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4.1. Türkiye Ekonomisi

4.1.3. İkinci Dünya Savaşı Dönemi

A constituição de 1824 referendava o Catolicismo como sendo a religião oficial do Império29, o que trazia consequências imediatas nas relações com as

autoridades da Igreja em Roma. (CALÓGERAS, 1957, p. 348-351) No Brasil, diferente do ocorrido em várias repúblicas hispânicas, as duas instituições conviveram com relativa harmonia e respeito mútuo. A grande mudança ocorreu quando o Papa Pio IX (1846-1878) mudou as diretrizes da Igreja e estabeleceu a autoridade suprema do papado. Como efeito dessa mudança, os bispos e padres no Brasil começaram a se rebelar contra a subordinação do Estado.

O conflito se iniciou na sentença do Bispo de Olinda, Dom Vital, que julgou interditada uma irmandade da cidade de Recife por não ter afastado os membros notoriamente maçons (5 de janeiro de 1873). A irmandade viu-se na impossibilidade de cumprir o mandato episcopal, e o Bispo impôs à corporação a pena de interdito. No Pará, o bispo Dom Antônio de Macedo Costa agiu de forma idêntica (março de 1873). A irmandade recorreu, segundo as leis do Império, à Coroa. Interpelado pelo presidente da província, o Bispo limitou-se a declarar que semelhante recurso era condenado por várias disposições da Igreja, preferindo assim deixar sua causa à revelia, a dar uma prova de submissão às leis do país. Depois de ouvir o Conselho de Estado, o Imperador por meio do Ministro do

29 Art. 5. A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas

as outras Religiões serão permitidas com seu culto domestico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo. (CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DO BRASIL DE 25 DE MARÇO DE 1824)

Império respondeu que o ato foi uma desobediência formal das leis imperiais, declarando, em suma, que as atitudes foram completa oposição aos poderes do Estado. (CALÓGERAS, 1957, p. 351-360)

O Governo, para evitar o agravamento do conflito, resolveu enviar em missão especial o Ministro plenipotenciário do Brasil em Londres, Barão de Penedo. As ordens dadas a ele eram de procurar obter que o Papa deixasse de instigar os bispos à sua desobediência e, ao contrário, aconselhá-los que agissem em conformidade com os preceitos constitucionais e com as regras de convivência entre as relações da Igreja e o Estado. O Império usava da política externa como instrumento de solução interna, algo que se mostrou vital durante aqueles anos. (CALÓGERAS, 1957, p. 360-363)

As instruções no trato com os representantes da Santa Sé davam o tom das animosidades:

(...)tanto nas conferencias que tiver, como nas communicações que dirigir ao cardeal secretario, usará V. Ex. de uma linguagem moderada, mas firme. O Governo Imperial não pede favor, reclama o que é justo e não entra em transacção. (RRNE, 1873, p.42)

Dando continuidade às instruções, foi informado que em paralelo à missão com o Papa, o Governo Imperial ordenou abertura do processo contra o Bispo de Pernambuco e, deixando claro sua intenção, se necessário, de empregar outros meios legais para solucionar o caso.

Em Roma, o enviado brasileiro dirigiu-se aos representantes da Santa Sé em inúmeras conferências e conversas sobre o caso. Em oficio de 25 de Novembro de 1874, o Barão de Penedo comunicava a solução final da questão, como a mais “completa e satisfaria possível”. Com desfecho das negociações, ficou acertado que o Papa estaria disposto a empregar os meios que julgasse apropriados para por fim ao “deplorável conflito”. Dentre os métodos que ele se referia estava uma carta que seria endereçada ao bispo de Olinda, fazendo

censuras sobre seu posicionamento e recomendando que levantasse os interditos lançados sobre as igrejas da sua diocese. (RRNE, 1873, p.42)

A carta que seria enviada ao bispo foi mostrada ao Barão de Penedo e declarava que a atitude do bispo causara ao Santo Padre um grande pesar. Dizia que o bispo entendera mal as instruções da Santa Sé, e que se houvesse a tempo o consultado sobre o assunto, teria lhe poupado essa amargura. Por fim, o Papa ordenava que restabelecesse o antigo estado das coisas, ou seja, a volta da paz da Igreja com o Estado Imperial.

Permanecia ainda o problema do julgamento do Bispo. O Barão afirmou não ter levado a questão aos encontros, já que seria demais pretender que a Santa Sé reconhecesse o direito que, segundo a Igreja, só ela tem direito. Dom Vital foi preso em 24 de janeiro de 1874 e enviado ao Rio de Janeiro, onde pouco depois, foi condenado a quatro anos de prisão com trabalho forçado, algo que ocorreria em breve com o bispo do Pará, também envolvido com a questão.

No Supremo Tribunal de Justiça e durante a sentença proferida, o representante apostólico no Brasil afirmou ser essa uma violação dos direitos e leis da Igreja, especialmente da imunidade eclesiástica e protestou contra o pretenso abuso. A resposta do Império foi enérgica, e em uma nota do Governo Imperial aos representantes apostólicos do dia 1ª de Março de 187430, disse:

O tribunal, que julgou o Rev. Bispo de Olinda e que há de julgar o do Pará, é o Supremo Tribunal de Justiça do Império, por nossas leis competentes; e esta competência não depende do juízo de nenhuma autoridade estrangeira, seja ella qual fôr. (RRNE, 1874, Anexo I, p.307- 308)

O protesto foi considerado pelo Império impertinente e nulo, e como tal sem capacidade de produzir algum efeito, no entanto, o conflito entre a Santa Sé e o Brasil não se resolveu com a resposta. Em nota do cardeal secretário de

Estado à Legação Imperial junto a Santa Sé, do dia 30 de Março de 1874, afirmava que:

(...) o sr. barão de Penedo assegurou (...) que seu Governo não tomaria medida alguma desagradável entre o bispo de Pernambuco e, era muito natural que assim acontecesse, achando-se pendentes as negociações entre a Santa Sé e o Governo Imperial. (RRNE, 1873, p.44) O Governo Imperial alegou que não duvidava das palavras do Secretário de Estado de Sua Santidade, mas não podia deixar de ter inteira fé ao seu agente, cujas informações contrariam aquela versão. O Governo afirmou que sabendo a Santa Sé da inteira independência dos poderes políticos do Estado, e tendo conhecimento que uma vez o processo instaurado, devia seguir todos os trâmites legais, não deveria ser surpresa o ocorrido. Por fim, alegou ser impossível ao Barão de Penedo ter feito uma promessa que não estava autorizado e que em nenhum caso seria cumprida. Além disso, reafirmava que nos ofícios trocados entre a Santa Sé e o Império, havia a informação do procedimento judiciário, e a surpresa do representante do papado deve ter ficado a cargo de pensar que apenas as palavras do Santo Padre poderiam resolver por si só a questão.

Em seguida o Papa enviou uma carta ao Imperador ameaçando-o com o juízo divino que: "quanto mais alto estiver alguém, mais severo será o ajuste de contas". Em uma análise política precisa, o Santo Padre também disse que "Vossa Majestade (...) descarregou o primeiro golpe na Igreja, sem pensar que ele abala ao mesmo tempo os alicerces do seu trono". A Questão Religiosa só iria se resolver definitivamente em 1875, durante o Ministério de Caxias, quando este obtém do Imperador a anistia aos religiosos, porém, o estrago causado seria permanente e fundamental para a derrocada do regime. (BARROS, 1974, p. 362- 363)