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Foram três as etapas do trabalho de campo: identificação das empresas, coleta e análise dos dados.

Para identificar possíveis participantes da pesquisa, o pesquisador contou com a ajuda do orientador, de professores de outras universidades e do gerente regional do SEBRAE/São Carlos e Araraquara. O gerente do SEBRAE possibilitou a participação do pesquisador como ouvinte em vários cursos e palestras realizados pela instituição.

O pesquisador também participou de quatro Cafés com empresários, eventos promovidos pelo GEOPE em parceria com o SEBRAE e a Associação Comercial e Industrial de São Carlos, visando à aproximação da universidade com dirigentes de pequena empresa.

O pesquisador tentou, pessoalmente, por três vezes, falar com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de São Carlos, mas o esforço foi em vão. É no sindicato que fica o posto da Junta Comercial onde é realizado o registro e baixa das empresas, o que permitiria saber o número de empresas do setor em São Carlos que fecham por ano, além de facilitar a identificação.

Dos 19proprietários-dirigentes identificados e contatados por e-mail, telefone ou pessoalmente, 11 aceitaram participar da pesquisa e assinaram o termo de compromisso e preencheram o questionário, entretanto apenas seis empresas (‘A’, ‘B’, ‘C’, ‘D’, ‘E’ e ‘F’) participaram, efetivamente, da pesquisa.

Uma dirigente desistiu no dia da primeira entrevista; outra dirigente concedeu a primeira entrevista, mas alguns meses depois vendeu a empresa e mudou-se de cidade; outra dirigente desistiu de abrir a empresa e da pesquisa. A quarta e quinta empresas foram descartadas pelo pesquisador. A quarta, pela impossibilidade de análise da entrevista, pois os dados ficaram truncados: durante vários momentos da entrevista, o marido da proprietária- dirigente pedia que o gravador fosse desligado. A permanência de uma hora e trinta minutos na casa da dirigente resultou em quarenta minutos de entrevista. Havia muito receio da dirigente para contar a história da empresa. A quinta empresa também foi descartada por não ser possível a análise da entrevista.

Em relação aos oito proprietários-dirigentes que não aceitaram participar da pesquisa, três não responderam ao e-mail do pesquisador; uma não aceitou participar alegando que o fechamento da empresa foi por problemas pessoais, e não por problemas de natureza gerencial; outra alegou motivo de doença na família; os outros três disseram que não tinham interesse em participar da pesquisa.

O processo de coleta de dados, segunda etapa do trabalho de campo, passou por seis passos: contato com as proprietárias-dirigentes, assinatura do termo de concordância e preenchimento de questionário (apêndice B), entrevista, transcrição da entrevista, submissão e aprovação da entrevista pelas proprietárias-dirigentes.

Após a aprovação das entrevistas, foi iniciada a terceira etapa: a análise de conteúdo. É importante esclarecer dois aspectos antes da descrição da técnica. Primeiro, o processo de análise demandou um movimento de leitura e releitura do todo e das partes do texto, embora a técnica utilizada seja apresentada em sete passos sequenciais. Segundo, a experiência do pesquisador com a técnica e o seu conhecimento sobre o tema pesquisado influenciaram na identificação dos conteúdos manifestos e latentes do texto e no tempo de análise.

É apresentado, no quadro 20, um exemplo de como foram realizados os cinco passos iniciais da análise de conteúdo. Cada unidade de significado (US) representa uma frase ou parágrafo do texto de entrevista (passo 1). De cada unidade de significado, foi extraído o núcleo, formando a unidade de significado condensada (passo 2). Em seguida, foi atribuído um código (passo 3), rótulo atribuído à unidade de significado que representa as especificidades da empresa pesquisada. O contexto de cada entrevista foi observado nos passos de condensação e codificação. O passo quatro consistiu em criar as categorias a partir do conteúdo manifesto no texto e agrupar os códigos gerados com base nas diferenças e similaridades entre as categorias criadas. Os códigos foram agrupados nas categorias: dirigente (D), empresa (E) e ambiente (A).

UNIDADE DE SIGNIFICADO UNIDADE DE SIGNIFICADO CONDENSADA

CÓDIGO CATEGORIA TEMA

Porque nós abrimos juntas. Nós pusemos dinheiro igualzinho, tanto uma, quanto a outra, como a outra que era sócia.

Porque nós abrimos juntas. Nós pusemos dinheiro igualzinho. As sócias financiaram a abertura da loja. (E) Estágio1

Quadro 20. Passos da análise de conteúdo de Graneheim e Lundman (2004)

Quanto à formulação dos temas (passo 5), importa esclarecer que o tema é o conteúdo latente formulado com base no significado subjacente de códigos e categorias. Cada tema representa a fase do ciclo de vida da empresa em que cada uma das especificidades se

manifestou com mais, ou menos importância. Códigos, categorias e temas ajudaram a responder às questões de pesquisa e alcançar o objetivo geral desta tese.

O sexto passo consistiu em construir o quadro que descreve as especificidades do ambiente, do dirigente e da empresa em casa fase do ciclo de vida. O quadro foi elaborado com base nos códigos, categorias e temas da análise de conteúdo.

O sétimo e último passo correspondeu à elaboração do quadro que descreve a mudança de importância dos fatores do ambiente, do dirigente e da empresa em cada fase do ciclo de vida das empresas pesquisadas. Não houve comparação entre os fatores, mas comparação da importância do fator entre as fases do CV para o encerramento ou continuidade da empresa. A importância de cada fator identificado foi denominada de baixa, média ou alta, de acordo com a interpretação do pesquisador, ancorada nos resultados da análise de conteúdo e no quadro das especificidades da empresa pesquisada.

Importância alta indica que o fator foi significativo para o encerramento da pequena empresa estudada; importância baixa, que o fator não foi relevante. Esta situação ocorreu no estudo das empresas ‘C’, ‘D’ e ‘E’.

Nas empresas ‘A’, ‘B’ e ‘F’, foram identificados os fatores que contribuíram para a continuidade da empresa. Dessa forma, importância alta indica que o fator foi significativo para a continuidade da pequena empresa estudada; importância baixa, que o fator não foi relevante.

A escolha de empresas em atividade teve três objetivos: verificar se os fatores de mortalidade apontados na bibliografia manifestaram-se nessas empresas em algum momento dos estágios de desenvolvimento; se houve manifestação de algum fator comum entre as empresas em atividade e encerradas; se as empresas encerradas e em atividade lidaram de forma diferente com esses fatores.

O Apêndice C mostra o tempo gasto nas etapas de coleta e análise de dados de forma detalhada. O pesquisador fez 19 entrevistas com 12 pessoas diferentes, gravou 18 horas de diálogo, assistiu a duas palestras, passou 194 horas transcrevendo as entrevistas e gastou 552 horas para analisar o conteúdo das entrevistas e documentos (reportagem, artigos de revista e