4. TÜRKİYE’DE GENÇLERİN TERÖR ÖRGÜTLERİNE KATILMA NEDENLERİ
4.2. Psikolojik Nedenler
“[...] a ‘letra morta’ substitui algo que nasceu do ‘espírito vivo’, e que realmente, durante um momento fugaz, existiu como ‘espírito vivo’” (HANNAH ARENDT, 2010, p. 118)
Nesse capítulo são apresentadas as considerações finais acerca dos resultados encontrados do presente estudo, tendo-se como base nos dados levantados na pesquisa de campo, que foram analisados à luz da Teoria das Representações Sociais. Embora o presente capítulo se destine à tessitura das considerações finais desse texto dissertativo, como mencionado anteriormente, não se deve considerá-lo como uma conclusão para os questionamentos feitos quando do seu início, tampouco como a finalização de um empreendimento realizado na busca por respostas, capazes de oferecer certo conforto teórico, prático e até mesmo ontológico à pesquisadora.
Ao longo do presente trabalho se buscou investigar as representações sociais, formadas pelos acadêmicos matriculados no curso Procampo, sobre o objeto “professor do campo”. O Procampo é um curso de licenciatura que se destina à formação de professores para a atuação nos anos finais da Educação Básica, especificamente em localidades consideradas como sendo do campo. Os objetivos foram atingidos a partir da realização de uma pesquisa de campo, numa Instituição de Ensino Superior que possui Campi distribuídos na capital e no interior do Estado do Pará, sendo que se optou por desenvolver o estudo nos Campi localizados em cinco municípios: Castanhal, Marabá, Santarém, Tomé-Açu e Tucuruí. A totalidade dos sujeitos participantes da presente pesquisa se caracterizam por residir em localidades consideradas do campo, sendo que a maioria deles desempenha atividades docentes em comunidades de assentados da reforma agrária. Considerando-se a distribuição de gênero, verificou-se uma predominância feminina entre os sujeitos pesquisados, correspondendo à aproximadamente 71% do total da amostra. Esse valor supera o percentual de mulheres que compõe a população brasileira, mas se assemelha à distribuição encontrada em outros estudos desenvolvidos no país, que utilizaram como sujeitos de pesquisa, alunos de cursos de licenciaturas.
Semelhantemente aos resultados encontrados pelos estudos desenvolvidos por Chamon (2007), Rangel (2008), Gatti e Barretto (2009), Carvalho (2012), Moreira (2012) e Dias (2013), a presente pesquisa evidencia um fenômeno histórico que é característico dos cursos de licenciatura, denominado de “feminização do magistério”. Este fenômeno se
desenvolveu ao longo da história da educação mundial e, mais especificamente no caso brasileiro, no final do Século XIX e início do Século XX. Influenciado pela revolução industrial, que passou a exigir uma maior qualificação dos empregados, ampliando-se a demanda educacional e incluindo aquelas populações que se encontravam anteriormente excluídas dos processos educativos formais (APPLE, 1988; LOURO, 2011).
Esse aumento na oferta da educação escolar exigiu uma maior quantidade de professores, abrindo oportunidades de emprego para a população feminina, que se encontrava anteriormente excluída do mercado de trabalho. A maior oferta de empregos no setor industrial também influenciou diretamente nesse processo, pois se abriram novas oportunidades de emprego para os homens, muitas delas mais bem remuneradas em relação à docência. Associados aos fatores sociais estão os fatores psíquicos, por meio dos quais se atribuem à atividade docente aquelas características que estão relacionadas à vocação de ser mãe, ou seja, o “dom” para o cuidado, o amor e a abnegação para com as crianças (LOURO, 2011).
Por meio do perfil sociodemográfico da amostra, foi possível verificar que, embora aproximadamente 71% dos sujeitos pesquisados estivessem em pleno exercício da atividade docente, caracterizavam-se por serem majoritariamente jovens, pois cerca de 68% deles tinha no máximo 35 anos de idade. Dentre os licenciandos que possuíam experiência docente, mais da metade deles (53,3%) desempenhavam essas funções educacionais há mais de três anos. Os dados quantitativos revelaram ainda que a renda familiar da maioria dos sujeitos não ultrapassava três salários mínimos, sendo que o salário que recebiam com o exercício da docência, constituía uma parcela significativa do orçamento familiar, para a maioria das famílias a que pertenciam os sujeitos.
O cruzamento dos dados quantitativos e qualitativos comprova que a maioria desses licenciandos (senão a totalidade deles) procedia de famílias que detinha a posse de poucos bens materiais e reduzido capital econômico e cultural. Devido às precárias condições sociais, econômicas e de localização geográfica na qual suas famílias viviam, a maioria dos sujeitos pesquisados relata que o Curso Normal de Magistério ou outros cursos técnicos, caracterizaram-se como as únicas oportunidades de terem o acesso ao Ensino Médio.
Os relatos obtidos por meio das entrevistas revelam que o ofício de professor não se caracteriza como uma atividade profissional, com a qual a maioria dos sujeitos pesquisados se identificassem desde a infância. Mesmo aqueles que sempre desejaram ser professor, evitavam expressar publicamente esse sonho, pois as informações disponíveis na sociedade à
sua volta, forneciam-lhes a ideia de que esse ofício era muito desgastante e não recebia uma remuneração à altura das exigências que lhe eram postas. Verifica-se dessa maneira que, esses sujeitos ingressam na docência de uma maneira contraditória, ou por não ser a profissão vislumbrada pela maioria deles, ou devido às informações negativas que recebem do meio social no qual estão inseridos.
Considerando-se as comunidades das quais os sujeitos fazem parte, pode se dizer que muitas das suas características são semelhantes a qualquer outra localizada no campo, entretanto, há que se considerar pelo menos dois aspectos principais que as diferenciam. Por se tratarem de comunidades de assentados da reforma agrária, cujos integrantes possuem uma orientação política contra-hegemônica, acabam por sofrer uma espécie de esquecimento, sendo colocados à margem da sociedade. O segundo aspecto diz respeito ao agravamento desse esquecimento, pois os seus habitantes são assentados que vivem no interior da Região Amazônica, onde as distâncias geográficas tornam ainda mais difícil o acesso dessas pessoas aos centros urbanos, onde se concentra o poder político.
Pelo fato de que no interior da Região Amazônica há uma carência de acesso rodoviário e, desta maneira, o barco se torna o principal meio de transporte utilizado pelos seus habitantes, o tempo de deslocamento é um fator aumenta ainda mais distancia dessas comunidades. Este é contexto que se insere o objeto da presente pesquisa, no qual alunos e professores carecem de necessidades específicas e enfrentam diariamente problemas de infraestrutura, que são totalmente diferentes em outras regiões. Mesmo estando localizadas distantes da cidade, estas comunidades se veem obrigadas por lei a aderir ao modelo urbano de educação.
A Educação do Campo emerge nos discurso dos sujeitos pesquisados, como uma espécie de negação ao modelo hegemônico e homogeneizante de educação, que não leva em consideração as necessidades específicas do morador do campo. Há uma incorporação dos ideais reivindicatórios dos movimentos sociais do campo, aos discursos dos licenciandos, evidenciados nas atitudes favoráveis à mudança. Uma mudança que, dentre outras coisas, exige um modelo pedagógico que se proponha a oferecer uma educação contextualizada à realidade cotidiana do camponês.
Para tanto, os valores da escola, assim como os seus conteúdos disciplinares e curriculares, devem estar direcionados ao fortalecimento dos laços familiares e, desta maneira uma maior integração da comunidade camponesa. O fortalecimento e a integração familiar e comunitária seriam garantidos, pelo estabelecimento de uma estrutura escolar, que