• Sonuç bulunamadı

2.6. Milli ve Manevi Değerler

2.6.2. Dede Korkut Destanı’nda Milli Değerler

2.6.2.3. Siyasi Değerler

Na data da entrevista em história oral temática, P7 estava com um ano e dois meses. A cuidadora revela que P7 nasceu com 32 semanas de gestação pesando 1.360 gramas e que permaneceu internada em um hospital de Divinópolis por 45 dias. A cuidadora afirma que, além de prematura, P7 nasceu com um sopro e o exame de ecocardiograma, mostrado pela cuidadora, evidencia uma cardiopatia (“pequena comunicação interventricular do tipo perimembranosa e pequena comunicação interatrial do tipo ostium secundum” - Fonte: Ecocardiograma do dia 26/06/12). A colaboradora afirma ter 43 anos e ter estudado até a terceira série do primeiro grau. C7 menciona ser solteira e ter sete filhos. A cuidadora revelou que a gravidez não foi planejada, que realizou o pré-natal no Centro de Saúde e que o parto foi prematuro, porque produzia pouco líquido. A análise do testemunho revela que C7 mora com quatro filhos, em uma casa simples e P7 é a mais nova e a única prematura. A cuidadora afirma que é cozinheira e que a renda familiar é de dois salários mínimos.

No momento da alta hospitalar, a análise revela que C7 identifica o cuidado à sua filha no domicílio como difícil demais. A demanda por cuidados específicos emergiu como uma experiência que antes não havia sido vivenciada pela cuidadora, conforme identificamos em sua fala: o cuidado que eu tenho com ela é totalmente diferente do cuidado que eu tinha com as outras, não é o mesmo e ela precisa de muitos cuidados.

A análise revela que é necessário manter a casa e os objetos de P7 higienizados e, na percepção da cuidadora, a filha apresenta adoecimentos respiratórios recorrentes, quando estes cuidados não são realizados. A análise do testemunho sinaliza que uma das dificuldades de C7 em permanecer no trabalho é pelo fato de não confiar a ninguém os cuidados que precisam ser dispensados a P7 e devido às demandas recorrentes por atendimento que sua filha apresenta, conforme evidenciado em sua fala: qualquer coisinha ela adoece, qualquer coisa tem que sair correndo com ela.

A análise do testemunho revela que, no momento da alta hospitalar, P7 foi encaminhada para a APS, Núcleo de Estimulação e para especialidades (oftalmologista e cardiologista), conforme identifica-se em sua fala: quando ela saiu do CTI , ela saiu com os papéis, tudo encaminhado, aí eu saí com ela do hospital e vim pra casa e fui e já marquei tudo. Entretanto, apesar do referenciamento e do relato da cuidadora sobre a receptividade e acesso a estes serviços, há uma descontinuidade da atenção a P7. Isso é confirmado a partir da fala da cuidadora: nos acompanhamentos dela não tava dando pra eu levar ela, eu tava trabalhando e os horários não estavam coincidindo. Nem puericultura to fazendo mais, tive que parar de fazer por causa do serviço, e ela tava fazendo acompanhamento no Núcleo de Estimulação, levei ela umas três vezes só, eu parei de levar ela, também não levei porque não tava dando, aí no oftalmologista também, só que o oftalmologista eu remarquei.

Uma evidência da análise do testemunho de C7 é que o contexto socioeconômico desfavorável e o apoio social estão fragilizados, emergindo um sentimento conflituoso entre assumir os cuidados com a filha e a necessidade de trabalhar. A análise do testemunho indica um atravessamento na vida de C7 por essas questões que não favorecem uma continuidade da atenção e, ainda, não percebemos movimentos nem de profissionais nem da cuidadora para mudar o curso desse processo.

Um (des)encontro, da cuidadora com o cardiologista, é evidenciado na análise o que não favoreceu a resolutividade a partir deste atendimento e gerou na cuidadora o desejo de buscar atendimento com outro profissional pelo plano de saúde, contudo isso não foi efetivado até o dia da segunda visita da pesquisadora à cuidadora. Uma especificidade de P7, relatado pela cuidadora, é a demanda por exame especializado, para avaliação da evolução de sua cardiopatia, que foi um procedimento efetivado em outro município, considerando que o município de residência de C7 não oferecia o exame ecocardiograma. A análise permite inferir que mesmo com os encaminhamentos e tentativas dos serviços de saúde para atender à demanda de P7 não é possível perceber um “protagonismo” da cuidadora para efetivar os

acompanhamentos, nem mesmo, para avaliação cardiológica. A análise sinaliza que a mãe não foi preparada para as repercussões da prematuridade e cardiopatia na vida de sua filha.

A análise revela que a cuidadora preocupa-se e reconhece as diferenças da filha ao compará-la com seus outros filhos e com as crianças que tem a mesma idade de P7. A análise revela que a mãe está atenta ao desenvolvimento da filha e menciona achar ela muito petitinha, mas pondera que é assim mesmo, pois os profissionais de saúde reforçam que é normal e que com o tempo “vai melhorar”.

Uma evidência e especificidade da análise do testemunho de C7 é que ela associa o profissional de referência àquele que avalia sua criança e dá resolutividade “medicamentosa” às demandas por cuidados apresentadas por P7.

A análise dos registros (peso, estatura e perímetro cefálico) da caderneta da criança confirmam a descontinuidade do acompanhamento do crescimento de P7. A análise, a partir da observação da P7 e informações dadas pela cuidadora, sinaliza que o desenvolvimento de P7 corresponde ao esperado para sua idade gestacional corrigida.

A análise do testemunho de C7 revela atravessamentos que, ora favorecem uma continuidade da atenção e, ora configuram desencontros ou dificuldades que não potencializam um acompanhamento efetivo. A análise sinaliza que dentre os elementos que favoreceram a continuidade, identificou-se os serviços disponíveis para o atendimento e ações dos profissionais que efetivaram os encaminhamentos para atendimento.

Ficou evidente que a descontinuidade da atenção encontra-se, na situação socioeconômica desfavorável, no apoio social fragilizado, na ausência de vínculo com profissionais uma potencialidade para a “produção do adoecimento”. Ficou evidente, a partir da análise, que a cuidadora reduz a saúde de P7 às “melhoras” após o uso de medicamentos, ou seja, o entendimento de C7 que o atendimento médico e a “resolutividade medicamentosa” diante de uma demanda por cuidado, são suficientes para garantir a saúde de sua filha. Não foi identificado, no testemunho desta cuidadora, seu protagonismo no contexto da continuidade da atenção nem uma autonomia no “modo dela levar a vida” no contexto da prematuridade.