1.3. Joseph Nye’ın Ortaya Koyduğu Güç Çeşitleri
1.4.4. Diğer Yumuşak Güç Kaynakları
Diferentemente das variáveis econômicas, as variáveis contábeis são raramente encontradas nos estudos sobre crises financeiras. A utilização de variáveis contábeis para avaliação de sistemas financeiros ainda está restrita aos órgãos de supervisão.
Os principais componentes analisados para avaliar a situação econômico-financeira de instituições e sistemas financeiros, de acordo com o IMF (2001a, p.11) e Worrel (2004, p.5),
estão contidos na estrutura analítica reconhecida como CAMELS24, considerada a metodologia de avaliação mais utilizada pelos órgãos de supervisão.
Os seis componentes do CAMELS estão relacionados à adequação do capital, qualidade dos ativos, capacidade gerencial, resultados, liquidez e sensibilidade ao risco.
Como a avaliação da capacidade gerencial não pode ser feita exclusivamente pelas variáveis quantitativas, pois depende da observação de aspectos qualitativos relacionados aos controles internos e ao conhecimento técnico dos gestores, o componente não integra este estudo.
Para melhor compreensão, as seguintes informações estão contempladas em cada componente (IMF, 2001a; EVANS et al., 2000):
a) Adequação de capital
O montante de capital existente, definido como o valor do patrimônio líquido, estabelece, em última instância, o quanto de risco é suportado para determinado nível de operações. A robustez da instituição financeira depende da qualidade do capital para absorver prejuízos. A extensão desse conceito para o sistema permite considerar o valor agregado do capital das instituições como um importante sinalizador da estabilidade e solidez do sistema.
Assim, o comportamento do capital deve ser constantemente monitorado, pois evidencia tanto aspectos quantitativos, em termos de volume e crescimento, como qualitativos, quando serve de referencial à assunção de operações com risco25.
O perecimento ou o comprometimento do capital, independentemente da causa, significa problemas na situação econômica e conseqüente aumento de exposição ao risco.
24. O Uniform Financial Institutions Rating System (UFIRS), mais conhecido pelo acrônimo CAMELS, foi desenvolvido pelo Federal Financial Institutions Examination Council, composto pelos supervisores bancários norte-americanos, e adotado a partir de 20/12/1979, com a alteração da SR 96-38, de 27/12/1996. Contempla os seguintes itens: Capital, Assets (Ativos), Management (Capacidade Gerencial), Earnings (Resultados), Liquidity (Liquidez) e Sensitivity (Sensibilidade aos Riscos). Disponível em http://www.federalreserve.gov.
25. O aspecto qualitativo é verificado pela composição do capital, que pode ser proveniente de recursos integralizados e lucros (Tier 1), da reavaliação de ativos e dos ajustes positivos a valor de mercado (Tier 2), e das dívidas emitidas a longo prazo, com cláusulas específicas (Tier 3).
Como o valor do patrimônio líquido é obtido pela diferença entre o ativo e o passivo, o seu valor é diretamente influenciado pelos critérios de avaliação dos ativos e pelas regras de classificação dos empréstimos e de constituição das provisões.
b) Qualidade dos ativos
A situação econômico-financeira das instituições depende diretamente do volume e da qualidade dos ativos administrados. O processo de insolvência tem origem, normalmente, na incapacidade de os ativos gerarem receitas suficientes para cobrir as despesas, podendo ser conseqüência tanto do baixo volume operacional como da má qualidade dos ativos.
A análise da composição e da evolução da estrutura do ativo, mediante verificação de itens como os ativos líquidos, as operações de crédito, em situação normal ou não, e o volume de ativos em moeda estrangeira, permite conhecer o direcionamento operacional e o nível de qualidade. Nesse particular, o acompanhamento da participação das operações de crédito vencidas é essencial à correta avaliação.
c) Resultados
A capacidade de gerar resultados é determinante à continuidade das instituições e do sistema financeiro sob o regime capitalista. O resultado líquido é a síntese dos esforços despendidos em cada instituição em determinado período.
Em condições de mercado, somente instituições e mercados geradores de excedentes reúnem condições de funcionamento. Prejuízos constantes representam riscos adicionais à continuidade operacional.
Dessa forma, o volume de resultados auferido pelo sistema bancário de cada país constitui em variável essencial à avaliação do desempenho. Somente em casos excepcionais, quando não há informação contábil ou existem critérios desconhecidos de apropriação de receitas e despesas em contas de resultado, faz sentido considerar o valor do resultado líquido como a variação do patrimônio líquido de um período para outro26.
No estudo, considerando a relativa homogeneização existente no setor bancário, não há motivos para prescindir do item contábil representativo dos resultados e utilizar o indicador que expressa a rentabilidade do patrimônio líquido (ROE) como variável de análise.
d) Liquidez
A liquidez é outro item de freqüente preocupação em instituições financeiras, pois revela tanto problemas causados pela má qualidade do crédito e falta de recebimentos, como os motivados pela perda abrupta de depósitos. Em ambas as situações, a liquidez aparece como sinalizadora, muitas vezes terminal, de problemas.
A característica da atividade operacional de intermediação financeira expõe naturalmente o sistema bancário ao risco liquidez. A possibilidade de resgate dos recursos captados, principalmente na forma de depósitos, em qualquer tempo, e as aplicações em prazos pré- definidos, geram potenciais descasamentos de prazos que podem refletir em dificuldades extemporâneas de liquidez.
Em situação de normalidade, o sistema administra a diferença de prazos, pois conhece o montante médio de recursos mantido em depósitos e, consequentemente, o volume de saques. Com base nisso, controla o montante de aplicações em ativos líquidos necessário para honrar as prováveis retiradas.
Entretanto, em momentos de turbulência, os saques podem ocorrer em patamar superior ao esperado e os ativos líquidos tornarem-se insuficientes. Nesse cenário, as opções das instituições depositárias são a realização de outros ativos, com perda de rendimento, a obtenção de outras fontes de recursos para substituir os valores sacados e a assistência financeira da autoridade monetária.
Perante essa fragilidade comum ao sistema bancário, métodos precisos para a mensuração da liquidez foram desenvolvidos, baseados no monitoramento dos dados diários das contas de reserva bancária ou, ainda, no acompanhamento das taxas pagas aos depósitos interbancários.
Em termos contábeis, contudo, as informações estão limitadas às datas das demonstrações contábeis e encontram-se concentradas nas variáveis representativas dos ativos líquidos, depósitos à vista e depósitos a prazo.
e) Sensibilidade ao risco de mercado
O componente de sensibilidade ao risco de mercado reflete o grau em que alterações nas taxas de juros e câmbio, preços de ações e commodities afetam adversamente os resultados ou o capital de uma instituição financeira.
A completa avaliação deste componente também é condicionada à verificação da capacidade de gerenciamento dos riscos, à natureza e à complexidade das operações e ao tamanho da instituição, bem como ao volume de capital e de resultados em relação à exposição ao risco de mercado.
Para muitas instituições, a principal fonte de risco de mercado é a posição sensível a mudanças nas taxas de difícil negociação. A avaliação deve ser feita de forma integrada, levando em consideração tanto o risco de mercado como a capacidade de gerenciá-lo.
As variáveis contábeis são afetadas diretamente pelos riscos de crédito e de mercado, especialmente os de câmbio e de taxa de juros. Quaisquer alterações nas variáveis determinantes dos riscos têm conseqüências sobre os valores contábeis expostos.
Segundo Bessis (1998, p.51), os métodos existentes para verificar a influência dos riscos sobre as variáveis podem ser divididos em três grupos:
i. Sensibilidade, que captura o desvio do objetivo pela variação em uma taxa de mercado. Por exemplo, o desvio do resultado líquido projetado em face da modificação na taxa de juros em 1%.
ii. Volatilidade, que captura as variações em torno da média de qualquer variável, positivas e negativas. Por exemplo, a taxa de câmbio em determinado período apresenta variação média igual a 10% e desvio-padrão igual a 5%. Pela informação, a variação esperada da posição em moeda estrangeira é de 10%, podendo, entretanto, flutuar entre 5% e 15%.
iii. Medidas de Risco de Perda27, que captura apenas os desvios que representam despesas. Condicionando o exemplo anterior à existência de uma obrigação líquida, em moeda estrangeira, o interesse está no desvio positivo de 5%, pois implica elevação do valor devido e conseqüente aumento da despesa. O desvio de 5% negativo representa ganho e não é considerado na avaliação de risco.
Entre essas medidas, o método da volatilidade é o mais associado à forma de avaliação de riscos pelo VaR, pois independentemente das posições assumidas, o método retorna a variação em torno da média e quanto isso pode representar do patrimônio líquido.
Dessa forma, a sensibilidade ao risco dos itens patrimoniais é calculada pelo VaR das posições expostas a cada um dos riscos.