• Sonuç bulunamadı

3.2. ARAŞTIRMANIN BULGU VE YORUMLARI

3.2.25. Kamu Spotlarında Ses Kullanılma Durumu

3.2.25.2. Sesin Verdiği Duyguya Göre Kullanılan Çekicilik Türlerinin Dağılımları

A contribuição do associado deve ser de 13% sobre sua produção, sendo 10% para a administração da cooperativa e 3% para o capital social. Com as dificuldades dos irrigantes, baixa produtividade, endividamento, a cooperativa às vezes baixa a contribuição da percentagem para 10%. Além dos que desviam a produção, o pagamento dos 10% é encarado por muitos colonos – até mesmo pelos que arcam corretamente com a percentagem – como uma obrigação. É comum o posicionamento de alguns de que é importante para a manutenção da cooperativa, para o pagamento de seus funcionários e seus gastos, no entanto, senti que falta nas falas de muitos cooperados o sentimento de identificação com a organização, a colaboração voluntária como parte de quem acredita na importância da organização.

O controle da contribuição da percentagem é feito pelo o conselho fiscal, que tem papel de acompanhar, conjuntamente ao presidente a entrega da produção para a comercialização e retirada da percentagem que compete à cooperativa.

A negação da contribuição dos 10% à cooperativa é justificada por alguns associados. Segundo a perspectiva desses irrigantes, após a venda das terras pelo DNOCS aos colonos, estas passaram a ser suas, propriedade privada, dessa forma, entendem que estão isentos de obrigações com a cooperativa, pois a terra é lhe pertence, isentando-os segundo sua visão de obrigações com terceiros. Tal pensamento pode ser observado nas seguintes falas:

“É porque, você tá entendendo, que depois que inventaram que essas terras eram pra passar pra gente, que a gente pagou, aí disseram que não tinha mais o direito de pagar os 10%, porque tá sendo da gente, aí diz que não tem mais o direito”. Irrigante - Sr. Reginaldo.

Assim, como tão plantando individual, quase todos, quase todos desviam. É alguns que dói na consciência e bota lá, a maioria o presidente cobra, e ele fica dribando, dribando, e continua na mesma. É alguns os que botam, isso eu lhe garanto que é. Porque pensa assim: “se eu plantei com meu dinheiro, plantei no meu lote, o lote é meu, meu dinheiro, eu vou dar nada pra ninguém porquê?” Eles falam assim. Irrigante - Sr. Raul.

Ela se acabou-se, ela só tem o nome de cooperativa, ela tá na imprensa, ela não pode fazer empréstimo, ela não tem nada, aí eu vou pagar 13%, que é o eles querem, ou 16%, de uma coisa que é meu, eu pago minha hora de máquina, eu compro meu veneno, compro meu adubo e não boto nada lá, e o presidente fica com raiva, mas eu não me importo. Eu na minha opinião, eu não boto, mas tem uns que botam, outros plantam com o dinheiro deles, aí pagam uma porcentagem, ela comercializa e eles pagam a porcentagem, eu não, faço mais não, já tô véi mesmo, preciso mais dela não. Irrigante - Sr. Teobaldo.

A não identificação com a cooperativa e consequente não contribuição voluntária dos 10% por parte de um considerável contingente de colonos é resultado de uma ação realizada pela diretoria.

De acordo com depoimentos de colonos, o contador Sr Gerardo Furtado, tendo a aprovação da diretoria da cooperativa, realizou a divisão das dívidas totais acumuladas na cooperativa por todos os associados. A partir dessa divisão a dívida da pessoa jurídica Cooperativa Agropecuária dos Irrigantes do Caldeirão passou a ser das pessoas físicas – associados – que passaram a estar inadimplentes com o banco. A atitude tomada pelo contador conjuntamente com os conselhos realizou-se sem a consulta ou autorização dos associados, que foram pegos de surpresa e estiveram, segundo a versão dos associados, submetidos a uma situação em que não houve os devidos esclarecimentos. A decisão da diretoria sobre essa medida é descrita na ata da reunião ordinária do conselho administrativo e fiscal da cooperativa, acontecida no dia 24 de fevereiro de 2005. Consta:

“O Sr. Gerardo Furtado de Carvalho, contador da CAIC coloca em disculsão (sic) sobre uma conta que está no nome da CAIC e o mesmo quer, com o aval das diretorias ratiar (sic) para os sócios e manter a mesma ate que o banco volte a cobrar e todos aceitarão (sic)” (COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DOS IRRIGANTES DO CALDEIRÃO, 2005, p. 1) A discordância com tal medida desestimulou e causou revolta em muitos, que argumentam que não são responsáveis por essas dívidas.

Como bem, uma coisa que foi feita, que nós tivemos aí em 2006-2008 nós tivemos um contabilista, fulano de tal Gerardo Furtado, esse homem entrou aí e o presidente era meio fraco e esse homem entrou arrasando. O que que ele fez? A cooperativa devia muito ao Banco do Nordeste, muito, duzentos e tantos mil reais. O que fizeram? Eles fizeram uma infeliz com todo mundo. Concordado entre o presidente, o contabilista e o banco se juntaram ao banco, gerente com o presidente e o contabilista. Que que fizeram? Eles pegaram e ratearam essa conta todinha em cima de nós. Eu cismei e não assino, eu não assino por que eu não participei desse dinheiro, eu nunca vi nem esse dinheiro, nunca sei nem quem tirou, quem gastou e eu não assino. Irrigante - Sr. Raul.

(...) se eu devo lá, ou se tenho dinheiro lá dentro eu não sei, porque eu me revoltei cedo né, e eu me revoltei porque eu não devia nada lá, sabe? Aí apareceu umas contas pra mim pagar, e eu fui lá e disse, que não pagava, porque não fui eu que fiz, não comi, não bebi, não comprei nada pra minha família, eu disse lá, pago não, aí destes tempos pra cá, o que me revoltou foi isso aí. Irrigante - Sr. Reginaldo. (...) o débito no banco ficou aí, ficou acumulado, que quando entrou o Gerardo Furtado, na gerência pra gerenciar, aí ele achou por bem pegar e ratear aquelas contas em cima de todo associado, viu, cada um associado, muitos deles que eu conheço que não tinha nenhum débito no banco de maneira nenhuma, que era associado novo, ainda não tinha débito no banco. Todo mundo participou, isso foi uma das coisas que eu disse para o próprio gerente, eu participando da reunião, digo rapaz isso aí é errado, se por acaso o camarada não deve de maneira nenhuma como é que ele vai participar de uma conta dessas, você tem que ratear é com quem deve (...). Irrigante - Sr. Bernardo.

Mesmo estando dentre os princípios cooperativistas, que o resultado do exercício deve ser dividido entre os associados, essa visão não é compartilhada pelos que argumentam que não são responsáveis pelas dívidas da cooperativa, que não as contraíram. Entretanto, o motivo da revolta se dá pela ausência de consulta ao corpo dos associados a respeito da decisão de divisão das dívidas. Conforme consta no estatuto, em seu artigo 30, “b) dar destino as sobras e repartir as despesas e perdas” (COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DOS IRRIGANTES DO CALDEIRÃO, 1972b, p. 9) devem ser atividades realizadas em assembleia, contando com a opinião do conjunto de associados. A partir dessa medida, as dívidas assumidas foram registradas individualmente junto ao banco, e não ficaram em nome da cooperativa. Os associados discordaram da decisão. Nominalmente inadimplentes com o banco, os irrigantes não puderam mais contrair empréstimos dificultando mais ainda suas condições.

O descontentamento dos associados com essa medida fez com que, como dito em campo, “virassem as costas para a cooperativa”, ou seja, desestimulados muitos associados deixaram de frequentar as reuniões e participar das decisões na cooperativa, além de mediante a revolta não se reconhecerem na organização, ou seja, não se sentirem representados. Nesse sentido, os irrigantes descontentes também passaram a trabalhar por conta própria, ou seja, sem contar com o auxílio e financiamento da cooperativa, o que só contribui para o seu enfraquecimento.

Benzer Belgeler