• Sonuç bulunamadı

ROMA’NIN YIKILIġINDAN MEZHEP SAVAġLARINA KADAR

E. Tercüme Odası ve Osmanlı Tercümanları

I. ROMA’NIN YIKILIġINDAN MEZHEP SAVAġLARINA KADAR

A

mística identifica o militante do MST. É uma prática comu- nicativa que mobiliza, educa e politiza os participantes do movimento, reforçando a identidade cultural e promovendo uma harmonização de todos os sujeitos envolvidos, em que pese a diversidade de posiciona- mentos políticos existente entre seus membros.

[...] Cerioli e Caldart (1999, p. 23) não hesitaram em afirmar que “a mística é a alma de um povo. A mística do MST é a alma do sujeito coletivo Sem Terra que se revela como uma paixão, que nos ajuda a ‘sacudir a poeira e dar a volta por cima’. [...] A mística é a alma da identidade Sem Terra” (NASCIMENTO e MARTINS, 2008, p. 120).

A vida dos militantes do MST está relacionada com práticas gru- pais, comunitárias, em parte herdadas da sua origem, extremamente

1 Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade

influenciada pela Teologia da Libertação e pelas práticas coletivas nas Comunidades Eclesiais de Base, que exercitavam a cidadania em pe- quenos núcleos organizados. Nestes, os cidadãos aprofundavam ques- tões religiosas, políticas e sociais, sempre em discussões e práticas co- municativas coletivas.

Tal vivência comunitária estimulou o exercício da cidadania polí- tica, principalmente nos anos de ditadura militar, no final do século XX. A história recente da América Latina sugere que, se ainda existe algo como um desejo de comunidade, este se relaciona cada vez menos a enti- dades macrossociais, como a nação ou a classe, dirigindo-se, em troca, a grupos religiosos, conglomerados esportivos, solidariedades geracionais e círculos de consumidores de comunicação de massa. Um traço comum a essas comunidades atomizadas é que elas se organizam mais em torno de consumos simbólicos do que em relação a processos produtivos:

[...] As sociedades civis aparecem cada vez menos como co- munidades nacionais, atendidas como unidades territoriais, linguísticas e políticas, manifestam-se, principalmente, como comunidades hermenêuticas de consumidores, ou melhor, como conjuntos de pessoas que compartilham gostos e pactos de leitura em relação a certos bens (gastronômicos, despor- tivos, musicais), os quais lhes fornecem identidades comuns (CANCLINI, 1998, p. 261).

O processo de consumo de bens simbólicos, que caracterizaria a vivência de novas formas do exercício da cidadania, é essencial para compreender a relação que se estabelece entre a mística e o exercício da cidadania, reforçando a identidade dos sem-terra por meio de sua prática. Ao resgatarem a memória de heróis coletivos, ao fortalecerem os laços de solidariedade grupal, ao recordarem os membros do movi- mento que pereceram na luta, ao ratificarem seus compromissos polí- ticos diante uns dos outros, a prática da mística adquire um valor sim- bólico que se incorpora ao imaginário coletivo dos militantes e torna sua integração à luta coletiva um exercício pleno da cidadania política.

Segundo Barbalet (1989), a cidadania encerra, manifestamente, uma dimensão política, mas a prática mostra que isso não é suficiente

COMUNICAÇÃO DA TERRA: vivências e práticas comunicacionais do MST no Brasil 163

para que ela seja compreendida. O problema está em quem pode exer- cê-la e em que termos. A questão está, de um lado, na cidadania como direito e, de outro, na incapacitação política dos cidadãos, em razão do grau de domínio dos recursos sociais e de acesso a eles. Por exemplo, da ágora grega não participavam escravos, mulheres e metekes (estran- geiros). No Brasil, a mulher e os analfabetos só adquiriram o direito de votar em 1934 e 1988, respectivamente. Assim, dependendo do período histórico e do país ou lugar, só uma parcela da população pode exercer plenamente a cidadania.

No caso dos sem-terra, o exercício da cidadania começa pela mística e se prolonga em todas as ações do movimento que implicam a participação, reflexão e atuação política dos seus militantes, seja na defesa de seus interesses mais específicos, como a luta pela terra e pela agroecologia, seja nas lutas de caráter social mais abrangentes, como a democratização dos meios de comunicação de massa ou o combate ao capitalismo neoliberal.

Gomes (1998) ressalta a decadência da esfera pública moderna. Ele destaca a diluição entre os contornos das esferas pública, privada e íntima e identifica a perda das três características básicas da esfera pública, a acessibilidade, a discursividade e a racionalidade, sem falar na degeneração do seu resultado mais essencial, a opinião pública. É justamente a vinculação da esfera pública aos mass media e à mass

culture, a sua submissão a estes, o fenômeno que configura, de maneira

mais evidente, a degeneração da esfera pública moderna.

Nesse contexto, o exercício da cidadania torna-se cada vez mais complexo, pois o público enquanto tal (GOMES, 1998) é substituído pelas negociações entre organizações e entre partidos, que são as formas pelas quais os interesses privados ganham configuração política. Essa participação do público de forma esporádica e plebiscitária redimensiona as formas de participação popular nas grandes decisões da esfera pública. As posições de pretensões ainda têm que ser mediadas discursivamente, mas não no interior da esfera pública e sim para e diante da esfera pública.

No caso dos sem-terra, há uma iniciativa de ocupar essa esfera pública invadida pela mídia, retomando, pela mística, momento de preparação para todas as lutas desencadeadas pelo MST, a participação

política dos indivíduos politicamente organizados em torno de suas lutas específicas. Por um momento, a ágora grega é reinventada e rede- finida por sujeitos que tentam construir juntos novas formas de prática política e de participação coletiva na vida pública, redefinindo também a noção de cidadania política.

As místicas dos estudantes do curso de Jornalismo da Terra