (ou 53%) em um total de 32, eram equivalentes.
A4 respondeu no inventário: “Tenho os pés no chão”. Entretanto, afirmou na entrevista que, por ser “meio desligada”, copiava todo o conteúdo da lousa para que pudesse lembrar mais facilmente do assunto quando fosse estudá-lo. A24 havia optado pela seguinte resposta do primeiro inventário: “Sou rigoroso com prazos”. Entretanto, este rigor não era demonstrado em sala de aula, conforme pude observar. Ao ser questionado, durante a entrevista, sobre a entrega de trabalhos, ele afirmou que muitas vezes se esquecia de fazer os trabalhos, tendo que fazer às pressas, no dia.
Os aprendizes A4 e A24, sucumbidos ao desejo de parecerem “alunos exemplares”, deixaram de revelar suas reais preferências, descrevendo-se como aqueles que sempre cumprem prazos, que priorizam a organização e que são alunos disciplinados. No entanto, por meio de observações e entrevistas, pudemos notar respostas incoerentes e, muitas vezes, talvez, inventadas.
A seguir, faremos uma exposição dos estilos e estratégias associados a cada Tipo. Cada característica foi extraída das entrevistas e dos dados fornecidos pelos aprendizes ao responderem ao inventário. Preferimos tratar de cada dimensão separadamente, ao invés de abordar o Tipo completo, porque, assim, torna-se mais fácil compreender sua singularidade. As respostas de todos os aprendizes citados abaixo estão transcritas no Anexo B.