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Makul Sürede Yargılanma Hakkına Yönelik Önlemler

C. İdari Yargıda Makul Sürede Yargılanma Hakkı

2. Makul Sürede Yargılanma Hakkına Yönelik Önlemler

A pesquisa adota questionário e entrevista como instrumentos metodológicos, tendo em vista os objetivos e a questão anteriormente explicitados. De acordo com Cervo, esses instrumentos têm vantagens e limitações e são de “largo uso” na pesquisa científica (1996, p. 135). A opção pelos mesmos está respaldada em Barros e Lehfeld, para quem a escolha do instrumento de pesquisa depende “do tipo de informação que se deseja obter ou do tipo de objeto de estudo” (2000, p. 89). Está pautada também no critério “exequibilidade”, no que tange à abertura, acessibilidade e disponibilidade dos sujeitos para a coleta de dados. Além disso, mostram-se adequados à investigação das “práticas declaradas” pelos sujeitos.

Conforme esclarece Cervo, “há diversas formas de coleta, todas com as suas vantagens e desvantagens” (1996, p. 135), sendo o questionário a “mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com melhor exatidão o que se deseja” (1996, p. 138). Em face das limitações deste instrumento, adota-se também a entrevista, com a finalidade de que venha a “completar dados extraídos de outras fontes” (CERVO, 1996, p. 137).

A entrevista é definida por Gil como “técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação” (2011, p. 109). Trata-se, segundo o autor, de uma forma de interação social, “de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação”105.

Essa técnica é vista por Moreira e Caleffe como uma forma de interação social. Para os autores, o tratamento dado à mesma varia de acordo com a natureza das perguntas, o número de participantes e a posição que ocupa no delineamento da pesquisa (2008, p. 166). Desse modo, pode ser classificada conforme a “forma de operacionalização” (BARROS; LEHFELD, 2000).

Em termos de classificação, esta pesquisa adota a entrevista semiestruturada, conceituada por Lüdke e André como aquela que “se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações” (1986, p. 34). Ao adotá-la, considera também os pressupostos de Moreira e

Caleffe, que a vêem como um “meio-termo entre a entrevista estruturada e a entrevista não- estruturada” (2008, p. 169), e de Rosa e Arnoldi (2008), que a apontam como um dos principais tipos de entrevista qualitativa em Educação.

Uma das vantagens da entrevista semiestruturada é a possibilidade de inclusão ou reelaboração de perguntas durante a execução do roteiro (BARROS; LEHFELD, 2000). Sobre esse último, Gil observa que sua montagem “depende da definição do tipo de entrevista a ser adotado” (2011, p. 115). Por sua vez, Rosa e Arnoldi entendem que as perguntas nele inclusas devem ser formuladas de forma a “permitir que o sujeito discorra e verbalize seus pensamentos, tendências e reflexões sobre os temas apresentados” (2008, p. 30-31). Essas perguntas podem ser de variados tipos, segundo Moreira e Caleffe (2008), devendo-se evitar: perguntas duplas, posições opostas, perguntas limitadoras, perguntas indutivas e perguntas com carga emocional. De acordo com Gil, “as perguntas devem ser padronizadas na medida do possível a fim de que as informações obtidas possam ser comparadas entre si” (2011, p. 117).

Para registro dos dados, o autor indica a gravação eletrônica, concebendo-a como “o melhor modo de preservar o conteúdo da entrevista” (2011, p. 119). Nas palavras de Lüdke e André, “a gravação tem a vantagem de registrar todas as expressões orais, imediatamente, deixando o entrevistador livre para prestar toda a sua atenção ao entrevistado” (1986, p. 37). Trata-se, segundo Rosa e Arnoldi (2008), do meio mais utilizado atualmente. Respaldada nesses pressupostos, a pesquisa adota gravação como forma de registro.

O quadro a seguir exibe a relação entre os sujeitos e os instrumentos de coleta de dados, na sequência em que foram aplicados.

Quadro 15 – Sujeito, instrumento de coleta de dados e sequência de aplicação

Instrumento Sujeitos

1º Questionário Alunos de dois cursos de Licenciatura em Matemática, formandos em 2011

2º Entrevista semiestruturada Professores que ministraram disciplinas envolvidas na formação para uso das TDIC aos referidos alunos

3º Entrevista semiestruturada Coordenadoras de curso Fonte: Elaboração própria.

Entende-se, pois, que o questionário e a entrevista permitem acesso não à formação investigada propriamente, mas à perspectiva dos sujeitos sobre a mesma. Trata-se, assim, da formação percebida pelo sujeito, algo não menos relevante do que a realidade percebida pelo pesquisador pelo uso de um instrumento como observação, por exemplo. Parte-se aqui do pressuposto de que, para além do currículo, a formação é aquilo que ela representa (significa) para os sujeitos que a protagonizam. Parafraseando Nóvoa, para quem os professores são “produtores da sua profissão” (1997, p. 28), nesta pesquisa, os futuros professores são vistos como co-produtores de sua formação, condição a partir da qual são interpelados.

Ao adotar os instrumentos acima referidos, opta-se pelo uso das linguagens escrita (questionário) e oral (entrevista), cientes das limitações e possibilidades dessa opção. A principal limitação do questionário, segundo Barros e Lehfeld é relativa à devolução do mesmo pelos sujeitos. Além dessa, os autores apontam o grau de confiabilidade das respostas obtidas, que “pode diminuir em razão de que nem sempre é possível confiar na veracidade das informações” (2000, p. 91), e formular perguntas que sejam mais bem compreendidas pelos sujeitos. Em atenção a essas dificuldades, a pesquisadora aplicou o questionário presencialmente, reformulando-o após a aplicação-piloto.

3.5.2.1 Como alcançar aos objetivos específicos a partir de questionário e entrevista

O primeiro objetivo específico consiste em analisar como ocorre a articulação entre disciplinas obrigatórias e optativas presentes nos projetos pedagógicos dos cursos, destinadas a formar para o uso das TDIC, como dito anteriormente. Conforme explicitado na Introdução deste trabalho, a referida articulação está presente nos projetos pedagógicos dos dois cursos pesquisados. Por meio dela, buscam formar o egresso para o uso das TDIC. Ocorre entre disciplinas obrigatórias, que veiculam somente conhecimentos sobre o computador, e disciplinas optativas, que veiculam conhecimentos pedagógicos do conteúdo (SHULMAN, 1986). Embora esteja presente no projeto, está ausente dos programas de ensino das disciplinas envolvidas e não há elementos suficientes no projeto a respeito de como ocorre, motivo que levou a investigá-la (LOPES, 2010b). Para evidenciar essa articulação, aplica-se questionário aos alunos. A entrevista, por sua vez, fornece dados de sujeitos que ocupam posições distintas no processo, propiciando uma visão mais ampla sobre a mesma.

Com relação ao último objetivo específico, “investigar situações que propiciaram formação para o uso das tecnologias aos licenciandos”, torna-se necessário esclarecer que não se investigou tais situações in loco, indo às instituições e presenciando-as, mas identificando-

as nas respostas dos estudantes, bem como nas falas dos professores e coordenadores entrevistados.

Os demais objetivos específicos devem ser alcançados conforme proposto no apêndice A – no qual também constam o primeiro e o último objetivo, acima referidos –, em que são confrontados objetivo, sujeito, instrumento e formatação do instrumento, com vistas a assegurar a adequação entre instrumento e objetivo.

Esse procedimento permitiu ter clareza sobre o potencial de cada pergunta do questionário para gerar dados que viessem ao encontro dos objetivos previstos. Do mesmo modo, possibilitou vislumbrar o alcance de cada instrumento para atendê-los, indicando qual seria contemplado por um e outro.

3.5.2.2 Contribuição dos dados para responder à questão da pesquisa

Retoma-se a questão desta pesquisa, anteriormente explicitada, “como ocorre a formação para uso das TDIC contemplada nos projetos pedagógicos das licenciaturas em Matemática de uma universidade pública do Estado de São Paulo, segundo as concepções e práticas declaradas daqueles que a protagonizam?”. Os dados levantados na coleta realizada por questionário e entrevista semiestruturada contribuíram para respondê-la, na medida em que os sujeitos questionados são aqueles que vivenciaram a formação (alunos) ou trabalharam para que ela acontecesse (professores e coordenadores).

Os dados obtidos por entrevista, além de contribuírem para a interpretação dos dados oriundos do questionário, possibilitaram ampliá-los e ressignificá-los, quando necessário. Além disso, foram fornecidos por sujeitos que representavam o saber disciplinar e o saber curricular (TARDIF, 2002) presentes e constitutivos da formação inicial do professor de Matemática.

A seguir, os instrumentos de coleta de dados são abordados detidamente, iniciando pelo questionário.