Para a entrevista, foram selecionados professores que ministraram disciplinas envolvidas na formação para o uso das tecnologias aos alunos que responderam ao questionário (Grupo 01) e professores que ministraram disciplinas apontadas nos projetos pedagógicos dos cursos como aquelas que, articuladas, propiciariam essa formação (Grupo 02). Como dito, a análise preliminar dos dados obtidos pelo questionário permitiu chegar aos professores do Grupo 01.
O Quadro 23 identifica os professores entrevistados, relacionando-os com as disciplinas que ministraram e a indicação para a escolha, por alunos ou pelo projeto pedagógico do curso.
Quadro 23 – Professores entrevistados por curso/disciplina
Curso Disciplina Professor Indicada por
Didática P6, P14 Alunos
Introdução à Computação P12, P13 Alunos/Projeto Metodologia do Ensino de Matemática I P5 Alunos
Metodologia do Ensino de Matemática II P4 Alunos Metodologia do Ensino de Matemática I e II P11 Alunos CM1
Noções de Ensino de Matemática Usando o Computador
P7 Alunos/Projeto Análise Crítica de Livros Didáticos P3 Alunos
Ensino de Matemática por Múltiplas Mídias P2, P3 Alunos/Projeto Estrutura e Funcionamento do Ensino
Fundamental e Médio
P9 Alunos Introdução à Programação de Computadores P8, P10 Alunos/Projeto Prática de Ensino de Matemática I P3 Alunos
CM2
Prática de Ensino de Matemática II P2 Alunos Fonte: Elaboração própria.
As entrevistas foram realizadas presencialmente pela pesquisadora, no segundo semestre de 2012, entre os meses de setembro e dezembro, na sala de cada docente contatado, exceto a primeira, ocorrida em local público110, a pedido do professor. As datas e os horários foram escolhidos pelos entrevistados, ocorrendo no período da manhã ou da tarde. Cada entrevista durou em média uma hora. Foram gravadas, para que a pesquisadora tivesse mais tempo e disponibilidade para interagir com o entrevistado e não corresse o risco de perder dados, por esquecimento ou falta de atenção, ou interromper a fala do mesmo, com solicitação de pausa ou perguntas sobre suas respostas.
O roteiro de entrevista, disponibilizado no apêndice G deste trabalho, contemplou um texto curto, introdutório, intitulado “fala inicial do pesquisador”, com informações básicas sobre a pesquisa e a entrevista, às quais se seguiram perguntas agrupadas em blocos voltados a atender, cada qual, determinados objetivos específicos da pesquisa, nomeados: 1) Currículo, 2) Práticas e 3) Concepções. A primeira, Introdutória (I), foi formulada de modo que o entrevistado conseguisse respondê-la prontamente, sentindo-se confiante para prosseguir, enquanto a última, de Encerramento (E), tinha a função de permitir ao entrevistado elaborar uma síntese ou dispor de um “espaço aberto” para falar o que não disse antes.
A entrevista piloto permitiu ajustar o roteiro, refletir sobre aspectos concernentes à interação com o entrevistado, à postura do pesquisador durante a aplicação do instrumento e ao uso do gravador. Na revisão, foram considerados aspectos como: a) relevância da pergunta aos objetivos específicos a serem atendidos pelo instrumento, b) compreensão do enunciado da pergunta pelo entrevistado e c) extensão. Esta tarefa demandou o “detalhamento” de cada objetivo específico, com vistas a definir de modo mais preciso os elementos contemplados em cada um (apêndice H). Demandou também a especificação dos “focos de análise” de cada objetivo e a inclusão do “referencial teórico de análise” (apêndice I), focos que dão origem às Unidades de Análise, adiante apontadas. Com esses procedimentos, buscou-se garantir que cada conjunto de perguntas estivesse articulado e atendesse a um objetivo específico da pesquisa. O roteiro reformulado foi comum a todos os professores (apêndice J).
Concluída essa tarefa, o segundo passo foi enviar aos professores, individualmente, uma “carta-convite”, por e-mail. Alguns responderam, outros não. Dos que responderam, alguns aceitaram, outros aceitaram sem marcar a data e outros, ainda, recusaram com justificativa. Ao professor que aceitou, mas não marcou a data, novos e-mails foram enviados, o mesmo ocorrendo com aqueles que recusaram com justificativa, sendo fornecidas, para esses últimos, informações adicionais sobre a pesquisa e salientada a relevância de sua
participação na mesma. Aos professores que não responderam, inicialmente, foram enviados novos e-mails. Após várias tentativas, recorreu-se ao telefone. Nos casos em que não houve retorno por e-mail, nem por telefone, o convite foi feito pessoalmente. Ao e-mail enviado foram anexados uma autorização assinada pela coordenadora do curso, para a coleta de dados pela pesquisadora, e um ofício, no qual se esclareciam os objetivos da pesquisa e o motivo que levou à seleção da disciplina e a contatar o professor.
Para organizar a agenda de entrevistas, foi criado um cronograma, contendo: data, horário e local das mesmas, nomes das disciplinas e dos professores ministrantes. Conseguir a entrevista não foi uma tarefa fácil. Em alguns casos, foi necessário tempo, tato e persistência; em outros, persuasão, flexibilidade e determinação. Elas não foram agendadas todas de imediato. À medida que se realizavam umas, agendavam-se outras.
Agendada a entrevista, o terceiro passo consistiu em realizá-la. Na data e horário agendados, a pesquisadora dirigia-se à sala do professor, levando roteiro, gravador e TCLE. Em todas elas, a execução transcorreu conforme previsto, nenhum professor deixou de comparecer, em nenhuma ocasião houve falta de tempo para a conclusão do roteiro, ao contrário, em todos os casos foram feitas mais perguntas do que as previstas. Novas perguntas tornavam-se necessárias sempre que as respostas “pediam” complemento ou se mostravam distantes do que foi perguntado. Quando necessário, a pesquisadora fornecia esclarecimentos sobre uma pergunta ou a reformulava, para que fosse compreendida pelo entrevistado.
A experiência de realização das entrevistas é digna de registro. Primeiro vieram as “dificuldades técnicas”, relativas ao uso do gravador, localização do aparelho, ambiente adequado, fechado, silencioso, sem ruídos (o ruído de um ar condicionado antigo, por exemplo, mostrou ser um problema no momento da transcrição). Depois, as “dificuldades operacionais e de execução”. Realizada na sala do docente, a entrevista estava sujeita a interferências externas, gerando preocupação quanto a interrupções repentinas, por aluno, telefone, secretária etc. Além desse risco, a interação com o entrevistado exigia cuidados constantes, pois o menor gesto da pesquisadora, a exemplo de desviar o olhar para o gravador na tentativa de ver se estava funcionando adequadamente, parecia impactar em sua fala. Se, de um lado, esses fatores tornavam tenso o ato de entrevistar, de outro, a proximidade com o objeto da pesquisa permitia superar qualquer obstáculo.
A tarefa de entrevistar mostrou-se complexa. Na instituição focalizada, uma mesma disciplina é ministrada por vários professores, em um mesmo período letivo, a exemplo de Didática, com 14 professores111, conforme se constatou antes de contatar o professor da
mesma. A variação se estende também às turmas, de modo que alunos de uma mesma turma podem cursar uma mesma disciplina com professores distintos. Isto demandou novas estratégias, mostrando que era preciso informar-se não sobre qual professor havia ministrado determinada disciplina aos alunos de cada turma, mas com quais professores os alunos de uma turma haviam cursado determinada disciplina. Esta característica dos cursos gerou a necessidade de entrevistar mais de um professor por disciplina, a exemplo de Metodologia do Ensino de Matemática I e II, do CM1, para a qual foram entrevistados três.
Para conseguir os nomes daqueles que ministraram aula aos respondentes do questionário nas disciplinas que eles indicaram, a pesquisadora recorreu aos próprios alunos, contatando-os por e-mail e telefone. Contudo, nem todos os e-mails e números de telefone informados na ocasião da aplicação estavam atualizados. Assim, foi preciso recorrer à Seção de Graduação, solicitando auxílio para a verificação dos dados. Este procedimento, de entrar em contato com os alunos para obter informação sobre o nome do(s) professor(es) ministrante(s) de uma disciplina, foi necessário apenas no I1, uma vez que, no I2, a coordenadora do curso forneceu, por e-mail, os nomes dos professores das disciplinas indicadas pela pesquisadora. A esse respeito, cabe observar que, embora ambos sejam unidades universitárias, no I2, a possibilidade de os alunos de uma mesma turma cursarem uma mesma disciplina com professores distintos existe, mas é remota, o que poderia ser explicado, por sua infraestrutura e localização.
Dos professores contatados, apenas uma, de Didática, recusou-se a participar. Dos professores selecionados para a entrevista, apenas uma, também de Didática, não foi encontrada. Segundo informaram funcionários da secretaria do departamento responsável pela disciplina, ela havia se aposentado.
Realizada a entrevista, o quarto passo foi transcrever a gravação. A pesquisadora redigiu cada transcrição em duas versões. A primeira, sem cortes, com marcas de oralidade, tais como pausa e sobreposição de vozes, respaldada em Preti e Urbano (1990), identificação do sujeito e do local de coleta. A segunda, com cortes, que consistiram na retirada das marcas de oralidade e na substituição dos nomes do professor e das instituições citadas por caracteres, preservando a identidade dos mesmos. A versão revisada da transcrição foi enviada ao professor entrevistado, por e-mail, para apreciação. Dos professores participantes, apenas um solicitou revisão, sendo, então, informado que poderia efetuar mudanças quanto à forma, não ao conteúdo da transcrição. Os demais professores não se manifestaram. O quadro a seguir exibe uma síntese do percurso acima descrito.
Quadro 24 – Etapas do processo de realização da entrevista com professores
Etapa Atividade desenvolvida
1ª Elaboração do roteiro de entrevista
2ª Agendamento das entrevistas (e-mail, telefone, pessoalmente) 3ª Entrevistas com os docentes
4ª Transcrição das entrevistas gravadas Fonte: elaboração própria.
Concluídas as entrevistas com os professores, passou-se ao planejamento e execução das mesmas com as coordenadoras de curso, das quais se trata a seguir.