MEDYADA TOPLUMSAL CİNSİYET VE ŞİDDET İLİŞKİSİ
3.3. Medyanın Şiddeti ve Cinsiyetleri Metalaştırması
Segundo o “Plano do Curso Superior de Licenciatura Plena em Física” (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE DO NORTE, 2002, pg. 1), a justificativa para a criação desta graduação está na disposição que o IFRN tem para “contribuir com a qualidade da educação no Estado”. Anteriormente, o Art. 4º do Decreto 2406/97 já afirmava que os CEFETs tinham como objetivo
ministrar cursos de formação de professores e especialistas, bem como programas especiais de formação pedagógica para as disciplinas de educação científica e tecnológica (BRASIL, 1997).
Esforços foram realizados para que o IFRN pudesse, de forma legal, oficial e direta, contribuir para a melhoria da educação no Estado por meio da formação de novos professores de Física. Essa melhoria deveria ser fruto de um maior número de profissionais com a correspondente formação e, consequentemente, preenchimento das vagas com servidores públicos estaduais.
Esse não era o único objetivo do curso recém-criado. A licenciatura em Física do IFRN também visava dar uma nova qualificação a professores licenciados (via aproveitamento de estudos) e habilitar professores que já ministravam aulas de Física (CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO RIO GRANDE DO NORTE, 2002, p. 18).
Porém, o número de professores formados nesta instituição é bem inferior ao previsto, inserindo assim o IFRN no quadro problemático das IES que formam poucos licenciados em Física. Assim, tornou-se extremamente importante compreender em profundidade o problema da desistência a fim de combatê-la no IFRN, o que significa contribuir para ampliar a quantidade e a qualidade dos profissionais formados e, consequentemente, reduzir a escassez de professores.
Diante desse fenômeno, decidimos investigar esse problema educacional tendo como sujeitos os próprios alunos e os professores da licenciatura em questão. Desse modo, buscamos desenvolver um processo destinado a compreendê-lo e, ao
mesmo tempo, (re)construir conhecimentos que possam contribuir para minimizar esse fenômeno e ampliar o número de licenciados em Física no IFRN.
Optamos por investigar as desistências no curso tendo como amostra a última turma do primeiro currículo, cuja entrada ocorreu em 2004.2, e a primeira turma do novo currículo, que ingressou em 2006.1. Quantos aos professores, foram selecionados para participar desta investigação, aqueles que atuaram junto a essas duas turmas, vivenciando o seu esvaziamento.
Do ponto de vista institucional, uma primeira tentativa de lidar com o problema ocorreu em 2005, quando um dos objetivos da primeira reforma curricular do curso foi reduzir a desistência. Até então, de acordo com o currículo adotado, havia grande concentração de disciplinas por semestre, de maneira que os horários das turmas eram preenchidos integralmente em quase todos os seis semestres do curso (três anos de duração). Além disso, as aulas eram iniciadas às 18h15min. Isso poderia, em princípio, dificultar a vida acadêmica dos estudantes, principalmente dos trabalhadores, já que não existiam horários vagos que viabilizassem tempo livre para ir à biblioteca, estudar e preparar trabalhos na própria instituição. O novo currículo, em teoria, viabilizava estes espaços devido a sua duração de quatro anos e início das aulas às 19 horas.
Dessa forma, incluímos no presente trabalho a proposta de investigar possíveis efeitos da mudança curricular no que tange à problemática da desistência, por se suspeitar, tal como a própria instituição considerava (tendo em vista as medidas adotadas), que o primeiro currículo da licenciatura adotado no IFRN pode ter produzido, pelo menos, dois motivos de desistência: o horário de início das aulas, responsável por atrasos e ausências de alunos, e os semestres “puxados”9.
Vale notar que, anteriormente à nossa iniciativa, nenhuma investigação foi desenvolvida pelo IFRN para avaliar os resultados dessa mudança. Assim, nossa pesquisa também teve como objetivo tomar a frente nessa avaliação, identificando possíveis influências da mudança curricular sobre o fenômeno da desistência na licenciatura em Física na instituição.
Devemos observar que identificar as causas da desistência na licenciatura em Física do IFRN e avaliar os resultados de sua mudança curricular, são ações de
9 Expressão utilizada pelos estudantes para exprimir a ideia de grande concentração de módulos ou
investigação que bem caracterizariam um mestrado acadêmico, e que contribuiriam para o entendimento do problema.
De fato, realizamos aqui essa investigação, mas, seguindo adiante, a tomamos como ponto de partida para elaborar propostas de soluções viáveis e aplicáveis para reduzir o problema da desistência. Tal iniciativa, e o estabelecimento dessa questão-foco, portanto, inserem e justificam a realização da presente dissertação no âmbito de um Mestrado Profissionalizante (MP) em Ensino de Ciências que, como sabemos, pode ter como objetivo propor soluções que visem o enfrentamento de um problema no sistema educacional.10 Pois, de acordo com
Marco Antônio Moreira (2004, p. 133 e 134):
O mestrado em ensino deverá ter caráter de preparação profissional na área docente focalizando o ensino, a aprendizagem, o currículo, a avaliação e o sistema escolar. Deverá, também, estar sempre voltado explicitamente para a evolução do sistema de ensino, seja pela ação direta em sala de aula, seja pela contribuição na solução de problemas dos sistemas educativos, nos níveis fundamental e médio, e no nível superior na formação de professores das licenciaturas e de disciplinas básicas. (grifo nosso).
É especificamente no ensino superior que se situam as investigações, discussões e pretensões desta dissertação. Assim, estamos devidamente inseridos numa interseção de interesses na área de ensino de Ciências: analisar a evolução de um sistema de ensino – os efeitos da mudança curricular na licenciatura em Física do IFRN – e contribuir na solução de um problema educativo no nível superior – a desistência de licenciandos.
Esta preocupação revela o produto educacional da presente dissertação: um relatório contendo sugestões de ações curriculares e institucionais, elaboradas com base na literatura, nos depoimentos de alunos e de professores do IFRN e em estatísticas e mapas das desistências (anexo D).
Embora nossas ações não sejam direcionadas diretamente para a sala de aula da licenciatura em Física, acreditamos que as influências de nosso relatório
10 A literatura da área de ensino de ciências tem atribuído relevância a esse tipo de iniciativa. De
acordo com Fernanda Ostermann e Flávia Rezende (2009), surgiu, mais recentemente, como um novo objeto de estudo da pesquisa em ensino de ciências, a evasão universitária em cursos de Ciências Naturais e Matemática. Em outras palavras, percebemos que estamos na mesma direção de outras pesquisas de reconhecida pertinência para a área.
possam chegar a elas e, numa consequência última, às salas de aula do ensino médio, via um número maior de docentes com formação em Física.
Nossa proposta de um relatório contendo sugestões de ações curriculares e institucionais se enquadra nas orientações da literatura referente aos MPs (por exemplo, MOREIRA, 2004, p. 133) principalmente, no que diz respeito ao impacto no nível educacional a que ele se dirige. O impacto almejado poderá vir por meio da reflexão que tal produto desperte nos professores responsáveis pela segunda reforma curricular da licenciatura em Física do IFRN. Esta reforma, em andamento até o presente momento (junho de 2011), pretende além de resolver questões relacionadas à quantidade e distribuição das disciplinas específicas de Física, reduzir a desistência de licenciandos no curso.
Destacamos também a inserção tímida de nossa investigação numa linha de pesquisa surgida a partir da década de 1990, chamada pensamento docente espontâneo: “Trata-se de ideias de senso comum compartilhadas por professores, desenvolvidas ao longo da sua formação e baseadas em modelos tradicionais de docência vivenciados em anos de escolarização” (OSTERMANN; REZENDE, 2009, p. 74).
Para Rafael Porlán e A. Rivero (1998), apud Orstermann e Rezende (2009, p. 74), concepções espontâneas sobre o processo de avaliação começaram a ser analisadas à luz desse novo paradigma e, dentre elas destaca-se o fracasso de uma porcentagem significativa de alunos em matérias difíceis como a Física. Esta ideia está sendo por nós ampliada como sendo o fracasso de uma porcentagem significativa de alunos em cursos considerados difíceis como o de Física.
Ainda que este não seja o foco principal de nossa pesquisa, preocupamo- nos em ouvir os professores do IFRN envolvidos com o curso de Física, pois os mesmos fazem parte da relação ensino-aprendizagem, vivenciando o esvaziamento de suas turmas no decorrer do curso e/ou de um semestre letivo. Embora muitos desses professores se dediquem aos conhecimentos científicos das disciplinas por eles ministradas, as opiniões desses profissionais repousam no senso comum quando o assunto é a desistência universitária. Como poderá se observado mais adiante nesta dissertação, diversas opiniões docentes emergiram sobre as possíveis causas da desistência de licenciandos no IFRN.
1.4 DESISTÊNCIA: JUBILAMENTO, CANCELAMENTO, TRANSFERÊNCIA E