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2.1. Ekonomik Bağımlılık Teoremi

3.1.2. Peronist Dönem

3.1.2.1. Peronist Dönemde Ekonomi

Após a Guerra do Paraguai e o acirramento de forças no âmbito interno, a adesão parcial ao pan-americanismo passa a representar uma tentativa do Império de se adequar à nova conjuntura, sendo que em um contexto mais amplo o Imperador se esforçava para trocar ‘a coroa pela cartola’. Durante o

período final do Império, ou seja, entre 1870 e 1889, o Brasil foi convidado para participar de vários fóruns e convenções. Em sua maioria, versavam sobre a tentativa de criar um direito interamericano que pudesse regular com mais facilidade as relações da região. O Império foi chamado a participar das reuniões por diversas vezes, mas as respostas em maioria foram reativas, em consonância com a política histórica de Distensão externa para com o tema, apesar de experimentar uma morosa flexibilização.

Em um deles, o Governo peruano convidou o Brasil, por meio de nota expedida pelo seu ministério das relações exteriores no dia 11 de Dezembro de 187523, a mandar representantes a um congresso de plenipotenciários jurisconsultos para tratar de uniformizar as legislações dos diversos Estados Americanos. As pretensões eram ousadas, dentre elas a de chegar a um acordo geral em matéria de leis civis, uniformidade na legislação de casamentos, formalidades nas relações externas, códigos de extradição uniformizados, legislação comercial no que se refere à falência e privilégios, propriedade intelectual, uniformidade de pesos e medidas, sistema monetário e uma convenção posta entre os Estados Americanos. O Governo Peruano argumentava

que “com o desenvolvimento das relações internacionais, as rápidas communicações entre os povos mediante estabelecimento da navegação a vapor e da correspondência telegráfica”, mudava a dinâmica das relações entre os povos do continente americano, e essa problemática deu origem um projeto para lidar com esses ‘novos’ desafios. (RRNE, Anexo I, p.191-193)

Em nota do dia 20 de abril de 187624, assinada pelo Barão do Cotegipe

em nome do ministério dos negócios estrangeiros, o Império reconheceu à conveniência e a necessidade de se tornarem uniformes as legislações nos pontos indicados. (RRNE, Anexo I, p.193-194) Ainda assim, o Governo Imperial alegou que essa matéria só seria resolvida em futuro remoto, porque “depende de trabalho lento e constante e muito mais acção scientifica individual e colletiva do que a acção diplomática”. O posicionamento brasileiro assegurou que esperaria os resultados dos trabalhos internacionais das nações europeias sobre direito internacional antes de qualquer outra posição e que conviria um congresso geral, antes do que exclusivamente americano, como proposto pelo Governo Peruano. O Império, sem negar a necessidade da discussão, mas pelos motivos expostos, julgou conveniente não tomar parte no projeto do congresso, apesar de agradecer o convite a ele dirigido.

Em outro caso, em uma reunião na cidade de Caracas, no dia 14 de Agosto de 1883, os representantes de alguns Estados Americanos firmaram uma ata contendo declarações que procuravam o estabelecimento de uma União Americana e à convocação de um congresso. O convite partiu do Presidente dos Estados Unidos da Venezuela, imbuídos de espírito americanista por ocasião das festas do centenário do Libertador Símon Bolívar. O encarregado de assuntos brasileiros foi consultado verbalmente sobre a possibilidade de tomar parte na conferência, e respondeu que não estava autorizado para isso. Por seu intermédio, logo depois disso, o Governo Imperial foi convidado a aderir às referidas declarações.

O Governo Imperial após refletir sobre o convite optou por diversos motivos a não aceitar a proposta venezuelana. Inicialmente, a ata que se lavrou foi assinada pelo Primeiro Magistrado da Venezuela, e exprimia o pensamento do seu Governo; mas além dele foi também assinada por agentes diplomáticos e consulares de outros Governos Hispânicos presentes em Caracas para fim diverso, sem poderes que o autorizassem a tratar de um assunto tão amplo e complexo. A ata, portanto, não tinha base suficiente para a solicitação de adesão. Quanto às declarações em sua generalidade, ela tratava de uma ampla e perpétua aliança para todos que com ela se comprometessem, algo com consequências difíceis de prever, segundo o Governo Imperial. Além disso, vários itens iam contra os interesses históricos brasileiros. Suas menções não incluiam a parte portuguesa da América25 e em outros temas versavam sobre uma resolução única para os litígios territoriais, obrigatoriedade da arbitragem como única solução de toda a controvérsia, e uma tentativa de unificação do direito internacional e dos pesos e medidas. (RRNE, Anexo I, p. 210-212)

O Império também não considerou conveniente se sujeitar a qualquer uma dessas decisões do congresso, uma vez que as questões territoriais, segundo o Governo Brasileiro vinham sendo resolvidas de forma direta e amigável; não podia contrair compromisso algum sobre os direitos do cidadão sem violar algumas disposições da constituição Imperial; além de manter as opiniões já registradas em outros fóruns de mesma natureza sobre unificações de direito internacional privado e outras questões.

Por fim, outro ponto de interação e conflito foram as questões de saúde, que tiveram momentos dramáticos no pós-guerra especialmente na região platina, originando vários congressos para tratar da questão. Em um dos casos, uma grande epidemia se acometeu de Montevidéu durante três meses, e por isso a República Argentina fechou os portos aos navios uruguaios, como medo de uma possível contaminação. A epidemia não cessou por conta dessa medida,

com reclamação do Uruguai a tal procedimento. Para que fossem retiradas tais deliberações, exigiu-se que Montevidéu se impusesse quarentena aos navios procedentes dos portos brasileiros, sob pretexto que no Império havia surtos de febre amarela. A exigência foi atendida, impedindo-se que tivessem livre prática os navios procedentes do Brasil para Buenos Aires e Montevidéu, com exclusão dos que não tivessem passado pelo país recebendo passageiros, carregamento ou malas. Várias foram às reclamações por parte do Império.

Classificada como “vexatória medida”, que não era aconselhada pelo estado sanitário do Império, só serviria para prejudicar o comércio e excitar os ânimos entre os dois países. Internamente, a Direção da Associação Comercial do Rio de Janeiro enviou uma representação contra essa medida à repartição de negócios estrangeiros, da qual foram comunicadas as legações em Buenos Aires e Montevidéu, fazendo as recomendações necessárias para que sejam defendidos os interesses comerciais brasileiros. Para tentar solucionar a questão, o governo Imperial expediu poderes ao seu ministro, Conselheiro Antonio José Duarte de Araujo Gondim, para celebrar com os plenipotenciários das Repúblicas do Uruguai, Argentina e Paraguai, que iriam se reunir em Montevidéu para discutir uma convenção que regule o regime sanitário que deveria ser aplicado em cada um dos estados com relação às embarcações procedentes de lugares infecionados ou suspeitos, mas não houve resolução para o caso. (RRNE, 1871, p.25)

Os recorrentes problemas sanitários levavam problemas e reclamações de lado a lado na região do Prata, especialmente por medidas adotadas unilateralmente para evitar a invasão de alguma epidemia do país vizinho. O Brasil por meio do então ministro Cotegipe, respondendo às legações das Repúblicas da região platina, afirmou que o único meio de evitar questões desta natureza seria uma convenção que regulasse os direitos e deveres recíprocos de cada Estado, e não imposição de opiniões que contrariam interesses de um e de outro. Da iniciativa brasileira nasceu uma convenção sanitária que ocorreu no Rio de Janeiro em 25 de Novembro de 1887. O Paraguai, convidado a participar das conferências em que seriam discutidos os atos internacionais, alegou falta de

tempo, mas que poderia oportunamente aderir, assim como outros Estados da América do Sul.

Finalmente, o Brasil recebeu um convite simultâneo dos governos argentino e uruguaio, por comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, datado do dia 1º de Março de 1888, a participar de um congresso no qual se formulariam tratados sobre matérias compreendidas no Direito Internacional Privado. O convite foi aceito, mas não mandou logo seus plenipotenciários, autorizando que os Ministros residentes em Montevidéu e Buenos Aires a representá-lo no ato da abertura do Congresso e nos subsequentes que não exigissem discussão. O nome escolhido para participar das conferências ficou a cargo do Conselheiro de Estado Domingos de Andrade Figueira, pela aptidão com as matérias que iam ser discutidas.

O Congresso foi aberto no dia 25 de Agosto de 1888 e foram firmados Tratados sobre: propriedade literária e artística; processo judicial; marcas de comércio e de fábrica; patentes; direito comercial internacional; direito penal internacional; direito civil internacional; exercício de profissões; além de um protocolo adicional estabelecendo regras gerais para a aplicação das leis de qualquer Estado contratante nos territórios dos outros, nos casos determinados nos referidos Tratados. O plenipotenciário brasileiro só assinou os primeiros cinco Tratados e o protocolo adicional, abstendo-se quanto aos outros por razões diversas. Em geral, os Tratados continham, nos seus dispositivos, atribuições que iam contra as leis internas do Império ou continham matérias que o plenipotenciário considerou sendo fora da esfera do direito internacional.

Os casos destacados pelos Relatórios da Repartição dos Negócios Estrangeiros (RRNE) demonstram a inflexibilidade apresentada pelo Império até os últimos anos de regime monárquico em suportar qualquer intenção mais profunda de criação de um verdadeiro interamericanismo, apesar de ser possível vislumbrar pequenas aberturas nessa conduta. A Distensão externa e histórica representada nas iniciativas regionais, sempre acompanhadas de uma constante vigilância para evitar qualquer coalisão antibrasileira, foi o sentido atribuído pelos

formuladores da política externa e pela elite Imperial para evitar qualquer consequência que poderia afetar a estabilidade do regime monárquico. Essa postura só começou a ser alterada quando as forças internas passaram a questionar a validade de tal conduta ou quando um problema prático obrigava a atuar na direção contrária a Distensão histórica, como no caso dos diversos problemas sanitários. Esse impulso de afastamento iria contrastar vertiginosamente com os impulsos Universalistas verificados para com as potências centrais e fora do contexto regional, tema esse do próximo capítulo.