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À partir dos dados coletados por meio da topografia, bem como, no registro cartográfico do terreno, foram obtidos os seguintes resultados (tabela 28):

Tabela 28 – Descrição dos parâmetros morfométricos da área de estudo.

Parâmetros morfométricos Valor observado

Nº de ordem total (ΣNu) 2ª ordem

Comprimento total (ΣL) 3.743,00m Taxa de bifurcação (Rb) 0,33 Área (km2) 7,81 Frequencia de drenagem (Fs) 0,26 Razão textural (T) 0,0013 Relevo da bacia (Bh) 22,11m Número robustez (Rn) 21,63 Relação de Relevo (Rr) 0,006 Densidade hidrográfica (Dh) 0,38km2 Densidade de drenagem (Dd) 0,48 Densidade de rios (Dr) 0,26 Gradiente de canais (Gc) 5,91 Coeficiente de manutenção (Cm) 2083,33

Índice de rugosidade (Ir) 10.61

Índice de circularidade (Ic) 0,17

Fator de Forma (Kf) 2,09

A relação de bifurcação da drenagem em questão, apresentou-se inferior ao limite favorável (3 e 5), cujo valor foi de 0,33, classificando-o como desfavorável (STRAHLER, 1964 apud AGUIAR, 2009).

Estes dados sugerem que o corpo d´água em questão não é bem desenvolvido, posto que o mesmo se apresenta com hierarquia máxima de segunda ordem, em ambas as nascentes (primeira ordem) cujo comprimento máximo destas, são inferiores a 300m, predominando o canal principal, que se formou a partir da junção dos canais comentados, prolongando-se em direção ao Ribeirão de mesmo nome, intercalados entre seções retilíneas e meandrantes.

138 Figura 36 - Vista da desembocadura direita (perene) ao fundo o Ribeirão das Cruzes (Autor: E. J. Albuquerque Sobrinho).

A figura 36 mostra a desembocadura da drenagem em questão com o córrego homônimo, cujo o segmento à esquerda, é intermitente, conforme registro fotográfico feito no período de estiagem, que corresponde aos meses de inverno do hemisfério sul.

Devido à composição geológica e geomorfológica local, este córrego apresenta uma variação de altura de 22m, entre a porção mais elevada e a mais baixa do terreno desta micro-bacia (ao se considerar todo o canal como sendo uma micro- bacia).

Embora estes parâmetros sejam usados na caracterização geomorfológica, sob o ponto de vista qualitativo, os mesmos não exprimem bem a relação entre estes dados e o estado atual de conservação, tornando esta ferramenta um tanto inadequada para a tarefa que esta tese se propõe.

O valor observado da frequência de drenagem ou densidade de segmentos da área de estudo foi de 0,26.

O fator de forma da bacia apresentou-se elevado (2,09), indicando uma tendência a diminuição de enchentes em seu interior, embora eventos extremos desta natureza tenham ocorridos no interior da drenagem, promovendo a ruptura de dois pequenos reservatórios existentes anteriormente na área de estudo.

O regime climático da região apresenta duas estações bem distintas, repercurtindo na dinâmica hidrossedimentológica, em conjunto com o uso e ocupação local.

Contudo, os dados morfométricos não expressam tal questão, requerendo assim, uma complementação da geoinformação, com dados oriundo de fontes distintas.

139 Embora a densidade de drenagem da área de estudo apresentou o valor de 0,48 (Dd), indicando como sendo um local que apresenta uma permeabilidade elevada no local, tal fato não foi observado no presente momento, com excessão dos bancos de areia e encontram-se com maior frequencia, desde a desembocadura até a distância de aproximadamente 2000m rio a dentro.

Talvez isto se deva ao uso que se fez (faz) da terra, pois até o início de 2011, o uso era voltado para pecuária de corte, cujo número de animais bovinos era de 20.000 unidades, a circulação dos mesmos pode ter alterado a permeabilidade do solo, embora o presente estudo não obteve dados anteriores ao uso do solo comentado.

Com relação à densidade de rios (Dr), o valor observado foi de 0,48, baseado na relação entre o número de segmentos da drenagem (2 segmentos) pela área, cujos dados implicam na capacidade que um determinado rio tem em gerar novos cursos d´água.

A relação entre o comprimento da bacia, no caso da drenagem em questão, com sua área (Ic), foi considerado como sendo de forma alargada, embora a porção mais larga encontra-se nas proximidades da desembocadura como o ribeirão homônimo, ao contrário do que comenta Christofoletti (1980), para valores inferiores a 1,00 e classificado como baixo, segundo os limites apresentados por Collares (2000).

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8. PROPOSTA DE SISTEMA DE AVALIAÇÃO DE EROSÃO FLUVIAL

Com base no levantamento preliminar feito sobre o tema degradação ambiental em cursos d´água e nas variáveis que influenciam no estado de degradação/conservação ambiental destes, percebeu-se o quanto é subjetivo o tema em questão.

Tal fato está associado a ausência de padronização das variáveis ligadas a esta questão, por se tratarem de estudos particulares, dificultando a comparação entre diferentes drenagem, pois dependendo do referencial teórico-metodológico adotado, resultados conflitantes podem ocorrer, o que se justifica para a proposição do tema da tese em questão, já que a degradação pode ser materializada na forma, por exemplo, de erosão das margens dos canais e assoreamento do canal.

Como as variáveis que regem à dinâmica ambiental são amplas, bem como, a percepção sobre seu estado de conservação, além das técnicas usadas nestas investigações, que variam entre sí, onde as principais linhas de investigação podem ser ecológica, geomorfológica, geológico-geotécnica, ecotoxicológica, dentre outros.

Entretanto dependendo da localização espacial de uma determinada drenagem, os processos distintos vão atuar com maior ou menor energia, embora eventos catastróficos em escala local e regional (tsuname, terremotos, furacões, etc.) possam alterar a dinâmica fluvial (erosão e/ou assoreamento) e degradar ambientes tidos como naturais.

Estes eventos em áreas urbanizadas causam danos ainda maiores, por envolverem o maior número possível de pessoas, ceifando suas vidas e causando problemas sócio-econômicos e ambientais.

Pensando nestas considerações, decidiu-se elaborar um sistema que ajudasse a avaliar, de forma mais apropriada quanto possível, os problemas que assolam os rios, de modo a permitir uma análise relativamente detalhada, cujos dados pudessem ser usados no planejamento do uso do solo (planície fluvial) mais adequado a realidade local, como também, permitisem a comparação de segmentos dentro da área do próprio rio, embora não seja o objetivo desta tese.

141 Indiretamente, esta técnica poderia ser usada como ferramenta de cunho didático (educação ambiental) voltado à análise ambiental, tanto na escala de bacia quanto de drenagem, de disciplinas destinadas à educação ambiental, planejamento ambiental, geologia geral, geomorfologia fluvial, ciências do ambiente e em recursos hídricos.

Estas informações, após levantadas (campo, laboratório e gabinete) ajudariam em uma melhor utilização das drenagens, já que suas vulnerabilidades seriam expostas, contribuindo ainda no planejamento ambiental, observando as limitações físicas do espaço “natural” e construido.

Apesar desta ferramenta ter sido testada em um setor agrário do município de Santo Antônio do Aracanguá/SP, a mesma foi pensada para ser empregada sob diferentes tipos de uso e ocupação, como em áreas urbana e industriais.

Inicialmente, pensou-se em utilizar 74 parâmetros, mas a complexidade envolvida era tanta que dificultaria sua aplicação por outras pessoas.

Sendo assim, decidiu-se em reduzir o número de variáveis, para as que ocorrem com maior frequência na degradação dos rios.

Quanto ao público alvo desta ferramenta, a mesma foi pensado para ser utilizada para os profissionais de geociências, como geógrafos, geólogos, ecologistas, engenheiros ambientais e engenheiros de agrimensura, embora seja possível a aplicação por meio de equipe multi-disciplinar.

Este sistema foi compartimentado em grupos de parâmetros distintos: climático; geológico (solos e rochas); geomorfológico; hidráulico; pedológicos; ecológicos; uso e ocupação, totalizando 33 variáveis, cuja abordagem é multi- critério.

Embora tenha-se feito uma significativa redução no número de variáveis, esta ferramenta de cunho investigativo, é predominantemente qualitativa, embora parte das informações a serem preenchidas deve ser analisadas em laboratório, como no caso da granulometria, ou mesmo em campo (por exemplo, medição de vazão).

É sugerido um registro cartográficos dos dados analisados, de modo a entender a distribuição espacial quali-quantitativa dos geodados e um tratamento estatístico básico destas informações, onde o número de formulários preenchidos tem que ser representativo às condições de uma determinada área de estudo.

142 Com relação a pontuação, inicialmente pensou-se em adotar o método Delphi, com base na consulta aos especialistas relacionados e correlacionados com o tema em proposição, por se tratar de um poderoso instrumento de pesquisa (KAYO & SECURATO, 1997).

Apesar do aval positivo de participação de especialistas convidados, a fim de definirem as variáveis e seus respectivos pesos, nenhum deles enviou informações quanto a tais questões, onde devido ao tempo para testagem da ferramenta, bem como, tempo para desenvolvimento da tese, foi requerido adotar os pesos e variáveis.

Para isto, adotou-se uma escala inversa, onde quanto mais próximo de 1, mais próximo do estado de conservação denominado como natural (ausente de problemas causados pelo uso e ocupação, embora sob condições ambientais distintas, tais locais possam ser alterados, como por exemplo, eventos tempestuosos, em local com condições proprícias à erosão, por exemplo), ao passo que, quanto mais próximo de 9, mais degradado é o local, como por exemplo, em áreas de uso misto (urbano/rural), com presença de infra-estruturas mal planejadas, sem conservação, ausente de práticas conservacionistas, cujas condições geoambientais sejam susceptíveis a erosão e aos demais problemas de natureza geotécnicas.

Para facilitar na compreensão da pontuação e seus respectivos limites, em cada grupo de parâmetros foi incluído uma tabela com limites de cada grupo, de modo a se definir quais grupos de variáveis tiveram maior participação no estado de conservação de um determinado corpo aquoso.

Com base nas variáveis que estão intimamente relacionadas e correlacionadas ao problema de degradação dos corpos fluviais, segue abaixo os parâmetros a serem aplicados na avaliação destes ambientes (A distribuição dos locais de investigação pode ser vista na figura 37).

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Figura 37 – Distribuição espacial dos pontos investigados pelo Sistema de Avaliação Geoambiental em proposição (Fonte: Google Earth,

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