O curso de licenciatura em Física, do Campus Natal Central20 do IFRN, foi criado na gestão do diretor geral Getúlio Marques Ferreira, através da portaria nº 143/2002 – DG/CEFET-RN de 14 de junho de 2002. Seu reconhecimento se deu através da portaria do Ministério da Educação (MEC) nº 685 de 27 de setembro de 2006.
O aluno ingresso (via vestibular, reingresso ou transferência) deveria cursar, presencialmente e em três anos (6 períodos), das 18h15min às 22h15min, os 51 módulos21 relacionados às bases científico-tecnológica geral (conhecimentos
didático-pedagógicos e complementares) e científico-tecnológica específica (conhecimentos específicos da Física), que totalizariam 3.18622 horas e mais 800
horas de prática profissional (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE DO NORTE, 2002).
Nesse currículo, destacamos o regime de evolução da matriz curricular. Diferentemente da bastante conhecida matriz curricular por disciplinas (vulgo currículo por créditos), ele seguia uma matriz do tipo sequencial modular (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE DO NORTE, 2002, p. 26), ou seja, o aluno deveria cursar todos os módulos disponíveis num dado período. Não havia liberdade para escolher os módulos a serem cursados. Seria considerado aprovado para o período seguinte quem fosse aprovado em pelo menos 70% dos módulos, com frequência mínima de 75%. Em caso de não cumprimento de um desses requisitos, o aluno deveria cursar novamente todo o período, independentemente de já ter sido aprovado anteriormente num dado módulo. Além disso, o fato de o curso ter sido previsto para ser concluído em três anos produziu uma densidade alta de módulos por período, em média 8,5.
Após a criação do curso, foram oferecidas, no segundo semestre de 2002, as vagas para a primeira turma, denominada 2002.2. Nos semestres seguintes, sem
20 Apesar de existirem outros cursos de licenciatura em Física em outros Campi do IFRN, o curso
pertencente ao Campus Natal Central foi selecionado por ser o mais antigo nessa instituição.
21 O termo módulo no contexto do Plano de Curso (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO
TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE DO NORTE, 2002) é sinônimo de disciplina.
22 Essas horas estão expressas na página 26 do Plano de Curso (CENTRO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE DO NORTE, 2002), contudo, em mais de um momento e sem nenhuma explicação, outras horas são atribuídas ao curso, por exemplo: 3.550 horas (p.32) e 3.581 horas, quando somadas (p.33-35).
nenhuma interrupção, foram criadas as turmas 2003.1, 2003.2, 2004.1 e 2004.2. Depois da entrada dessa última turma, a coordenação da licenciatura em Física resolveu suspender o ingresso de novos alunos, pois o curso passaria pela sua primeira reforma curricular. Sendo assim, somente em 2006, ou seja, após um ano, foram oferecidas novas vagas para o curso.
A reforma curricular pela qual a licenciatura em Física passou teve dois objetivos. O principal deles foi obter o reconhecimento do MEC, visto que, para ter tal reconhecimento, o curso deveria efetuar alterações curriculares conforme a avaliação do próprio ministério realizada após a conclusão da primeira turma em 2005. O segundo objetivo esteve focado numa possível redução da desistência. Esse problema já havia sido percebido pelos professores do curso, mas até então não era compreendido muito claramente, pois nenhum estudo sistemático sobre tal fenômeno havia sido realizado até aquele momento.
Em 2006, um novo currículo foi criado para o curso de licenciatura em Física do IFRN. Nesse momento, a instituição contava com a direção geral de Francisco das Chagas de Mariz Fernandes e com o professor Zanoni Tadeu Saraiva dos Santos como coordenador do curso. O novo e atual currículo, baseado no Plano do Curso relativo a 2006 (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE DO NORTE, 2006), assim como o anterior, reforçou o objetivo da instituição em contribuir no atendimento à demanda do estado do Rio Grande do Norte por professores capacitados e voltados para a educação básica.
Para ingressar nesse novo currículo, um aluno pôde (e ainda pode) fazê-lo via reingresso, transferência ou vestibular. Entretanto, diferenciando-se do antigo, o novo currículo prevê dois tipos de vestibulares, devidamente institucionalizados pelo IFRN: o geral e o diferenciado, cada um destinado a preencher 50% das vagas oferecidas. O primeiro está disponível para todo e qualquer cidadão que porte um diploma ou certificado de conclusão do ensino médio, quer seja ele oriundo de escola pública ou privada. O segundo vestibular está disponível apenas para aqueles que tenham cursado do sexto ao nono ano do ensino fundamental e concluído todas as séries do ensino médio em escola pública.
Uma vez aprovado no novo currículo da licenciatura em Física, o aluno deve cumprir, presencialmente e em quatro anos (8 períodos), das 19h00min às
22h15min, uma carga horária de 2.935 horas distribuídas em 34 disciplinas23 que perfazem três núcleos: o específico, o complementar e o didático-pedagógico; além do Estágio Curricular Supervisionado e da Prática como Componente Curricular. Quanto ao regime de evolução da matriz curricular, a proposta inicial do currículo antigo foi mantida, ou seja, o aluno deve cursar todas as disciplinas disponíveis num dado período. No entanto, diferenciando-se ligeiramente do outro currículo, o regime de evolução passou a ser denominado seriado semestral e não mais sequencial modular. Também foram mantidos os critérios de aprovação para um período seguinte: aprovação em pelo menos 70% das disciplinas e frequência mínima de 75%. Quanto à densidade de disciplinas por período, esta caiu consideravelmente para uma média de 4,25.
Destacamos que a reforma curricular ocorrida na licenciatura em Física do IFRN visou “à formação do professor de forma integral [...] redimensionando a distribuição da carga horária e o número de disciplinas oferecidas pelo projeto anterior” (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE DO NORTE, 2006, p. 6). Portanto, de acordo com o comparativo acima entre os dois currículos, observamos duas grandes diferenças entre eles: a matriz curricular e o tempo de curso. Temos o “enxugamento” no número de disciplinas, passando de 51 no currículo antigo para 34 no atual. E houve o prolongamento da permanência do aluno na graduação: de 3 para 4 anos. Isto foi necessário após a decisão de as aulas serem iniciadas 45 minutos mais tarde, ou seja, o primeiro horário do antigo currículo foi eliminado. Essas duas diferenças combinadas foram responsáveis pela redução da densidade de disciplinas por período, visto que foi instaurado um número maior de períodos com um número menor de disciplinas. (Sugerimos a leitura do anexo C para a visualização das diferenças das grades curriculares dos dois currículos analisados).
Apesar das dificuldades relacionadas às desistências, a licenciatura em Física do IFRN vem alcançando excelentes resultados do ponto de vista da qualidade da formação proporcionada. É o que atestam os resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) por meio do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). No primeiro exame realizado, o curso de licenciatura em Física do IFRN obteve conceito 5, pontuação máxima (INSTITUTO
23 No atual Plano de Curso (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE
NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA, 2005), e, no segundo exame, seu conceito foi 4 (INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA, 2008).
Uma vez comentada a criação e a reforma curricular do curso de licenciatura em Física do IFRN, apresentaremos, a seguir, o que denominamos o mapa da desistência em cada uma das turmas investigadas. Esse mapa tem como objetivo revelar, principalmente, quando ocorreu, ao longo do curso, os abandonos dos alunos desistentes. Isso contribuirá para a análise da relação entre os currículos e os números relacionados à desistência nesta licenciatura.