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2.2 Empati ile İlgili Kuramsal Açıklamalar

2.2.12 Psikolojik Danışma Alanında Empati

Estruturada sobre as noções de dialogismo e responsividade, a análise do corpus é empreendida a partir da categoria enunciado, tendo em vista que, nos termos propostos pelo Círculo de Bakhtin, é no enunciado concreto que se dá o encontro entre a língua e a realidade histórico-social: “a língua penetra na vida através dos enunciados concretos que a realizam, e é também através dos enunciados concretos que a vida penetra na língua” (BAKHTIN, 2000 [1952-1953], p. 282).

Tal como é aqui empregado, enunciado corresponde a uma unidade da comunicação discursiva produzida por um sujeito que, situado em uma esfera de atividade social e imbuído de um querer-dizer, dirige-se a um ou mais destinatários para falar sobre determinados objetos de sentido, valendo-se, para isso, de um determinado gênero discursivo. Imanentemente dialógico e responsivo, o enunciado constitui, nessa perspectiva, um elo na cadeia de

comunicação da sociedade, e, não obstante ser construído sobre as relações lógicas previstas pelo sistema linguístico, é o locus privilegiado de manifestação das relações dialógicas próprias do universo do discurso. Por isto, os editoriais de Ciência Hoje são lidos aqui como enunciados em cujo território o discurso de um sujeito (os editores da revista), ao se dirigir a um destinatário (o leitor presumido da publicação) com o intuito de falar sobre determinados objetos do dizer (a produção científica brasileira, o papel da ciência na sociedade, os problemas cruciais do país etc.) encontra-se, de diferentes maneiras, com os discursos de outros sujeitos voltados para os mesmos objetos.

Tal abordagem leva em conta que todo discurso

encontra aquele objeto para o qual está voltado sempre, por assim dizer, já desacreditado, contestado, avaliado, envolvido por sua névoa escura ou, pelo contrário, iluminado pelos discursos de outrem que já falaram sobre ele. O objeto está amarrado e penetrado por ideias gerais, por pontos de vista, por apreciações de outros e por entonações. Orientado para o seu objeto, o discurso penetra neste meio dialogicamente perturbado e tenso de discursos de outrem, de julgamentos e de entonações. Ele se entrelaça com eles em interações complexas, fundindo-se com uns, isolando-se de outros, cruzando com terceiros; e tudo isso pode formar substancialmente o discurso, penetrar em todos os seus estratos semânticos, tornar complexa a sua expressão, influenciar todo o seu aspecto estilístico.

O enunciado existente, surgido de maneira significativa num determinado momento social e histórico, não pode deixar de tocar os milhões de fios dialógicos existentes, tecidos pela consciência ideológica em torno de um dado objeto de enunciação, não pode deixar de ser participante ativo do diálogo social. Ele também surge desse diálogo como seu prolongamento, como sua réplica, e não sabe de que lado ele se aproxima desse objeto (BAKHTIN, 2002 [1934-35], p. 86).

Além de enunciado, também exercem papel importante na análise outras categorias do Círculo de Bakhtin, em particular sujeito, destinatário, superdestinatário, esfera e gênero.

As esferas, enquanto domínios específicos da atividade social em que os sujeitos concretizam suas práticas e discursos, atuam como instâncias provedoras de parâmetros e referências para a produção discursiva que se dá no seu interior, oferecendo (e, simultaneamente, infligindo) aos sujeitos em interação um dado repertório de gêneros discursivos, os quais, apesar de históricos e, portanto, mutáveis, representam “tipos relativamente estáveis de enunciados” (BAKHTIN, 2000 [1952-53], p. 279) a cujos limites e exigências os sujeitos devem se reportar na produção dos seus discursos. Registre-se que se,

por um lado, as esferas não são domínios estanques, governados unicamente por suas próprias leis e completamente independentes do mundo social mais amplo, tampouco são, por outro lado, meras caixas de ressonância para as quais se transpõem e nas quais se refletem mecanicamente as pressões e demandas desse mesmo mundo social. Associando, na linha sugerida por Grillo (2006), este conceito do Círculo de Bakhtin à categoria homóloga campo, desenvolvida por Pierre Bourdieu, devem-se conceber as esferas como áreas da atividade social e da comunicação verbal regidas por leis engendradas pela sua própria dinâmica, mas, ao mesmo tempo, suscetíveis às leis do mundo social mais amplo, configurando uma dialética entre, de um lado, sua economia interna e, de outro, as determinações do macrocosmo social. Ocorre que, em determinados momentos históricos, certas demandas podem ganhar estatuto de tamanha centralidade e importância, vinculando-se de tal maneira aos destinos do conjunto da sociedade, que passam a assediar com maior intensidade as diversas esferas da vida social, que, sob formas e graus variados, vão refletir e refratar essas demandas. Ao que tudo indica, é o que acontece no Brasil do final dos anos 70 e início dos anos 80, quando os debates acerca da vida coletiva se impõem de tal forma que as fronteiras das várias esferas parecem não resistir ante o ímpeto das pressões da realidade social mais ampla.

Assim como nas esferas, também nos enunciados combinam-se autonomia e coerção. De um lado, a vontade, o intuito discursivo, o querer-dizer do sujeito defrontado com uma situação concreta única, irrepetível; de outro, os recortes operados pelas esferas de atividade e pelas circunstâncias e temas típicos dos gêneros do discurso próprios a cada uma delas, circunscrevendo as escolhas desse sujeito com base nas formas repetíveis cultural e socialmente legadas. Nesse processo de negociação (em outras palavras, nesse diálogo) entre o querer-dizer do sujeito e os condicionamentos do universo discursivo é que o enunciado se formula, conectando-se à história e articulando-se com os padrões, valores e referências morais e ético-políticas vigentes na realidade social (BAKHTIN, 2000 [1952-53]).

Refletida e refratada em conformidade com as especificidades das esferas e dos gêneros, a realidade histórico-social imbrica-se, assim, com os elementos de cuja associação indissolúvel é feito o todo do enunciado: o conteúdo temático, o estilo (seleção de recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais) e a construção composicional, atuando, consequentemente, sobre o seu acabamento e sobre a relação que ele mantém com o seu sujeito e com os outros parceiros da comunicação verbal. Por isto, longe de ser a expressão unívoca do pensamento do seu autor, o enunciado, encontro de subjetividade e alteridade, é intrinsecamente dialógico, interiormente habitado tanto pela voz do sujeito quanto por outras vozes e outros discursos presentes no fluxo interdiscursivo.

Desse modo, considerados do ponto de vista da sua participação na arquitetura dos editoriais, os elementos de composição são aqui focalizados na qualidade de fatores que concorrem para compor o todo de enunciados constitutivamente habitados por relações dialógicas entre o discurso de CH e outros discursos em circulação, configurando-os como importantes momentos do diálogo por meio do qual a SBPC responde a algumas das principais questões propostas pelo ambiente discursivo.