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İsrail’de Meydana Gelmiş Örnek Sivil İtaatsizlik Olayları

2.5. Lev Nikolayeviç Tolstoy

3.1.11. İsrail’de Meydana Gelmiş Örnek Sivil İtaatsizlik Olayları

O JOVEM K

K é um alegre jovem de dezesseis anos que cursa o 2ª ano da escola Delta. Ao ser convidado a participar da pesquisa na condição de entrevistado, desenhou-se em seu rosto uma expressão solene, um quase ar de superioridade, próprio daquele que, mesmo tentando preservar a humildade, revela a convicção íntima do merecimento de tal posição. Sua postura firme, imponente, com um suave toque de humor manifesto em gestos um tanto afetados, apresentaram, ao longo da sessão, um jovem que vive um papel roteirizado para ser glamourosamente reconhecido. A abertura e o encerramento da entrevista foram feitos pelo jovem, de forma bastante emblemática: “Vamos ver no que eu posso te ajudar” “...Então

você veja se está faltando alguma coisa e no dia que eu vier pegar as provas...”

A escolha de seu nome guarda a história da família materna e revela a origem armênia de seus avós. Demarca, também, a total afinidade de K com a família por parte de mãe (“Minha família é armênia”) e certo distanciamento identitário da família do pai, demonstrado em

diversos momentos da entrevista (“Meu pai vem de uma família mais humilde. Então tem aquela...[quantidade enorme de filhos e parentes]” “Eles são muito... não que do nosso lado

não sejamos unidos, mas eles são, sabe aquelas pessoas que todos os dias estão juntas?”)

K é filho único de seus pais, mas foi criado e convive com um meio-irmão de vinte e cinco anos e uma meia-irmã de vinte e dois anos do primeiro casamento da mãe, e os considera “cem por cento irmãos”. A irmã cursa o 4º ano de Direito na FMU e mora em São Paulo. O irmão, pouco mencionado ao longo da entrevista, já completou um curso de Ciências da Computação (K não soube precisar qual) e mora com K e os pais num apartamento em Guarujá.

O pai tem quarenta e cinco anos, é nascido em Santos e é, provavelmente, funcionário da prefeitura de Guarujá (“Sabe as regionais, aquelas... São empreiteiras... Subprefeituras, eu acho que é isso, eu não tenho muita certeza”), para onde se mudou quando conheceu a mãe.

Sua função não foi informada por K, que afirmou nunca ter se interessado em saber (Nos documentos escolares preenchidos pela família consta: motorista). Tem a mãe viva, com aproximadamente sessenta anos, oriunda de São Roque, e atualmente residente em Santos. Perdeu o pai aos quinze anos, “tem muuuuitos irmãos”, gosta bastante de ler e seu gênero musical predileto é o rock (“A aparência dele não é de um homem que gosta de rock, mas ele adora metal.”). Concluiu o Ensino Médio e parou de cursar o ensino superior no 2º ano de

Direito. Embora não conste das gravações da entrevista, K informou que o pai conhecera a mãe quando ela foi a uma boate onde ele trabalhava como segurança.

A mãe tem quarenta e cinco anos, é nascida em Guarujá e trabalha como corretora de imóveis. Concluiu o Ensino Médio e também abandonou o curso de Direito no 2º ano (“Por questões financeiras, porque ambos tinham que pagar a faculdade, mais as três escolas, porque eu e meus irmãos, na época, né, ainda estudávamos.”). Tem apenas a mãe viva, com oitenta anos

materna (após a entrevista, K revelou que se trata do “Jogo do Bicho”). Dessa irmã, tem uma sobrinha formada em Medicina Veterinária. Gosta muito de óperas, das grandes Divas e é, segundo K, cinéfila (“Ela disse que quando era pequena, ela vinha até Santos pra assistir

filmes, porque lá no Guarujá ou o cinema era ruim ou era caro. Então ela vinha todas as semanas pra... Se desse pra ela vir todo dia, ela viria.”)

Da relação com os pais, K relata um pai bastante severo, sobretudo na infância (“Era ele quem me colocava limites quando eu era pequeno. Muito.”), mas afirma que ambos, pai e

mãe, são liberais para com ele, dando-lhe total autonomia. Uma liberalidade, segundo K, baseada na confiança, já que os filhos não dão motivos para os pais desconfiarem e proibirem determinadas coisas. Descreve uma mãe de “opinião muito forte”, muito brava (“Uma pessoa

muito [pausa] Não diria... Como... Não quero ter preconceito, mas é uma expressão popular:

cabra-da-peste”). Reconhece, porém, que foi mais rígida com seus irmãos mais velhos do que

com ele (“Ela era bem rígida. É verdade, com eles ela era mais rígida do que comigo.”).

Como adultos de referência, K descreve, ainda, a madrinha, uma prima do pai, advogada, de quem guarda boas recordações, sobretudo pelos presentes que sempre recebia e ainda recebe (“Eu lembro sempre dela, assim..., sempre me tratou muito bem, sempre me deu presentes.”

“Quando eu preciso ir a um show, eu já ligo pra ela.”). Esta madrinha é casada também com

um advogado e professor de Direito e, segundo K, são pessoas marcantes em sua vida, embora não tenham exercido influência sobre sua educação (“Influência não. Pessoas marcantes sim.”).

A avó materna e o avô materno, mesmo falecido, também ocupam lugar de destaque na narração. A avó, de oitenta anos (“Não parece. Ela fica toda cheia: ‘quantos anos você me

dá?’.”), vai buscá-lo de carro todos os dias na escola (“Minha mãe tirou o carro dela, né, porque ela tava velhinha, né. Agora devolveu. Porque havia se deprimido porque tava sem carro antes.”) e é uma figura muito presente na rotina da casa, embora não resida com o

núcleo (“Mora sozinha. Nós já tivemos o projeto de trazê-la pra morar conosco, mas ela nunca quis. Talvez por não mudar a rotina dela, né?”). O avô, que K não chegou a conhecer,

é a figura central em torno da qual gira, ainda hoje, a família (“Vô A. Todos sempre dizem

muito dele. É uma pessoa que a família toda... se refere a ele como se fosse um patriarca. Mas eu não tive infelizmente a oportunidade de conhecê-lo.”).

Como rotina diária, o jovem descreve que acorda às 5h30min para dar tempo de chegar ao colégio. Geralmente o pai o leva de carro, caso contrário atravessa a barquinha e completa o trajeto até a escola a pé. Conforme mencionado, a avó o leva da escola para casa de carro e, após um banho e o almoço, K dorme um pouco antes de iniciar suas tarefas escolares (“Antes

eu não dormia, eu não dormia. Mas eu acho que é essencial, eu aprendo melhor e mais rápido, se eu descansar, eu assimilo a matéria muito mais rápido. Então vale a pena perder uma hora descansando... E ganhar muito mais tempo estudando.”). Exceção para as sextas-

feiras, quando o jovem fica até às 18h em Santos, pois faz um curso de inglês (“É que é

assim, eu estou no nível intermediário dois... porque eu parei muitos anos de fazer inglês, porque eu não gostava daquelas escolas do Guarujá, que são muito fracas de fato.”).

porque a escola fechou o curso devido ao número insuficiente de alunos; pretende matricular- se no próximo semestre no Centro Espanhol, em Santos.

Ainda na rotina diária, K relata que dorme tarde e, portanto, pouco (“Durmo pouco. Adoraria, se eu pudesse voltar à minha juventude, eu dormiria mais.”). Atribui tal realidade ao fato de a

família toda ser notívaga (“Mas é que na minha família todos sendo envolvidos, na época que meu avô era vivo, jogo de bingo, essas coisas, essas... carteados. Sempre então teve uma coisa impulsionando pra noite.”). O uso do computador também é citado como algo que

interfere na rotina e atrapalha um pouco seu rendimento, uma vez que ocupa dele mais tempo e atenção do que desejaria. K afirma que, embora tenha iniciado tardiamente no uso do computador, agora tornou-se um aficionado, o que o aflige um pouco. Admite, entretanto, que é bom “pra quebrar aquela rotina..., uma coisa pra relaxar”.

K não pratica esportes ou qualquer outra atividade física (“Detesto. Sempre detestei. Sempre,

nunca gostei.”). Não aprendeu ou toca instrumentos musicais (“Admiro muito quem toca, mas não, não é pra mim. Não. É uma coisa que eu gosto de ver.”). A praia aparece como uma

opção para as férias, graças à insistência e estímulo de uma amiga que o seduziu para as caminhadas, atividade que pretende repetir com outra amiga nas próximas férias (“Já

combinei com a Ma, vamos na praia no verão. Falei: ‘Ma, vamos tomar sol’.”).

A televisão também não faz parte de seu dia a dia, apenas nos finais de semana para assistir a filmes em canais específicos. K tem profundas críticas com relação ao conteúdo veiculado pelas emissoras. Acredita que a maneira como os noticiários são editados leva a uma distorção dos fatos e, portanto, evita-os. Admite não ter paciência para assistir aos programas da TV Cultura, comentado pelas pessoas como sendo de melhor qualidade e afirma que gosta apenas da Discovery e National Geographic (“Eu gosto muito de assuntos relacionados à

Geografia.”). Mas ao destacar sua predileção pelas Ciências Humanas, ressalta que tem

também muito interesse nas Ciências Exatas porque entende ser “essencial” para “uma elevação social”. “Não financeira, mas uma elevação no caráter psicológico da sociedade”. O jovem cresceu num ambiente de estímulo à leitura, presenciando e acompanhando os hábitos dos pais. Mas K relata que nunca teve afinidade com os livros infantis, embora sempre fossem oferecidos pelos pais, por considerá-los pouco estimulantes para ele; por isso, só lá pelos onze anos, quando adquiriu seu primeiro livro não infantil, é que deslanchou na leitura. O jornal impresso não fez parte do cotidiano, mas a mãe sempre fez assinaturas de revistas para ele (“Superinteressante, Aventuras na História. Eu adoro história. E Mundo Estranho, que é divertidíssimo.”).

Cinema é uma grande paixão e K tem gosto e posição bem definida quanto ao estilo: todos, menos os de ação que, segundo ele, “não incrementam em nada nossa cultura”. A mãe exerceu forte influência nesse quesito sendo que o jovem a descreve como uma verdadeira

expert (“Ela tem uma percepção de filme. Sabe quando você tá assistindo um filme e você deduz o que vai acontecer? Eu concluo que seja por experiência.” “Todos os filmes, de todas as grandes atrizes, de todos os grandes atores, ela já assistiu.”). O jovem relaciona alguns

diretores de sua preferência e da mãe, citando, curiosamente, um diretor de filmes de ação, gênero não apreciado por ele (“Tem aqueles diretores que sempre... Que nós damos

preferência, que nem Steven Spielberg, o Almodóvar. Gosto muito dos filmes do Almodóvar. Bernardo Bertolucci. E... O que fez a Rosa Púrpura do Cairo?! (pausa longa) Hãm... Que fez Meia Noite em Paris...Woody Allen. Claro.”).

A música ocupa papel de destaque na vida do jovem, que afirma ter crescido ao som das óperas da mãe (“Temos uma boa coleção.”) e do rock do pai. Hoje, relata que a irmã mais

velha é quem mais o influencia, sendo ela, segundo K, a mais eclética da família (“Ela gosta de rock, gosta de pop, gosta de samba... De n gêneros musicais.”). O jovem afirma que no

momento sua predileção é por música pop (“A fase atual é música pop. Cultura pop, eu gosto bastante.”). K cresceu também ouvindo músicas interpretadas pelas cantoras prediletas de sua

mãe, as quais ele classifica como “Divas”, “mulheres com vozeirão”, como Celine Dion e Whitney Houston (“Eu lembro de acordar com a minha mãe colocando algum DVD da

Celine Dion.”).

O jovem adora viajar e as memórias da infância, época em que a situação financeira era melhor que a atual (“Que a nossa situação financeira era... (pausa) não que seja ruim, mas na época era ainda melhor.”), remetem a viagens em família pelo Nordeste. K nunca saiu do

Brasil e ressente-se de ter perdido a oportunidade de ir à Disney porque estava brigado com o amigo LG na ocasião. Mas as viagens estão em seus planos futuros, sobretudo porque o jovem almeja ser Diplomata e “as viagens fazem parte” da própria carreira. Como lazer em família, K traz ainda a memória de frequentar restaurantes, ir a festas, a “lugares bonitos, lugares até requintados”; também ia a parques de diversão e andava de jet ski numa praia mais tranquila do Guarujá. Clube social só destaca um na cidade que valha a pena e afirma que ele e a família vão esporadicamente.

Na rotina da casa K não assume tarefas definidas. A responsável pela conservação da casa é uma empregada doméstica (“Minha mãe ela faz também, só que ela não tem muita paciência. Não é que não combina com ela, mas quando você olha pra minha mãe, você fala: ‘ela não vai ter paciência de... varrer a casa inteira’. Então nós temos a nossa empregada que nos salva.”). Afirma, porém, que quando ela não comparece, todos ajudam um pouco,

principalmente na higienização necessária devido à presença de um filhote de beagle, a mais recente aquisição da família (“Virou uma alegria da casa”).

A semana de K é totalmente dedicada ao colégio, aos estudos, sem dúvida, seu foco principal (“Geralmente, em dia de semana, o colégio ele me exige muito... trabalhos, história, geografia, matemática. Eu faço todas as minhas lições. Estudo pra todas as provas, faço todos os trabalhos.”). Nos finais de semana gosta de ir ao cinema com os amigos, karaokê,

pizzaria, e quando há possibilidade, aprecia ir a shows internacionais (“Eu fui pro show da

Madonna, e com o LG nós fomos pro show da Kate Perry.”). Na fase atual, K está retomando

uma prática que tinha por volta dos 10 anos de idade, quando cultivava um contato mais estreito com os amigos, frequentando as casas uns dos outros, passando a noite, convivendo com as famílias, algo que julga muito positivo. Só não frequenta nem nunca frequentou as chamadas baladas (“Nunca. Nunca fui.” “Ah, nada que tenha me interessado ainda.

Nenhuma balada que tenha visto que valasse a pena. Quem sabe numa outra cidade!”). A

portas das baladas quando acompanhava sua mãe ao ir buscar a irmã mais velha. Preocupado em não “generalizar”, K emite sua opinião a respeito das baladas e reputa as pessoas que frequentam esses lugares como interessadas em “causar”, em “tomar um porre” e que não estão “interessadas no seu futuro”.

A autonomia conferida ao jovem pelos pais, referida por ele anteriormente, abrange também o quesito religião (“Olha, os meus pais sempre me deram muita liberdade pra eu escolher o que eu bem entender. Sempre me deram liberdade pra optar, fazer minhas escolhas de vida. E a religião é uma delas.”). Mas, segundo K, por livre e espontânea vontade, ele segue as

crenças dos pais, ambos “espíritas” (“Gostamos de cultura africana. Religiões africanas,

enfim.”). Relata que a mãe sempre foi mais voltada para religiões africanas, como Candomblé

e Umbanda e que ele costuma também ir a centros desses dois segmentos. Mas na maioria das vezes, eles mesmos promovem as sessões e não costumam frequentar nenhum grupo específico da cidade.

Ao tratar do assunto padrão de consumo, K retrata, mais uma vez, as distintas realidades financeiras vivenciadas pelo núcleo ao longo dos anos, o que demonstra ser um traço marcante na configuração da vida familiar como um todo. Afirma veementemente que o padrão de consumo é realmente alto, assumindo-se um consumidor contumaz. Como alvos do consumo, são citados produtos relacionados à tecnologia e roupas, sapatos, perfumes, objetos de decoração. Mas K trata logo de esclarecer que não é favorável ao consumismo, que reconhece seus efeitos nocivos; porém, admite que não consegue coibir seus impulsos (“Eu não sou a favor... Eu sei de todos os valores marxistas, eu sei o que é o consumismo, o que que é a exploração do trabalhador. Mas eu gosto de consumir, caraco! [Risos]”).

K iniciou sua vida escolar aos três anos de idade. Ele e seus irmãos sempre estudaram em escolas privadas, sendo que a mãe priorizava, segundo K, ambientes menores, com uma atuação mais controladora. Esse e outros fatores como a não adaptação de K a algumas situações, fizeram com que ele mudasse de escola sete vezes até o momento atual (“Eu estudei em vários colégios, né!? Porque eu sempre... Porque eu nunca me adaptei muito bem aos colégios.”). Dessa trajetória, K destaca algumas recordações: da primeira escola, onde

permaneceu apenas um ano, lembra de um “centro de recreação” no qual se divertia bastante num brinquedo específico; da segunda, onde realizou o Jardim, lembra de uma dramática situação com uma professora que culminou num processo impetrado pela mãe contra a escola e, evidentemente, na transferência de K (“Professora... ela... (gaguejou) Porque eu tirei as

fraldas tardiamente e, então, no jardim um ela ainda tinha que me trocar, só que a professora dizia que ela não era paga pra trocar fralda.”); da terceira escola, onde cursou até a terceira

série, guarda boas recordações, de fazer muitos amigos e ser muito bem tratado por todos; da quarta escola, na qual cursou a quarta e a quinta série, lembra de não ter feito amigos, de não ter se adaptado muito bem por não ter sido aceito no grupo, sentindo-se “diferente”; da quinta escola, onde fez a sexta e a sétima série, recorda-se que se focou completamente nos estudos, chegando a ficar bastante isolado (“Não saia mais de casa, não encontrava mais os meus

amigos. Só estudava.”). Na oitava série convenceu a mãe a matriculá-lo no que ele diz ser a

conforme já explicado, é uma escola independente da outra que oferece o ensino fundamental, embora atuem sob a mesma insígnia) e daí para frente relata somente experiências positivas. O jovem K escolheu a escola Delta pelo prestígio, pela “fama” que ela tem na região, afirmando que o sonho das pessoas é estudar ali; e avalia como muito satisfatório o trabalho desenvolvido por ela: aprecia o convívio com pessoas diferentes, “de todos os tipos”, o “encontro de culturas”, o quanto os professores são capacitados, a estrutura física, as oportunidades de aulas extras, os laboratórios, encontros de humanas, encontros de exatas, aulas de revisão, etc (“Então, assim, definitivamente, me realizei.”). As aulas Optativas

também são ressaltadas como oportunidades importantes (“Se temos a opção, é como eu digo se nós podemos enriquecer a nossa cultura, é.. elevarmo-nos socialmente, por que não?”),

sendo destacada a de Primeiros Socorros, dentre as que ele cursou. Quanto aos portões abertos, K afirma que sempre foi a favor e que continuou sendo após entrar no Colégio e completa dizendo que sublinha muito este aspecto aos novatos quando participa das comissões que se oferecem para recepcioná-los no período de pré-matrícula. A experiência de participar desses grupos de recepção também é avaliada por K. como uma oportunidade de crescimento (“Melhorou a minha comunicação. Enriqueceu de alguma… Me melhorou alguma coisa. Melhorou o meu ser em algum aspecto.”).

K sempre foi muito estudioso, embora não se considerasse tão “focado” na infância, julgando- se até um pouco displicente (“Eu sempre tive uma facilidade em estudar, mas eu tenho que admitir que eu era meio displicente em relação ao colégio. Talvez pela idade, pela imaturidade. Não que eu fosse..., bagunçasse. Enfim. Eu só não gostava de ser muito focado. Mas mesmo assim eu tinha um bom desempenho.”). Mas sua trajetória revela uma

permanente motivação para a aquisição do conhecimento e apesar de não se considerar um autodidata, pois necessita de orientação no processo de aprendizagem, admite ter bastante iniciativa na busca por mais conhecimentos. Chega, inclusive, a antecipar os conteúdos previstos em casa, não só porque isso lhe rende uma participação mais qualificada em sala de aula e uma melhor aprendizagem, mas também porque evita que as matérias se acumulem. Questionado se fora estimulado pelos pais nesse sentido, K é categórico ao afirmar que não (“Nunca me estimularam... nesse sentido... Eles sempre gostaram de me dar leituras, esse tipo de coisa, mas nunca me falaram: ‘vai estudar’; nunca me disseram: ‘melhora essa nota’. Nunca. [pausa] Nunca. Essa sempre foi uma pergunta recorrente na minha vida: ‘seus pais, eles sempre te fizeram, sempre te estimularam... a ser quem você é?’. Eu sempre falei: ‘não’.”).

K também sempre teve um ótimo relacionamento com os professores (“Sempre, eu sempre

demonstro interesse pela matéria. Sempre demonstro estar interessado no que eles falam, sempre os respeitei muito. E sempre tive boas amizades com professores.”). No passado, isso

chegou a ser motivo de aborrecimento junto aos colegas que o taxavam de “puxa saco”, mas hoje, K considera estar imune a esse tipo de julgamento e afirma que responde a altura, demarcando seu espaço.

O jovem avalia que o valor reinante em sala de aula, hoje, é o do não estudo e relata que o