A região em que a área de estudo está localizada, é climaticamente classificada, como sendo tropical úmido (Aw), com verão de grandes precipitações pluviométricas e invernos relativamente seco (RODRIGUES, 2007).
Sua temperatura anual é de 24,9°C, cuja média mensal máxima é de 27,3°C no mês de março e mínima de 24,9°C em julho (KÖPPEN & GEIGER, 1928; RODRIGUES, 2007).
Do ponto de vista geomorfológico, o domínio dos mares de morros é observado na porção noroeste do Estado de São Paulo, em especial em torno da área de estudo, cujos topos das colinas encontram-se arredondados e aplainados, como também, suas vertentes são retilíneas tendendo a convexa (RODRIGUES, 2007).
A área de estudo está inserida, regionalmente, na Bacia do Paraná, na Unidade Morfo-escultural Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná (ROSS, 1985), que engloba terrenos sedimentares cujas idades, variam desde o Devoniano ao Cretáceo, incluindo extensa ocorrência de rochas vulcânicas básicas e ácidas Jura- Cretácica, na porção sul desta entidade geológica.
Segundo o CPRM (2009) esta bacia, correspondente à porção Sul-Americana desta grande entidade geológica, recobre uma área de aproximadamente 1.6x106 km2, enquanto que na porção da América do Sul (Paraná e Bacia do Chaco-Paraná), sua área total é de 1.400.000 km2(QUINTAS, 2002).
Segundo Rodrigues (2007), o processo de formação da mesma ocorreu no início do Neocretáceo, após a ruptura do continente gondwânico, no centro-sul da Plataforma Sul-Americana, onde esta bacia é tida como interiorana, desenvolvida por compensação isostática, decorrente do acúmulo de quase 2.000 m de lavas basálticas, ocorrido no Eocretáceo (magmatismo Serra Geral).
A comentada bacia sedimentar metamorfisada é do tipo intracratônica, de idade Siluro-Ordoviciana (QUINTAS, 2002), que foi influenciada por quatro grandes episódios (ALMEIDA, 1981), que segundo SLOSS (1963), foram caracterizados como um ciclo tectono-sedimentar completo, sendo que os dois primeiros ciclos
89 estão relacionados à sedimentação em uma bacia sinforme subsidente, e os dois últimos correspondendo às fases de soerguimento e extrusão de grande quantidade de lavas toleíticas relacionadas ao intumescimento da crosta ocorrido ao redor de 135 - 120 Ma (CPRM, 2009).
A bacia do Paraná apresenta um formato alongado, com orientação NNE-SSO, tendo aproximadamente 1.750 km de comprimento e largura média de 900 km, apresentando derrames de lava basáltica em dois terços da porção brasileira, e os valores máximos de espessura de rochas sedimentares e vulcânicas são da ordem de 6.000m (QUINTAS, 2002).
A sequência deposicional de sedimentação é predominantemente arenosa, correspondente a um paleoclima semi-árido a árido, com aproximadamente 300m de espessura máxima preservada e área de 370.000 km2; sequência suprabasáltica neocretácea (SSN) composta por substrato de rochas vulcânicas, em especial, basaltos da Formação Serra Geral (Grupo São Bento), cujo limite superior da sequência é erosivo, demarcado pela Superfície Sul-Americana ou sua posterior dissecação (RODRIGUES, 2007).
A compartimentação geológica regional é feita por sedimentos Cretáceos do Grupo Bauru, que se sobrepõem aos basaltos Juro-cretáceos da Formação Serra Geral e são sobrepostos por depósitos Tércio-Quaternários de colúvios e aluviões (QUINTAS, 2002; RODRIGUES, 2007).
O Grupo Bauru, na porção localizada no interior do Estado de São Paulo, é segmentado, segundo SOARES et al., (1980) apud SILVA (2003) como sendo: Formação Caiuá, Santo Anastácio, Adamantina (incluindo litofácies Ubirajara, Taciba e São José do Rio Preto) e Marília (incluindo a litofácie Itaqueri).
De acordo com Silva (2003), o prosseguimento da sedimentação Bauru (evento ocorrido em toda a bacia), com os depósitos fluviais da Formação Adamantina transgrediu sobre a Formação Araçatuba, representando o início do estágio final da bacia. Sendo que nesta fase, o sistema fluvial avançou, primeiramente, sobre os sedimentos da Santo Anastácio na porção oeste, preservados nas margens do sistema lacustre, os basaltos a leste, como também depósitos pelíticos da Formação Araçatuba, nas áreas centrais.
90 Os materiais geológicos da Formação Serra Geral são marcados pela presença de massa basáltica, com densidade e profundidade do pacote variado, refletindo no conteúdo mineralógico (DNPM, 1984).
Para Abreu (2007), estes derrames basáltcos são fisicamente caracterizados, como sendo rochas afaníticas, variando de cinza escura a preta, podendo formar solos argilosos plásticos, de cor marrom, com espessura de 1m e subhorizontal, no contato geolígico entre este corpo rochoso com a Formação Botucatu (Região de Analândia, SP).
O grupo Bauru possui características litológicas sedimentares e paleontológicas corroborando para classificações paleoambientais continental, fluvial e lacustre (SCHNEIDER et al., 1974 apud DNPM, 1984).
Com base nas condições geológicas da área de estudo, percebeu-se que em seu interior ocorre o conto geológico entre três entidades distintas (Grupo Bauru: Formação Vale do Rio do Peixe; Grupo Caiuá: Formação Vale do Rio do Peixe, e; Grupo São Bento: Formação Serra Geral).
O grupo Bauru está localizado na porção central da Bacia do Paraná, podendo atingir uma espessura de 300m, sendo segmentado pelas fdoemações caiuá, Santo Anastácio e Adamantina (SUÁREZ, 2002).
De acordo com Carvalho (2000), a Formação Santo Anastácio é um dos membros estratigráficos que compõem o Grupo Bauru, tendo como caracterísitica, a presença de arenitos finos, avermelhados, com acamamento horizontal e estratificações cruzadas de baixo ângulo, podendo ocorrer intercalações de níveis de argilito, cujos ambientes deposicionais teriam sido oriundos de rios meandrantes e anastomosados.
Esta formação é compartimentada em unidade superior, intermediária e superior, apesar da área de estudo está posicionada na unidade intermediária, que tem como característica geral, espessura do pacote sedimentar em 26m, presença de arenito avermelhado-claro a esverdeado, fino a médio, com teor de matriz siltitica variável, em padrão de fining up e eventualmente coarsening up, com raras estratificações e laminações cruzadas de baixo ângulo (PAULA E SILVA et al. 2006).
91 Segundo Batezelli et al. (2003), os arenitos da Formação Santo Anastácio encontram-se entre os Grupos Bauru e Caiuá, marcando o início do novo ciclo de sedimentação.
A citada formação apresenta distribuição e espessuras variáveis nos diferentes compartimentos da bacia (PAULA E SILVA, 2003 apud Paula e Silva; CHANG; CAETANO-CHANG, 2003).
Para Arid; Barcha; Mezzalira (1981), o Grupo Bauru possui granulação mais fina que o Caiuá e a fácies Santo Anastácio, não varia de tamanho sistematicamente, ao longo de todo o perfil vertical (arredondamento médio de 0,54.
A Formação do Vale do Rio do Peixe tem espessura preservada de aproximadamente 100m, repousando diretamente sobre o basalto da Formação Serra Geral (Grupo São Bento) é (FERNANDES & COIMBRA, 2000).
Quanto aos materiais residuais da Formação Serra Geral, Zuquette & Palma (2006) comentam que os mesmos são encontrados nos topos dos morros, possuindo pequenas espessuras, cujos materiais são compostos por argilo-minerais, quartzo, hidróxidos de ferro, magnetita e ilmenita, além de alguns minerais primários nas camadas de rochas alteradas e solos residuais provenientes de rochas areníticas.
Os solos existentes no interior da bacia são predominantemente Latossólicos e são distribuídos ao longo das vertentes, com perfis retilíneos e convexos (IPT, 1981a apud CAMPUS et al., 2007), embora na área de estudos, os mesmos não foram formandos pelo processo pedogenético clássico, porém, na forma de depósitos sedimentares pedogenisados, podendo ser considerados como “Neossolos” seguidos de sua gênese, como Neossolo Quartzarênico e Neossolo Litólico.
Nas posições mais elevadas e planas dessas colinas encontram-se os Latossolos Vermelhos textura média, cujo material de origem derivou-se principalmente de arenitos da Formação Santo Anastácio, e estes transacionam, encosta abaixo, para Latossolos Vermelhos eutroférricos textura argilosa, originados principalmente dos produtos da alteração dos basaltos Formação Serra Geral (IPT, 1981b apud Campus et al., 2007).
Os solos residuais são formados por areia fina pouco argilosa, raramente com estratificação preservada, com resistência geomecânica por SPT (compacidade)
92 variando de fofa a muito compacta, cuja coloração, predominantemente, marrom avermelhada (RODRIGUES, 2007).
Quanto aos materiais coluvionares, Rodrigues (2007) comenta que sua espessura é bastante irregular, com tendência a espaçamento nos vales rumo aos altos topográficos.
De acordo com Rodrigues (2007), os aluviões mais desenvolvidos podem ser encontrados ao longo da calha do Rio Tietê, abaixo da cota 300m, embora pequenos depósitos sejam observados nos vales das drenagem secundária.
Estes depósitos repousam ao longo dos vales das drenagens secundárias da região em contato discordante erosivo sobre a Formação Serra Geral em sua área de exposição e sobre os depósitos coluvionares ou da Formação Santo Inácio (RODRIGUES, 2007).
A Formação Rio Paraná ocorre em Pereira Barreto ao longo da margem direita do reservatório e é composta por arenitos marrom-avermelhados a arroxeados, de granulação fina a muito fina com composição quartzosa bem selecionada e com grãos arredondados (LEITE, 2005).
Nessa área predominam os Latossolos, distribuídos ao longo das vertentes, com perfis retilíneos e convexos (IPT, 1981a apud CAMPUS et al., 2007).
O comportamento geotécnico dos solos, que fazem parte da Formação Serra Geral, varia ao longo desta formação geológica, como observado na a região noroeste do Rio Grande do Sul, sendo estes solos formados, predominanteente por argilominerais esmectíticos, cujos valores de ângulo de atrito residual variaram entre 5º a 10º. (RIGO, 2004).