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Rusya Federasyonu Yumuşak Güç Politikasının Değerlendirilmesi: Tespitler

A aplicação das equações em períodos diferentes daqueles utilizados no cálculo apresentou resultados satisfatórios. A regra de classificação diferenciou os países e os períodos no tocante à suscetibilidade ou não à crise.

Enquanto alguns países apresentaram risco sistêmico constante em quase todo o período, outros alternaram as situações, interpolando a classificação do país de acordo com os índices

obtidos. Nesse aspecto, os três índices apresentaram coerência em quase todas as classificações.

As pequenas divergências, quando existiram, foram decorrentes da magnitude ou da omissão da informação no valor dos indicadores. De qualquer forma, haja vista à complementaridade dos índices, a prudência recomenda utilizá-los conjuntamente, pois caso alguma característica importante não seja apontada em um dos índices de risco sistêmico, é bastante provável que os outros a identifiquem.

A comparação com os fatos ocorridos demonstra que os índices são eficazes para classificar os sistemas bancários de acordo com o nível de risco sistêmico. Essa funcionalidade possibilita diagnosticar a situação e adotar medidas adequadas ao nível de risco sistêmico e direcionadas para os aspectos causadores.

6 CONCLUSÃO

O objetivo de mensurar o nível de risco sistêmico no setor bancário dos países da amostra foi atingido. Os testes estatísticos realizados com a regressão logística comprovaram a existência de indicadores contábeis e de riscos capazes de discriminar os sistemas bancários como suscetíveis e não-suscetíveis a crises. As equações apresentaram percentuais de acerto nas classificações superiores a 90%.

Conjuntamente à correta separação dos grupos, as classificações dos países são estabelecidas em percentuais que expressam a probabilidade de pertencer a determinado grupo. O ordenamento dos países pelo grau de risco sistêmico fornece parâmetros relevantes de comparação, propiciando a tomada de decisão calibrada à exigência de cada situação. Por meio dele, é possível saber qual país apresenta maior ou menor risco sistêmico no setor bancário.

Em adição, o acompanhamento dos IRS de um país no tempo expõe as tendências e os pontos críticos longitudinalmente, os quais permitem análises e alterações no rumo das políticas que visam ajustar o crescimento e o desenvolvimento do sistema bancário à estratégia econômica implantada.

Apesar da metodologia de formulação das equações que geram os IRS utilizarem as características dos momentos que antecedem as crises, a significativa contribuição do instrumento não é a previsão de crises, mas sim o conhecimento do nível de risco sistêmico, a fim de que medidas tempestivas possam ser adotadas para reduzi-lo. Subsidiariamente, como a crise representa o estresse do risco sistêmico, a função de prever está implícita.

Em face da inexistência de um limite a partir do qual um sistema é considerado em crise, os IRS não contêm valores absolutos para indicar essa situação. Existe apenas um ponto de corte que segrega os países e os períodos quanto à suscetibilidade ou não à crise. Por isso, a interpretação deve ser relativa e depende da comparação com outros períodos e países.

As aplicações das equações sobre os dados de países pertencentes a ambos os grupos e em períodos distintos, expostas graficamente no capítulo anterior, exemplificam o aspecto

relacional dos IRS. Demonstram ainda a fidelidade do comportamento dos IRS com os períodos de tranqüilidade e de maior risco sistêmico, inclusive em situações diversas daquelas que compõem a amostra.

Os resultados satisfatórios são explicados pela diversidade e qualidade das informações contidas nos indicadores testados, pela robustez e adequação da técnica estatística empregada e, principalmente, pela existência de características comuns nos momentos que antecedem as crises, mas diferenciadas em situações normais. Todas essas qualificações contribuíram para a formulação de regras de classificação aplicáveis indistintamente em qualquer um dos países no período após 1990.

A capacidade de mensurar o risco sistêmico, independentemente do tempo ou da localização do sistema bancário, consubstancia o atributo essencial para utilização dos IRS de forma generalizada. Diferentemente dos modelos de previsão de insolvência, usualmente condicionados a restrições conjunturais de determinado país ou período, os IRS propostos são resultantes de informações das crises mais relevantes ocorridas nos anos de 1990, compreendendo diferentes países e períodos que ampliam bastante o espectro para sua aplicação.

Outra contribuição significativa apresentada pelos modelos é identificar os indicadores que estão provocando as alterações indesejáveis, possibilitando a administração de medidas específicas e delimitadas sobre as variáveis que os compõem.

As variáveis contábeis e econômicas mais associadas à ocorrência de crises estão relacionadas com a qualidade dos créditos, o volume de resultados e o nível de taxa de juros. Todos os indicadores construídos com base nessas variáveis foram identificados como relevantes no processo de classificação, destacando-se os referentes à volatilidade da inadimplência, da rentabilidade e da taxa de juros, e à média da rentabilidade e do risco de crédito.

Nesse particular, ressalta-se a importância da informação contábil. Quatro dos cinco indicadores considerados significativos na discriminação dos grupos são puramente contábeis. Somente o índice de risco da taxa de juros, que utiliza a volatilidade de uma variável econômica sobre a posição contábil, aparece como estatisticamente significativo no conjunto.

Nota-se também que outros indicadores demonstram capacidade de diferenciar os grupos, como a relação entre o ativo total e o patrimônio líquido, a posição líquida em moeda estrangeira e o risco de câmbio. Apesar de significativos, não foram usados porque apresentam correlação com os indicadores anteriores, não sendo admissível integrar a mesma equação. O critério de escolha para exclusão de um indicador correlacionado baseou-se no percentual de acerto na classificação, permanecendo aqueles com resultado mais elevado.

Essa limitação, entretanto, não invalida a utilização das equações formadas por esses indicadores isoladamente, podendo inclusive ser conveniente em determinadas circunstâncias, na medida em que agregam informações complementares. O único cuidado é o percentual de acerto menor que aumenta a possibilidade de erro na classificação de algum país.

A constatação da relevância de indicadores de risco na avaliação de sistemas bancários implica em novos desafios à contabilidade. É premente a necessidade de aumentar a quantidade e a qualidade de informações sobre os riscos inerentes às atividades operacionais nas demonstrações contábeis, especialmente das instituições financeiras.

A evidenciação das exposições líquidas em taxas de juros e de câmbio, bem como dos detalhes sobre a composição da liquidez e a mitigação da estrutura de crédito, abrangendo inclusive os instrumentos derivativos, tanto no balanço patrimonial como nos quadros anexos às notas explicativas, são imprescindíveis para mensurar o nível de risco sistêmico. A maior transparência dessas informações proporciona a redução de incertezas e a avaliação mais acurada dos riscos.

Nessa linha, a citação constante no pronunciamento de posse do novo presidente do Conselho Consultivo do IASB (CARVALHO, 2005) é bastante apropriada:

Nossa primeira tarefa, na verdade, a tarefa de qualquer um imbuído da responsabilidade de estabelecer padrões para o mundo dos negócios, é reduzir a incerteza [grifo nosso]. A questão é saber como cumprir isto; a resposta, apesar de difícil de atingir, é fácil de identificar –

evidenciação e transparência [grifo nosso].67

67. Tradução livre de “Our very first task, indeed, the task of everyone involved in the standard-setting

responsibilities in the business world, is therefore to reduce the unknown. The question is how to accomplish that; the answer, albeit tough to achieve, is easy to identify – disclosure and transparency.”

Ainda sobre os dados contábeis, salienta-se a imprescindibilidade da qualidade para obtenção de resultados fidedignos e utilizáveis. A obediência aos fundamentos contábeis deve ser observada em todo processo de reconhecimento, mensuração e evidenciação. Quanto melhor a qualidade, maior a capacidade de prover informações úteis.

A credibilidade dos dados coletados junto aos órgãos de supervisão e organismos internacionais foi determinante à construção de indicadores que expressassem adequadamente a situação econômico-financeira e os riscos inerentes às atividades operacionais do sistema bancário, propiciando, subseqüentemente, a obtenção de resultados satisfatórios.

A importância atribuída pelo estudo ao acompanhamento do risco sistêmico não deve significar que o monitoramento dos riscos individuais é substituível. A intenção é incorporar os instrumentos de mensuração do risco em todo o sistema aos já existentes para as instituições individualmente, com vistas a proporcionar melhores condições à gestão sistêmica.

Nesse sentido, as ações sobre os indivíduos provocam efeitos colaterais e precisam ser avaliadas conjuntamente, pois as conseqüências dos riscos individuais não alcançam a magnitude daquelas advindas do risco sistêmico.

Em termos estatísticos, a utilização da análise de regressão mostrou-se perfeitamente adequada aos objetivos do estudo. A técnica identificou os indicadores significativos e encontrou os coeficientes capazes de classificar os países em grupos distintos.

Invariavelmente, os testes da regressão logística sobre os indicadores representativos dos coeficientes de variação, das médias e dos desvios-padrão resultaram em modelos estatisticamente válidos, com elevado percentual de acerto na classificação.

Outrossim, os testes com indicadores contábeis e de riscos em separado foram igualmente satisfatórios, sem, contudo, apresentar resultados melhores do que os testes com todos os indicadores, descartando-se assim essa alternativa.

A principal dificuldade no tratamento estatístico residiu na identificação de indicadores significativos conjuntamente. Poucos indicadores apresentaram significância quando testados

junto com outros. Somente após sucessivas exclusões de indicadores do modelo, a regressão logística conseguiu selecionar os indicadores com significância estatística e coeficientes diferentes de zero. A persistente causa foi a elevada correlação dos indicadores com significância estatística.

Complementarmente, a aplicação da estatística descritiva e da matriz de correlação retornou informações úteis sobre as características distributivas dos indicadores e das correlações existentes. Com base nesses resultados, houve o direcionamento na escolha dos indicadores que deveriam permanecer nos testes de regressão logística.

Em síntese, assim como os estudos sobre as crises monetárias e bancárias, empregando exclusivamente variáveis econômicas, apontam as variações nas reservas internacionais, na taxa de câmbio e no nível de endividamento externo de curto prazo como relevantes na previsão dessas crises, o presente estudo demonstrou a existência de indicadores formados por variáveis contábeis capazes de mensurar eficazmente o risco sistêmico no setor bancário.

A comprovação está na significativa associação entre as informações extraídas da contabilidade e o nível de risco sistêmico. Nos períodos que antecedem as crises bancárias, os indicadores contábeis comportam-se diferentemente, demonstrando a existência de similaridades entre os países que sofreram as crises, especialmente na qualidade dos créditos, nos resultados e na exposição ao risco de taxa de juros.

Enquanto as variáveis econômicas avaliam os riscos sob a ótica macroeconômica das contas nacionais do país, as variáveis contábeis possibilitam avaliar o risco em determinado setor. Essa discricionariedade permite a adoção de medidas diferenciadas, pois nem todos apresentam as mesmas vulnerabilidades e podem ser saneados com medidas genéricas, do tipo “one fits all”.

A intensidade da crise no sistema bancário é condicionada ao volume e à característica da exposição dos bancos conjuntamente. Por isso, os IRS mensuram o risco sistêmico em cada país considerando o montante exposto, a volatilidade das variáveis que causam o risco e o patrimônio líquido existente para suportar as variações resultantes.

Finalmente, a incorporação de instrumentos para mensurar e mapear o risco sistêmico antecipa o conhecimento das vulnerabilidades e propicia o direcionamento dos recursos com mais eficiência.

6.1 Considerações finais

Os resultados satisfatórios apresentados no estudo não esgotam o assunto. Pelo contrário, a conclusão instiga à realização de novas pesquisas sobre o risco sistêmico, apontando para um amplo espectro de oportunidades na área contábil. A contabilidade ainda tem muito a oferecer para o entendimento deste complexo fenômeno.

A título de sugestão, a conjugação de variáveis contábeis com valores de riscos obtidos das variáveis econômicas, bem como a inserção da volatilidade nos cálculos dos indicadores, parece ser um novo caminho de pesquisa. Indicadores contábeis, formados sob esse conceito, poderiam ser igualmente testados com outras informações consideradas relevantes, tais como as provenientes do mercado de capitais, a fim de identificar o grau de associação.

Quanto às causas do risco sistêmico, as abordagens são ilimitadas. Estudos empíricos para verificar como ocorre a propagação das crises, identificando as variáveis determinantes do “efeito-contágio”, assim como a participação do sistema de pagamentos nesse processo, representam desafios a serem transpostos para melhorar a compreensão e o domínio do risco.

Outro item ainda pouco explorado academicamente é o risco operacional. A vasta quantidade de variáveis envolvidas no conceito, ainda não definidas e identificadas completamente, somada à ausência de métricas à adequada aferição, constituem obstáculos para integrar esse componente do risco no processo de avaliação.

E, finalmente, com o pensamento voltado à continuidade deste estudo, a obtenção de dados individuais das instituições financeiras, de países suscetíveis ou não a crises, possibilita a realização de análises que considerem as correlações nas posições individuais, assim como o grau de concentração no sistema. A verificação da correlação e da concentração existente pode desvendar aspectos ainda não compreendidos na mensuração do risco sistêmico.

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