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Peygambere KarĢı Alaycı Bir Tutum Sergilemek

B. FURKÂN VE RĠSALET

5. Peygambere KarĢı Alaycı Bir Tutum Sergilemek

Como a tese apresentada analisa muitos artefatos jornalísticos e de polêmica que estão disponíveis apenas na rede digital de informações, e sendo o endereçamento de lugares na internet um constante fluxo mutável, sigo a solicitação da banca de avaliação, que recomendou a reprodução integral dos objetos em questão.

Os textos em anexo estão organizados de acordo com sua ordem de ocorrência no texto da tese e são aqui reproduzidos com o intuito de salvaguardar o adequado contexto de interpretação das análises realizadas, além de servir de coletânea de fontes para futuros pesquisadores. A reprodução é autorizada pelo Terceiro Parágrafo do Artigo 46 da Lei 9.610 de 1998, e ratificada pela Lei 12.853 de 2013.

Manual de sobrevivência da pequena editora

Zero Hora (jornal) – 04 de novembro de 2008 – Patrícia Rocha

Confira dicas que donos de editoras para sobreviver no mercado

O que faz uma editora pequena sobreviver em um mercado de gigantes? Pergunte aos integrantes da foto. Com sede em Porto Alegre (ou mesmo sem sede propriamente dita), os editores da Não Editora, da Arquipélago e da Libretos estão aprendendo na prática como cavar espaço nas prateleiras. Nenhum deles tem banca própria nesta Feira do Livro, mas seus títulos engrossam as sessões de autógrafos e recheiam outras bancas.

Ficou mais fácil abrir uma editora. Pipocam autores novos, e a tecnologia se tornou mais acessível — dá para fazer um livro no computador de casa.

— Começar é fácil, continuar é que é difícil — avalia Sônia Machado Jardim, da equipe da Record, no Rio, e presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros.

O que faz uma editora pequena sobreviver é consenso entre editores iniciantes e veteranos: produzir livros bons, bem-feitos e coerentes com uma linha conceitual.

— Tem que ter um nicho — resume Tito Montenegro, que há dois anos fundou com a irmã, Fernanda Barbosa, a Arquipélago, já com sete títulos de não-ficção, um deles vencedor do Jabuti, A Vida que Ninguém Vê, de Eliane Brum.

Mesmo tendo uma bela edição debaixo do braço, é preciso fazer com que o volume chegue às mãos do leitor: negociar com distribuidores e livreiros, divulgar o lançamento, além de controlar estoque, fazer contabilidade etc. E sem retorno a curto prazo — como produzem em menor escala, as pequenas editoras têm menor margem de lucro. Foi diante desse desafio que saiu de cena a promissora Livros do Mal. Em menos de três anos, os escritores Daniel Galera e Daniel Pellizzari editaram nove títulos e colecionaram boas críticas — até dar fim à empreitada.

— A gente gostava de criar o livro, mas tinha de fazer todas aquelas coisas chatas e sem ganhar dinheiro — conta Pellizzari.

Há um ano, seis escritores fundaram a Não Editora como uma afirmação: abrir espaço para novos autores como eles próprios, dedicados à ficção. Sem sede, passaram a se reunir em bares e pizzarias e dividiram-se em funções. Diante de questões burocráticas, pediram dicas a Tito, da Arquipélago. Tito contara com a experiência de Alexandre Ramos, que há oito anos criou a Zouk em São Paulo e a trouxe com ele a capital gaúcha em 2005. Hoje, a Zouk tem sede, três funcionários, lança 15 títulos anuais sobre arte, filosofia e antropologia e dá lucro — o suficiente para que Alexandre e a mulher e sócia, Natalie Nogueira, montassem três livrarias na cidade.

Mas o caminho até a lucratividade pode ser longo. Criada em 1998, a Libretos ganhou novo folêgo em 2007 e produz edições caprichadas, especialmente de memórias, com financiamento de leis de incentivo. Os sócios Clô Barcellos e Rafael Guimaraens prestam serviços de design gráfico a outras

editoras: ainda não obtêm lucro da venda dos livros que editam. Da mesma forma, a Escritos, que nasceu da parceria da antropóloga Ivete Keil e da filósofa Márcia Tiburi (hoje susbstituída por Maria América Ungaretti), ainda é mais fonte de prazer do que de dividendos. Ivete enfrenta um dilema: — Continuar com a editora magrinha ou pensar mais em lucratividade? Embora o objetivo inicial seja lançar bons livros, a Não Editora tem títulos que se pagaram em menos de três meses e começam a dar lucro. Já a Arquipélago foi idealizada para se tornar o ganha-pão dos editores, que lançaram também a revista cultural Norte. Uma editora pequena pode supreender pela estatura.

O que é uma pequena editora?

Não há uma definição exata para editora pequena. Mas há um consenso informal de que um dos critérios possíveis é avaliar a média anual de lançamentos: seriam consideradas pequenas as editoras que lançam no máximo um livro por mês — embora a maioria fique em torno de 5 a 6 ao ano. Assim, partindo de indicações baseadas nas listas de associados do Clube de Leitura e da Câmara Rio- grandense do Livro, estima-se que há pelo menos 18 pequenas editoras em atividade em Porto Alegre. Para comparar, a L&PM, uma das editoras gaúchas de maior destaque nacional lançou neste ano uma média de 10 livros por mês.

(último acesso em 10 de outubro de 2014):

Quem somos

LIBRE (site) – 05 de agosto de 2013 – LIBRE

A Liga Brasileira de Editoras (LIBRE) é uma rede de editoras independentes, que trabalham cooperativamente, pelo fortalecimento de seus negócios, do mercado editorial e da bibliodiversidade. É uma associação de interesse público, sem fins lucrativos, filiação político- partidária, livre e independente de órgãos públicos e governamentais, constituida em 01 de agosto de 2002, de duração indeterminada, entidade máxima de representação das editoras independentes de todo o Brasil.

A LIBRE tem por missão preservar a bibliodiversidade no mercado editorial brasileiro por meio do fortalecimento do negócio da edição independente e constitui-se como uma rede de editores colaborativos em busca de reflexão e ação para a ampliação do público leitor, do fortalecimento das empresas editoriais independentes, e da criação de políticas públicas em favor do livro e da leitura. Para alcançar seus objetivos, a LIBRE compromete-se com as seguintes ações:

a) Congregar e representar os editores independentes do Brasil, promovendo a sua união em torno da solução dos problemas do livro e da leitura no Brasil;

b) Defender os interesses comuns dos editores independentes;

c) Manter relações e promover atividades conjuntas com associações congêneres, sempre que necessário e conveniente aos interesses e aspirações dos associados;

d) Cooperar com as entidades representativas ligadas ao livro e também com as organizações ligadas à cultura e à educação do País;

e) Incentivar as relações amistosas entre as organizações ligadas ao livro de todo o mundo;

f) Pugnar em favor da melhoria das condições de leitura no País; g) Lutar pela democratização do mercado do livro;

h) Lutar pelo livre acesso à leitura, cultura e educação, visando a formação de cidadãos capacitados a constituir-se em um extenso e verdadeiro mercado leitor no Brasil.

i) Pugnar pela democracia e liberdade fundamental do Homem, sem distinção de raça, cor, nacionalidade, orientação sexual, convicção política ou religiosa;

j) Defender os interesses coletivos do livro no Brasil;

k) Organizar-se como um centro de referência especializado nas áreas relacionadas ao livro e sistematizar, disponibilizar e disseminar ao público em geral informações relativas à leitura;

l) Colaborar para o aperfeiçoamento e capacitacão de profissionais que atuam em áreas compatíveis com seu objetivo institucional, por meio de cursos, seminários e workshops, bem como pela produção, edição, distribuição e comercialização de publicações e produtos educacionais afetos ao seu objeto social próprios e os produzidos por seus associados.

m) Captar e gerir recursos para constituição de um fundo patrimonial para a promoção da causa do livro, cujos rendimentos amealhados serão mantidos e aplicados visando a perpetuidade;

n) Realizar investimentos e exercer atividades econômicas consentâneas com seu objeto e que não incidam em vedação legal, desde que os resultados de uns e outros se destinem integralmente à consecução de seu objetivo social, inclusive através do aumento do seu patrimônio.

o) Pugnar pela isonomia e direito à mais ampla informação nas compras governamentais, editais de programas consolidados e compras extemporâneas, em todos os níveis: municipal, estadual e federal;

p) Desenvolver ações que propiciem a divulgação e comercialização da produção das editoras associadas, no Brasil e no exterior (em Bienais, Feiras de livros, Primaveras etc etc);

q) Estimular ações que propiciem a troca e a colaboração entre as editoras associadas.

Desde sua fundação, a Libre vem consolidando seu papel por meio da presença em debates públicos sobre a política do livro (com as demais entidades representativas do mercado editorial) e em eventos nacionais e internacionais.

A entidade aumentou a inserção de seus associados em feiras, por meio de estande coletivo ou inscrição coletiva em condições especiais de participação, com destaque para a participação nas feiras internacionais de Frankfurt (Alemanha), Paris e Montpelier (França) e Buenos Aires (Argentina) e em eventos nacionais, como a Bienal do Livro, e as feiras Panamazônica e de Ribeirão Preto.

Na área de Programas Governamentais, aproximou-se de discussões acerca dos processos de seleção e compra de livros feitas pelos governos (municipais, estaduais e federal), contribuindo para a construção de programas mais transparentes, eficientes e amplos. Com isso, sob a forma de consórcio, algumas editoras da Librevêm participando de concorrências abertas pelo Governo Federal para o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE).

No que toca à comercialização, a Libre vem buscando alternativas para a modernização do sistema de distribuição do livro no país e soluções para uma entrada mais efetiva dos editores da liga nas grandes livrarias do país.

(último acesso em 10 de outubro de 2014): http://www.libre.org.br/quem-somos

Pequenas editoras se destacam com títulos nas listas dos principais prêmios literários do país O Globo (jornal) – 23 de junho de 2014 – Mariana Filgueiras

Casas como a Patuá e a Confraria do Vento apostam em distribuição independente e divulgação informal

Rio — “Acordei ácido. É primeiro de ano. Primeiras horas da manhã. De toda forma, oito e meia, para um ex-sedentário, não deixa de ser uma vitória: primeiras horas, ainda que a manhã dos sábios tenha começado lá pelas cinco. Os sábios são como o sol. Chego lá.”

Começa cedo o dia do protagonista do romance “Companhia Brasileira de Alquimia”, do escritor Manoel Herzog, um dos indicados deste ano ao Prêmio Portugal Telecom, principais reconhecimentos literários da língua portuguesa.

Começa mais cedo ainda o dia do editor Eduardo Lacerda, de 31 anos, fundador e único funcionário da editora Patuá, que lançou a obra.

Eduardo acorda às sete da manhã, às vezes seis, para conseguir cumprir sua rotina atribulada na empresa de um funcionário só. É ele quem seleciona os livros que vai publicar, edita, revisa, divulga, embrulha, põe nos Correios quando os fregueses apertam a tecla “comprar” no site da Patuá, que funciona na sala de sua casa. Trabalho que começa a ser reconhecido: com menos de três anos de funcionamento, a Patuá é uma das muitas editoras nanicas que vêm despontando na lista de prêmios literários, geralmente loteados pelas graúdas.

Olhar generoso dos jurados

Dos 64 livros indicados ao Portugal Telecom deste ano, a Patuá emplacou cinco — mesma quantidade da Cosac Naify, das mais importantes casas editoriais do país. No ano passado, a editora de Eduardo abocanhou o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Autor Estreante com o romance “Desnorteio”, de Paula Fábrio; e ainda teve o livro “Vário som”, de Eliza Andrade Buzzo, entre os finalistas do Jabuti.

— Percebo que há um olhar mais generoso dos jurados com as editoras menores de uns dois anos para cá, sim — observa Eduardo, formado em Letras pela USP, que começou a editora como uma revista literária (“O casulo”), e já publicou 200 títulos de maneira independente desde então, a maioria poesia. — E como é difícil publicar poesia nas grandes editoras, são as pequenas que acabam dando conta deste nicho. Acontece mais ou menos assim: escritores publicam seus romances por grandes editoras, mas se quiserem publicar suas poesias, não há interesse. Aí que nós entramos. Na mesma lista do Prêmio Portugal Telecom divulgada no início do mês, a pequena editora carioca Confraria do Vento aparece com quatro indicações; a potiguar Jovens Escribas, com duas; a baiana Casarão do Verbo, com uma; bem como a carioca Oito e Meio e as gaúchas Não Editora (a primeira editora independente brasileira a ser convidada para a Feira de Frankfurt) e Arquipélago Editorial (que já foi vencedora e finalista dos prêmios Jabuti e Esso).

— Essas editoras merecem toda a atenção. E os prêmios já estão começando a perceber a importância do papel das editoras independentes no mercado. Apesar da distribuição modesta, do modelo de negócio às vezes ainda nem tão bem resolvido, eles desenvolvem muito mais proximidade com o autor do que uma grande editora, e isso permite que arrisquem mais. Além de tudo, têm mostrado livros belíssimos — nota Marianna Teixeira Soares, agente literária de escritores espalhados em muitas editoras com este perfil, como Victor Heringer, cujo romance, “Glória”, lançado pela 7Letras (que começou como uma das nanicas listadas acima) foi o segundo colocado no prêmio Jabuti ano passado.

Uma das razões para o boom dessas empresas nanicas pode ser a mudança que alguns prêmios estão empreendendo no modo de aproximar o júri dos inscritos, dizem os nanoeditores. Neste ano, pela primeira vez, o Portugal Telecom disponibilizou em seu site o e-mail de cada jurado inicial. Assim, cada concorrente poderia enviar o próprio livro.

— Isso certamente deu condições mais igualitárias de acesso das editoras menores — avalia Victor Paes, da Confraria do Vento, que no último Prêmio Brasília de Literatura ganhou o segundo lugar da categoria Poesia com “O aquário desenterrado” de Samarone Lima.

Funcionando numa sala comercial diminuta num prédio na Cinelândia há sete anos, a editora é formada por três editores — Victor, que é professor de português em uma escola municipal de Belford Roxo; Marcio-André, escritor e artista visual radicado na Espanha; e Karla Melo, que vive e trabalha no Recife. As reuniões acontecem por Skype, e só há poucos meses os três contrataram dois funcionários: Irlim Corrêa, gerente de marketing, e Ricardo Mendes, diretor comercial.

— Uma vez entrei numa livraria e pedi alguns livros do João Gilberto Noll. O livreiro me disse que só pediam um livro por vez do autor. Achei muito estranho: como um dos maiores autores do país só tem um livro pedido pela loja? Imagine com autores novos? E infelizmente a realidade é essa. Se as editoras não apostam nos autores, as livrarias, menos ainda. Mas nós acreditamos que é preciso enfrentar essa barreira de distribuição e conquistar cada livraria. Eu quero viver disso, de formar leitores. Ou não teria essa jornada dupla como professor e editor — atesta Victor, que aposta nas redes sociais para tornar as obras da Confraria dos Ventos conhecidas.

Cortesia para ganhar o leitor

Não há fórmula para a independência. A Patuá, por exemplo, prefere nem lidar com livrarias, fazendo a distribuição por conta própria. Com tiragens iniciais de cem exemplares, parte é vendida na noite de lançamento (se saem 60 livros, a R$ 30, os custos de produção estão quitados) e parte na internet. Uma das estratégias é a fidelização de leitores: quem compra pela internet não sabe, mas vai ganhar outro livro de autores da casa de presente. Uma cortesia que faz com que o público volte ao site, diz Eduardo.

— Estou satisfeito com este sistema. Gosto muito de livrarias, evidentemente, mas cresci numa região sem elas e tive que aprender a me virar — diz o editor, que está lançando justamente um livro-catálogo intitulado “Histórias de editoras independentes”. — Nestes três anos, descobri que vale a pena investir em qualidade. Livros de capa dura, bem acabados. Vale a pena não comprometer o catálogo, apelando para a venda fácil. Recebo cerca de 180 originais por mês, e publico em média de oito a dez. Curiosamente, a maioria dos que recebo não é poesia. Os originais vão seguindo um

pouco a lógica do mercado: muitos ressonando Harry Potter, literatura erótica, temas holísticos. Na época do lançamento de “Toda poesia”, do Paulo Leminski (Companhia das Letras), comecei a receber muitos textos de jovens escrevendo como ele. O que acho ótimo, na verdade, minha intenção é a formação de leitores em geral, não só compradores de livros.

(último acesso em 10 de outubro de 2014):

http://oglobo.globo.com/cultura/pequenas-editoras-se-destacam-com-titulos-nas-listas-dos-principais- premios-literarios-do-pais-12967698

Pequenas editoras, grandes sonhos

Portal Literal (site) – 11 de abril de 2003 – Angélica Brum

Facilidades tecnológicas e segmentação do mercado abrem portas para o surgimento de inúmeros selos domésticos, tocados por uma ou duas pessoas e nos quais o profissionalismo convive com uma grande dose de romantismo. Algumas dessas editoras têm provocado boas surpresas com lançamentos ou relançamentos ousados.

Um macintosh usado, uma impressora a laser e uma sócia. O designer Joca Reiners Terron não precisou de muito para montar a Ciência do Acidente, que funciona desde 1999 em um dos quartos da casa dele. Histórias de editoras domésticas – ou quase – se repetem Brasil afora. Os avanços da tecnologia e a segmentação do mercado impulsionam a proliferação dos pequenos negócios. Em quase todos, faltam recursos e sobra autonomia. Com apenas um ou, no máximo, dois proprietários, os catálogos dessas editoras acabam saindo a imagem e semelhança dos donos, que geralmente se dão ao direito de publicar livros que gostariam de ler ou escrever.

Apesar da estrutura acanhada, volta e meia, editoras nanicas surpreendem. Recentemente, a carioca Azougue, dos irmãos Sérgio e Clarice Cohn, chamou atenção dos cadernos de literatura com Mitologia do kaos, de Jorge Mautner. Em São Paulo, Eliana Sá, da Sá Editora, vislumbra um futuro de bons negócios com a adaptação para o cinema de De moto pela América do Sul – Diário de

viagem, de Ernesto Che Guevara. A obra, representada no Brasil pela editora, inspirou o novo filme

de Walter Salles, que será lançado este ano.

A possibilidade de boas vendas anima. Mas, definitivamente, a ideia de retorno imediato não move esse tipo de empreendimento. “Quem dera viver dos livros. O sonho está longe, muito longe. Minha mulher e eu somos jornalistas. Eu dou aula no curso de Comunicação da PUC de São Paulo e nós dois fazemos frilas de textos, escrevemos roteiros e matérias”, explica Sérgio Pinto de Almeida, que divide as atribuições da editora Papagaio com a mulher, Denise Natale.

Laços familiares ou de amizade costumam dar origem às sociedades. O exemplo da paulista Ciência do Acidente – que conta com títulos de autores como Marçal Aquino (Faroestes) – estimulou uma dupla de amigos a lançar a Livros do Mal, em Porto Alegre. Assim com Joca Terron e a sócia Patrícia Perocco, Daniel Galera e Daniel Pellizzari investem os lucros – quase sempre discretíssimos – em novas obras. “Raramente algum centavo vai para o nosso bolso. No atual estágio, a Livros do Mal é muito mais um projeto afetivo do que rentável”, diz Galera, autor de Dentes guardados.

Um projeto afetivo, no entanto, pode se tornar rentável. Aos poucos, Thereza Christina Motta vem deixando de lado as atividades de advogada, tradutora e professora de inglês para se dedicar mais à Íbis Libris. “Hoje, posso dizer que a editora é minha principal fonte de renda”, comemora Thereza, que lançou o selo para publicar as poesias de um amigo. “Trabalhei como chefe de pesquisa da versão nacional do Guiness Book, o livro dos recordes, e também participei da redação de projetos especiais da Editora Três. Por causa da minha experiência, um amigo me pediu que fizesse o projeto editorial do livro dele.”

Geralmente, o surgimento de uma pequena editora coincide com publicação de um título assinado pelo próprio editor. “Depois do lançamento do meu livro, em 1999, comecei a ser procurado por outros autores que gostaram do resultado”, lembra Joca Terron. “Então, surgiu a ideia da editora, que foi crescendo conforme aumentava o número de cúmplices.”

Sérgio Cohn, que gosta de dizer que abriu a Azougue “no susto”, chegou a publicar um livro antes mesmo de se aventurar nos negócios da literatura. A experiência malsucedida ajudou a montar o perfil da empresa administrada por ele e pela irmã, Clarice. “Entreguei o livro a uma editora e arquei com todos os custos: o resultado foi traumático. Portanto, desde o início, temos como meta bancar os gastos de edição e comercialização. Com essa postura, deixamos claro que apostamos na qualidade do nosso selo”, justifica Sérgio, que abriu a empresa com o dinheiro de uma herança e, invariavelmente, lança livros com recursos obtidos através dos incentivos das leis de renúncia fiscal. Os patrocínios de empresas e o financiamento de órgãos públicos costumam ser fundamentais para garantir a sobrevivência dos negócios. Graças ao apoio de um fundo da Prefeitura de Porto Alegre, o