4.1. Türkiye Ekonomisi
4.1.4. İkinci Dünya Savaşı Sonrasında Demokrasiye
Se a face subordinada e liberal tinha um grande farol, não podia ser outro que não o britânico. Apesar de se enquadrar dentro do Universalismo daqueles anos, as relações com a Grã-Bretanha são anteriores e fundamentais na compreensão do Brasil. O tema basilar das relações do Império com os ingleses se centrou historicamente na discussão acerca da natureza desse vínculo, ou seja, se o Brasil teria ou não sido um mero interlocutor dos interesses britânicos na América do Sul, em especial na região do Prata. A árdua disputa pelo entendimento do verdadeiro caráter dessa relação entre os dois atores não chegou a nenhum consenso, mesmo que tenha se conveniado por alguns setores da intelectualidade atribuir ao Brasil um papel de representante de uma espécie de Império informal britânico. Por outro lado, grandes nomes como Oliveira Lima, no capítulo sobre o Império e a Política Exterior da obra O Movimento da Independência – O Império Brasileiro (1821-1889) sentencia que a Grã-Bretanha “nunca exerceu sobre o Brasil a espécie de protetorado que sob o disfarce de aliança de há séculos exerce sobre Portugal.” (LIMA, 1962, p.468)
De qualquer forma, o Império gozou nos últimos anos de uma inegável margem de autonomia frente à política externa britânica, especialmente após a extinção do tráfico negreiro, o reatamento das relações diplomáticas depois do término da Questão Christie (1862-1865) e o apaziguamento das disputas regionais, originando uma relação entre os dois países no mínimo amigáveis.
O Império sempre lidou de forma extremamente dual em relação às requisições inglesas: era corriqueiro estes fazerem exigências exorbitantes, e em geral, a diplomacia do Império respondia verbalmente e publicamente manifestava suas intenções de satisfazer aos pedidos; por outro lado, usava do expediente de adiar, procrastinar e tornava insignificante grande parte da substância objetivada pelos britânicos. A única diferença se dava quando as forças internas se somavam aos pedidos britânicos ou quando entendia ser necessário realmente tomar determinada posição, o Império cedia. (GRAHAM, 2004, p.168-172)
Apesar de a relação de subordinação ser o elemento condicionador das ligações entre os dois Estados, o Brasil parecia usar desse expediente para de alguma forma resguardar um pouco de sua autonomia frente ao poder britânico. Esse recurso não invalida o paradigma e sua face subserviente ao capitalismo europeu, mas demonstra que a simplificação da análise pode resultar em sínteses que não levam em conta toda a realidade.
As questões econômicas, especialmente comércio e investimentos, eram sem dúvidas, as matérias essenciais entre os dois países naqueles anos. Não que se possam ignorar as esferas de influência cultural, sobretudo nos núcleos da intelectualidade brasileira, entre eles Rui Barbosa e Joaquim Nabuco, esse último, confesso apaixonado pelos ingleses e grande apreciador das suas instituições. De qualquer forma é incontestável terem sido os interesses britânicos no Império de ordem acentuadamente econômico, incluindo nesse contexto a questão da escravidão, tão cara à diplomacia destes. A Lei do Ventre-Livre, em 1871, muito deve à pressão britânica, fruto de uma das mais acirradas controvérsias entre o Brasil e a Inglaterra, que era a questão servil.
As relações econômicas da Grã-Bretanha com o Brasil, e com toda a América Latina durante os anos de 1870 e de 1880, representaram uma época de ouro para esses países, especialmente pelo salto exponencial dos setores da economia baseados na exportação. Essa explosão se deu, especialmente, pelo aumento da demanda (inclusive inglesa) de gêneros alimentícios e matérias- primas, que só foi possível pela revolução comandada pelos britânicos nas comunicações e nos transportes, além da maciça entrada de capitais daquele país. O tamanho dos investimentos estrangeiros na América Latina é difícil de mensurar, porém, há algum consenso de que o investimento britânico era de ao menos 200 milhões de libras em 1880, sendo que quase um quarto de valor seria investimento no Brasil. Naqueles anos era desnecessária qualquer interferência direta nos assuntos da região, e em especial do Império, uma vez que o avanço das relações econômicas fazia das intervenções diretas absolutamente dispensáveis. Usualmente as elites viam com muito bons olhos a penetração do capital britânico, recebendo daquela fonte os benefícios da modernização
capitalista, parecendo ser essa uma das explicações mais elementares do
Universalismo daqueles anos para com o centro do sistema capitalista.
(BETHELL, 2009, p.582-598)
A situação britânica, no entanto, não foi isenta de dificuldades e desafios. As ameaças alemãs e especialmente norte-americanas incomodavam a primazia comercial na região, apesar de até o derradeiro momento da queda da monarquia, os investimentos de nenhum deles tirarem a soberania do capital britânico. No comércio imperavam as importações de produtos manufaturados, especialmente têxteis, artigos de algodão, mesmo quando as manufaturas têxteis brasileiras começaram a produzir sua própria roupa. Vários artigos de produção também vinham da Grã-Bretanha, e isso contribuía para aumentar a dependência estrutural da economia brasileira àquele país.
As exportações de café para com os britânicos nunca alcançaram os patamares que o mercado americano possuía, sendo que somente com o aumento da produção de borracha que o mecanismo exportador brasileiro voltou a vender produtos em grande escala. Nessas condições deficitárias, as importações deveriam ser pagas por outros meios pelo Império. Um dos meios mais relevantes desse pagamento consistia nos lucros obtidos pelos comerciantes britânicos no Brasil. Em meados de 1870, a sociedade de Philips Brothers & Co. exportava anualmente cerca de meio milhão de sacas de café, avaliadas em 2 milhões de libras esterlinas, e outra importante sociedade mercantil, a de E. Johunston & Co. abriu uma filial em Santos em 1881, sem contar as múltiplas empresas de transporte, que praticamente monopolizavam os fretes internacionais dos produtos brasileiros. Além disso, as casas bancárias, empresas de serviços urbanos, as ferrovias, ou seja, quase todos os serviços essenciais tinham presença hegemônica do capital direto britânico, e assim o foi durante todo o período final do Império. (GRAHAM, 2004, p.172-180)
Na diplomacia, o caso das Guianas merece alguma atenção. A origem deste litígio se deu quando um alemão chamado Schombourg fez nos anos de 1836 e 1838 algumas viagens e explorações pelo Rio Branco, e pela Guiana
Britânica, sobre a qual escreveu uma obra intitulada A descripition of British
Guyna, publicada em 1840 na capital britânica. Pouco depois da sua partida para
a Inglaterra, um missionário inglês chamado Youd saiu de Demerára e estabeleceu uma missão no campo do Pirára. O Presidente da província do Pará, à qual pertencia o território naquele momento, tendo conhecimento do ocorrido, ordenou que um oficial acompanhado de uma escolta intimidasse o missionário a voltar para os territórios de possessão britânica. A execução dessa ordem gerou longas discussões, na qual o governo britânico declarou ao Brasil que os índios de Pirára, que por ele considerava independentes, tinha se colocado sob sua proteção.
O impasse terminou temporariamente com um acordo provisório, cujas principais condições eram o Brasil retirar qualquer destacamento da região, reconhecer provisoriamente a neutralidade do território, sob a condição de ficarem as tribos de índios independentes e de posse exclusivamente do terreno até a decisão definitiva dos limites. Em 1843, não se tendo um acordo sobre as bases de um tratado definitivo, foi mandado a Londres o Conselheiro Araujo Ribeiro, depois Visconde de Rio Grande, para negociar um sobre limites com a Guiana Britânica. A negociação foi interrompida pelos britânicos, e o território ficou neutralizado.
Em 1887, sendo o Barão de Cotegipe o Ministro dos Negócios Estrangeiros, expediu à legação Imperial em Londres instruções para propor um ajuste por meio de uma comissão mista encarregada de reconhecer o dito território, como um ato preparatório para um tratado definitivo de limites. Houve grande esforço para a resolução da contenda pela região, especialmente em 1888, quando uma tentativa feita pelo Barão de Penedo junto ao Lord Salisbury para a nomeação de uma comissão mista encarregada de reconhecer o território litigioso, mas não surtiu efeito algum. (CARVALHO, 1959, p.212) A definição só se daria em 1904, mediante arbitragem do rei da Itália, Victor Emanuel II, que alegou ser impossível definir qual o direito preponderante na região litigiosa, resolvendo assim dividi-la.