3.1. İnovasyonun Ölçümü
3.1.4. Piyasa Gelişimi ve İş Ortamı
3.5.1
Altera¸c˜oes na pol´ıtica fiscal
Seguindo McGrattan (1994)11 analisamos o ganho de bem estar de determina- das pol´ıticas p´ublicas comparando a utilidade das fam´ılias avaliada no steady state (U∗
) com a utilidade que elas teriam caso houvessem mudan¸cas nos va- lores de steady state das vari´aveis p´ublicas (U∆
). Para tal, utilizamos a moda estimada de θg e γ, e os valores calibrados para os demais parˆametros. Seja
U∗ = [lnc∗ − ψh∗ ]/[1 − β] e U∆ = [lnc∆ − ψh∆ ]/[1 − β].
Definindo o ganho de bem estar em termos de varia¸c˜ao percentual no con- sumo (100κ)% das fam´ılias, de maneira que esta fique indiferente entre as duas situa¸c˜oes, ou seja, fazendo
U∆= [ln(1 + κ)c∗
− ψh∗
]/[1 − β] temos que
11O referido autor compara mudan¸cas nas al´ıquotas de impostos sobre o bem estar das
κ = exp[(U∆ − U∗
)(1 − β)] − 1.
Valores positivos (negativos) de κ indicam ganho (perda) de bem estar. A Tabela 3.3 apresenta o ganho de bem estar (GBE) calculado para trˆes exerc´ıcios hipot´eticos:
1) Mudan¸cas na composi¸c˜ao do gasto p´ublico em rela¸c˜ao ao PIB, isto ´e, dada a taxa de tributa¸c˜ao sobre a renda e as transferˆencias, como uma al- tera¸c˜ao no investimento do governo as custas de uma altera¸c˜ao de igual mag- nitude no consumo do mesmo afeta o bem estar das fam´ılias.
2) Mudan¸cas na al´ıquota de impostos mantendo a parcela dos gastos p´ublicos em rela¸c˜ao ao PIB, ou seja, as custas de altera¸c˜oes nas transferˆencias.
3) Aumentos nos gastos p´ublicos em propor¸c˜ao do PIB financiados por aumentos na carga tribut´aria/PIB.
O efeito de varia¸c˜oes na composi¸c˜ao do gasto p´ublico sobre o bem estar ´e expressivo, e sua magnitude ´e bastante diferente para os dois modelos consi- derados. Isto ocorre pois no modelo com retornos constantes a moda estimada para θg ´e 0,044 ao passo que no modelo com retornos crescentes este valor ´e de 0,165, ou seja, cerca de quatro vezes maior. Cabe lembrar tamb´em que os valores calibrados para o fator de desconto e a elasticidade do capital privado s˜ao diferentes para os dois modelos. Por exemplo, um aumento de 2 pontos percentuais no investimento do governo/PIB (de 3,8% para 5,8%) acompa- nhado de uma diminui¸c˜ao de mesma magnitude no consumo do mesmo (de 13,2% para 11,2%) gera um ganho de bem estar de 2,12% no primeiro caso e
Tabela 3.3: Ganho de bem estar (%) de altera¸c˜oes na pol´ıtica fiscal
∆ retornos constantes retornos crescentes 1) ig/y − 2%, cg/y + 2% -4,41 -24,52 ig/y − 1%, cg/y + 1% -1,73 -10,81 ig/y + 1%, cg/y − 1% 1,22 9,09 ig/y + 2%, cg/y − 2% 2,12 16,99 2) τ − 2%, tr/y − 2% 2,08 4,20 τ − 1%, tr/y − 1% 1,05 2,10 τ + 1%, tr/y + 1% -1,07 -2,10 τ + 2%, tr/y + 2% -2,16 -4,20 3) ig/y + 1%, τ + 1% -0,22 6,66 ig/y + 2%, τ + 2% -0,80 11,80 cg/y + 1%, τ + 1% -1,43 -2,23 cg/y + 2%, τ + 2% -2,87 -4,45
de cerca de 17% no segundo. Podemos ver que, apesar do consumo do governo gerar utilidade para as fam´ılias, aumentar a parcela do PIB destinada a este gasto em detrimento do investimento gera uma perda de bem estar.
Como a tributa¸c˜ao sobre a renda (τ ) tem um efeito distorcivo sobre a de- cis˜ao ´otima dos agentes, uma diminui¸c˜ao na mesma gera um ganho de bem es- tar, mesmo com uma diminui¸c˜ao de igual magnitude nas transferˆencias (tr/y). Assim como no caso anterior, este efeito ´e maior no modelo com retornos cres- centes. Uma diminui¸c˜ao de 2 pontos percentuais na tributa¸c˜ao (de 23,1% para 21,1%) gera um aumento de bem estar entre 2,08% e 4,2%. A titulo de compara¸c˜ao, Pereira e Ellery Jr. (2009) calcularam que uma diminui¸c˜ao da tributa¸c˜ao sobre o capital de 34,5% para 31% geraria um ganho de bem estar de 3,71% em um modelo de economia aberta para o Brasil.
Aumentos no investimento p´ublico financiados por aumentos nos impos- tos levam a um ganho de bem estar consider´avel no modelo com retornos crescentes, mas possuem um efeito ligeiramente negativo no caso de retornos constantes. Em outras palavras, mesmo que o aumento na tributa¸c˜ao seja usado em gastos que aumentam a produtividade da economia, temos que o resultado ´e prejudicial em termos de bem estar, no caso com retornos constan-
tes. Por fim, uma eleva¸c˜ao em gastos com consumo do setor p´ublico atrav´es de uma carga tribut´aria mais elevada geram uma perda de bem estar maior que no caso em que o aumento na tributa¸c˜ao ´e repassado para os consumidores via transferˆencias lump-sum. Este resultado pode estar associado ao fato de que o consumo do governo gera uma utilidade cerca de metade do valor gerado pelo consumo privado. Por exemplo, um aumento na carga tribut´aria em 1 ponto percentual gera uma perda de bem estar de 1,43% no primeiro caso e de 1,07% no segundo, no modelo com retornos constantes.
3.5.2
Aloca¸c˜ao ´otima
Outra forma interessante de avaliar o bem estar das fam´ılias ´e comparar o resultado da economia descentralizada com a escolha ´otima de um planejador central.
Considere o modelo descrito na se¸c˜ao 3.2 em sua vers˜ao determinista, onde o planejador central escolhe a seq¨uˆencia de valores {cpt, cgt, kpt+1, kgt+1, ht}
∞ t=0 de maneira a maximizar (3.1) sujeito a restri¸c˜ao de recursos da economia cpt+ cgt+ ipt+ igt ≤ yt. Neste caso, como γ estimado ´e menor do que um, e cp e cg s˜ao substitutos perfeitos (n˜ao na raz˜ao de um para um), temos que o gasto ´otimo em consumo do governo ´e zero, pois o consumo privado gera maior utilidade para as fam´ılias e custa a mesma coisa em termos de produto.12 J´a os investimentos p´ublico e privado ´otimos em propor¸c˜ao do produto no steady state, bem como o consumo privado s˜ao, respectivamente,
ig
y =
θgδg δg+ 1−ββ
12Uma outra possiblidade de incluir o consumo do governo na fun¸c˜ao de utilidade seria
a especifica¸c˜ao E0
P∞
t=0βt[lncpt+ γlncgt− ψht], o que faria com que consumo do governo
´
otimo fosse diferente de zero, caso γ > 0. Por´em, neste caso n˜ao poder´ıamos estimar γ, uma vez que este desapareceria das condi¸c˜oes de primeira ordem da economia descentralizada.
ip y = θpδp δp+ 1−ββ cp y = 1 − θgδg δg+ 1−ββ − θpδp δp+1−ββ .
Podemos ver que a raz˜ao investimento do governo/PIB ´otima depende positivamente do parˆametro associado `a produtividade do capital p´ublico (θg) e da taxa de deprecia¸c˜ao do mesmo (δg), e negativamente em rela¸c˜ao `a taxa de desconto (1−β
β ). Quanto mais produtivo o capital do governo, maior o incentivo que o planejador tem de alocar recursos para o investimento p´ublico, e quanto maior a deprecia¸c˜ao do mesmo, mais elevado tem que ser o investimento de maneira que este se mantenha no seu valor de equil´ıbrio. Ao mesmo tempo, quanto mais pacientes forem as fam´ılias, mais elas estar˜ao dispostas a sacrificar o consumo presente pelo consumo futuro. Esta express˜ao ´e similar `a calculada por Turnovsky (2004), quando n˜ao considerado crescimento populacional. No caso do investimento privado a express˜ao ´e an´aloga a do investimento p´ublico. Finalmente, o que sobra em termos de produto ´e consumido pelas fam´ılias.
De maneira an´aloga a se¸c˜ao 3.5.1, a Tabela 3.4 apresenta o ganho de bem estar e os valores de ig/y, cg/y, cp/y e cg/y escolhidos pelo planejador central, bem como os valores de steady state da economia descentralizada. ´E impor- tante ter em mente que neste caso n˜ao s´o a composi¸c˜ao do PIB ´e escolhida de maneira ´otima como n˜ao existe o efeito distorcivo da tributa¸c˜ao.
No modelo com retornos constantes, o ganho de bem estar ´e de 24,7%. Este valor ´e similar ao encontrado por McGrattan (1994) quando considerada uma situa¸c˜ao em que as taxas de impostos sobre o capital e o trabalho fossem substitu´ıdas por impostos lump-sum. Para o planejador central, o investimento privado deveria ser cerca de 23% do PIB, ou seja, 5 pontos percentuais maior
Tabela 3.4: Ganho de bem estar - Planejador Central
GBE cg/y ig/y cp/y ip/y
Retornos constantes 24,7% 0,0% 2,6% 74,9% 22,5% Retornos crescentes 101,4% 0,0% 8,6% 69,3% 22,1% Dados (1950-2003) - 13,2% 3,8% 66,0% 17,0%
do que a m´edia de 1950 a 2003. Apesar do investimento do governo no per´ıodo estar pr´oximo do ´otimo, o consumo do governo deveria ser nulo. Como expli- cado anteriormente, isto se deve ao fato de o consumo do governo gerar uma utilidade menor que o consumo privado. No modelo com retornos crescentes o investimento p´ublico ´otimo deveria ser em torno de 8,6% do PIB, o que faria com que cerca de 30% do produto fosse poupado. 13 O ganho de bem estar nesse caso seria em torno de 100% . Novamente, esta diferen¸ca de resultados ´e explicada em parte pela diferen¸ca de produtividade do capital p´ublico em cada especifica¸c˜ao. 14