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Seçimlik Olarak Ayrılma Akçesinden Yararlanacak Pay Sahipler

A- Ayrılma Akçesinin Seçimlik Olarak Tanınması

3. Seçimlik Olarak Ayrılma Akçesinden Yararlanacak Pay Sahipler

Este item procura analisar se, dentro da estrutura do SPE, a Comissão Estadual de Emprego consegue negociar com outras instâncias, com relativa autonomia, e implantar suas decisões.

Verifica-se, atualmente, o grau de autonomia condicionado pelos temas ou assuntos sobre os quais a CEE esteja deliberando. Assim, percebe-se haver maior independência no trato de assuntos relacionados às comissões municipais e na relação com o Poder Executivo Estadual, ao passo que a CEE fica com a autonomia dependente de negociações em relação ao Codefat e ao Poder Executivo Federal no trato de assuntos estratégicos relacionados ao SPE. A seguir, descrevem-se essas questões mais detalhadamente.

Um exemplo da autonomia na decisão da Comissão Estadual frente aos assuntos pertinentes às comissões municipais foi dado pela flexibilidade na homologação de uma associação de

trabalhadores da agricultura em Saquarema. Embora as orientações do Codefat limitem a participação de entidades que não representem determinada categoria ou classe de trabalhadores, a associação poderia fazer parte da Comissão, pois “todo recurso da agricultura familiar gerador de emprego e renda no município de Saquarema é coordenado por essa Associação” (ata nº56, de 26 de janeiro de 2000) e, além disso, no município não existiam sindicatos de trabalhadores do setor rural e o veto a essa entidade significaria a não participação desse segmento na Comissão municipal. Ainda que alternativas de existência de outros sindicatos ou de ajuda na criação de um novo sindicato estejam sendo pesquisadas, esta discussão demonstra a existência de espaços para a Comissão Estadual adequar as diretrizes nacionais aos imprevistos que podem surgir nos municípios, sem prejuízo da legislação e da localidade.

Quanto ao reconhecimento da CEE na discussão sobre trabalho e renda junto ao Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro, atualmente existe uma interlocução legítima, visto que os atores demonstram ter havido um estreitamento das relações na formulação e implantação da política e afirmam que estão vivendo “o momento mais aberto, mais transparente e participativo até hoje” (entrevista nº4, representante dos empresários).

Todavia, percebem-se certos pontos frágeis nessa relação, como por exemplo o controle da Secretaria de Trabalho sobre a indicação do secretário-executivo da Comissão. Na afirmação do entrevistado nº4, representante dos empresários:

“...a questão do secretário-executivo devia ser uma indicação submetida à comissão estadual, de aceitar ou não, e não submetida à designação do secretário de trabalho. Eu acho que deveria ter uma indicação do secretário e um poder de veto ‘nós não queremos esse cara, designe outro, por isso ou por aquilo’, isso já sinalizaria uma autonomia”.

Essa diretriz, fruto de norma estabelecida pelo Codefat, ocasiona a impossibilidade de os representantes da CEE discordarem do nome indicado para assumir a secretaria-executiva. Por ser este um posto estratégico, devido ao seu papel no gerenciamento administrativo e intermediador entre os atores, alegam que poderia ser criada chance de veto. Embora os representantes tenham ressaltado não possuírem problemas com o atual secretário- executivo, explicitaram sua preocupação com mudanças que possam vir a ocorrer sem possibilidades de controle da Comissão sobre as indicações para ocupação do cargo.

Entretanto, os problemas existentes entre Secretaria de Trabalho e CEE talvez ocorram pela própria natureza das instituições: a Secretaria pertence à estrutura do Governo e como tal está sujeita às mudanças com modificações na conjuntura política; já a CEE, embora independa para deliberar do tipo de Governo em exercício, é dependente da estrutura governamental para executar as ações do Sistema.

Assim como na integração da política, o grau de autonomia da CEE também possui problemas vinculados à sua relação com o Codefat e o Poder Executivo Federal. Exemplo desse problema ocorreu na aprovação da medida provisória que altera a composição do Codefat e suprime de sua redação a questão da representação paritária na estrutura do Sistema de emprego e a obrigatoriedade de rotatividade na presidência das instâncias, como demonstra o registrado na ata nº50 da CEE, de 28 de julho de 1999:

“...o Sr. Presidente chamou a atenção para um fato que reputa da maior importância e gravidade - a inclusão da Social Democracia Sindical (SDS), do Ministério da Agricultura e da Confederação Nacional de Agricultura no Codefat, através de um Decreto assinado pelo Sr. Presidente da República. Esclareceu ainda que para edição do Decreto, responsável pela inclusão da SDS no Codefat, foi necessária a criação de uma medida provisória que fere a natureza desta Comissão, cujas formas, tripartite e paritária são mantidas desde sua origem. A nova medida manteve o tripartismo mas deixou a paridade a

critério do Poder Executivo do Governo Federal, que manteve a paridade de quatro representantes por bancada, mas poderá, a qualquer momento, alterá-la já que a Lei atual não determina mais sobre o paritarismo, pela forma como foi redigida a medida provisória”.

Essa medida provisória, que manteve o tripartismo mas deixou a paridade a cargo do Poder Executivo, dá a impressão de se poder alterar as bases desse Sistema a qualquer momento e independentemente dos atores sociais estaduais e municipais.

Os prazos estabelecidos nacionalmente para o Plano Nacional de Formação Profissional também se transformaram em fatores questionáveis em níveis descentralizados. Diz-se que a liberação da verba para execução é tardia, os prazos estipulados são curtos e tais dificuldades são repassadas pela Secretaria de Trabalho para as Comissões municipais. Conforme relato contido na ata nº58, de 29 de março de 2000:

“...os prazos são realmente muito curtos e, infelizmente, a Secretaria de Trabalho apenas repassa as dificuldades, procurando facilitar a execução, mas o Planfor é nacional e as regras e prazos são ditados pelo Governo Federal e todos sofrem a correria dos prazos estipulados, principalmente as comissões municipais que precisam comparecer a reuniões para definição de demandas, por exemplo, e geralmente são convocadas num prazo curtíssimo, de dois ou três dias”.

Para alguns representantes da Comissão Estadual, planejar e executar uma política de formação profissional de um estado com prazo menor que um ano pode comprometer os resultados. Outrossim, caso não se implantem as diretrizes podem-se perder os recursos para executar ações, como consta em trecho da ata nº58, de 29 de março de 2000:

“...apesar de não concordar plenamente com o espaço de tempo escasso e impróprio para execução de política verdadeiramente pública no âmbito da qualificação profissional, infelizmente, a Secretaria de Trabalho está sujeita a regras do jogo colocadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego que, para agravar ainda mais a situação, sofre mudanças constantes e repentinas, obrigando a todos a enfrentar correrias para adaptação às novas regras”.

Em alguns relatos percebe-se um temor por parte dos representantes quanto às possíveis represálias que podem ocorrer em função do não cumprimento de alguns objetivos. Por exemplo, os representantes acreditam que quanto aos critérios de alocação de recursos, “o Estado do Rio de Janeiro é um dos mais prejudicados devido à devolução de recursos ocorrida há mais de cinco anos” (ata nº59, de 26 de abril de 2000). Assim, um pensamento comum entre os membros da CEE é o de que o Rio de Janeiro deve realizar as metas e não pode devolver verbas novamente, para não ser questionado na sua capacidade de realizar programas e projetos. Nas palavras do entrevistado nº3, representante dos trabalhadores:

“...a verba do Codefat ela fica em função do realizado no ano anterior (...) o que vai ser liberado é adequado proporcionalmente às diretrizes e alocado em cada estado em função das realizações dos planos anteriores. Então, a meta vira uma (...) uma obsessão política, atingir a meta vira uma obsessão política”.

Percebe-se, então que melhorar a relação da Comissão Estadual com o Codefat e Poder Executivo Federal ainda se consubstancia como desafio merecedor de destaque no trato das questões inerentes à descentralização do Sistema.