3. Gereç ve Yöntem
3.7 Pestisitlerin B. bombina üzerindeki potansiyel toksik etkilerinin amfibi embriyo ve larva
O pensamento cotidiano orienta-se para a realização de atividades cotidianas e, nessa medida, é possível falar de unidade imediata de pensamento e ação na cotidianidade (HELLER, 1985).
Ao discutirmos, no primeiro capítulo, que o momento artístico no Brasil era de certa polarização entre os que eram contra o regime e, portanto, faziam arte engajada de protesto pelo fim da ditadura e os que estavam do lado dos militares e usavam o discurso ufânico de progresso, do país que ia para frente daquela forma, observamos que o campo musical parecia às vezes limitado e que o artista ou se colocava ou era colocado como partícipe dessas possibilidades. As duas vias aparecem como as principais e às vezes como únicas possíveis. Nossa concepção é que os artistas que foram classificados de ‘bregas’ não seguiam nenhum desses rótulos e que criaram uma ‘terceira via’ para o caminho da música popular brasileira. Não explicitavam que eram contra o regime, não criavam metáforas ou sequer revelavam que queriam a deposição do governo. Tal postura era o centro de grandes críticas da esquerda a esse grupo de cantores.
Por sua vez, em várias canções, incitavam transgressões morais, como adultério, uso de drogas, amor ao ar livre e até contra algumas campanhas de saúde e educação do governo. A crítica também vinha do lado dos que defendiam o governo, acusando-os de subversivos e destruidores da moral e da família. Ou seja, a obra desses artistas era criticada pelo núcleo político e artístico da direita e da esquerda. Mas eis que observamos que tais artistas, como o próprio Odair José, não tinham ligações estreitas com as concepções ideológicas de um lado ou de outro. As aproximações desses artistas eram com os dilemas cotidianos, com as práticas do dia a dia. Em suas canções, encontramos praticamente crônicas do que se passava no
mundo das classes sociais mais baixas e discursos que essas usavam como estratégias para a sobrevivência. Talvez esse elemento da ‘terceira via’ tenha sido o motivo para duas consequências em torno desses cantores: a crítica de ‘cafonas’ pela imprensa e o grande sucesso justamente entre os grupos sociais que retratavam (muitas vezes os mesmos dos artistas).
Os grupos sociais de baixa renda, as profissões marginalizadas, os problemas sociais e os conflitos domésticos não foram cantados e apresentados pela primeira vez por Odair José ou sequer dentro do movimento romântico ‘cafona’ de que tratamos no primeiro capítulo. Estavam presentes já nas canções brasileiras desde as primeiras gravações, como vimos também na primeira parte desta dissertação. Porém, neste momento de nosso trabalho, apresentamos parte daquilo que julgamos como essencial na obra do cantor goiano que escolhemos para ser protagonista nesta nossa análise.
Apesar do não ineditismo das questões sociais nas canções brasileiras, essas sempre apareciam como a descrição de alguma situação envolvendo relações de poder entre governo e população civil, inconformismo por questões de saúde, protestos pelos baixos salários. Mas o protagonismo das canções compostas até o início dos anos 60 como o teor crítico não discutia ou cutucava as grandes polêmicas em sua maioria (como, por exemplo, questões morais ou religiosas) que seu tempo histórico vivenciava e sim criticava os problemas sociais que historicamente assolavam o nosso país e que eram comuns em praticamente todos os centros urbanos como violência policial, êxodo rural, traições amorosas e altas jornadas de trabalho.
O cantar diferencial sobre as classes assalariadas, com menores instruções educacionais formais e que viviam em subúrbios com diversos problemas sociais dentro daquele momento ‘politicamente tenso’ que a sociedade brasileira enfrentava foi substancialmente o grande fator para que Odair José conseguisse alavancar sua carreira e logo no início dela ficar conhecido como o ‘terror das empregadas’ devido a canção “Arrombou a
festa” composta por Rita Lee e Paulo Coelho, quando foi citada com tal denominação. Não
hesitou em escrever em suas letras questões que envolviam debates não tão simples e fervorosos em torno de polêmicas religiosas, morais e políticas. Pontuamos que dentro da história o ineditismo é sempre revisto e redescoberto e por esse nosso caminho entendemos que esse cantor foi pioneiro na questão de se incluir nas ‘polêmicas’ urbanas e narrá-las de maneira crítica, mas com letras que geralmente envolviam situações românticas, amorosas e
muitas vezes trágicas. As temáticas que acabaram por trazer micronúcleos sociais nos ajudam a compreender o inconformismo que existiu em certos setores da população que pareciam não serem ouvidos pelo governo e pela imprensa mesmo sendo a grande maioria numérica de pessoas.
Em nossa análise a seguir das canções optamos por, em cada uma delas, fazer uma breve contextualização do momento histórico em que a canção foi produzida para o leitor entenda como a mesma pode ser classificada como uma pertinente observação cronista, de situações cotidianas. Outra importante observação é que Odair José sempre se apresenta nas letras como um narrador partícipe, ou seja, alguém que indiretamente está envolvido no dilema cantado; as vezes como vítima da situação, as vezes como conselheiro.
Deixa essa vergonha de lado
A profissão de empregada doméstica nos parece algo tão simples e corriqueiro que dificilmente concebemos que até 1974, essa forma empregatícia nas questões legais e jurídicas que regem a CLT não existia. Condicionada muitas vezes como a profissional onde remanescem vários resíduos escravistas, tais como jornadas de trabalhos bem maiores que as 44h, quartos sempre no fundo quentes e apertados, disposição a realizar qualquer tarefa dentro do ambiente doméstico desde o cuidar das crianças a limpeza das roupas de todos da casa, a empregada doméstica vem das classes baixas, dos subúrbios e boa parte dessa mão de obra que trabalhava nos anos 60 e 70 nas casas de classes médias e altas do Sudeste eram oriundas da região Nordeste (LUNA & KLEIN, 2014). Sobre isso Kieper (2011) nos traz uma importante reflexão que aproxima essas trabalhadoras em certo ponto do cronista que trazemos a este trabalho:
a associação da música popular romântica a uma cultura popularesca, que a desqualifica como autêntica, diz respeito á condição social de seu público e de seus principais artistas que, como grande parte de seus fãs, também vieram de classes trabalhadoras, também são migrantes em busca de uma vida melhor (KIEPER, 2011).
Classe marginalizada e estigmatizada como uma em que as pessoas liam e escreviam muito mal (isso quando não eram analfabetas), as empregadas domésticas recebiam baixos salários, tinham péssimas condições de moradia fora do ambiente de trabalho (no Rio de Janeiro, por exemplo, os morros) e passavam mais tempo com os filhos dos patrões do que propriamente com os seus, visto que a jornada de trabalho normalmente finalizada as 18h ainda incluía o
tempo e volta a sua casa que se distanciava do lócus laboral. Entre as ações dessa profissão como dissemos inclui a limpeza de quartos, banheiros, pratos, roupas, realizações das refeições (almoço, café da manhã e jantar), idas a mercado comprar o que falta e passeios com animais domésticos e é claro com os filhos dos patrões, seja para levar esses na escola ou para vê-los se divertir sobre patins, bicicletas e outras atividades. Ou seja, percebemos que tal classe trabalhista vê se diante da eminente possibilidade de sofrer abusos morais, destratos e não possui, na prática uma função de trabalho, e sim diversas.
Dentro da própria residência a doméstica era separada em diversos momentos do resto da família. Carlos Lemos atenta: “o Brasil tornou-se o primeiro e único país do mundo a possuir edifícios com essa precaução separadora de circulações” (LEMOS apud ARAÚJO,
2002). O quarto da empregada era justamente aquele que estava ao lado da área de serviço, próximo ao tanque de lavar roupa. Segundo LEMOS apud ARAÚJO, temos dentro desse universo de convivência a Casa Grande e a Senzala.
Essa condição fez com que as próprias trabalhadoras muitas vezes em seus relacionamentos tivessem vergonha de revelar sua profissão, justamente por essa até hoje ser uma socialmente marginalizada. Além disso, por geralmente trabalhar em bairros que não pertenciam ‘a sua classe social’ a doméstica conhecia e se apaixonava por pessoas de condições financeiras melhores e ao começar o relacionamento escondia sua real profissão e/ou sua origem humilde, as vezes até onde morava com medo que a pessoa amada a largasse quando descobrisse. Sabemos que a vida cotidiana tem sempre uma hierarquia espontânea determinada pela época, e as empregas nessa situação eram inferiorizadas.
O lançamento da canção de Odair José sobre a temática nos apresenta um cronista atento aos problemas cotidianos das classes assalariadas e coincide com uma ampla discussão que vai permear os meios trabalhistas no ano de 1973. Isso devido as promulgações das leis que se referiam a este tipo de profissão e as pressões sociais sobre o governo para a normatização dessa prova desde o início dos anos 70. Uma delas foi a LEI Nº 5.859, DE 11 DE
DEZEMBRO DE 1972. Nela o presidente Médici admitia os seguintes critérios:
Art. 1º Ao empregado doméstico, assim considerado aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas, aplica-se o disposto nesta lei.
Art. 3º O empregado doméstico terá direito a férias anuais remuneradas de 20 (vinte) dias úteis após cada período de 12 (doze) meses de trabalho, prestado à mesma pessoa ou família.
Observando esses dois artigos percebemos que o empregado doméstico era visto como um trabalhador que teria de cumprir suas funções sem atividades lucrativas e diferentemente da ampla classe trabalhista, amparada pela consolidação das leis trabalhistas, não teria direito aos habituais 30 dias de férias e sim apenas 20. A lei de 1972 ainda foi pouco alterada e republicada em 1973 em forma de decreto: DECRETO Nº 71.885 - DE 9 DE MARÇO DE
1973 - DOU DE 9/3/73 não alcançado em praticamente nenhuma reinvindicação a mais do
que a anterior. A importância dessa canção na sociedade e na própria estrada musical de Odair José é difícil ser mensurada. Foi justamente após o lançamento dela e por ter como grande parcela de seu público essas trabalhadoras, (que realizavam tarefas diárias como limpar a casa, os pratos ouvindo rádio – e justamente o cantor goiano era um dos mais tocados e tinha essa aproximação temática das classes sociais mais baixas) que Odair José passou a ser mais conhecido como ‘terror das empregadas’. Isso fez com que o próprio artista se engajasse na
campanha pela regulamentação da profissão, participasse de várias passeatas a favor desse segmento trabalhista51 e em fosse convidado para se apresentar em data comemorativas como nos mostra o comunicado do jornal do Brasil de 05 de outubro de 1973:
Fonte: Hemeroteca Digital: Jornal do Brasil - 1970 a 1979 - PRC_SPR_00009_030015. Jornal do Brasil 1973, 05/10/1973 - Sexta Feira Rio de Janeiro.
Durante esse evento, segundo o Jornal da Tarde, ao fim do show diversas mulheres avançaram sobre o artista para ser agarrado e beijado. O cantor precisou ficar cerca de 30 minutos trancados no banheiro.
51 Segundo o artista Odair José em entrevista ao programa História da Música, do apresentador Ulysses Gaspar (Ceará) no ano de 2010.
A letra da canção se refere justamente a uma situação em que a empregada doméstica e um rapaz, provavelmente de classe financeiramente mais favorecida, se apaixonam mas ela insiste em esconder sua verdadeira origem e sua profissão. E ao descobrir, ele relata para ela que já sabe de toda a sua rotina, sua história mas que isso não modificará o amor dos dois e que toda a riqueza que ele precisa para ser feliz é o amor dela. “Deixa essa vergonha de lado” foi
também umas das canções de Odair José que alcançou o número 1 nas paradas das rádios. Sobre essa temática o cantor mineiro Fernando Mendes, outro que citamos no primeiro capítulo e que compreendemos como grande cronista, também nessa mesma década lança (em 1977) a canção “Menina do Subúrbio” que possui elementos parecidos no que diz respeito a
condição social, quando muitas mulheres e trabalhadoras tentavam esconder como vergonha de suas posições. Leiamos a duas letras:
Eu já sei que essa casa onde você diz morar / Onde todo dia no portão eu venho lhe esperar / não é a sua casa
Eu já sei que o seu quarto fica lá no fundo/ e se você pudesse fugir desse mundo e nunca mais voltava
Eu já sei que esse garoto que você leva para brincar / e que todo dia na escola você vai buscar não é o seu irmão
Ele é filho dessa gente importante / e às vezes também é seu por um instante apenas dentro do seu coração
Deixe essa vergonha de lado! / Pois nada disso tem valor / Por você ser uma simples empregada / não vai modificar o meu amor
Eu já sei porque você não me convida para entrar / e se falo nessas coisas, você procura disfarçar fingindo não entender
Eu já sei porque você não me apresenta seus pais / Eu entendo a razão de tudo isso que você faz: É medo de me perder
Eu já sei que na verdade nada disso você quis você simplesmente pensou em ser feliz / Aí, não quis dizer
Mas você tem uma coisa, pode ter certeza / O amor que você tem por mim é a maior riqueza / Que eu preciso ter
Quando alguém se oferece para em casa a levar / Ela diz que tem seu carro, para não se preocupar. Pois não quer que ninguém saiba que ela mora muito além, finge que não quer carona vai pegar o trem.
(trecho de “Menina do Subúrbio”, Fernando Mendes – EMI, 1977)52
A Viagem
A maconha foi uma erva utilizada naturalmente no Brasil até o início do século XIX, sendo receitada para asma, catarro, insônia, ronco, dificuldade de respirar, aspiração sibilante e flatulências através dos “cigarros índios Grimault”19.
Ao que parece, as cigarrilhas Grimault tiveram vida longa no Brasil, pois ainda em 1905 era publicada em nosso meio a propaganda indicando-as para, asthma, catarrhos, insomnia, roncadura, flatos. (CARLINI. Pág 316) Na década de 1930, a maconha continuou a ser citada nos compêndios médicos e catálogos de produtos farmacêuticos53. É só a partir de 1930 que a perseguição ao cultivo e aos usuários passa a ser mais profunda, muito em decorrência da II Conferência Internacional do Ópio, em 1924, ocorrida em Genebra, onde o delegado brasileiro Dr. Pernambuco fez uma afirmação categorizando a maconha como sendo mais perigosa do que o próprio ópio (que, supostamente, deveria ser o foco da Conferência).
Foi também na década de 1930 que a repressão ao uso da maconha ganhou força no Brasil. Possivelmente essa intensificação das medidas policiais surgiu, pelo menos em parte, devido à postura do delegado brasileiro na II conferência Internacional do Ópio, realizada em 1924, em Genebra, pela antiga Liga das Nações. Contava da agenda dessa conferência discussão apenas sobre o ópio e a coca (CARLINI, 2006, p. 2006)
A partir da década de 1930, a maconha passa de uma substância livremente comercializada a uma substância reprimida em vários estados da União, onde passam a ser registradas prisões em consequência do comércio e do uso, em consonância com a emergência de um estado não democrático. É em 1932 que a venda, a troca e o porte da maconha passam a ser proibidos e sujeitos a pena de um a cinco anos de prisão, de acordo com o decreto de n°20.930.
52 http://www.vagalume.com.br/fernando-mendes/menina-do-suburbio.html#ixzz3bR2TLfCA 53 CARLINI, Elisaldo Araújo. “A história da maconha no Brasil”. Disponível em:
Segundo Fonseca (1980), a proibição total da planta ocorre em 1938, em todos os âmbitos do território nacional “A proibição total do plantio, cultura, colheita e exploração por particulares da maconha, em todo território nacional, ocorreu em 25/11/1938 pelo Decreto- Lei nº 891 do Governo Federal” (FONSECA, 1980 apud CARLINI, 2006). Este decreto-lei dá
início à legitimidade da política repressiva no Brasil.
Na década de 60, com a expansão das ideias da contracultura vindas de ares europeus e norte-americanos que entre várias reivindicações pregavam a paz, o amor livre e o uso livre de drogas, a juventude passou a ser mais vigiada pelas autoridades repressivas e os valores morais cada vez foram mais cobrados pelos tradicionalistas ao governo ditatorial. Entre as drogas mais consumidas no país e que se expandiu por diversas classes estava justamente a maconha, que agora além de condenada passava a ser associada também a utilização no meio artístico, principalmente nos segmentos musicais. Em 1968, seguindo a mesma lógica do governo Vargas, um novo decreto estabelece equivalência penal entre traficante e consumidor.
Associado a essa proibição pelo governo, existia também a necessidade deste criar no imaginário social uma condenação moral as pessoas que usassem tal substância. Portanto, vários anúncios em campanhas antidrogas associavam os usuários a pessoas que apresentam perigo a sociedade, manchavam as famílias e transgrediam até regras religiosas ‘por que saíam do estado de sã consciência’. Apesar da crescente repressão, a maconha passa a ser usada cada vez mais pelos jovens de classe média dos centros urbanos. Foi nesse universo de turbulência em torno do uso das drogas que Odair José lançou em 1975, pela Polyflor, a canção “A Viagem” no disco “Odair José 1975”.
Olha que a vida não para / Ela passa correndo/ E você está perdendo tempo demais
Olha que eu sou seu amigo/ E é por isso que eu digo/ Procure encontrar o seu mundo de paz
Venha comigo na minha viagem/ Não se preocupe eu tenho as passagens/ Venha comigo viver de verdade/ Para onde eu vou existe a felicidade Sei que você tem vontade/ Mas de repente o medo lhe invade/ E você não vem
Olha você vai ver de perto o mundo aberto/Cheio de sonhos que aqui não tem
Quero colocar na sua mente uma luz / Acabar de uma vez com os tabus / que um dia inventaram pra gente
Quero que você seja livre de fato / Seja dona dos seus próprios atos/ O importante é viver simplesmente
(A Viagem, Odair José – Polyflor, 1975)
Em contato com a Cannabis Sativa durante os shows e os bastidores da música, Odair José observa que a maconha estava cada dia mais presente no seu meio social e que não trazia os males enunciados pelo governo. Ao contrário do que os ‘moralistas’ admitiam, o cronista na canção alega que tem as passagens para um universo de felicidade, cheio de sonhos; um mundo que tem uma luz. Para isso é necessário acabar com os tabus sociais, os preconceitos mesmo admitindo o medo – devido as observações repressivas. O discurso da canção se assemelha em muitos aspectos justamente com aqueles das culturais hippies e da contracultura “Sexo, Drogas e Rock’Roll”.(uma alusão a liberdade)
Curiosamente, após o lançamento da música, que passou pela censura sem que os responsáveis pelo corte percebessem que se tratava de uma alusão a maconha, o governo militar cerca de um ano depois engrossou o quadro repressivo em relação ao uso da maconha. A lei de nº 6.368/1976, legisla sobre o assunto e “prevê prisão para a pessoa que tenha em poder qualquer quantidade de maconha, mesmo que para uso pessoal” (CARLINI, op. cit.).
Sendo assim, não se diferenciava o tráfico do uso pessoal e se categorizaram em mesma instância ambas as atividades.
Vida que não pára
O crescimento dos grandes núcleos urbanos e o aumento na velocidade das ações diárias, das muitas informações a partir da década de 50 e mais precisamente com a expansão da televisão nos anos 60, alterou bastante as relações sociais. Somemos isso a expansão no número de periferias no eixo-Rio-SP e ao aumento no número de subempregos e desempregados nessa região. Tais condições que tem o êxodo rural como uma de suas causas essenciais propiciaram que os anos pós desenvolvimentistas (JK) trouxessem grandes frustrações aos trabalhadores que haviam migrado em busca de boas condições de emprego, as pessoas que passaram a enfrentar além da dificuldade social, as truculências do regime militar.
Vida que não para é uma canção onde Odair José traz vários elementos de um Brasil que
passava a pouco a ser um país majoritariamente urbano, que começava a ter no núcleo das cidades cercados de metrôs, ônibus, o trânsito. Tudo isso associado a extensas jornadas de
trabalho, a desigualdade social e a insensibilidade que as pessoas acabam forçando no dia-dia devido a pressa, aos problemas pessoais.