1. BÖLÜM
2.5. Performans Esasl Bütçenin A amalar
2.5.2. Performans Programlama A amas
Segui caminhos que me foram surgindo no contexto da pesquisa, aliados à constante e diversificada leitura de textos que contemplam desde a dança, a matemática, a educação, a sociologia, a filosofia e a antropologia, considerando que
essas áreas se complementam, para uma aproximação mais ampla do que se pretendia conhecer.
Como já mencionei, os estudos de Ried (2003) e Laird (1998) me forneceram uma base para fixar os conceitos acerca da Dança Esportiva, e assim seguir o processo investigatório tendo, portanto, como escopo, a DECR. Desse modo, as informações tomadas e as analogias estabelecidas contribuíram para melhor compreender o desenvolvimento do processo investigativo.
Analisei documentos até então só disponibilizados para a arbitragem internacional e que, pela importância do trabalho desenvolvido e apresentado por Ried a essas pessoas, os cederam gentilmente.
Não desconsiderei o conhecimento de cada atleta dançarino da ABDCR no que se refere à dança, pois os tomei como sujeitos e agentes da pesquisa, principalmente pelo (auto)conhecimento das suas práticas. Práticas essas realizadas cotidianamente nas aulas de dança, mas que muitas vezes são apenas executadas, sem passarem por um processo sistemático de reflexão e análise acerca do que fazem. Exercitei, de fato, uma busca de vestígios sinalizadores que revelassem como são executadas as figuras inerentes às danças na modalidade de dança investigada. Qual o propósito? Inicialmente, minha hipótese foi obter subsídios para melhorar a performance desses atletas dançarinos que, no dia-a-dia, buscam se qualificar tecnicamente.
Nesse sentido, pensei em desenvolver uma investigação a partir do ambiente que eles conhecem, possibilitando que a matemática se constituísse na linguagem explicativa das práticas de dança que os levassem posteriormente a dominá-las.
Tracei diversos caminhos com os atletas dançarinos e dividi esse percurso metodológico em três fases que nortearam minhas ações:
1ª Fase: Pesquisa exploratória sobre o processo de matematização da dança.
Esta fase foi constituída de duas etapas. A primeira objetivou levar o atleta dançarino a refletir sobre o corpo e seu papel na dança. Como recurso para obter essas informações, utilizei um questionário (ver apêndice 1) no qual o atleta dançarino deveria registrar, por escrito, o que pensava acerca de algumas proposições de artistas e questões relativas à deficiência e a dança. Em seguida, fui
investigando sobre como os atletas dançarinos percebiam a simetria nas diversas esferas da vida, na dança de uma forma geral e também na DECR.
Na segunda etapa foi realizada uma entrevista semiestruturada, filmada com autorização dos sujeitos, na qual indaguei sobre quem era o sujeito que atua como atleta dançarino e sua concepção acerca da dança. Nesta etapa, considerei pertinente realizar algumas perguntas do questionário usadas na primeira etapa, pois algumas respostas foram evasivas ou superficiais. Percebi que, além do recurso da fala, o atleta dançarino pode se expressar por meio de gestos e movimentações, minimizando dificuldades de expressar-se por meio da escrita.
2ª Fase: (Auto) reflexo sobre a pesquisa exploratória
Após um mês da realização da primeira fase, apresentei aos sujeitos suas respostas fornecidas no questionário aplicado no primeiro momento, bem como a gravação da entrevista filmada. Minha intenção foi confrontar as respostas do questionário com os depoimentos de cada atleta dançarino, fornecido na entrevista filmada. Utilizei a filmadora para registrar suas reações acerca do que pensavam sobre deficiência, dança e simetrias.
Houve concordância, mas também muitas interpelações, dúvidas, discordâncias sobre o que fora falado por cada um deles. Ressalto que tanto a primeira quanto a segunda fase foram realizadas com cada sujeito separadamente, para que não se sentissem tímidos ao se expor. Alguns optaram por acrescentar informações nos depoimentos dados inicialmente. O mais importante é que os questionamentos refeitos proporcionaram reflexões nos sujeitos acerca do que pensavam, diziam e concebiam sobre os aspectos destacados anteriormente.
3ª Fase: Concretização do processo de matematização da dança
Ao perceber que um encontro era pouco para sistematizar um aprendizado matemático na DECR que esses atletas dançarinos praticavam, planejei e concretizei ações e diálogos em diversas idas e vindas que se tornaram relevantes para consubstanciar meu objeto de estudo.
Cada encontro foi registrado com filmagens, escrita e desenhos, a fim de que qualquer informação não fosse perdida. Falas e explicações que remetessem a sentidos que pudessem gerar significações matemáticas foram pontuadas ao longo dessa etapa. Além disso, ministrei uma oficina de matemática com foco na DECR,
com vistas a levar os atletas dançarinos a se aprofundarem em uma leitura matemática das figuras praticadas no ChaChaCha. Para isso, foram requisitados os conhecimentos que eles traziam; foram apresentadas fotografias digitais da DECR, especialmente de poses e figuras características do ChaChaCha, bem como foram utilizados vídeos extraídos do site youtube41.
Durante o processo, alternei os registros com informações acerca da DECR. Apresentei a proposta de investigação matemática como uma das formas de dar sentido a um contexto da aprendizagem, por acreditar que tudo o que não é significativo para a maioria das pessoas, não é aprendido. Assim, sugeri a geometria, especialmente o estudo de isometrias, como uma área que propiciasse o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem baseado na realização de descobertas. Utilizei também sites interativos42 com o objetivo de levar o sujeito a verificar os principais tipos de isometrias no plano. Os atletas dançarinos foram levados a associar as fotos aos tipos de isometrias e caracterizar as figuras que eram realizadas na DECR (ver apêndice 2).
Nesse processo dialógico, foi resgatado o conhecimento matemático dos atletas dançarinos a partir do ambiente que imaginei já ser conhecido deles, e que possibilitaria tornar a matemática uma linguagem que pudesse levá-los a aprimorar suas técnicas na dança.
A perspectiva de trabalhar com o diálogo na ação investigativa atendeu a esse grupo, que é múltiplo e diverso em vários aspectos. Um ponto forte foi a série de encontros nos quais foram trabalhados conteúdos de cunho matemático e fez com que o grupo percebesse e utilizasse o formalismo matemático, não só entre aqueles que tinham grau de escolaridade até a 4ª série do Ensino Fundamental, como também os de nível superior. De um modo geral, o conteúdo e a forma que foram trabalhados atingiram os atletas dançarinos, levando-os a relacionar a dança praticada com suas atividades cotidianas. Um deles lembrou que os movimentos realizados por ele quando era militar utilizava passos sincronizados que exigiam
41
Wheelchair dance sport 2006 world championships latin II .Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=pgsxO9REb5s>;
<http://www.youtube.com/watch?v=s5wju_kYlw8>;
<http://www.youtube.com/watch?v=xa3tKRzHNDE&feature=related>; Acesso em: 11 jun. 2009.
42
Introduction to Isometries. Disponível em: <http://www.scienceu.com/library/articles/isometries/>. Acesso em: 11 jun. 2009.
simetria e coordenação motora. Desse modo, associou a marcha militar a alguns movimentos utilizados na DECR e abordados durante o estudo.
Por apostar que é possível navegar com a Matemática num universo ainda pouco conhecido, como o da DECR, defendemos que nesse ambiente podemos propor o exercício de um olhar mais atento às figuras executadas pelo atleta dançarino cadeirante e andante, na dança do ChaChaCha, desde que se exercite continuamente a investigação da própria prática, o que neste estudo refere-se aos vestígios matemáticos acerca das isometrias que caracterizam algumas das figuras construídas ao dançar o ChaChaCha.