E. Tercüme Odası ve Osmanlı Tercümanları
II. MEZHEP SAVAġLARINDAN PRUSYA’NIN KURULUġUNA KADAR
graduação em Jornalismo da Terra, em julho de 2010, foram gravadas algumas místicas executadas pelos estudantes, sempre no início das ati- vidades dos dias letivos da etapa presencial.2
As místicas usam inúmeras estratégias comunicativas. Além do texto, que está presente em todas elas, muitos recursos sonoros (can- ções) e visuais (cartazes, fotos, slides) e técnicas audiovisuais são uti- lizadas. Em muitas delas, há o recurso a encenações, seguidas de re- flexão. Elas podem abordar um único tema ou vários temas ao mesmo tempo. Podem ser longas ou curtas e variam de acordo com a situação. A mística é sempre executada por uma equipe que prepara os textos, se- leciona os recursos audiovisuais que serão utilizados e fica responsável pela montagem e divisão das tarefas.
Os aspectos mais trabalhados na mística são resgate da me- mória de militantes assassinados e de personagens revolucionários na luta de libertação de segmentos sociais oprimidos; identificação dos objetivos do Movimento Sem Terra – MST, do Movimento dos Afetados por Barragens – Mabe e da Via Campesina; aspectos cul- turais do MST e do Mabe; apresentação de denúncias de situações enfrentadas pelos militantes em suas ações. A mística é uma técnica
2 O curso de graduação em Jornalismo da Terra, ofertado pela Universidade Federal do
Ceará por meio de termo de cooperação firmado com o INCRA Nacional e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, tenciona formar sessenta alunos de vários assentamentos do Brasil. O curso funciona em duas etapas: uma etapa presencial, duas vezes por ano, em Fortaleza, quando setenta por cento dos conteúdos são vistos, de forma intensiva; e uma etapa comunitária, no qual o restante do conteúdo é aplicado em situações con- cretas e experiências na área de Comunicação, nos assentamentos.
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de comunicação grupal libertadora porque visa a criar, entre seus participantes, um envolvimento intenso com as causas defendidas e uma preparação para encarar as situações concretas, muitas vezes de enfrentamento, que virão em seguida. É o momento que antecede à ação em qualquer circunstância vivenciada pelos militantes do MST, do Mabe ou da Via Campesina.
Na mística realizada em 07.07.2010, percebe-se a necessidade de historicizar a origem do MST, do Mabe e da Via Campesina, por meio da apresentação dos objetivos mais importantes desses movimentos. Já em 09.07.2010, a letra da música Gracias a la Vida, de autoria de Violeta Parra e interpretada por Mercedes Sosa, evoca a luta de libertação de ou- tros povos da América Latina e mundo afora. Vários estudantes do curso de Jornalismo da Terra resumem a história de Cuba, Iraque, Palestina, Venezuela, Argélia. O argumento central é a solidariedade entre os povos, na luta política de libertação dessas sociedades, numa alusão ao surgi- mento de um império socialista mundial.
Na mística de 12.07.2010, relatam-se ações em defesa do meio ambiente e da agroecologia, além de se denunciar a prática nociva ao meio ambiente de várias empresas internacionais. Ao mesmo tempo, há uma reflexão crítica sobre a atuação dos meios de comunicação de massa convencionais, em particular da Rede Globo de Televisão.
Voz de um estudante: A Rede Globo... ela foi fruto da ditadura militar. Hoje é o grande meio de comunicação que combate a luta da classe trabalhadora e dos movimentos sociais, muito contra também o MST e também tenta barrar o acesso à comunicação da classe trabalhadora, sendo arqui-inimiga da democratização das comunicações em nosso país.
Voz de outra estudante: Nós, estudantes do curso de Jornalismo da Terra, representando os movimentos sociais na Universidade Federal do Ceará, nos comprometemos a seguir ajudando na or- ganização do povo e para que lute pelos seus direitos e contra a desigualdade e as injustiças sociais. Por isso, assumimos o seguinte compromisso: lutar contra a hegemonia dos meios de comunicação, defendendo, assim, os nossos direitos de apro- priação aos meios de produção desta.
Em seguida, numa estrutura formal que lembra uma prática li- túrgica da missa católica, o ofertório, os estudantes se comprometem a assumir vários compromissos políticos na área da comunicação e da política, lutando pelo acesso à terra, pela reforma agrária e por políticas públicas que permitam sua adequada exploração; pela preservação da natureza, combatendo as práticas de empresas internacionais nocivas ao meio ambiente; pela democratização da comunicação e pela expansão da comunicação comunitária no campo; pela não criminalização dos movimentos sociais e pela integração dos povos da América Latina na Alba – Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América.
[...] Nós nos comprometemos (todos juntos)
Voz de uma estudante: Buscar se apropriar dos fundamentos técnicos e teóricos da comunicação, para que possamos a partir disto qualificar nossos métodos de produção;
[...] Nós nos comprometemos (todos juntos)
Voz de outro estudante: Lutar para que o assentamento ou co- munidade tenha seus próprios meios de comunicação popular, como, por exemplo, rádios comunitárias livres; lutar pela demo- cratização de todos os meios de comunicação da sociedade, con- tribuindo para a formação da consciência política e a valorização da cultura do povo;
Nós nos comprometemos (todos juntos) [...]
O reforço a uma comunicação alternativa está presente nas se- guintes palavras de ordem, que todos repetem ao mesmo tempo, finali- zando a mística de 12.07.2010: “A mídia aliena. Aumenta a repressão. Estamos aqui por outra comunicação”.
O resgate da memória de personagens revolucionários é o tema central da mística de 14.07.2010. A história de Lênin é narrada, de forma resumida, por um dos estudantes, que destaca os principais feitos de sua atuação política.
Na finalização dessa mística, com o bordão “Globalizemos a luta. Globalizemos a esperança”, falado por todos três vezes consecutivas,
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identifica-se uma evocação à união de todos os oprimidos em torno da luta pela implantação de uma sociedade socialista em todo o planeta.
Na mística de 16.07.2010, novamente uma referência às lutas de li- bertação dos povos em diversos pontos do planeta: crítica à opressão dos povos árabes na Palestina; relato resumido da atuação da Via Campesina no Haiti, com o envio de uma brigada para auxiliar o povo haitiano em vários setores; outros relatos de Cuba, Venezuela e Honduras. No final, o compromisso de união dos povos latino-americanos na Alba é mais uma vez citado por meio da ação da Via Campesina.
Em todas as místicas realizadas pelos estudantes do curso de Jornalismo da Terra, o último elemento da prática comunicativa foi sempre o canto coletivo da Internacional Socialista, cuja letra remete a determinações centrais do Movimento Sem Terra: “uma terra sem amos”, “a terra mãe livre e comum”.