1.5. Marjinal Uyum
1.5.1. Marjinal Uyumun Değerlendirilmesinde Kullanılan Yöntemler
A maioria dos professores disse que continuam na EJA porque gostam dos alunos e sentem prazer em se dedicar a eles. Essa é, declaradamente, sua principal fonte de mobilização. Um fator a contribuir, preponderantemente, para esse fato é a carência apresentada pelos alunos, tanto de caráter sócio-econômico quanto afetivo.
Este é um trabalho que eu faço com amor, sabe? Eu me dedico! Eu me esforço! Eu faço o máximo que eu posso! É com amor que eu faço o meu trabalho! Eu tenho amor à profissão, eu me identifico. É uma coisa que eu gosto de fazer! Eu gosto do trabalho que eu faço com os jovens e adultos... Com os adolescentes porque a gente recebe muito amor, muito carinho. E também dar. Os alunos são, assim, carentes e, de certa forma, eu me sinto bem quando eu dou amor, eu dou carinho! Uma palavra,... Às vezes, chega um menino ou menina com problemas e daí começa a conversar com a gente,... Eu me sinto bem em poder ajudar, de certa forma, sabe? (GILKA, 2009).
Eu gosto da educação de jovens e adultos porque eu gosto de lidar, assim, com os jovens e adultos já experientes... É o que me sustenta mais, porque eu tenho aquela atenção, carinho, amor... Eu me sinto realizada porque eu vejo que eu estou contribuindo com o que eu aprendi com aqueles alunos, né? Estou contribuindo pra formar uma... Pra formar as ideias deles, né? (ELIETE, 2009).
Se me perguntassem o que é que me motiva na educação de jovens e adultos, eu diria que não é o dinheiro! Com certeza! É o carinho dos alunos! Eles demonstram... Eles têm um carinho tão grande, né? Que comove! O carinho do aluno comove a gente! Aí, ... Isso é o que me faz continuar! Por dinheiro, não, porque a gente ganha pouco, muito pouco! (MARTA, 2009).
Por meio da fala expostas pelas professoras entrevistadas, compreendi que o que as mobiliza para a permanência na EJA, apesar das dificuldades e decepções encontradas, é a tomada de consciência de que sua atividade tem uma relevância ímpar para a vida e para o desenvolvimento dos alunos.
De acordo com os discursos analisados, a principal mobilização das professoras para irem todos os dias à escola e assumirem a educação dos alunos gira em torno do objetivo de formar, moral e intelectualmente, esses sujeitos. Diante disso, as referidas professoras
descobrem o prazer de contribuir para a formação dos jovens e adultos, aliando aquisição de saberes e socialização.
O estímulo de uma professora para ir todos os dias para a sala de aula deve ser em saber que ela estará colaborando com o futuro de um determinado número de pessoas que também um dia contribuirão para a sociedade. Para que eles possam ser cidadãos conscientes, evoluídos e que construam uma história mais bem sucedida do que a de seus pais (MARTA, 2009).
Embora a escola não seja o único espaço de formação e de socialização de um sujeito, percebi que as professoras entrevistadas depositam na educação escolar as esperanças mais exigentes em relação ao futuro dos alunos. Entre as expectativas levantadas, a ajuda na superação da realidade em que vivem os alunos parece tomar uma posição central na mobilização dos professores.
O interessante é que mesmo a escola sendo considerada como uma instituição que tem perdido, paulatinamente, sua qualidade são depositadas todas as esperanças de um futuro melhor. Isto se justifica porque, para a maioria dos professores, foi a educação a grande responsável pela mudança de condição social e econômica. Com base nisso, eles acreditam que pode ocorrer o mesmo com seus alunos, a depender de sua contribuição nesse processo. Nesse sentido, é pela atuação da escola, e de seus profissionais, que se tem esperado que os alunos dominem, além das “ferramentas sociais”, necessárias ao sucesso profissional, a construção da consciência pela colaboração mútua, da valorização humana e da solidariedade coletiva.
Felizmente, os professores entrevistados parecem já compreender isso, embora a perspectiva adotada por eles pouco sinalize para o momento presente da vida dos alunos.
Eu me informo, tiro aquela dúvida pra que eu tenha condições de ensinar o meu aluno, pra não passar dúvida pro meu aluno. Não faço de qualquer jeito, de qualquer maneira. A gente tem que pensar para esses alunos porque são a base de tudo. A educação é a base de todas as profissões, seja advogado, em todas, passa por uma sala de aula. E esses alunos, que nós estamos com eles ali,... Passamos três horas e meia com aqueles alunos, então, se eu posso fazer, eu não vou fazer por acaso. Eu vou fazer acontecer de verdade. Pensando neles, no futuro deles! Porque eles são os futuros profissionais de amanhã (MARTA, 2009).
É estudando que a gente se supera a cada dia, ainda mais quando se encara o esforço com alegria, pois... O mais importante é ensinar os alunos a serem solidários e respeitarem as diferenças das outros para que possam desenvolver bons trabalhos e num futuro, não tão distante, eles percebam que tudo aquilo que aprendeu está sendo útil para sua vida (JOÃO MARIA,
2009).
Por certo, é apropriado pensar que o que os alunos aprendem, hoje, servirá para sua vida futura. Porém, é necessário que os professores também percebam a importância dessas aprendizagens para a história presente dos alunos.
Isto se justifica porque perceber as singularidades de cada aluno evidencia, centralização que os professores desejam fomentar em relação à atenção dos alunos para com eles. Portanto, é preciso que os professores vejam como proporcionar uma maior interação entre os próprios alunos, a fim de que nela seja apreendido o sentido das relações justas e solidárias que eles mesmos defendem.
Mediante a clareza do principal elemento mobilizador para a permanência dos professores na EJA, uma outra preocupação se torna ressaltante. A mobilização dos professores, em alguns casos, chega a transpor a relação escolar entre eles e os alunos para o âmbito de uma ligação com caráter familiar. Nesse horizonte, o trabalho docente se torna apaixonante, ao mesmo tempo em que ganha uma aura de messianismo, visto que o professor quer dar aos alunos o que lhes falta em casa, conforme veremos em sequência.