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I. BÖLÜM

3. FATİH SULTAN MEHMED DÖNEMİ OSMANLI MEDRESE

3.4. SAHN-I SEMÂN MEDRESELERİNDE EĞİTİM-ÖĞRETİM

A questão das drogas enfrenta diferentes abordagens mundo afora. De maneira geral, alguns países preocupam-se mais com políticas de combate aos produtores e a quem comercializa; outros, com enfoque maior nos usuários. Para o Viva Rio, a redução do consumo abusivo de drogas ilícitas deve ser tratada como um problema de saúde pública, em lugar de políticas proibicionistas e repressivas que conduzem e estimulam a “guerra contra as drogas”42, que não produz os resultados esperados. A entidade se posiciona nos debates enfrentando a retórica dos valores morais, para atingir a complexidade dos determinantes no consumo abusivo de drogas, em uma perspectiva mais humana, de valorização da vida.

Hoje, no Brasil, vigora a Lei 11.343, de 23 de agosto de 200643, que estabelece a política nacional de drogas. Ao mesmo tempo em que define melhor o tema, dispondo sobre aspectos antes não previstos, a lei levanta questionamentos sobre sua aplicabilidade, essencialmente sob três aspectos:

i) Alteração do tratamento penal para o porte de drogas ilícitas para consumo pessoal, atenuando a pena de prisão de 6 meses a 2 anos, incluindo pagamento de 20 a 50 dias-multa, prevista no art. 16 da revogada Lei 6.368/76, pelas penas de advertência, prestação de serviços à comunidade ou medida educativa obrigatória, dispostas no art. 28 da Lei 11.343/06. Embora o novo artigo tenha reduzido a penalidade, não afastou o caráter delitivo do comportamento pelo usuário de drogas ilícitas (BOTTINI, 2015, p. 14 e 15). Isso porque, mesmo que prevista a impossibilidade de prisão para o usuário de drogas, mantém a conduta

41 Dados extraídos da matéria publicada no jornal Gazeta do Povo no dia 28/10/2015. Disponível em

<http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/confira-as-mudancas-no-estatuto-do-desarmamento- 1nfn3666r8y5nvdqme4p6754l> Acesso em 30 de maio de 2016.

42 Regime de segurança nacional empregada pelo governo republicano de Ronald Reagan nos Estados Unidos na

década de 1980, com políticas duras internas e pressão sobre o resto do mundo. “O Governo Reagan aumentou as penas de prisão para usuários e traficantes de drogas e criou leis que autorizavam medidas extremas. Por exemplo: a lei de confisco passou a permitir que a polícia apreendesse bens de traficantes de drogas sem nem sequer levar o caso à Justiça” (BURGIERMAN, 2011, p. 7).

43 Para acesso a todos os dispositivos da Lei 11.343/06 ver site da Presidência da República, disponível em

como delituosa a ser tratada dentro da esfera do controle penal e do sistema judicial;

ii) Aumento da pena mínima para o tráfico de drogas ilícitas (que passa de três para cinco anos), conforme dispõe o artigo 33. De maneira geral, esse artigo altera o regime de cumprimento da pena, aumentando o tempo da liberdade condicional; e

iii) Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD), com o objetivo de articular, integrar, organizar e coordenar as atividades relacionadas com: a prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção social de usuários e dependentes de drogas; e a repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas, conforme determina o artigo 3º da lei.

Tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), desde 2011, o Recurso Extraordinário nº 635.659, que discute a constitucionalidade do crime de porte de drogas ilícitas para uso próprio, prevista no artigo 28 da Lei 11.343/06. O Viva Rio participa desse debate no STF na condição de amicus curiae (“amigo da corte”)44, contribuindo com apoio técnico na direção de se obter a inconstitucionalidade do crime na posse de drogas para uso pessoal, deslocando o tema da esfera penal punitiva para uma abordagem de saúde pública, sob o aspecto da dignidade humana. Outras práticas positivas pelo mundo, como as ocorridas em Portugal e no Uruguai45, se mostram como importantes parâmetros de estudo nesse sentido.

A rigor, políticas de drogas baseadas na repressão não surtem os efeitos desejados. Estudos indicam que o número de presos por tráfico de drogas no Brasil, entre os anos de 2005 e 2012, mais do que triplicou, registrando um aumento de 320,31% na população carcerária. É possível observar que esse crescimento vertiginoso de presos por tráfico de drogas se deu a partir das políticas repressivas previstas na Lei 11.343/06, sob duas hipóteses: i) que, elevando a pena mínima prevista para tal delito, aumentou também o tempo de permanência na prisão; e

44 Pela definição do STF disponível no portal institucional, o temo significa uma “intervenção assistencial em

processos de controle de constitucionalidade por parte de entidades que tenham representatividade adequada para se manifestar nos autos sobre questão de direito pertinente à controvérsia constitucional. Não são partes dos processos; atuam apenas como interessados na causa”. Disponível em <http://www.stf.jus.br/portal/glossario/verVerbete.asp?letra=A&id=533> Acesso em 30 de maio de 2016. O memorial produzido pelo Viva Rio encontra-se disponível em <http://vivario.org.br/wp- content/uploads/2014/03/Amicus-Curae_Revista.pdf> Acesso em 30/05/2016.

45 Para conhecer melhor as experiências internacionais cuja legislação afastou da esfera penal o porte de drogas

para uso próprio, ver livros “Porte de Drogas para Uso Próprio e o Supremo Tribunal Federal”, de Pierpaolo Cruz Bottini (BOTTINI, 2015, p. 27) e “Política de Drogas: Novas práticas pelo Mundo”, produzido pela Comissão Brasileira de Drogas e Democracia” (CBDD, 2011). Disponível em <http://www.bancodeinjusticas.org.br/wp- content/uploads/2011/11/Pol%C3%ADtica-de-drogas-novas-pr%C3%A1ticas-pelo-mundo.pdf> Acesso em 30 de maio de 2016.

ii) que os usuários de drogas possam estar sendo condenados por tráfico, por absoluta falta de critérios claros e objetivos para distinguir usuário de traficante (BOITEUX; PÁDUA, 2013, p. 24). A atual Lei de Drogas não apresenta pressupostos específicos legais para o julgamento e transforma o usuário (que não está sujeito a pena de prisão) em traficante a ser julgado, na prática, pelo policial que o aborda. Uma das propostas possíveis é que se defina previamente no texto legal a quantidade máxima destinada para cada substância que corresponderá distintamente ao uso e ao tráfico de drogas. Mas ainda não há um consenso sobre a fixação de critérios objetivos ao caso.

Segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (INFOPEN), o Estado investiu cifras recordes no sistema prisional brasileiro nos últimos anos para construção de vagas, da ordem de R$ 1,1 bilhão. Particularmente, o perfil majoritário desses presos é de jovens negros, de baixa renda e baixa escolaridade (INFOPEN, 2014, p. 6).

Desde 2008, o Viva Rio possui uma área de políticas de drogas que se propõe a fomentar estudos sobre abordagens alternativas ao tradicional modelo repressivo ao tráfico de drogas, como a descriminalização de algumas substâncias e a atenção ao usuário no tratamento de redução de danos.

Ao mesmo tempo, a instituição reforça a divulgação de pesquisas e trabalhos científicos pautados na política de Redução de Danos (RD). Essa metodologia representa empregar ações para minimizar as consequências adversas do uso abusivo de drogas, sob o aspecto da saúde pública, não necessariamente condicionando a redução do consumo ou a abstinência. Os profissionais da entidade que trabalham no cuidado à saúde são orientados tecnicamente a trabalhar nessa lógica, por meio de uma formação intersetorial em redução de danos e de desintoxicação alcoólica; apoio às práticas desenvolvidas nas unidades de saúde, como grupos de redução de danos e atividades de abordagem territorial a cenas de uso; e discussão de casos complexos e matriciamento de algumas ações.