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3. BULGULAR

3.4. Marjinal Açıklık (MA) ve Mutlak Marjinal Açıklık (MMA) Bulguları

3.4.2. Simantasyon Öncesi Mutlak Marjinal Açıklık (MMA) Bulguları

Em um número menor de ocorrência, o desejo de coerência com o senso de responsabilidade se mostrou como uma das razões, isto é, como uma das mobilizações pelas quais os professores ainda permanecem na EJA.

Se eu deixei o meu artesanato pra fazer o concurso, é porque eu queria seguir aquele velho sonho! Embora eu tenha dito: - ‘Não, eu não quero ensinar, não quero ser professor...’ Abandonei! O meu trabalho e fui fazer o concurso! Hoje, eu faço tudo pela aprendizagem do aluno, porque tudo o que eu quero é que eles aprendam! Não só vale a gente ensinar a ler e a escrever, mas também preparar o aluno pra vida, lá fora, né?! Eu tenho prazer em vir à escola todos os dias porque eu acho que se eu perdi um dia de aula, o aluno deixou de aprender... Deixou de aprender aquilo que eu estava preparando pra ele. Eu tenho essa preocupação assim! (ANSELMO, 2009).

Essa é uma pergunta meio comprometedora, mas eu vou ser bem sincera: Não! Não está sendo prazeroso pra mim, não! De manhã, quando eu me levanto, eu já fico imaginando: - ‘Ai, meu Deus, já vou lidar com aquele monte de adolescentes, que depende de mim!’ Acho que é porque eu nunca trabalhei com Educação de Jovens e Adultos. Houve um impacto muito grande em relação aos meus outros alunos do Fundamental. Estranhei a relação com eles. Acho que eu num tava acostumada! É só isso! Mas, eu num tou gostando, não! Não sinto prazer em trabalhar com a EJA, não! Se há razão pra eu estar, a necessidade é uma delas! E outra coisa também: eu gosto de assumir meus compromissos! Então, se eu assumi essa sala de aula, eu venho e procuro dar o melhor de mim, porque eu num tenho que pensar só em mim, eu tenho que pensar nos alunos também! Então, eu acho assim: se eu assumi, eu tenho a responsabilidade de vir, mesmo que eu num goste, e fazer um bom trabalho! (WANJA, 2009).

Se, de um lado, tal obrigação se estabelece em função da aprendizagem do aluno e, do outro, devido ao compromisso assumido em relação ao trabalho, não se pode, entretanto, abandonar o fato de que a Educação de Jovens e Adultos continua sendo, de algum modo, o centro da mobilização dos professores.

É muito gratificante trabalhar com jovens! Quando a gente fala que a gratificação não é dinheiro, você pode acreditar, como existe Deus no céu, como a gente sente, assim, uma alegria que não tem tamanho quando um aluno que não sabia ler e nem escrever passa a fazer um texto! A gente esquece até o salário, esquece tudo! Porque se você entrar numa sala de aula pensando no que vai ganhar por trinta ou quarenta alunos que você ensinar, você não trabalha! Você chora! Então, a gente tem que esquecer! Eu mesmo me sinto muita realizada, apesar de todas as dificuldades... É uma realização muito grande você chegar ao término de um ano e alguns alunos escreverem o nome, ler e produzir texto! Eu acho isso muito importante! (GILKA, 2009).

É importante destacar que é preciso ter em mente que a relação com o saber dos professores da EJAnão é inferior à dos demais colegas de profissão. Ela se constitui apenas de modo diferente, o que pode tornar mais difícil sua relação com a atividade de educar jovens e adultos. A diferença, sem dúvidas, está relacionada às condições objetivas que “levam” os professores da EJA a enfrentarem as dificuldades de uma atividade que, além do pouco prestígio social, quase não dispõe de subsídios financeiros e pedagógicos voltados para sua melhoria. Mesmo com dificuldades, os professores acabam criando condições que lhes permitem se satisfazer com o que fazem, mobilizando-se para dar continuidade a sua atividade.

Entender o universo prazeroso que é educar os jovens e adultos e prepará-los para a vida dentro e fora da escola, eu acredito serem esses os motivos para o professor ir à escola todos os dias (ANSELMO, 2009).

A motivação de um professor para ir todos os dias para a escola deve ser a consciência de que os alunos serão formados por ele e que seu papel é extremamente importante na educação, pois a EJA, assim como outros níveis de ensino é a base da escola, e nela os jovens e adultos passa pela fase da formação pessoal, por isso precisa ser bem trabalhada! (PEDRO, 2009). Acho que a motivação de qualquer professora para ir todos os dias para a sala de aula é saber que estará colaborando com o futuro de um determinado número de pessoas que também um dia contribuirão para a sociedade! (MARTA, 2009).

Essas são atitudes que merecem um destaque em positivo, pois sinalizam a principal mobilização dos professores em relação a sua atividade. De acordo com o que se pode aferir, nessas falas, os professores buscam o prazer na atividade que realizam, pois despertam para o fato de que podem se sentir importantes na vida e na educação dos alunos.

Porém, como se viu, a ausência das condições objetivas, com o passar dos anos, acaba forjando uma espécie de atrofia no desenvolvimento das condições subjetivas, as quais são

igualmente essenciais à execução da atividade docente. Por conseguinte, mesmo que o trabalho com as turmas de EJA, ainda seduza alguns docentes, boa parte deles procurará, na primeira oportunidade, repassá-lo aos professores novatos.

Ainda que a generalização desses dados não seja uma pretensão, defendo, como arremate de uma primeira análise, que, apesar dos “desencantos” com a EJA devido às dificuldades que enfrentam, os professores tendem a alimentar o desejo de continuar zelando pela educação e pelo futuro dos alunos, ao passo que eles demonstram o que aprenderam. Falo de um desejo que comporta elementos da natureza do educar, eu diria, também do cuidar, mas que atribui à ação pedagógica uma interpretação axiológica e carregada de afetividade.

Tal interpretação provoca mudanças nos propósitos da EJA, porque esta passa a denotar, quase que exclusivamente, um cuidado de que o aluno precisa para enfrentar os desafios da sociedade, incluída também a negligência de ordem familiar. Educar, portanto, passa a significar para os professores um preparo do aluno para a vida, cujo embasamento mobilizador não se liga ao saber, mas aos valores ético-morais e econômicos. Como visto, em muitas das falas dos professores, a leitura e a escrita também se configuram como um desses valores econômicos, haja vista serem tomadas de uma importância basilar para atender às demandas do mercado de trabalho que norteiam a sociedade.

Como a mobilização está sempre vinculada à atividade do sujeito, a subjetividade dos professores vai se construindo em meio às experiências que os motivam em novas escolhas. De acordo com Charlot (2000, p. 89), é a partir do uso que o sujeito faz de si e das suas micro-escolhas cotidianas que ele se constrói “[...] como indivíduo em função dos laços, dos antagonismos e das potencialidades de vida que as relações sociais engendram em sua própria história.” Com isso, embora esteja consciente de que possam existir outras ocorrências, que talvez me tenham escapado no momento da análise, os processos descritos e analisados ao longo deste capítulo, e cuja dimensão identitária da relação com o saber dos professores lhes deu um contorno mais nítido, apresentaram-se também como constitutivos da relação dos professores com a atividade de educar jovens e adultos em Assú-RN.

Apesar dos discursos que situam a EJA como “a base de toda a educação”, os professores talvez lutem para compreender as contradições que se instauram na cotidianidade das escolas. Por esse motivo, não seria incongruente imaginar que eles, tal como eu, perguntem-se: Por que a base da educação é tão pouco valorizada? Por que os professores não podem contar com um apóio pedagógico mais consistente durante o planejamento? Por que não lhes é concedido um tempo mais adequado para essa atividade?

a não ser remetendo a reflexão em direção da negligência e da irresponsabilidade dos administradores da educação pública deste país que contribuem para a fragilidade na relação com o saber dos professores da EJA, por meio da lógica da obtenção de bons resultados com o mínimo de investimentos. Diante desse quadro de questões supracitadas, a mobilização dos professores para a aprendizagem da profissão fica restrita, quase que exclusivamente, ao imperativo de oferecer uma solução às necessidades imediatas dos alunos e aos imprevistos ordinários da situação pedagógica.

No próximo capítulo, buscarei identificar os saberes que estão sendo construídos pelos professores da EJA, impulsionados pela mobilização aqui analisada. Tentarei compreender como tem se dado essa construção de saberes, no dia-a-dia da instituição, a fim de discutir as “figuras do aprender” que estão presentes na relação com o saber dos professores, bem como os processos epistêmicos que compõem essa relação.

5 A CONSTRUÇÃO DOS SABERES DE PROFESSORES DA EJA: DIFICULDADES