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3. Skopos Kuramına Genel Bir Bakış

3.1. Skopos Kuramı: Vermeer, Savlar ve Karşı Savlar

Nesta subseção, levantaremos hipóteses a partir do desenho arquitetônico da Villa Emo de Andrea Palladio (1508-1580), apresentado em seu livro Os quatros livros de arquitetura de Andrea Palladio, como também explicaremos os motivos da unidade Φ não poder ser considerada como unidade padrão, por não comportar sua planta.

Lembramos que Rachel Fletcher defendeu a tese da presença da seção áurea na Villa

Emo, utilizando a unidade Φ na planta da referida vila, desenhada não por Palladio, mas em

desenho realizada por pesquisas mais recentes da Villa Emo, datadas em 1967, como as dos arquitetos Mario Zocconi and Andrzej Pereswiet Soltan, encomendadas pelo Centro

Internazionale di Studi di Architettura “Andrea Palladio” (CISA).

Fletcher constrói vários argumentos em prol do uso da seção áurea, entre eles está a ideia de que a construção erguida difere do projeto exposto por Palladio no seu Tratado (1570). Para tanto, Fletcher publica resultados dos seus estudos da seção áurea na Villa Emo

no artigo Proportions in a Great House: Palladio’s Villa Emo, no ano de 2000 e no artigo Palladio’s Villa Emo:The Golden Proportion Hypothesis Defended, de 2001.

Sobre a localização e o proprietário da Vila Emo, Palladio (1997, p. 133) ressalta que a mesma situa-se “[...] at Fanzolo, na estate in the Trevigiano three Miles from Castefranco, is

the building placed below belonging to the magnificente Signor Leonardo Emo”. Nesse

sentido, é importante salientar que a Villa Emo, como apresenta Palladio no seu quarto livro, capítulo XIV, é uma grande casa com características apropriadas do período renascentista.

Assim, como já foi citada, a Villa Emo situa-se em Fanzolo, ao norte a Itália, e pertenceu há décadas à família Emo. Para Marton (2004, p. 164), “a construção da Villa Emo, constitui o ponto culminante de um longo esforço da família Emo no cultivo dos terrenos onde se construiu a Villa”. O citado autor menciona que foi Leonardo di Giovanni quem adquiriu, da família Barbarigo, a propriedade e nela já constava de uma casa senhorial. Então,

só depois de duas gerações, a propriedade vai pertencer a Leonardo di Alvise Emo, e este fez encomenda de sua construção a Andrea Palladio.

Contudo, a história de construção da Villa Emo é um pouco incerta, pois alguns pesquisadores, como Marton (2004), admitem que suas obras iniciaram-se em 1555 e foram concluídas em 1556, mas, para Fletcher (2000), a Villa Emo foi construída nos anos de 1550.

Palladio (1997, p. 133), ao detalhar no seu tratado algumas características da Villa

Emo, vila essa rural e não urbana, pontua que nela existe “the cellars, granaries, stables, and other farm buildings are on either side of the owner’s house, and at the ends there are

dovecots that are useful for the owner and add beauty to the place”.

Sobre as villas rurais de Palladio, ressalvamos que elas surgiram no momento em que a própria Itália necessitava de mudança econômica por Veneza ter perdido força comercial com os três acontecimentos históricos: o descobrimento das Américas por Colombo em 1492; a descoberta de uma nova rota marítima para Oriente por Vasco da Gama em 1497; e a Tomada de Constantinopla pelos Turcos em 1543.

Até o século XV, Veneza era uma grande potência mundial, mas, com os acontecimentos citados anteriormente, perdeu sua força comercial e econômica para o novo mundo. Desse modo, os senhores mercadores de Veneza perceberam que poderiam expandir seu comércio para o cultivo da agricultura com plantio de milho recém-chegado das Américas. Assim, os nobres mercadores de Veneza passaram a investir em toda Itália em terras firmes cultiváveis longe das grandes cidades, ação que faz surgir as casas de campo, onde seus proprietários aproveitavam para ter uma vida mais prazerosa e saudável, longe do agito dos grandes centros comerciais.

Neste contexto, surge Andrea Palladio, arquiteto com formação vitruviana, com a sua reelaboração da arquitetura antiga greco-romana, e projeta as vilas rurais. Nelas, Palladio criou sob seus projetos elementos arquitetônicos, tais como: pórtico com frontão, loggias e colunatas dos templos antigos. Ele também aplica nos desenhos das vilas uma simetria nos dois lados das vilas rurais – alas laterais - um bloco central e salas e quartos feitos em proporção harmônica.

No caso específico da Villa Emo, Palladio (1997, p. 133) diz que para proporcionar

prazer e comodidade ao seu proprietário Leonardo Emo, projetou “[...] behind this building is

a square garden of eighty campi trevigiani, through the middle of which runs a stream that makes the site very pretty and delightful. It was decorated with paintings by Master Battista Veneziano.

A conjectura que fazemos foi que Andrea Palladio, ao elaborar os esboços da Villa Emo, representadas em sua obra nas Figuras I a IV, escolheu Φ como unidade de medida e

escala Φ: 27. Nos seus esboços ele procurou seguir alguns passos, tais como:

1º Passo: Constrói-se um quadrado qualquer, cujo lado seja igual a Φ²;

2º Passo: De posse do quadrado (Φ²), desenham-se dois retângulos, por meio do seu ponto médio; rebate-se suas diagonais encontrando-se Φ como lado menor dos retângulos;

3º Passo: Sob esses retângulos de lado Φ, definem-se dois quadrados e dois retângulos menores;

4º Passo: Nos quadrados, constroem-se retângulos áureos;

5º Passo: Tomando o último retângulo como lado menor 1, forma-se um quadrado de

lado Φ, fazendo com que Φ² = Φ + 1;

6º Passo: Considerando-se que no esboço há retângulos simétricos com lados Φ² e Φ, traçam-se os segmentos de reta comprovando-se que o quadrado inicial da figura

pode ser rebatido simetricamente pelos segmentos construídos, resultando em Φ³ = Φ² + Φ.

Com base no estudo investigatório, realizado nas seções dois e três, elaboramos uma sequência de atividades (Apêndices A, B, C, D) para abordar os conceitos de seção áurea, incomensurabilidade, irracionalidade, tendo em vista o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao raciocínio lógico e investigativo dos alunos e à demonstração matemática.

De acordo com as considerações apresentadas nas seções anteriores, planejamos didaticamente a sequência com quatro atividades: Os Números e a Matemática; Seção Áurea; A Matemática e a Arquitetura na Villa Emo de Andrea Palladio; Redução ao Absurdo (Apêndices A, B, C e D).

Na próxima seção, abordaremos como foi elaborada a sequência de atividades, bem como o percurso metodológico da pesquisa realizada em sala de aula, com duas turmas de licenciatura, uma de Pedagogia e outra de Matemática.

4 ARQUITETURA DA PESQUISA

Para atender à exigência de uma tese científica, nossa pesquisa precisava respaldar-se em abordagens teórico-metodológicas que fossem apropriadas para esclarecer questões de nosso estudo investigativo, isso tanto em relação aos atores da pesquisa quanto às análises dos dados coletados durante o trabalho de campo. Para Eco (2010, p. 5), elaborar uma tese

significa, pois, “aprender a pôr ordem nas próprias ideias e ordenar os dados: é uma

experiência de trabalho metódico; quer dizer, construir um objeto que, no princípio, possa

também servir aos outros”.

Nesse caso, optamos pela abordagem na pesquisa quali-quantitativa. Strauss e Corbin (2008, p. 45) informam-nos que “as formas de pesquisa qualitativa e quantitativa têm seus papéis a desempenhar na teorização. A questão não é usar uma forma ou outra, mas, sim,

como essas formas devem trabalhar juntas para promover o desenvolvimento da teoria”. A abordagem qualitativa pode ser entendida como “qualquer tipo de pesquisa que

produza resultados não alcançados através de procedimentos estatísticos ou de outros meios

de quantificação” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 23). Os autores dizem que pode se fazer

referência à pesquisa sobre a vida das pessoas, às experiências vividas, aos comportamentos, às emoções e aos sentimentos, e, também, à pesquisa sobre funcionamento organizacional, movimentos sociais, fenômenos culturais e interação entre nações.

Para Strauss e Corbin (2008), há nesse tipo de pesquisa basicamente três componentes principais: 1) os dados são possivelmente abstraídos das entrevistas, observações, documentos, registros e filmes; 2) os procedimentos podem ser usados pelos pesquisadores para interpretar e organizar os dados. Consistem de conceituar e reduzir os dados, elaborar categorias em termos de suas propriedades e dimensões, para que possa ser relacionado através de uma série de declarações preposicionais; 3) os relatórios escritos e verbais que podem ser apresentados como artigos ou em livros.

Por ser uma pesquisa que abrange a educação Matemática, ela envolverá alguns métodos experimentais tradicionais de pesquisa desse campo, que segundo Fossa (1998, p.

46), pode ser “pré-teste, pós-teste, intervenção, com um número maior ou menor de inovações

para assegurar a legitimidade e segurança – são quase experimentos e, desse modo, também fazem parte do paradigma experimental”.