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3. KOLEKTİF HAFIZA VE DEVLET: TÜRK ULUSAL KİMLİĞİNİN İNŞASINDAN AK

3.2. Türkiye Cumhuriyeti

3.2.2. Tek Parti Dönemi (1931-1945)

3.2.5.2. Recep Tayyip Erdoğan: Yeni Türkiye’nin “Kurucu Lideri”,

O distrito de Belo Horizonte era ocupado por fazendas de lavoura e de criação de gado, em meio às quais se instalara o arraial (BARRETO, 1996a, p. 241-242), “margeado à direita pelo Ribeirão Arrudas e à esquerda pelo Acaba Mundo, ocupando a extensão de 18 quilômetros no sentido norte-sul (ribeirão da Pampulha à Serra do Curral) por 22 quilômetros no sentido leste-oeste, da fazenda do Freitas ao Alto do Jatobá”.

A Figura 21 trata da planta geodésica, topográfica e cadastral de março de 1895 onde foi feito um recorte do local estudado. Segundo a Fundação João Pinheiro (1997, p. 28), uma inscrição lateral no conjunto cartográfico assinado por Aarão Reis, Samuel Gomes Pereira e Hermilo Alves, afirma ser essa a primeira planta “neste gênero que se levanta no Brasil”, impressa no Rio de Janeiro, publicada na Revista da Comissão Construtora, em 1895. Essa planta, onde a topografia do terreno é representada pelas curvas de nível, de cinco em cinco metros, traz a rede hidrográfica destacada com os cursos naturais dos córregos e várzeas existentes, ainda sem as intervenções de drenagem. Observa-se também a rede de triangulação composta por vinte e sete triângulos delimitados pelo vértice e os pontos iniciais da amarração (Norte e Sul) implantada pela Comissão Construtora da Nova Capital. Sobre a topografia do terreno e essa rede de triangulação, foi representado o traçado do arraial do Curral Del Rei, com o arruamento, a delimitação dos terrenos e a disposição das edificações. Observa-se, em linha tracejada, a Avenida 17 de Dezembro, atual Avenida do Contorno, circundando o povoado, como um ensaio da cidade planejada que surgiria ali.

FIGURA 21: Planta geodésica, topográfica e cadastral da zona estudada

A análise deste detalhe da planta geodésica mostra a preocupação em implantar a nova cidade em consonância com as ondulações do relevo, respeitando a topografia do local e, na medida do possível, o arruamento ali existente. Observa-se a Rua da Boa Vista, que ligava o Largo da Matriz à região mais alta do Setor V, o Alto da Boa Vista, local escolhido para a sede do governo do Estado.

Outro documento cartográfico produzido à época foi a planta topográfica da Cidade de Minas, de 1893 (FIG. 22). Nela observa-se o traçado de Belo Horizonte bastante detalhado, onde se vê as zonas Urbana e Suburbana, a toponímia das ruas e avenidas, e os espaços livres públicos nas interseções destas. A Figura 22 mostra que a Avenida João Pinheiro chamava-se Avenida da Liberdade e que atrás do Palácio da Liberdade as quadras eram diferentes das demais naquele setor, havendo uma rua interna – Rua Borba Gato, que posteriormente passou a se chamar Rua Professor Francisco Brant e a Avenida Dezessete de Dezembro, que se chamava Avenida do Contorno. O ribeirão Arrudas aparece representado por seu curso original, sobreposto ao traçado da futura canalização.

FIGURA 22: Detalhe da planta topográfica de Belo Horizonte, elaborada pela Comissão Construtora em março de 1895.

Desenhada na escala de 1:4.000, a planta topográfica traz o traçado da cidade sobre o sítio natural, representado pelas curvas de nível, o relevo, e outros acidentes geográficos como rios, córregos, ribeirões, grotas e a Praça da Liberdade, situada no topo da colina. Segundo Ferreira (1997, p. 108), “embora existam inadequações ao sítio na área interna à Avenida do Contorno, a qualidade desses espaços é muito superior à maior parte das áreas externas a ela”.

No cruzamento das avenidas da Zona Urbana, foi planejado um espaço público – praça ou parque. Esses equipamentos urbanos para uso público definidos, apesar de terem sido planejados na planta original da cidade e de sua relevância na paisagem urbana, não foram integralmente implantados, o que alterou a paisagem prevista para Belo Horizonte nas primeiras décadas do século XX.

FIGURA 23: Espaços públicos implantados e não implantados do Plano Original de Belo Horizonte.

Fonte: Maciel (1998), adaptado pelo autor.

A Figura 23 identifica as praças e os parques implantados e não implantados. Ressalta- se que, dos dezessete espaços públicos projetados, apenas seis foram construídos, dentre eles a Praça da Liberdade. Alguns desses espaços foram parcialmente implantados e outros, que

foram construídos à época da inauguração da cidade, em 1897, como o Jardim Zoológico, tiveram sua área reduzida posteriormente, em função da urbanização.

Os estudos do sítio, o projeto do traçado da cidade, a preocupação com morfologia urbana e sua inserção no espaço escolhido, a setorização das atividades, a organização espacial geral que precederam a construção da capital do estado, constituem os primeiros planos urbanísticos de Belo Horizonte, elaborados em consonância com o contexto político, econômico, cultural e social vigentes no país. Esse planejamento, encetado no início da década 1890, norteou a implantação de uma cidade moderna no cenário republicano e sua construção transformou a paisagem do Arraial e o sítio natural de seu entorno.

A partir daí, as mudanças políticas criaram novos planos urbanísticos que, em interação com a economia e com os movimentos sócio-culturais condicionaram o surgimento de novas paisagens e a transformação das existentes, sobretudo na Praça da Liberdade – centro político administrativo da capital mineira, desde a sua construção em 1897, e permanece como tal até 2010, sendo, por isso, objeto de estudo deste trabalho.

No local do Palácio havia a cafua da Papuda, cuja fotografia encerra o capítulo Paisagem Republicana. Essa antiga cafua cede lugar ao Palácio do Governador, erguido nos anos do século XX, inaugura a contemporaneidade, e abre o Capítulo Paisagem Contemporânea.

FIGURA 24: Cafua da Papuda

A Figura 25 exibe o Palácio da Liberdade em dois momentos, 1910 e 1998. Edificação datada de 1898 em estilo neoclássico francês com a escadaria de ferro (em art nouveau) e estruturas metálicas importadas da Bélgica, e apresenta, dentre outros, um salão de banquete em estilo Luis XV, jardins em estilo rosal (de Pall Villon). Criado para ser a sede do governo do Estado e assim permanece.

FIGURA 25: Palácio da Liberdade em 1910 e em 1998.