MEDYADA TOPLUMSAL CİNSİYET VE ŞİDDET İLİŞKİSİ
3.2. Şiddet Bağlamında Toplumsal Cinsiyetin Medyada Sunumu
Pretendemos nesta seção terciária apresentar com mais detalhes algumas pesquisas, sejam artigos ou relatórios, que revelam, tanto os índices como as causas da desistência para o caso específico das licenciaturas em Física. Contudo, devido a essas pesquisas terem sido realizadas em contextos particulares de determinadas IES ou em épocas cujas questões sócio educacionais eram diferentes das que vivemos atualmente (no ano de 2011) muitas das causas (e sugestões) relatadas não foram, por nós, discutidas. Para realizarmos tal discussão seriam necessários estudos específicos sobre essas IES e sobre o contexto sócio
educacional da época, algo que foge aos objetivos desta dissertação. Todavia, aquelas causas (e sugestões) identificadas como gerais (que independem das especificidades de uma determinada IES) e atemporais (que independem do contexto sócio educativo de uma determinada época) serão comentadas.
Analisando os trabalhos encontrados a partir do nosso levantamento inicial, é possível dizer que o interesse por essa temática não é recente. Há três décadas Axt, Silveira e Moreira (1979) registraram sensível decréscimo no número de licenciados em Física formados por universidades da grande Porto Alegre. O número de profissionais formados em oito anos era baixo.
Segundo os autores, dentre as possíveis razões para esse fenômeno estava o fraco reconhecimento profissional: falta de prestígio do magistério e baixos salários. Professores precisavam assumir diversas turmas e/ou trabalhar em várias escolas para ter um salário digno, não dispondo de tempo adequado para preparo das aulas. Tais motivos estavam, a priori, mais relacionados à desistência de professores de Física já atuantes do que a de licenciandos, especificamente. Contudo, os autores consideraram que tais problemas, aliados ao alto nível de exigência do curso de Física, podiam fazer com que graduandos desistissem de seus cursos ao se darem conta de sua futura realidade profissional.
Prado e Hamburger (1998), em pesquisa realizada na USP, analisaram os períodos de 1936 a 1954 e 1955 a 1969 e identificaram uma relação formandos/ingressantes, para os períodos citados, de 87% e 39%, respectivamente. Indiretamente supusemos que a relação desistentes/ingressantes poderia ser obtida pelas diferenças dos valores acima, ou seja, 13% e 61% de desistência para os respectivos períodos. Na publicação desses autores consideramos relevante o discurso abaixo.
É relativamente comum atribuir-se ao desinteresse dos professores e ao seu mau desempenho didático um das causas de desistência dos estudantes [sic]. Ao contrário do que se acredita, porém, a bibliografia nacional mostra que no Brasil dificuldades de relacionamento professor- aluno não são a causa principal da evasão, mas têm efeito pequeno e apenas em casos localizados. Outros estudos realizados no IFUSP [Instituto de Física da USP] também não autorizam considerar esse fator como o mais relevante para a evasão nos cursos de Física (a sua influência, se existe, é residual). Considera-se, de início, que parte apreciável da evasão vem ocorrendo com ingressantes (no sentido formal) que nunca freqüentaram aula na Instituição, limitando-se ao ritual da matrícula. Por outro lado, tem-se ainda que as críticas ao funcionamento do curso e ao trabalho dos professores, colhidas tanto na USP como na UNESP junto a
formados, alunos regulares e desistentes, não permitem de per si discriminar esses grupos. Em outras palavras, quer desistentes, quer alunos regulares ou formados, fazem substancialmente as mesmas observações (em geral negativas) quando indagados do empenho dos professores, do funcionamento do curso e da qualidade de ensino. Mesmo dificuldades decorrentes de um currículo “desbalanceado”, com disciplinas difíceis ou muito trabalhosas mal distribuídas, influem pouco na evasão, comparativamente à desistência devida a defeitos no acesso ou a outros motivos e interesses (PRADO; HAMBURGER, 1998, p. 35)
Este discurso merece destaque, pois coloca em cheque algumas concepções espontâneas sobre a desistência no curso de Física. É comum, por exemplo, simplesmente aceitar que o curso é difícil e, portanto provoca a desistência de quase todos os seus alunos.
Relevantes também são os dados apresentados por Deise Vianna, Isa Costa e Lucia Almeida (1988). Essas autoras realizaram uma pesquisa com 25 IES do Brasil em 1986 e diagnosticaram que entre 1980 e 1985 foram oferecidas 11.500 vagas para os cursos de Física Bacharelado, Física Licenciatura e Licenciatura em Ciências com Habilitação em Física.
No período citado, apenas 900 alunos se formaram em Licenciatura Plena [Física] e cerca de 450 em cursos de Licenciatura em Ciências com Habilitação em Física; desta forma a percentagem de licenciados é de 12% em relação ao número de vagas oferecidas. (VIANNA, COSTA & ALMEIDA, 1988, p. 147)
Depois de revelada a baixa porcentagem de professores formados, as autoras citaram alguns problemas sobre o tema explicitados pelas IES participantes. Dentre esses problemas, de certo modo relacionados a dificuldades gerais presentes num curso de Licenciatura, destacamos um – deficiência nos conteúdos de 2º grau – que, para as autoras, prejudicaria o andamento do curso e seria um possível motivo para a desistência de licenciandos.
No ano de 2001, Tereza Veloso publicou o trabalho “Evasão nos Cursos de graduação da UFMT, Campus Universitário de Cuiabá – um Processo de Exclusão”. Nesse documento, a autora identificou uma desistência de 71,13% na licenciatura em Física dessa instituição nos períodos de 1987 a 1998.
Em 2003, uma série de trabalhos a respeito da desistência nos cursos de Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL) resultou da dissertação de mestrado em ensino de ciências realizada por Michele Ueno.
O primeiro desses trabalhos (UENO et al, 2003a) buscou responder ao questionamento: “Por que formamos poucos alunos no curso de Física?”. Ainda em âmbito preliminar, o trabalho revelou, quantitativamente, por meio de dados fornecidos pela Coordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação da UEL, que em 10 anos de licenciatura (1992-2001) 69% dos licenciandos não concluíram o curso (60% desistentes, 1,6% jubilados e 7,52% transferidos). Na ocasião, ainda havia a possibilidade de esse valor aumentar uma vez que 24% dos estudantes estavam ativos. Apesar de não ter respondido ao objetivo ao qual se propôs, este trabalho identificou um problema que os autores denominaram “efeito primeiro ano”, caracterizado pela forte retenção ou evasão no início do curso.
Ainda em 2003, um segundo trabalho (UENO et al, 2003b) foi publicado com o intuito de complementar o primeiro, tendo como objetivo investigar fatores que motivaram e/ou desmotivaram os licenciandos para sua permanência no curso. Diferentemente do usual em pesquisas sobre desistência, esta realizou entrevistas com alunos que não abandonaram o curso, mas que tiveram alguma dificuldade em permanecer nele. Os resultados deste trabalho tiveram como base entrevistas realizadas em 2002 com alunos ingressantes no ano anterior e questionários aplicados às turmas do bacharelado e da licenciatura.
Ainda no mesmo ano, um terceiro trabalho (ARRUDA; UENO, 2003), intitulado “Sobre o ingresso, desistência e permanência no curso de Física da Universidade Estadual de Londrina: algumas reflexões” aprofundou a análise das entrevistas apresentadas anteriormente.
Culminando essa série de trabalhos, Michele Ueno defendeu sua dissertação em 2004. Nenhum aluno desistente foi ouvido. Apenas alunos do primeiro ano e do quarto ano do curso foram entrevistados (UENO, 2004). Os resultados da dissertação mostraram alguns obstáculos enfrentados pelos alunos no decorrer do curso de Física, que poderiam eventualmente colaborar para que desistissem do mesmo:
• Conteúdo (acúmulo de matéria, ausência de respostas e acúmulo de perguntas, conteúdo sem aplicabilidade, decepção com a área experimental, excesso de conteúdo, falta de tempo, impacto com o conteúdo);
• Família (distância da família);
• Professor (barreira entre professor e aluno, falta de didática dos professores, falta de orientador de iniciação científica, o professor);
• Colegas (dificuldades em estudar em grupo, impacto com alto padrão da turma, recriminação dos ex-alunos, terrorismo dos veteranos);
• Curso (curso de licenciatura não é focalizado como o bacharelado, licenciatura fraca);
• Outros (aprender a estudar sozinho, fatores financeiros, realidade das escolas públicas). (UENO, 2004, p. 96)
Três anos após a divulgação dos primeiros resultados de Arruda e Ueno (2003), uma nova pesquisa sobre a UEL foi apresentada (ARRUDA et al, 2006). Diferenciando-se das anteriores, esta última analisou dados mais amplos sobre a evasão nas licenciaturas e bacharelados em Física, Matemática, Química e Biologia de 1996 a 2004. Essa pesquisa ficou centrada nos números da evasão, sem investigar possíveis causas para o fenômeno. Os resultados para a licenciatura em Física mostraram uma porcentagem de 62,7% de alunos evadidos. Embora inferior ao valor encontrado anteriormente (69%), pôde-se notar que a evasão continuou elevada.
Outra pesquisa que tratou da desistência em cursos de Física foi a realizada por Marta Barroso e Eliane Falcão (2004). Esse trabalho foi originado de estudos anteriores realizados com o intuito de investigar o desempenho de estudantes na disciplina de Física Básica oferecido pelo Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ALMEIDA et al. 2001; ALMEIDA; BARROSO; FALCÃO, 2002; BARROSO et al. 2003). A exemplo dos trabalhos desenvolvidos na UEL, a pesquisa realizada pelas autoras não contou com a participação dos alunos desistentes, devido a dificuldades para contatá-los. Em função disso, o enfoque inicial pretendido pelas autoras precisou ser alterado: passou-se da perspectiva de “por que os alunos abandonaram o curso Física da UFRJ?” para a perspectiva da “avaliação do porquê dos alunos permanecerem nele”. A pesquisa foi, então, realizada com alunos ingressantes no curso em 1999, que o concluíram em 2002.
Sobre as causas da desistência, as autoras diagnosticaram três: evasão econômica, vocacional e institucional. A primeira estava relacionada à impossibilidade de o aluno manter seu vínculo universitário por questões socioeconômicas. Isto ocorre principalmente devido “a dificuldade de permanência de um aluno deste grupo num curso como o de Física, com exigências de tempo integral de dedicação ao estudo” (BARROSO; FALCÃO, 2004, p. 12). A segunda causa tinha como origem a percepção de uma escolha inadequada aos interesses
do estudante. Já a última era fruto do fracasso em disciplinas iniciais. Este, por sua vez, pode ser causado por deficiências prévias do estudante em relação ao conteúdo necessário para acompanhar o curso, inadequação dos seus métodos particulares de estudo e dificuldades de relacionamento com os demais colegas e com a instituição.
Frente a essas três causas de desistência, as autoras sugeriram ações para combatê-las. Contra a evasão econômica, uma política institucional de apoio ao estudante era fundamental. Quanto à vocacional, a “atuação que pode ser feita é a de fazer com que o aluno consiga perceber o mais rapidamente (mais cedo) possível a sua inadequação à carreira, e que não associe essa inadequação ao fracasso escolar, procurando se adequar rapidamente” (BARROSO; FALCÃO, 2004, p. 12). Contra a evasão institucional, uma atuação docente bem planejada, um trabalho pedagógico apropriado e processos de orientação acadêmica podiam dar resultados, segundo as autoras. E esta atuação docente foi conseguida pelas autoras conforme resultados dos trabalhos supracitados sobre o desempenho de estudantes na disciplina de Física Básica.
Quanto aos índices de desistência constatados na pesquisa, estes chegaram a 55% ao final do quarto ano de curso. Assim como em Ueno et al, 2003a, percebeu-se um “efeito primeiro ano”, sendo este mais prolongado, nesse último caso, pois ao final do segundo ano, em média, 48% dos ingressantes já haviam desistido do curso de Física da UFRJ.
Em 2007, dois trabalhos (PEREIRA; LIMA, 2007 e ATAÍDE; LIMA; ALVES, 2007) apresentados no Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) discutiram casos particulares da desistência na licenciatura em Física, respectivamente, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA)8 e Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O primeiro deles relatou, inicialmente, dois estudos que “tiveram como propósito obter informações sobre as reais causas do problema” no curso de Física da UFMA (PEREIRA; LIMA, 2007, p. 3). Um deles, desenvolvido em 1978 pelo professor Raimundo Lobato, indicou uma evasão de 70% para esse curso. O outro, desenvolvido em 2004 por Marina Melo, informou que as principais causas da evasão eram:
8 No caso da UFMA, somente no 4º período do curso de Física é que os estudantes optam por uma
das modalidades ofertadas, licenciatura ou bacharelado. Nesta pesquisa, os alunos participantes ainda não haviam feito tal escolha, portanto os dados apresentados se referem ao curso de Física de uma forma geral.
a falta de conhecimento de conceitos básicos de conteúdos do ensino fundamental e médio, especialmente, relativos aos conceitos de Matemática e Física; o isolamento dos estudantes em relação à comunidade acadêmica; a sensação de solidão e desinformação; a baixa concorrência nos processos seletivos; e, alunos cursando outro Curso universitário paralelamente ao Curso de Física”. (PEREIRA; LIMA, 2007, p.3)
Após a apresentação desses estudos, Lusyanne Pereira e Maria Lima descreveram a pesquisa que elas desenvolveram na UFMA e os resultados obtidos. Foram aplicados questionários a um total de 51 alunos que estavam cursando as disciplinas de Introdução à Física, Física I, Física II e Física III no segundo semestre de 2004. Embora esses estudantes não tivessem desistido do curso, foi perguntado no questionário se eles já cogitaram sair dele. As respostas a essa pergunta encontram-se na tabela abaixo:
Tabela 7: Distribuição percentual de alunos por semestre de ingresso no curso. Q2: Quanto à evasão, você cogitou sair do
curso? 2003.1 2003.2 2004.1 TOTAL
A Sim, mas nunca levei adiante essa idéia. 57,1% 54,2% 60,0% 56,9% B Sim, inclusive já tranquei o curso. -- -- 5,0% 2,0% C Não, nunca pensei nisso. 42,9% 41,7% 25,0% 35,3%
D Outro. -- 4,2% 10,0% 5,9%
Obs: 2003.1 – 7 alunos; 2003.2 – 24 alunos; 2004.1 – 20 alunos; TOTAL – 51 alunos Adaptado de: PEREIRA; LIMA, 2007, p. 6.
Como pode ser visto, um número considerável de estudantes já pensaram em desistir do curso de Física da UFMA. E ao serem perguntados sobre quais motivos os lavariam a abandoná-lo, as respostas mais frequentes foram: dificuldades em conciliar trabalho e estudo, com 21,6%; frustração das expectativas com o curso e exigência de dedicação exclusiva ao curso (que é incompatível com necessidades profissionais, familiares e pessoais), ambas com 17,6% (PEREIRA; LIMA, 2007, p.4).
O trabalho apresentado por Jair Ataíde, Lourivaldo Lima e Edvaldo Alves (2007) constituiu-se num estudo analítico-descritivo, no ano letivo de 2005, sobre a repetência e/ou abandono escolar na licenciatura em Física da UEPB. Na realização desse estudo, foram coletados dados junto à coordenação do curso e aplicados questionários a 94 alunos matriculados nas disciplinas de Física Básica I e II do
turno diurno e noturno. Para os autores, a utilização do questionário objetivo, como recurso metodológico, teve a intenção de garantir que as respostas fornecidas fossem mais precisas e uniformes e pudessem ser apresentadas na forma de gráficos e percentuais. Esses, por sua vez, seriam intencionalmente encaminhados à coordenação do curso para que fossem relacionados com os dados de pesquisas nacionais sobre a temática e, consequentemente, possibilitariam programar futuras ações institucionais para minimizar a desistência.
Embora o abandono escolar tratado no texto esteja relacionado ao abandono das disciplinas de Física Básica I e II, as causas que originaram tal ação podem ser estendidas às causas do abandono da licenciatura em Física. Segundo os autores, foi possível perceber, a partir das análises dos resultados obtidos, dentre os argumentos apontados para o abandono e/ou repetência, fortes indícios de que: a opção equivocada pelo curso; as condições socioeconômicas particulares dos sujeitos; os aspectos pedagógicos e metodológicos do curso; e dificuldades na relação professor-aluno são elementos significativos para causar o problema educacional em questão (ATAÍDE; LIMA; ALVES, 2007, p. 6).
Um trabalho recente que merece ser destacado é o Estudo da Evasão no Curso de Licenciatura em Física do CEFET-GO (BORGES JUNIOR; SOUZA, 2007). O nosso interesse em particular por esse estudo está no fato de sua investigação ter sido realizada com duas subpopulações, licenciatura em Ciências com habilitação em Matemática ou Física e licenciatura em Física (sendo a segunda a de maior interesse), ambas, oferecidas por um Centro Federal de Educação Tecnológica. Por esse motivo, algumas características do curso investigado são bastante semelhantes ao do IFRN, inclusive a alta desistência, que no caso do CEFET-GO (Unidade Jataís) é acima de 50%.
Essa pesquisa sobre as causas da desistência foi desenvolvida a partir da aplicação de um questionário semiestruturado entregue a 108 estudantes evadidos que ingressaram nos cursos entre 2001 e 2005. Destes, somente 66 (61,1%) devolveram o questionário. Inicialmente, por meio dos resultados, pôde-se constatar que esta instituição também vivia o “efeito primeiro ano”. As porcentagens de desistência do primeiro e do segundo períodos, quando somadas, resultavam em 72% do total dos abandonos.
Com relação às causas da problemática, destacam-se (por ordem de relevância): questões de trabalho (34% das respostas); dificuldades em conteúdos (30%); aprovação em outro vestibular (13%); motivos diversos (10%); problemas familiares (7%); e conflito com os professores (6%). A primeira causa está relacionada com o fato de o curso ser noturno, de modo que muitos alunos trabalhavam de dia. Assim, além das atividades empregatícias, eles também deviam cumprir atividades acadêmicas. As dificuldades em conteúdos apresentavam-se como um relevante motivo para a desistência e uma consequência disto é um alto índice de retenções em disciplinas, visto que 40% (39 alunos) dos alunos regularmente matriculados (89) estavam retidos em algum período (BORGES JUNIOR; SOUZA, 2007, p. 6). Uma última causa a ser comentada é a aprovação em outro vestibular. Segundo os autores, dentre aqueles desistentes que alegaram esse motivo, a grande maioria optou por continuar a carreira no magistério, principalmente no curso de Pedagogia e Normal Superior.
Finalizando essa revisão, apresentaremos uma pesquisa muito rica em dados realizada pelo PET-Física da Universidade de Brasília (2008). Esse grupo teve como uma de suas metas, o estudo da elevada taxa de evasão no curso de graduação em Física da UnB. A principal motivação para o estudo foi dar ao problema uma abordagem sistemática, buscando identificar os seus principais fatores desencadeantes, e sugerir, a partir de então, possíveis profilaxias. O estudo foi baseado, primeiramente, em dados coletados da Secretaria de Administração Acadêmica, e, em seguida, em questionário aplicado, em 2007, a todas as turmas dos cursos de Física daquela instituição. Outro questionário foi aplicado, também em 2007, aos alunos evadidos.
Por meio dos dados obtidos pela Secretaria de Administração Acadêmica da UnB, os autores, inicialmente, obtiveram as taxas de conclusão relativas a 12 anos (1993 a 2004) dos cursos de licenciatura em Física (turnos noturno e diurno), bacharelado em Física e bacharelado em Física Computacional. Com base nas taxas obtidas, pudemos inferir uma taxa média de evasão para a licenciatura noturna igual a 75,5% e para a licenciatura diurna de 57,2%.
Quanto aos primeiros questionários, os mesmos foram respondidos por 271 estudantes ativos, dos quais 131 tinham pelo menos uma matrícula na Licenciatura.
Dentre as várias perguntas feitas a esse grupo, nos chamaram a atenção aquelas referentes ao grau de satisfação com o curso e às intenções de abandoná-lo.
Sobre a primeira, 75% dos alunos consideraram o curso regular ou bom. Os alunos insatisfeitos disseram que essa condição se devia a causas de ordem pessoal (perspectivas desanimadoras quanto a oportunidades futuras de trabalho; falta de tempo ou de disposição para os estudos em decorrência do trabalho; dificuldades de adaptação ao ritmo da universidade; deficiências de formação no Ensino Médio; e problemas de ordem familiar ou econômica) e causas de ordem institucional (alguns professores da Física não atendem às expectativas; alguns professores, fora da Física, não atendem às expectativas; o foco das disciplinas é mais matemático do que conceitual; alguns livros adotados na Física não são adequados; os laboratórios didáticos da Física são deficientes; orientação falha ou inexistente, que leva ao desconhecimento de normas da UnB e do curso; algumas disciplinas têm alto grau de dificuldade).
Com relação às intenções de abandonar o curso, 38,3% dos alunos declararam que já pensaram em abandoná-lo, mas iriam insistir mais um pouco, e 3,9% estavam decididos a deixar o curso. Destes 62,1% pretendiam fazer outro curso, que não o de Física, na UnB.
A respeito do segundo tipo de questionário, entregue aos evadidos, apenas 27 foram preenchidos, o que corresponde, segundo os autores a quase 10% do total (300 evadidos).
Novamente foi realizada uma pergunta relacionada ao grau de satisfação com o curso. Curiosamente, 74,4% classificou o curso como ótimo, 48,1% como bom e 18,5% como regular. Os insatisfeitos atribuíram a sua insatisfação, principalmente, a fatores de cunho pessoal. Estas insatisfações representariam também as causas das evasões. Foram elas (por ordem de importância): perspectivas desanimadoras quanto a oportunidades futuras de trabalho; falta de tempo ou de disposição para os estudos em decorrência do trabalho; dificuldades de adaptação ao ritmo da universidade; e deficiências de formação no Ensino Médio.
Sobre as causas de origem institucional das insatisfações, os autores destacaram: deficiência dos laboratórios didáticos de Física; orientação falha ou inexistente; “outras”; e os professores da Física, em geral, não atenderam às expectativas.
Os autores também se preocuparam em saber o que havia ocorrido com os alunos evadidos, relativamente, à sua vida acadêmica, após terem deixado o curso de Física da UnB. 38,5% dos ex-alunos responderam que fizeram ou estavam fazendo outro curso em outra IES. 30,8% afirmaram não ter se envolvido em