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Siyasi Yasakların Kaldırılması (6 Eylül 1987 Referandumu)

Para apresentação da forma como os dados foram coletados serão comentadas a ferramenta utilizada e as definições sobre a amostra pesquisada.

3.2.1.1 Ferramenta

Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas que constituem uma fer- ramenta apropriada para investigar atitudes, intenções e motivações envolvendo interpreta- ções e ambigüidades. A utilização de entrevistas como ferramenta de coleta dos dados está de acordo com os objetivos do estudo na medida em que as informações que buscam estão dentro do âmbito da cultura organizacional brasileira e, portanto, de normas e situações socialmente compartilhadas. As entrevistas, segundo Kahn e Cannell (1957, apud Marshall e Rossman, 1999) podem ser compreendidas como “uma conversa com um propósito”. Como principal vantagem, as entrevistas permitem o levantamento de questões relevantes e profundas (Den- zin e Lincoln, 1994) e de grande quantidade de dados de maneira rápida (Marshal e Rossman, 1999). No caso das entrevistas semi-estruturadas alguns tópicos para direcionamento são ela- borados e procura-se captar as percepções dos entrevistados a respeito.

As entrevistas realizadas não possuíam nenhuma categorização a priori que pudesse limitar a compreensão do fenômeno estudado. As questões foram elaboradas em torno dos principais temas e objetivos apresentados anteriormente. Assim, as perguntas realizadas remeteram a temas como os aspectos mais difíceis e mais fáceis da gestão no Brasil, as habilidades neces- sárias ao gestor, os desafios impostos pelo contexto nacional, as diferenças entre a gestão no Brasil e em outros contextos de gestão vividos pelo entrevistado, os impactos dos referenciais estrangeiros e as particularidades da gestão praticada no país.

Adicionalmente foram desenvolvidas 34 questões com respostas do tipo escala Likert (Mar- tins e Lintz, 2000). As questões foram desenvolvidas tendo como suporte as categorias pré- analíticas obtidas no referencial teórico como, por exemplo, personalismo, distância de poder, paternalismo, coletivismo, formalismo, fascínio pelo estrangeiro, entre outras. Essas questões foram utilizadas no estudo somente como apoio e sustentação à análise qualitativa dos dados.

O estudo não teve como objetivo utilizá-las para fins quantitativos ou para cálculos e modelos estatísticos sofisticados.

3.2.1.2 Amostra

A amostra foi selecionada de maneira intencional, incluindo os indivíduos que preenchiam os critérios previamente definidos a fim de assegurar que os resultados representassem adequa- damente as percepções e concepções acerca do estilo brasileiro de administrar (Marshal e Rossman, 1999; Maxwell, 1996). A idéia foi buscar um grau significativo de variação nas percepções acerca do estilo brasileiro. Por isso, das estratégias colocadas por Marshal e Rossman (1999) para definição da amostra em pesquisas qualitativas, este estudo utilizou a estratégia de busca por grande variação de visões com o objetivo de documentar as diversas variações sobre o tema e de identificar, a partir daí, padrões comuns. Como a seleção da a- mostra se deu por processo não probabilístico, a escolha dos indivíduos visou conseguir ma- ximizar a utilidade e profundidade das informações obtidas.

Para serem qualificados como fontes apropriadas aos objetivos do estudo, os entrevistados tinham que se adequar aos seguintes critérios: (i) possuir experiência de gestão no Brasil e (ii) possuir experiência de gestão fora do Brasil. Por estes motivos, foram entrevistados executi- vos brasileiros e estrangeiros. Todos os executivos brasileiros haviam tido algum tipo de ex- posição a culturas estrangeiras de gestão por meio de vivências em “missões” ou tarefas no exterior e todos os executivos estrangeiros estavam trabalhando no Brasil no período da en- trevista. A escolha desses indivíduos e dos critérios apresentados acima utilizou como base o estudo de Cunha (2005) e se deu, também, pelo fato de que a percepção de uma cultura tende a ser mais apurada quando se está ou esteve fora dela ou perante ela e porque a introdução de um “outsider” em uma dada cultura constitui outra maneira de explorá-la por meio de alguém que possa questionar aquilo que observa (Schneider e Barsoux, 2005). Em outras palavras, o contato com outras culturas permite uma constatação mais apurada de diferenças e similarida- des, como colocado por Adler (2002).

Foram entrevistados 16 brasileiros e 9 estrangeiros. A quantidade de estrangeiros e de brasi- leiros entrevistados não foi definida previamente. Em ambos os casos optou-se por considerar

a quantidade adequada aquela a partir da qual as evidências e temas tornaram-se intensamente recorrentes. A maior parte dos entrevistados possuía formação em administração de empresas ou engenharia, era do sexo masculino e trabalhava em empresas de grande porte de origem internacional. O ramo de atividade das empresas em que os indivíduos trabalhavam mostrou- se pulverizado incluindo organizações de diferentes ramos com um leve predomínio do ramo de consultoria. As Tabelas 1 e 2 ilustram o perfil dos entrevistados.

Tabela 1: Perfil dos entrevistados brasileiros

Dados do indivíduo Dados da Empresa

Indivíduo Formação Educacional Idade Sexo Origem do Capital Ramo de atividade Porte (no Brasil)

1 Engenharia 34 M Internacional Consultoria Pequeno

2 Administração 27 M Internacional Tecnologia Médio

3 Engenharia 34 M Internacional Automobilístico Grande

4 Engenharia 37 M Internacional Automobilístico Grande

5 Engenharia 32 M Nacional Construção Grande

6 Administração 41 M Internacional Consultoria Grande

7 Engenharia 34 M Internacional Consultoria Grande

8 Engenharia 45 M Internacional Consultoria Grande

9 Administração 24 M Internacional Financeiro Grande

10 Administração 32 M Internacional Financeiro Grande

11 Administração 37 F Misto Financeiro Grande

12 Engenharia 44 M Misto Financeiro Grande

13 Design 35 M Internacional Informática Grande

14 Administração 43 F Internacional Química Grande

15 Engenharia 55 M Internacional Química Grande

16 Administração 47 F Internacional Tecnologia Grande

Tabela 2: Perfil dos entrevistados estrangeiros

Dados do Indivíduo Dados da Empresa

Indi-

víduo País de Origem Tem- po no Brasil (anos)

Formação

Educacional Idade Sexo Origem do Capital Ramo de atividade Porte (no Brasil)

1 África do Sul 4 Engenharia 36 M Internacional Automobilístico Grande 2 Argentina 15 Propaganda 46 M Nacional Publicidade Pequeno 3 Colômbia 8 Engenharia 36 M Nacional Consultoria Pequeno

4 EUA 10 Economia 46 M Internacional Financeiro Pequeno

5 Inglaterra 2 Economia 60 M Internacional Eletrodomésticos Grande

6 Peru 10 Administra-ção 45 M Internacional Consultoria Médio 7 Portugal 5 Economia 32 M Internacional Consultoria Médio

8 Suécia 5 Administra-ção 33 M Internacional Eletrodomésticos Grande 9 Japão 3 Administra-ção 38 M Internacional Eletrônicos Grande

Para determinação do porte da empresa considerou-se como empresa pequena aquela com o número de funcionários inferior a 100, como média a empresa com número de funcionários entre 100 e 499 e como grande aquela com 500 ou mais funcionários (CNI e SEBRAE, 2005).

Para montagem dos gráficos que acompanham a apresentação dos dados foram utilizados os seguintes critérios:

• O título de cada gráfico corresponde exatamente à questão preenchida pelo entrevista- do;

• Considerou-se como “concordo” a soma absoluta de todos os entrevistados que preen- cheram a afirmação em questão com “concordo totalmente” e com “concordo”;

• Considerou-se como “discordo” a soma absoluta de todos os entrevistados que preen- cheram a afirmação em questão com “discordo” e com “discordo totalmente”;

• Nem todas as afirmações com respostas do tipo escala Likert foram preenchidas por todos os entrevistados. Do total de 25 entrevistados, 2 não responderam ao questioná- rio e 3 outros deixaram respostas de questões em branco. Por este motivo, alguns dos gráficos apresentados possuem como total de respostas obtidas um número diferente do total dos entrevistados.