• Sonuç bulunamadı

Ali Kaptan, Cemile ve tecavüze dair

A desistência de 4.2E151

O entrevistado havia concluído o ensino médio em 2002 e até o meio do ano de 2004 não havia ingressado no ensino superior. Nesse período, segundo ele, estava indeciso e “não tava fazendo nada, não tava estudando, não tava fazendo cursinho”, estava apenas trabalhando. Foi quando, ao tomar conhecimento do vestibular no meio do ano para a licenciatura em Física do IFRN, e por gostar dessa

51 Esse entrevistado foi reprovado em disciplinas ao final de 2004.2 e foi considerado evadido, pelo

ciência, resolveu fazer o processo seletivo. Foi aprovado e se matriculou no curso. Sobre isso ele comentou: “vou tentar pra ver se eu me interesso mais pelo curso e tentar me engajar”. Contudo, ao final do ano de 2004, o entrevistado também fez o vestibular para Engenharia Mecânica na UFRN e foi aprovado para o turno noturno. Como não iria deixar de trabalhar, 4.2E1 deu “preferência”, devido à incompatibilidade de horário à noite entre as duas graduações, pelo curso da UFRN, desistindo assim da licenciatura em Física.

Uma provável explicação para a preferência pela Engenharia Mecânica está na falta de identificação do entrevistado com a carreira docente. Ao perguntarmos o porquê de ter feito o vestibular para licenciatura em Física, 4.2E1 disse que, além da possibilidade de ingressar no ensino superior no meio do ano, sempre gostou muito de Física e queria se “aprofundar mesmo nos assuntos da área de Física, mas nunca pensando em ser professor”. “Hoje [na época da entrevista], ainda não tenho isso [ser professor] em mente”.

A desistência de 4.2E452

Esse entrevistado alegou que “não teve um motivo principal” para a sua desistência da licenciatura em Física do IFRN. “Foi um conjunto que agiu igualmente”. Após esse comentário, 4.2E4 relatou os vários motivos que teriam causado o seu abandono. Contudo, ao analisarmos as causas relatadas percebemos que existiram três principais: a estrutura e o funcionamento da licenciatura; os professores; e a opção por outro curso de nível superior. Antes de explicarmos cada um desses motivos, precisamos descrever como se deu a permanência desse aluno no IFRN.

Após concluir o ensino médio, 4.2E4 tentou ingressar no curso de Medicina na UFRN. Como a universidade não permite que um estudante tenha duas matrículas na graduação, ele, apesar de também gostar de Física, não poderia estar matriculado nesse curso na mesma universidade e, por isso, resolveu fazer a licenciatura em Física no IFRN. Foi aprovado para cursar Física, mas não para Medicina.

52 Esse entrevistado foi aprovado no semestre 2004.2. Passou 2005.1 com o curso trancado.

Retomou sua matrícula em 2005.2, sendo aprovado ao final desse período. Novamente trancou o curso em 2006.1 e, em 2006.2, foi considerado evadido.

Enquanto esteve na licenciatura, o desistente se deparou com “uma ênfase muito grande na área da educação e muito pouca na área de Física”. Ele achava muito pesada “a carga horária das disciplinas de educação porque exigia muito trabalhos, muita coisa pra fazer para casa”. Logo, identificou isso como um “problema enorme” na estrutura curricular do curso. Outro problema identificado pelo entrevistado se referia aos professores. Conforme o desistente, “muitos deles [professores] não estavam preocupados com os alunos. Parece que torciam para que o aluno se desse mal”. Portanto, a motivação que tinha para estudar na época provinha do seu gostar de Física e não de seus professores.

Logo após ser aprovado no primeiro período da licenciatura, o entrevistado trancou o curso por um semestre. Depois desse tempo, ele o retomou e foi aprovado no segundo período. Contudo, a aprovação nesse último foi realizada com grande dificuldade, pois 4.2E4 estava tendo problemas com a sobrecarga de atividades acadêmicas. Isto ocorreu porque, no tempo em que esteve com a licenciatura trancada, o entrevistado ingressou no bacharelado em Física na UFRN. Um dos motivos para escolha por desse outro curso, além do fato de gostar de Física, foi uma má experiência no estágio à docência da licenciatura que o levou a concluir “que não queria ser professor”.

Assim, cursando simultaneamente as duas graduações, o entrevistado chegou a estar matriculado num total de catorze disciplinas. Isso provocou uma situação “desumana” em que ele “não tinha mais final de semana, não tinha mais tempo pra nada”. Portanto, novamente, o aluno trancou a licenciatura por um semestre e não renovou mais a sua matrícula. A decisão por não voltar mais a esse curso se deu devido à opção pelo bacharelado. Apesar de ter desistido da licenciatura, 4.2E4 falou que se arrependeu. “Eu acho que eu fui muito pela emoção e acabei esquecendo assim da questão profissional mesmo. Se eu tivesse continuado já taria formado hoje. Então, foi uma coisa que eu me arrependi de ter feito”. Além disso, o entrevistado tinha recuperado a sua identificação pela licenciatura e a vontade em dar aula.

Para 4.2E4, se tivesse existido na época a matriz por disciplinas, ele poderia ter levado os dois cursos. Contudo, a matriz curricular seriada que funcionava no IFRN, não permitiu que ele “pagasse disciplinas separadamente e diminuísse a carga horária quando achasse necessário”.

O tempo que o desistente permaneceu cursando simultaneamente as duas graduações, possibilitou que fizesse os seguintes comentários sobre o currículo da licenciatura em Física do IFRN.

A Física que era dada lá [no IFRN] na minha grade, era só a Física que corresponde, nos outros cursos de Física, inclusive daqui [UFRN] ao ciclo básico. As disciplinas com a Matemática mais rigorosa não tinha e também não tinha as disciplinas da Matemática.

Também disse que a carga horária do estágio à docência era enorme e ainda havia a monografia como requisito para a conclusão do curso. Com base nessa análise, o entrevistado sugeriu que houvesse uma nova reforma na estrutura curricular, pois disse que tinha visto o currículo atual (à época da entrevista) e o considerou bom, mas defendeu que ainda poderia ser melhorado.

A desistência de 4.2E853

O entrevistado havia concluído o ensino médio em 2003. Ao final desse ano, fez o vestibular 2004 da UFRN e não passou. No ano seguinte (2004), entrou para um cursinho pré-vestibular e, ao tomar conhecimento do vestibular no meio do ano do IFRN, decidiu fazê-lo. Era uma “opção a mais” para ingressar no ensino superior e uma possibilidade para “testar” os seus conhecimentos em preparação para o vestibular no final do ano da UFRN. 4.2E8 fez o processo seletivo para a licenciatura em Física porque gostava da área. Ao ser aprovado no vestibular do IFRN, se matriculou na licenciatura e cursou o período 2004.2, sendo aprovado ao final dele.

Contudo, no final desse mesmo ano, tentou novamente ingressar na UFRN e dessa vez conseguiu ser aprovado para o curso de Farmácia, o qual, conforme o entrevistado, “desejava há um bom tempo”. No semestre letivo 2005.1, 4.2E8 tentou cursar simultaneamente as duas graduações. Apesar de o curso de Farmácia não ser exclusivamente noturno, ele continha disciplinas nesse turno, o que gerou incompatibilidade de horário com a licenciatura. Ante esse problema, o entrevistado deu preferência à Farmácia e desistiu da Física. Com esse depoimento, concluímos,

53 Esse entrevistado foi aprovado no semestre 2004.2. Em 2005.1 foi reprovado por faltas e, no

então que o principal motivo da desistência da licenciatura em Física do IFRN, segundo 4.2E8, foi sua opção por outro curso de nível superior.

Perguntamos ao entrevistado também se, caso não tivesse ocorrido a incompatibilidade de horário, ele cursaria as duas graduações ao mesmo tempo. Ele respondeu acreditar que dificilmente faria isso, pois a sobrecarga de atividades acadêmicas o impediria de se dedicar aos dois cursos simultaneamente.

Embora tenha desistido da licenciatura em Física, 4.2E8 se identificou bastante com esse curso e estava motivado porque gostava “muito das matérias que estavam sendo apresentadas na época”. Ele falou, por exemplo, que “até hoje tenho colegas do curso de Física [...]. E pretendo certamente fazer Física um dia ainda, ou por hobby, ou por querer conhecer mais esse lado da Física”. Inclusive, o entrevistado destacou que a sua “turma era muito unida em relação ao estudo. Um ajudava o outro nas matérias mais difíceis, nas matérias mais fáceis”.

A desistência de 4.2E1154

Essa entrevistada relatou que, após concluir o ensino médio no IFRN, sempre teve vontade de retornar à instituição para cursar “algum curso que eu me identificasse, por mínimo que seja, mas eu gostaria de continuar lá no CEFET”. Portanto, ela escolheu a licenciatura em Física que também era uma área de que ela gostava. “É uma área que eu gosto, de você poder ensinar, de você poder passar alguma coisa pra pessoas, eu acho muito bom. Essa área de Física é uma área muito carente em professores, então já foi por isso também que eu optei [pelo curso de Física]”.

Porém, essa entrevistada também estava usando a licenciatura em Física do IFRN para melhorar a sua formação básica de conteúdos visando maiores chances de ser aprovada no vestibular de Medicina da UFRN. (Por duas outras vezes, 4.2E11 tentou ingressar nesse curso, mas não obteve êxito). Como ela mesma afirmou, não queria ser professora de Física exclusivamente. Tinha outras pretensões profissionais também. Assim, após ingressar na licenciatura no IFRN e estar fazendo cursinho pré-vestibular, a entrevistada tentou novamente, ao final de 2004, o vestibular da UFRN. Ela, finalmente, foi aprovada, mas para o curso de

54 Essa entrevistada foi aprovada no semestre 2004.2. Durante o ano de 2005 (2005.2 e 2005.2),

Engenharia de Produção. Ao descobrir que ele era oferecido no turno vespertino e noturno (inclusive com disciplinas do primeiro período em ambos os turnos), 4.2E11 decidiu trancar a licenciatura em Física e cursar engenharia. Após um ano de curso trancado, a entrevistada optou definitivamente pela desistência para se dedicar exclusivamente à UFRN.

Com base nesse depoimento concluímos que devido à incompatibilidade de horário, a entrevistada desistiu da licenciatura em Física por opção por outro curso de nível superior. Além disso, acreditamos que havia certa predileção da mesma pela UFRN, pois, desde a conclusão do seu ensino médio, 4.2E11 poderia ter tentado ingressar na licenciatura em Física do IFRN, mas suas principais pretensões profissionais eram outras na universidade. Isto é corroborado pela seguinte fala sobre as profissões docente e de engenheiro de produção:

Eu vejo a profissão de professor uma profissão muito privilegiada por você conhecer um pouco mais, por você ter a capacidade de passar [passar

conteúdos], mas é uma profissão muito desvalorizada. O curso de Física,

ele é um curso que forma você, principalmente, pra ser professor assim de segundo grau e você teria que se aprofundar bem mais pra você chegar a até um mestrado, um doutorado, ser um professor de uma universidade onde certamente, ou não tão certamente, você seria um pouquinho mais valorizado que é [que é o professor do ensino médio]. Então, eu quero seguir a carreira acadêmica, mas eu quero também me profissionalizar pra como...o engenheiro de produção ele, ele trabalha muito em chão de fábrica. Eu, se eu pudesse trabalhar nos dois eu gostaria, trabalhar tanto em chão de fábrica quanto em sala”.

Nesse caso, a sala de aula seria de uma universidade, pois a entrevistada pretendia seguir a carreira acadêmica em Engenharia de Produção (mestrado e doutorado nessa área).

Embora tenha passado apenas um semestre de fato na licenciatura em Física, 4.2E11 disse que se desmotivou muito com o curso por dois motivos. Um era a falta de dedicação de seus colegas de turma pelo curso e o outro era “a questão de tá estudando pro vestibular e ao mesmo tempo estar conciliando com os trabalhos e as atividades de Física”.

A desistência de 4.2E1355

Essa entrevistada fez o vestibular 2004.2 para a Física do IFRN porque sempre teve vontade de fazer um curso dessa ciência, independentemente de ser uma licenciatura ou um bacharelado. Ela optou pela realização dessa graduação no IFRN, por acreditar que a licenciatura em Física nessa instituição era melhor que a da UFRN56, além de ter outros planos profissionais nessa universidade. Desse

modo, ao ser aprovada para a licenciatura em Física do IFRN, 4.2E13 se matriculou e iniciou o curso.

Todavia, embora a entrevistada tenha afirmado que gostava muito de dar aula, “não pretendia exercer isso como profissão, ser professora de Física”, ela não queria trabalhar como docente para ter que se sustentar. A ex-aluna assumiu que se fosse trabalhar como professora gostaria de exercer essa profissão numa instituição de ensino superior porque seria “menos trabalhoso e é uma recompensa maior”. [Achamos que ela estava fazendo uma comparação com a carreira docente no ensino médio].

Assim, logo após cursar um semestre na licenciatura em Física, a desistente fez o vestibular da UFRN e fui aprovada para o curso de Nutrição. Ela conseguiu cursar durante um ano e meio, simultaneamente, as duas graduações, mas “depois que foi apertando os dois, Física foi ficando mais pesada, Nutrição foi ficando mais pesada, aí chegou uma hora que não deu mais pra estudar para os dois não e tive que escolher um”. Nesse caso, como o curso de Nutrição era o seu objetivo profissional (quanto à Física seu interesse era buscar conhecimento, mas não atuar profissionalmente), ela abandonou a licenciatura.

Embora tenha desistido desse curso, 4.2E13 confessou que

Física é uma coisa que eu estudo até hoje. Mesmo depois de ter saído, sempre que tem alguma coisa falando, quando eu vejo uma revista, alguma coisa e até se não tiver nada pra fazer, eu vou estudar Física que é uma coisa que eu gosto mesmo.

55 Essa entrevistada foi aprovada seguidamente nos semestres 2004.2, 2005.1 e 2005.2. No

semestre seguinte, 2006.1, ela trancou o curso e passou a ser considerada evadida em 2006.2.

56 Por ter concluído o ensino médio no IFRN e o curso técnico de Geologia e Mineração, 4.2E13

Ante essa fala perguntamos se a entrevistada gostaria de retornar à Física algum dia. Foi respondido que sim, mas o curso seria para “título de conhecimento” porque a entrevistada estaria conhecendo mais sobre uma área que gosta. Para finalidades profissionais, ela quer seguir a carreira de nutricionista.

A desistência de 4.2E1457

O entrevistado iniciou a explicação sobre sua desistência, relatando por quê decidiu fazer a licenciatura em Física IFRN. Ele afirmou que percebeu um mercado de trabalho bastante promissor no interior onde já dava aula de Biologia. Detectou que os professores que ensinavam essa disciplina não eram formados na área, e que, portanto seria uma grande oportunidade de emprego atuar nas escolas daquela cidade também como licenciado em Física. Diante dessa possibilidade de mais um trabalho, o desistente decidiu ingressar na licenciatura em Física que também era uma ciência de que sempre gostou.

Todavia, 4.2E14 ainda revelou que, embora já fosse professor e se identificasse com essa profissão, pretendia ter outro emprego e utilizar a carreira docente apenas como complemento de salário. Uma consequência desse pensamento foi o ingresso, anos após a desistência da Física, num curso técnico em Química porque quando se formar nessa área, o entrevistado pretende atuar em indústrias por acreditar que tenha um retorno financeiro melhor que o seu atual salário de professor.

A desistência da licenciatura em Física em si ocorreu devido à dificuldade financeira para se manter no curso. De acordo com o desistente, o colégio no interior, onde trabalhava como professor de Biologia, passou a atrasar muito o pagamento do seu salário. Em alguns momentos o atraso chegou a dois meses. Portanto, por conta desses atrasos no pagamento, o entrevistado passou a ter dificuldade financeira para bancar as passagens rodoviárias de ida e volta do interior para a capital (Natal). Dessa forma, como não conseguia se deslocar do trabalho para as aulas no IFRN, ele desistiu do curso.

A desistência de 4.2E1858

Esse entrevistado, primeiramente, disse que gostaria de fazer uma graduação em Matemática no IFRN, pois já havia estudado nessa instituição, se identificava com ela e reconhecia o seu trabalho educacional. Contudo, como não havia nenhum curso de Matemática, o desistente decidiu fazer o que mais se parecia com ele. Decidiu cursar Física por ser este um curso também da área de exatas. Quanto à possibilidade de fazer uma graduação em Matemática na UFRN, 4.2E18, comentou que a universidade nunca o “vislumbrou”. Ele nunca teve vontade de ser aluno dela.

Ao ingressar em Física, o entrevistado se sentiu motivado porque o curso se tratava de uma licenciatura.

A parte da licenciatura pra mim foi bem interessante. Eu sempre gostei de ensinar. Até hoje, eu dou aula particular de Matemática de reforço. Eu gosto bastante de dar aula. Isso é...essa parte aí, pra mim, foi até um incentivo. Não foi uma coisa negativa o curso ser uma licenciatura. Eu tinha interesse mesmo em estar em sala de aula.

Apesar de, inicialmente, não ser o curso que gostaria de seguir, 4.2E18 “tava gostando bastante”.

Todavia, ainda era mais significativo, na vida do entrevistado, ingressar no funcionalismo público, num emprego melhor do que aquele em que estava, do que continuar numa graduação visando o diploma de licenciado. Como não estava disposto a deixar o seu emprego, 4.2E18 teve que abdicar do curso de Física para ter tempo livre para os estudos voltados aos concursos.

O entrevistado também comentou sobre dois aspectos: inicialmente, sobre algumas dificuldades que teve pra conciliar os estudos para a licenciatura e o seu emprego e, em seguida, sobre o comportamento da sua turma nesse curso. 4.2E18 relatou que o seu emprego era “bastante desgastante” e “cansativo” e quando chegava, ao final do dia, era difícil se concentrar na aula. Outra dificuldade encontrada foi quando precisou fazer trabalho em grupo. Geralmente, o entrevistado fazia os trabalhos sozinho porque não havia outros estudantes disposto a contribuir

58 Esse entrevistado foi reprovado por faltas em 2004.2. Durante o ano de 2005 (2005.1 e 2005.2) e

parte de 2006 (2006.1), ele permaneceu com o curso trancado. No semestre 2006.2, foi considerado evadido.

com ele, pois o único momento em que estava livre para esse tipo de atividade era o final de semana.

Além disso, ele percebeu

Com relação à turma, como os dados já provam, não tem como a turma lhe incentivar bastante porque a maioria da turma não tá ali pra terminar o curso. Já tá...no primeiro dia, a gente conversa e já tá todo mundo já dizendo que queria fazer tal curso, outro curso lá, normalmente, na UFRN. Então, muitos dos que entram, já entram com a visão de sair. Então [...] se você tá com esse pensamento, então não tem como você buscar esse tipo de inspiração pra incentivo com a turma. Se tem que buscar um incentivo próprio, uma inspiração própria. Não com a turma porque a maioria já tá pensando em sair. Então se você for buscar a turma para lhe apoiar, você também vai pensar em sair.

A desistência de 4.2E2059

Esse entrevistado destaca-se dos demais pela seguinte peculiaridade: ingressou na licenciatura em Física na turma 2004.2, desistiu em 2005.1 e retornou ao curso, via novo vestibular, na turma 2007.2. Logo, os comentários desse estudante na entrevista têm relevância peculiar, pois muitas vezes traz um comparativo entre os dois currículos dessa graduação.

Sobre o principal motivo de sua desistência, 4.2E20 alegou que, na época, mesmo gostando de Física, estava em dúvida “se o curso de Física era realmente” a graduação que gostaria de fazer e, consequentemente, ser professor. Nesse momento de dúvida – atribuído, segundo o entrevistado, à sua falta de maturidade – ele fez o vestibular para Educação Física (outra área com a qual se identificava) na UECE (Universidade Estadual do Ceará) e também foi aprovado. Logo teve que se mudar para Fortaleza e desistir da licenciatura em Física. Mas, ao cursar essa graduação, 4.2E20 se desiludiu com ela e desistiu. Com isso, retornou a Natal e decidiu ingressar novamente na licenciatura em Física do IFRN. No seu retorno ao curso, 4.2E20 estava decidido a conclui-lo.

59 Esse entrevistado foi reprovado em disciplinas ao final de 2004.2 e foi considerado evadido em

A desistência de 4.2E2160

Esse entrevistado falou que o principal motivo da sua desistência foi a opção por outro curso de nível superior. Inicialmente, 4.2E21 relatou que tinha ingressado na licenciatura em Física do IFRN porque gostava muito dessa ciência. Todavia, como já tinha outros planos profissionais na UFRN – fazer Engenharia Química – restou-lhe somente o IFRN como instituição na qual poderia realizar essa licenciatura. E, embora o entrevistado tivesse “vontade de ser professor”, não pretendia seguir a carreira docente. “Não é uma coisa que eu queira tanto”, principalmente por causa de sua desvalorização. “O professor, hoje, não é tão