B- TARAFLARIN HAK VE BORÇLAR
2- Üye İş yerinin Hak ve Borçları
2.6.1 Datações radiocarbônicas
O sítio Cavalo Branco possui, no momento, seis datações absolutas feitas a partir de carvões coletados, como mostra o gráfico abaixo:
Sítio Quadra Nível Material N° Lab. Datação Calibragem
Cavalo Branco T2 N6 Carvão 210848 1330+-70 d.C33 2 sigma
Cavalo Branco 40V-81D 150-160cm Carvão 210847 1270+-40Pd.C 2 sigma
Cavalo Branco 220V-340D 30-40cm Carvão 230214 1150+-60 d.C 2 sigma
Cavalo Branco 1R-100D 30-40cm Carvão 210849 725+-65 d.C 2 sigma
Cavalo Branco 40R-100D 30-40cm Carvão 230215 3120+-70 a.C 2 sigma
Cavalo Branco 40V-81D 80-90cm Carvão 210846 3500+-40 a.C 2 sigma
Tabela 2.6.1 Datações do sítio Cavalo Branco.
O primeiro ponto a ser comentado é, sem dúvida, a presença de duas datas com profundidade cronológica superior a 3000 a.C. Trata-se de uma incongruência em relação a uma cronologia de um grupo Tupi. Tais datas não são sustentadas nem por uma seqüência estratigráfica do sítio Cavalo Branco nem pelas datações já obtidas para a região do sudeste paraense (que serão discutidas no Capítulo 7), assim como pela cronologia Tupiguarani do restante do país. Dessa forma, ambas as datações (3500+-40 a.C. e 3120+-70 a.C.), a priori, não serão consideradas no presente estudo. Ainda assim, considero importante a divulgação dessas datas para futuros trabalhos.
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É possível observar que há uma inversão estratigráfica quanto às datas, mas é importante relembrar que duas datas vêm de unidades de escavação “excepcionais”: a quadra T2 fazia parte da trincheira localizada em um montículo cujo pacote arqueológico era muito mais espesso do que no restante da área com solo antrópico do sítio. O mesmo acontecendo com a quadra 40V-81D que, por sua vez, atingiu 200cm de profundidade, nada parecido com o pacote arqueológico de 30cm encontrado no restante do sítio. Ou seja: tratava-se de duas áreas cujos contextos deposicionais destoaram do restante do sítio, causando anomalias que podiam passar a impressão de “inversões”.
Os dados obtidos com as datações radiocarbônicas apontam para uma ocupação pré-histórica para o grupo que habitou o sítio Cavalo Branco. Interessante notar, no entanto, que as datações foram todas realizadas, em condições normais, nos níveis mais profundos do pacote arqueológico. Tal opção foi intencional, com o propósito de evitar prováveis perturbações dos níveis superficiais (como a utilização do arado) e identificar o início da cronologia da ocupação do sítio.
No entanto, os dados não são conclusivos com relação ao início da ocupação. A datação de 725+-65 d.C. é aqui considerada como a mais antiga, ainda que essa data permaneça isolada. Do mesmo modo, a cronologia, que não tem um início inteiramente definido, também não tem dados quanto à(s) última(s) ocupação(ões). O que se observa são datas localizadas no setor mais profundo do pacote arqueológico, que se aproximam do período de contato, sugerindo a possibilidade de os níveis superiores do sítio possuirem datas que adentram no período de contato (histórico). Sugestão que poderia apontar meados do século XVII como uma das últimas possibilidades de ocupação da área, já que nessa época “a jesuit priest reported that a ‘hundred league’ stretch of the
Tocantins River had been abandoned out of fear of the portuguese slavers” (SWEET,
1975, apud CORMIER, 2003, p. 5).
O que se tem de mais sólido dentro da cronologia estabelecida pelas datações radiocarbônicas são as quatro datas que, grosso modo, apontam para o período de 700 d.C. a 1300 d.C., consideradas mais relevantes para o presente estudo. Essas datas não são apenas próximas entre si, mas possuem relativa semelhança com as datações dos outros sítios a serem trabalhados (Capítulos 5 e 7).
2.7 ÚLTIMAS NOTAS
Por meio do estudo dos dados obtidos no campo do sítio Cavalo Branco já foi possível constatar:
– a existência de uma mancha de solo antrópico (escuro), de aproximadamente 2ha, com grande densidade cerâmica, considerável densidade lítica e restos faunísticos. Os dados químicos e morfológicos do solo, aliados a dados sobre a dimensão da área com solo antrópico, a densidade do material arqueológico e a presença de restos faunísticos, permitem inferir que essa área foi uma antiga área de habitação: uma aldeia;
– que a elevação topográfica onde foi realizada a trincheira era uma lixeira, uma área de refugo de material (cerâmico, lítico e com uma quantidade de restos faunísticos superiores ao restante do sítio). A datação de 1330+-40 d.C., na base da lixeira, indica que essa foi feita durante o último período de ocupação identificado nas datações por C14.
Outras questões, apesar de já terem recebido alguma atenção, ficam na dependência dos resultados a serem obtidos pela análise cerâmica e lítica (vide capítulos
3, 4, 5 e 6) e podem ser resumidas a:
– área com sedimento de transição localizado a aproximadamente 150m a NE da área com solo antrópico. Não foi possível definir se se trata de uma estrutura pertencente à aldeia que existiu na área onde foi encontrado o solo antrópico ou se foi uma reocupação do sítio. Em ambas as possibilidades, fica em aberto a definição do tipo de estrutura existente nessa área (tópico que será retomado no
Capítulo 6);
– diferença entre datações, que indicam mais de um período de ocupação, em contraste com um único pacote estratigráfico.
3 O MATERIAL LÍTICO DO SÍTIO CAVALO BRANCO
3.1 INTRODUÇÃO
A análise do material lítico do sítio Cavalo Branco foi iniciada por Filipe Amoreli e finalizada por Danilo Galhardo, no ano de 2007, mas esse material não é o foco do presente estudo. No entanto, desprezar os dados que tamanha coleção de líticos poderia trazer (sem dúvida, uma das maiores em contexto amazônico em um único sítio), seria virar as costas para o segundo material arqueológico mais presente no local objeto desta dissertação.
Detalhes metodológicos, assim como uma descrição mais completa da indústria lítica do sítio Cavalo Branco, poderão ser encontrados no relatório elaborado por Danilo Galhardo (SCIENTIA, em elaboração b). O autor baseou sua metodologia no pressuposto teórico-metodológico de “cadeia operatória”, defendido em obras como as de Tixier et al. (1980), Cahen 1979, Caldarelli (1983), Rostain (1986), Collins (1989/1990), Karlin et al. (1991), Pelegrin (1991), Perlès (1991, 1992), Inizan et al. (1995), Bodu (1998/1999), Fogaça (2001), Dias (2003), Prous (1986/1990, 2002, 2004), Hoeltz (2005), Rodet (2005) e Viana (2005).
Neste trabalho, faremos apenas uma breve descrição do material, dando preferência às categorias com maior potencial informativo como instrumentos retocados, núcleos unipolares, lascas unipolares inteiras, produtos bipolares e artefatos picoteados ou polidos, e deixando de lado categorias como artefatos brutos e lascas fragmentadas, menos relevantes para o estudo. Da mesma forma, questões relacionadas a alterações térmicas, por não terem influenciado significativamente a indústria lítica do sítio Cavalo Branco, não foram inseridas neste capítulo.