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O trabalho realizado com o material cerâmico proveniente do sítio arqueológico Cavalo Branco segue uma metodologia adotada e desenvolvida nos estudos da Scientia Consultoria Científica, com modificações para tornar o estudo ainda mais rigoroso, levando em consideração a sequência: (1) curadoria (lavagem, triagem, pesagem e numeração dos fragmentos considerados diagnósticos); (2) análise do material (cujas categorias serão descritas abaixo); (3) desenho, reconstituição das bordas, cálculo volumétrico dos vasilhames e desenho das bases; (4) cruzamento dos dados para a elaboração de tabelas estatísticas; (5) síntese dos resultados e conclusões.
A curadoria foi realizada de forma a deixar todos os dados da procedência do material simples e diagnóstico (e.g. quadra e nível) ligados a ele. São considerados diagnósticos paredes com decoração e/ou tratamento de superfície especial (e.g. polimento) e/ou algum tipo de marca (e.g. cestaria, marca de folha), bordas, bases, bolotas de argila, rodas de fuso, carenas, ombros, flanges, cachimbos, asas, alças, apliques, suportes de tampa e adornos.
Para separação dos diagnósticos, partiu-se do critério descrito por Santos (2002, p. 82): “a possibilidade de informações a serem obtidas com relação às formas e
decorações, os mais indicados elementos para a caracterização da indústria cerâmica em questão, assim como outros atributos técnicos e morfológicos significativos” (e.g.
uma forma diferenciada de tratamento de superfície ou marca deixada no fragmento desde a manufatura do vaso à descoberta do fragmento pelo arqueólogo).
Foi observada uma série de atributos dos fragmentos diagnósticos relativos à cadeia operatória desse material cerâmico, desde o trabalho realizado por oleiras(os)34 com material primário (por exemplo, a argila), até o uso e descarte desses vasos, adornos e utensílios.
Definida a classe do material (borda, bolota de argila etc.), o primeiro atributo analisado foi a técnica de manufatura dos artefatos. Rice (1987, p. 129) lembra que, muitas vezes, um vaso pode ser feito com mais de uma técnica. Por exemplo: base
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modelada e bojo acordelado ou corpo acordelado com apliques modelados sobre a borda. Dessa forma, os fragmentos poderiam ser inseridos, de acordo com a técnica de manufatura, nas categorias acordelado, modelado, acordelado+modelado, torneado e torneado+modelado. No entanto, como o material cerâmico proveniente do resgate do sítio Cavalo Branco pertencia, a priori, a um grupo pré-histórico (ou pré-contato), as formas de manufatura ligadas ao torneamento foram eliminadas, já que não há registros do uso dessa técnica por populações pré-cabralinas no Brasil.
A seguir, foi observado o tipo de antiplástico utilizado na pasta destes fragmentos, composto simplesmente por minerais (encontrados de forma natural na argila ou inseridos pelo artesão), de cariapé (casca de árvore queimada e moída), cerâmica (ou caco moído), carvão ou cauixi (tipo de esponja triturada). Não foi observada a presença de concha como antiplástico em nenhum fragmento. Dessa forma, foram encontrados antiplásticos de origem vegetal (e.g. cariapé), mineral (e.g. quartzo) e animal (e.g. cauixi).
Os estudos realizados anteriormente nos sítios da LT Tucuruí-Presidente Dutra ajudaram na identificação de diferentes materiais antiplásticos que não constavam no código de análise mas já estavam relacionados para o sítio Cavalo Branco, com destaque para a argila moída. Os materiais antiplásticos foram encontrados sozinhos ou combinados (e.g. cerâmica+carvão). Os minerais foram classificados em separado, visando a apontar a presença de quartzo, óxidos ferrosos (e.g. limonita, hematita) e mica.
Esses materiais são, muitas vezes, encontrados de forma natural nas argilas, mas, em certos momentos, a utilização de minerais pode ser determinante no resultado da manufatura. Um exemplo seria o da utilização de óxidos de ferro para uma determinada coloração do vaso. Tal processo, segundo Rye (1981, p. 31), ocorreria até o presente, com a utilização dos óxidos como corantes pelas olarias modernas.
Os materiais inorgânicos utilizados como antiplástico, mais adequados para conferir resistência ao pote, são os com expansão térmica menor ou igual à da argila, como os feldspatos (não incluídos no código de análise). O quartzo, mineral mais recorrente nos fragmentos analisados, apresenta uma expansão térmica muito superior à da argila, não sendo um dos antiplásticos mais adequados (id., ibid., p. 27).
Outros atributos observados nos antiplásticos foram a espessura e porcentagem em que eram encontrados na pasta. Seguimos o modelo de identificação de Mathew et al.
(apud ORTON et al., 2003), está descrito no Anexo 8. Por fim, procuramos identificar o aspecto do quartzo, componente presente em praticamente todos os fragmentos analisados. Buscamos compreender se este mineral seria natural ou inserido antropicamente, a partir do pressuposto de que “sharp angular fragments suggest
crushing, whereas round forms do not” (id., ibid., p. 37).
Para Arnold (1997, passim), os antiplásticos são componentes importantes para a secagem, que precisa ser uniforme no vaso, além de redutores da superfície absorvedora de água. Pode-se acrescentar que os mesmos são poderosos auxiliares na sustentação do “esqueleto” do vaso. Antiplásticos muito grandes e/ou em grande quantidade, por outro lado, podem deixar o vaso extremamente frágil. Dessa forma, não só a adição de antiplásticos é importante, mas também a retirada dos mesmos, se encontrados em grande número e tamanho.
A utilização dos antiplásticos torna mais fácil o que Rye considera a propriedade mais importante da fase pré-queima da cerâmica: maleabilidade (workability), que aumenta com o uso adequado da argila e das propriedades não-plásticas. Segundo Rye, maleabilidade não é sinônimo de plasticidade, classificada por ele como a propriedade que permite à argila ser deformada em uma nova forma. De acordo com esse autor (op.
cit., p. 31), uma argila altamente plástica teria pouca maleabilidade se utilizada sozinha.
A próxima categoria analisada foi a da queima, com base numa adaptação da tabela elaborada por Rye (ibid.) exposta no Anexo 8.
A qualidade do vaso produzido, a forma que ele é utilizado, as condições químicas do solo em que esse material foi depositado e a interferência do homem e de outros animais no processo deposicional influirão diretamente no seu estado de conservação. De acordo com a tabela de classificação, o vaso pode ser considerado não-erodido, erodido na face externa (FE), erodido na face interna (FI) ou erodido em ambas as faces (AF).
A seguir, observou-se a classificação dos tratamentos de superfície. Muitos vasos são apenas alisados em uma das faces. Algumas vezes, nenhum tipo de alisamento é observado. Rice (op. cit., p. 138) argumenta que os vasos são alisados para criar uma superfície mais regular do que a produzida durante a “construção” dos mesmos. O alisamento pode ser realizado com uma ferramenta suave e flexível, como um tecido, ou com a própria mão.
A presença de polimentos e engobos também pode ser relacionada aos tratamentos de superfície. O polimento foi considerado uma forma de alisamento (intensa) do vaso. Assim, tanto a face interna quanto a face externa do fragmento poderiam ser classificadas como possuidoras de alisamento fino, alisamento médio, alisamento grosso ou polimento. Da mesma maneira, os engobos (vermelho, branco, laranja, preto e marrom) e as barbotinas eram observados tanto na FI quanto na FE.
O engobo é, muitas vezes, associado aos tratamentos de superfície e pode também ser relacionado ao campo decorativo, como base para pinturas, conforme descreveremos mais adiante. A barbotina também foi considerada um tratamento de superfície. Assim como o engobo, ela foi definida como um banho que cobriria toda a superfície interna e/ou externa do vaso.
Durante esse processo de manufatura, ou seja, em um momento anterior à secagem e à queima, são deixadas, por vezes, algumas marcas, intencionais ou não. Foram classificadas marcas de dedo, folha, tecido, cestaria e furos.
As marcas de uso são deixadas depois da manufatura. A presente análise se restringiu a observar a presença de fuligem nas faces dos fragmentos, além de detectar a presença de marcas de reciclagem (e.g. vasos quebrados transformados em rodas de fuso). A fuligem na face interna poderia ser uma película de alimento queimado. Se fosse encontrada na face externa, seria um indício de que o vaso foi feito para ir ao fogo (e.g. cozinhar alimentos). No entanto, há de se ressaltar que inferências nesse campo têm de ser sempre cuidadosas, uma vez que tais marcas de fuligem podem ser também deixadas durante a queima do vaso ou um processo pós-deposicional.
As bordas foram analisadas em sua morfologia, inclinação e espessura. No campo morfológico, a borda poderia ser classificada como direta, extrovertida, introvertida, cambada, vazada, extrovertida com ponto angular ou extrovertida com ondulação. A inclinação, quando identificada, poderia ser considerada vertical, inclinada internamente ou inclinada externamente. A espessura da borda poderia ser classificada como normal, expandida, reforçada internamente, reforçada externamente, reforçada em ambas as faces, dobrada ou contraída.
Analisadas as principais características da borda, partia-se para análise do lábio, identificando-o como arredondado, plano, apontado ou biselado. Depois dessa identificação, media-se, em centímetros, sua espessura.
De posse das informações sobre a borda e o lábio, media-se o diâmetro (em centímetros) da boca do vaso, com o auxílio de um ábaco. Só depois de reunidos esses dados foi possível fazer o desenho dos fragmentos e a reconstituição dos vasos. Quando considerada “confiável”,35 a reconstituição era inserida em uma categoria de formas baseada em suas características morfológicas e tinha seu volume calculado.
A construção de tipologias de formas cerâmicas buscou seguir uma metodologia anteriormente empregada no estudo cerâmico da região elaborado por Daniella Amaral (SCIENTIA, em elaboração a), com vistas a uma padronização dos estudos que permitisse comparações entre os sítios (vide Capítulo 5).
A descrição morfológica das reconstituições partiu de uma relação geométrica entre a altura do vaso e o diâmetro (ou raio) da boca. Dessa divisão, surgiram quatro grupos iniciais: vasilhas esféricas, semi-esféricas, em forma de calota e rasas.
As vasilhas esféricas apresentam altura maior do que o raio da boca. As semi- esféficas têm altura menor ou igual a 2/3 do diâmetro da boca e maior que 1/3 do diâmetro da boca. As em forma de calota possuem altura menor ou igual a 1/3 do diâmetro da boca. Vasilhas rasas, por fim, são planas ou semi-planas, praticamente sem altura entre a base e a boca. Uma segunda divisão era relacionada ao contorno do vaso:36 vasos simples, infletidos,37 compostos ou complexos.38 Por fim, subdividia-se o material de acordo com a abertura da boca. Eram consideradas vasilhas abertas aquelas cujo diâmetro da boca era a maior que o diâmetro do corpo do vaso, e constritas as que apresentavam medida do diâmetro da boca inferior ao diâmetro do corpo do vaso.
Essas informações são primordiais para inferir a funcionalidade do vaso, partindo do pressuposto de que toda cerâmica possui uma função (RICE, 1987, p. 210). No entanto, sabe-se que a relação entre uso e forma não é direta, uma vez que a forma pode
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Muitas bordas, por conta de sua forma ou tamanho ou por outros motivos, apresentam informações dúbias, que podem não gerar uma reconstituição confiável.
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Vide definições em Chmyz (1976).
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As vasilhas esféricas infletidas apresentaram mais uma subdivisão, podendo ser consideradas somente infletidas, ou infletidas com pescoço.
ter uma variedade de usos, assim como a mesma função pode ser realizada com formas diferentes. Tal limitação pode ser amenizada por meio de um diálogo com dados etnográficos sobre a cultura material (MELLO et al., 1996, p. 96).
O tipo e o diâmetro da base do vaso também são determinantes na hora da sua reconstituição. Sem essas informações, não se pode finalizar uma reconstituição. Há de se ressaltar, no entanto, que raros foram os fragmentos analisados no presente estudo que apresentavam, ao mesmo tempo, borda e base. Dessa forma, as informações gerais sobre a análise da base servem como um guia indireto para a reconstituição.
Terminada a análise do sítio e iniciada a etapa de desenho e reconstituição dos vasos, este pesquisador pôde perceber a ausência de bases côncavas, anelares e em pedestal no sítio Cavalo Branco, por exemplo, e que o diâmetro das bases se encontra sempre em uma determinada faixa. Eis um poderoso argumento para deixar a fase de desenhos e reconstituições dos vasilhames para uma fase posterior à da análise. Sem as informações gerais, o trabalho de cada um dos particulares fica comprometido.
Foi anteriormente mencionado que as bases podem ser côncavas, anelares ou em pedestal, além de convexas ou planas. Veremos que esses são os tipos de base mais freqüentemente analisados. Quando possível, o diâmetro da base foi medido em centímetros, e todos os fragmentos foram medidos, em centímetros, na parte de maior espessura.
O último campo de análise foi o decorativo, dividido em três categorias: decoração plástica, incisa39 e pintada. A primeira se subdividia em dez outras categorias: corrugada, ungulada, excisa, roletada, digitada, digitungulada, filete aplicado, escovada, entalhada e ponteada.
A maior modificação em relação à tabela utilizada na análise do material cerâmico foi na descrição dos motivos incisos ou pintados, uma vez que se observou, no sítio Cavalo Branco, uma grande quantidade e uma grande variação desses motivos, que poderiam ser definidos (tanto na decoração incisa quanto na decoração pintada) poderiam ser definidos como horizontais, traçados, em grega, curvilíneos, complexos, em espiral
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Apesar de ser considerada plástica, a decoração incisa constituiu uma categoria à parte, para um maior detalhamento dos motivos.
etc. (vide Anexo 8). Foi tomado o cuidado40 de desenhar os motivos que mais chamassem a atenção em um caderno à parte, com comentários sobre os detalhes observados.
Identificado o tipo de decoração, indicava-se a sua espessura e o local onde foi realizada (borda, lábio, parede etc.). Qualquer outra informação observada pelo pesquisador era colocada no campo das observações. A última série de categorias, relativas às decorações, por exemplo, teve de ser freqüentemente detalhada a posteriori. À recorrência de uma mesma observação (e.g. o aparecimento de um engobo de outra cor), criava-se uma nova opção dentro de uma determinada categoria.
Finalizada a etapa de análise de cada sitio, foi realizado o desenho dos fragmentos (bordas e bases), a reconstituição das formas e o cálculo de seu volume. Obtida a soma das informações, complementadas por outras de laboratório, campo e bibliográficas, realizou-se o cruzamento dos dados em tabelas estatísticas. Por último, redigiu-se o relatório, abrangendo a totalidade do estudo, e tiraram-se conclusões desse total.
Como mencionado no capitulo introdutório, foi realizada uma tentativa não só da obtenção de dados espaciais sobre a área, mas também, e principalmente, de construção de parte da história cultural do grupo que habitou o sítio Cavalo Branco, visando a contextualizá-lo em sua região e a uma compreensão espacial intra-sítio. A abordagem histórico-culturalista não impediu que, durante a análise dos materiais cerâmicos, se procurasse atingir as pessoas que os produziam: suas escolhas, idiossincrasias e formas de realizar um trabalho. Essa abordagem não implicou no estabelecimento de novas fases para a cerâmica da região como meta do estudo. Buscou-se, sim, a ligação do material cerâmico desse sítio com uma tradição arqueológica já existente, a Tupiguarani, assim como com uma fase da região, a Tauarí.
4.2.1 Variabilidade e sistemas tecnológicos
Sendo a cerâmica um elemento tecnológico determinante de um comportamento, nossa proposição é ver o homem que desenvolve uma tecnologia como satisfação de suas necessidades e inserido dentro de um contexto ecológico, onde nichos ocorrem, com características geológicas pedológicas e vegetais diferentes, determinando
comportamentos distintos, dentro de uma mesma tradição cultural (LA
SALVIA e BROCHADO, 1989, p. 5).
Para analisar a coleção foram escolhidas categorias que possibilitassem identificar a variabilidade do material arqueológico, especialmente quanto à tecnologia cerâmica. Tal variabilidade tecnológica foi buscada internamente, respondendo a critérios cronológicos e espaciais, tendo em vista a construção de uma tipologia cerâmica para o sítio Cavalo Branco. Da mesma forma, a variabilidade formal dos artefatos foi o caminho trilhado tanto para relacionar esse sítio (no que se refere a cronologia, espacialidade e tipologia) com outros sítios Tupi da região, quanto para estabelecer uma conexão entre esse material e a tradição Tupiguarani.
A definição de “variabilidade dos objetos” empregada será a cunhada por Schiffer e Skibo (1997, p. 27) por ser mais simples e abrangente, segundo a qual “variabilidade” significa as diferenças e semelhanças dentro de um determinado tempo e espaço. Em um contexto arqueológico, essas diferenças e semelhanças são observadas dentro da cadeia operatória dos artefatos que terão suas propriedades vinculadas às categorias estilo e/ou função.
É de Schiffer (1992) que se empresta também a diferenciação entre variabilidade e variação: “variabilidade” material teria um sentido amplo, cobrindo uma grande faixa temporal e espacial. Dentro dessa grande faixa, os pesquisadores constroem seqüências baseadas nas “variações” observadas.
A conceituação de “sistema tecnológico” é emprestada da síntese feita por Dias e Silva (2001, p. 95) sobre o trabalho de Lemonier (1986), que relaciona esse conceito às “(...) diversas técnicas ou conjuntos técnicos desenvolvidos por uma sociedade que
podem se influenciar mutuamente”.
Adotaremos o mesmo enfoque tecnológico de Dias e Silva no que se refere aos conceitos de estilo e função. Para as autoras, os sistemas tecnológicos são uma construção social resultante de escolhas tecnológicas culturalmente determinadas. Tal visão praticamente obriga o pesquisador a se aprofundar na questão do estilo, definido como o “modo com que as pessoas realizam o seu trabalho, incluindo as escolhas feitas por elas
no que se refere aos materiais e às técnicas de produção” (REEDY & REEDY, 1994, p.
O arqueólogo James Sackett (1977, passim) tem um entendimento semelhante. Para ele, cada cultura deve ser compreendida em sua peculiaridade. A dicotomia entre estilo e função não tem fundamento, ambos se misturam: diversos pontos considerados como funcionais como a utilização de um determinado antiplástico para a produção de um vaso cerâmico são, para ele, possíveis elementos estilísticos. Sackett define estilo como uma forma específica de fazer alguma coisa, sempre peculiar a um determinado tempo e lugar. Para ele, as noções de estilo e função compreendem toda e qualquer variabilidade formal de um objeto: é pouco provável que as escolhas feitas por uma determinada sociedade ou etnia tenham sido feitas por outra sociedade não-relacionada à primeira. E, na sua visão, são essas escolhas, extremamente específicas, que podem ser consideradas estilísticas.