ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.4 ELEŞTİREL DÜŞÜNME
Toda a teoria envolvendo as dimensões psicológicas propiciou a elaboração do MBTI (Myers-Briggs Type Indicator) em 1943. A partir de perguntas fundamentadas em cada uma das preferências, com uma linguagem simples e acessível, o indivíduo que respondesse ao indicador conseguiria descobrir seu Tipo Psicológico.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), muitos trabalhadores industriais foram obrigados a abandonar suas funções para servirem ao exército. Para substituir seus postos foram colocadas mulheres que não possuíam qualquer conhecimento ou habilidade relacionados ao serviço bruto que deveriam realizar. Partindo do pressuposto de que, conhecendo suas preferências, as mulheres poderiam escolher uma função com a qual elas mais se identificassem e poderiam fazer um trabalho mais efetivo, Katharine Briggs e Isabel Myers procuraram em vão um instrumento eficaz que pudesse identificar o Tipo e as preferências. Em decorrência dessa necessidade elas decidiram criar um instrumento sozinhas – o MBTI (MYERS e MYERS, 1995).
Ao se referirem ao instrumento, as pesquisadoras utilizaram o termo “indicador”, evitando a expressão “teste psicológico”, pois o MBTI não testa os respondentes, apenas indica seus Tipos.
Segundo dados expostos por Cardoso (2007), em 1962, o Serviço de Avaliação Educacional (Educational Testing Service) publicou o MBTI, instrumento que levou 20 anos para ser desenvolvido. Naquela época, foi considerado apenas um instrumento de pesquisa, não sendo amplamente divulgado. Somente em 1975, quando a Imprensa de Consultoria de Psicologia (Consulting Psychologists Press) assumiu a responsabilidade pela publicação é que o indicador passou a ser utilizado em ampla escala.
Conforme explica Lessa (2002), o desenvolvimento e a construção do MBTI inclui aspectos que vão desde a aceitação por parte da comunidade de psicólogos norte americanos, limitações de um formato de autorrelato, escolha da linguagem empregada no indicador, representação da natureza dicotômica da teoria Junguiana até a decisão pela classificação e não pela mensuração.
Ao construir o indicador, Myers e Briggs utilizaram o formato de autorrelato nas perguntas e o processo de escolha forçada, procurando se encaixar nas exigências mencionadas acima. Como a preferência está relacionada às preferências pessoais entre opostos, os itens do indicador teriam que forçar os respondentes a escolher entre duas respostas, possibilitando-lhes fazer um autorrelato de suas preferências com exatidão. Outra medida de cautela tomada para eliminar a simulação dos respondentes foi a de mesclar a “direção dos itens”, a fim de que a pessoa não se sentisse predisposta a assinalar apenas um dos polos (LESSA, 2002).
É importante que os respondentes estejam cientes de que o Tipo Psicológico não tem como função limitá-los ou categorizá-los de modo estereotipado, mas apenas indicar suas preferências e lhes incitar ao autoconhecimento. Compreender os Tipos evita certos rótulos, que são aplicados a pessoas Introvertidas, por exemplo, como: antissociável, não comunicativo, vergonhoso, caipira e uma série de outros adjetivos com sentido pejorativo. O próprio Jung (1991), quando se referia aos Tipos extrovertido e introvertido enfatizava que nenhuma das preferências é melhor que a outra, citando que o mundo precisa dos dois tipos de pessoas, exemplificando nomes importantes como Darwin, classificado como predominantemente extrovertido e Kant, que era introvertido por excelência. O ideal é que o indivíduo seja flexível, capaz de adotar qualquer uma dessas atitudes quando for apropriado e operar em equilíbrio entre ambas.
Embora esse inventário tenha sido amplamente utilizado e proporcionado resultados satisfatórios, algumas críticas têm sido feitas a ele.
Primeiramente, o MBTI é apontado como uma ferramenta não confiável. Pelo fato de a personalidade não ser totalmente estável, questiona-se a durabilidade dos resultados, que muitas vezes são descritos como circunstanciais. Para rebater essa questão, considera-se que o presente trabalho deve funcionar como um ponto de partida numa proposta de autoconhecimento e de compreensão do estilo de aprendizagem, ao menos enquanto os aprendizes estiverem aprendendo uma LE, para que possam desenvolver estratégias e se beneficiar com tal descoberta.
Pelo fato de a pesquisa ter sido planejada com o objetivo de alcançar resultados sólidos e de buscar traços de personalidade e não simplesmente o estado dos aprendizes, os participantes da pesquisa foram convidados a responder ao inventário primeiramente em fevereiro de 2008 e a respondê-lo novamente em junho do mesmo ano (havendo um intervalo de 4 meses), para que comparássemos os resultados e analisássemos as diferenças. Excluindo dois resultados correspondentes a A4 e A24, todos apresentaram uma variável muito pequena ou nula, comprovando sua confiabilidade e durabilidade.
Ademais, citando Verhoeven e Vermeer (2002), traços de personalidade podem ser vistos como dinâmicos; contudo, são indicadores das necessidades pessoais. Sendo assim, apenas acontecimentos contundentes na vida do aprendiz poderiam alterar radicalmente o sentido das respostas e mudar suas preferências.
O Tipo Psicológico pode variar conforme o tempo. Porém, segundo a teoria, todo indivíduo nasce com uma disposição natural para desenvolver certas atitudes e processos mentais ao invés de outros. O Tipo permanece estável durante toda a vida, embora o modo como ele é expresso, em diferentes estágios de desenvolvimento, possa diferir. Com o amadurecimento, o indivíduo pode demonstrar maior aceitação para o que antes era totalmente rejeitável. Por outro lado, o que já era algo costumeiro tende a ficar mais confortável com o uso. Assim, um aprendiz classificado como extrovertido, não poderá responder novamente ao inventário, em um curto intervalo de tempo, e ter um resultado oscilante entre extrovertido e introvertido. É possível e aceitável que em alguns momentos ele tenha algumas atitudes mais centradas em si mesmo (Introversão); porém, na maior parte do tempo ele sentirá a necessidade de buscar no outro sua fonte de energia (Extroversão).
Conforme comparam Kroeger, Thuesen e Rutledge (2002), os Tipos são como o alicerce da casa. Com o passar do tempo, a casa pode sofrer algumas reformas, alguns cômodos são acrescidos, outros são aumentados ou reduzidos, mas o alicerce continua o
mesmo. Em relação aos Tipos, algumas preferências podem ficar mais ou menos intensas. Entretanto, aquelas que são inatas, são insubstituíveis.
Este trabalho também não pretende contestar as imperfeições do Indicador de Tipos; entretanto, defende o fato de que é mais fácil reconhecer os erros, localizar suas causas e tentar amenizá-los. Para Medeiros (1976), um princípio básico em que indicadores de comportamento se firmam é o de colher amostras do comportamento para nelas estudar a intensidade da característica em exame. Sua vantagem é que, em curto prazo, com menos erros de julgamento, apontam aspectos importantes do comportamento.
Ainda segundo Medeiros (1976), os possíveis erros nas indicações de comportamento geralmente estão ligados a desinteresse ou fadiga do indivíduo que está sendo avaliado; imprecisão ou inadequação do instrumento de medida; desconforto com o ambiente e com o examinador. Quenk (2000) acrescenta que respondentes com sérios distúrbios psicológicos e que estão sob o efeito de alguma substância química também podem levar a resultados inválidos.
Por essa razão, o examinador deve analisar os dados fornecidos pelos aprendizes e compará-los aos hábitos desses aprendizes em sala de aula e a entrevistas complementares, para que consiga concluir se as respostas dadas nos inventários condizem com a realidade ou são apenas tipos criados ou idealizados por eles.
Gagné (1967), um dos expoentes do cognitivismo, chama atenção para outro ponto importante: muitas vezes, a adaptação da prática de ensino por parte do professor tem como base apenas sua crença e a observação informal. De acordo com o autor, alguns professores alteram seu modo de ensino a partir da impressão causada pelos alunos, sem qualquer teoria explícita. Tal decisão, conforme ele acrescenta, pode ser benéfica, mas há grandes chances de ser ineficiente ou até mesmo prejudicial. Assim, os inventários de personalidade são uma alternativa válida para serem aplicados a pessoas ou grupos quando se quer conhecê-los melhor, seja para lidar mais habilmente com eles, seja para ajudá-los no presente ou para prever reações futuras.
Conforme alertam Berens e Nardi (1999), a personalidade não pode ser medida, mas mapeada. Ao se fazer tal mapeamento é necessário levar em conta, não somente as informações dadas no inventário, mas também as respostas das entrevistas e as observações feitas.
Finalmente, é necessário ter ciência de que o Tipo Psicológico não explica tudo, embora seja um importante constituinte da complexa personalidade humana.